8 de outubro de 2006

Sexo, jogo político e hipocrisia na política americana

Sexo, jogo político e hipocrisia na política americana

J. Lee Grady

Os políticos ficaram “enojados” com os e-mails explícitos que o deputado federal Tom Foley, do Partido Republicano, enviou para adolescentes do sexo masculino. Então por que é que alguns desses mesmos líderes estão ansiosos para redefinir a sexualidade bíblica?

Todos nós, republicanos e democratas igualmente, ficamos horrorizados quando soubemos do mais recente escândalo sexual na capital dos Estados Unidos, envolvendo o parlamentar da Flórida Mark Foley. Logo que o noticiário ABC News publicou as mensagens instantâneas sexualmente explícitas que ele enviou para office-boys do Congresso, Foley abruptamente renunciou e se internou numa clínica de saúde mental e abuso de drogas.

A triste história de Foley forneceu o pior exemplo da hipocrisia de Washington. Por gritar alto, ele havia sido membro da Comissão Parlamentar sobre Crianças Desaparecidas e Exploradas! Ele lutava para proteger menores de predadores sexuais, mas pelo que tudo mostra ele passava as noites em conversas sexualmente impróprias com rapazes de menor através do computador.

Cópias dos e-mails assustadores de Foley se tornaram matéria para as comédias noturnas da TV e vídeos caseiros de YouTube. Tudo isso me lembra do escândalo de Mônica Lewinsky em 1998, quando eu tinha de explicar para meus filhos o significado de termos sexuais embaraçosos porque o caso sexual do Presidente Clinton com uma estagiária da Casa Branca dominou o noticiário todas as noites durante meses. (Será que chegaremos a nos esquecer do infame vestido azul?)

No caso Lewinsky, é claro, o perpetrador dos atos sexuais na escuridão não renunciou, e hoje milhões o admiram como um filantropo de bom coração e marido de Hillary. Suponho que os americanos tenham uma tolerância muito mais elevada por políticos que se envolvem em escândalos sexuais com mulheres de 21 anos em comparação com escândalos envolvendo rapazes de 17 anos.

No episódio de Foley, já que o caso era de natureza homossexual e os office-boys eram menores, todos — do Presidente Bush aos líderes republicanos e democratas — mostraram-se publicamente escandalizados. Eles estavam certos ao condenar a conduta de Foley, e ao lançar uma investigação para descobrir se alguém no Congresso acobertou o escândalo. Não há nada mais censurável do que um adulto tirando vantagem sexual de um menor — principalmente quando o culpado é uma autoridade eleita com nossos votos.

O que me preocupa acerca de tudo isso que está acontecendo é a atitude curiosa dos políticos: eles estão andando na ponta dos pés ao redor do que é óbvio. Ninguém quer dizer que a conduta homossexual em si é errada. Isso seria politicamente incorreto. Os políticos da capital dos EUA dizem que Foley errou porque seu caso envolvia adolescentes. Eles chamam seus comentários impróprios de nojentos e censuráveis. Mas não se atreveriam a usar as mesmas palavras para descrever o que um parlamentar gay faz com seu amante com quem dorme junto.

O próprio Foley anteriormente negou boatos de que ele era gay, mas nesta semana ele enviou uma mensagem mediante seu advogado: “Mark Foley quer que vocês saibam que ele é um homem gay”.

Ele também confessou que um clérigo abusou sexualmente dele quando ele era adolescente. É por isso que ele se internou numa clínica de reabilitação para receber terapia.

O que teria acontecido, fico tentando imaginar, se Foley tivesse dito que ele ia obter terapia para se curar da homossexualidade? Tal aconselhamento existe hoje à disposição através de terapeutas cristãos, porém os líderes na esfera psicológica secular se opõem ferozmente a esse aconselhamento — insistindo em que as pessoas gays “nasceram desse jeito” e não podem mudar.

Assim, parece que estamos nos enxergando encurralados. Por um lado nossos políticos estigmatizaram Foley como pervertido, enquanto ao mesmo tempo uma grande percentagem deles é a favor de uma redefinição do casamento que inclua dois homens e duas mulheres.

Será que poderemos aceitar as duas coisas ao mesmo tempo?

Gostaria que alguém no Congresso americano tivesse a coragem de chamar o problema por seu verdadeiro nome. A estrutura moral de nossa nação está se desmoronando ao redor de nós, mas não queremos admitir que o homossexualismo em todas as suas formas — não só a versão pervertida de Foley — é ruim para o país.

Em vez de usar o escândalo de Foley como futebol político para desacreditar um partido ou outro, por que não o usamos como aviso? Se jogarmos fora séculos de leis morais judaico-cristãs a fim de legalizar o casamento homossexual, e se formos insolentes diante de Deus redefinindo a sexualidade, o tipo de perversão que envergonhou a capital dos EUA nesta semana acabará nos destruindo.


Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com; www.juliosevero.com.br

Fonte: Charisma Online: Sex, Politics and Double Standards in Washington, 6 de outubro de 2006.

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