31 de outubro de 2006

Polícia alemã usa a força contra famílias evangélicas que educam os filhos em casa

Polícia alemã usa a força contra famílias evangélicas que educam os filhos em casa

Julio Severo

Resumo: Famílias evangélicas que estão sofrendo perseguição do governo alemão estão dando um precioso testemunho internacional de que os filhos não pertencem ao Estado, mas a Deus. Pais e mães alemães estão corajosamente lutando pela herança que Deus lhes deu, herança que o Estado quer controlar.

A Alemanha, como todos os países da Europa, vive uma era de tolerância e diversidade. Só os termos já falam bastante. Tolerância é ter paciência com o que é diferente. Diversidade é ter consciência de que existem diferenças que precisam ser respeitadas. A Alemanha está vivendo de forma tal radical esses dogmas politicamente corretos que Berlim tem um prefeito abertamente homossexual.

O governo alemão nem pensaria em oprimir, perseguir ou maltratar o prefeito homossexual, por causa de suas escolhas de ideologia e opção sexual, por mais estranhas e pervertidas que sejam. Aliás, seu nível de tolerância é tão alto que autoridades alemãs vêm criticando os Estados Unidos por causa do tratamento que os militares americanos dão para terroristas muçulmanos capturados e presos. A Alemanha de hoje defende os direitos humanos desses terroristas.

Como berço da Reforma protestante, era de esperar que a Alemanha se tornasse um país mais humano, mais tolerante e mais justo. Contudo, a herança de Lutero, e outros líderes cristãos que marcaram a Alemanha, foi esquecida. A fé que cultivou a tolerância na Alemanha não mais é tolerada e, numa estranha virada, os conceitos de tolerância e diversidade se perverteram de tal forma que estão cada vez mais encurralando a liberdade de os cristãos fiéis seguirem a Deus conforme sua própria consciência diante da Palavra de Deus. Essa liberdade de consciência religiosa, um dos antigos fundamentos da sociedade alemã, foi esquecida.

O que não foi esquecido do passado é a arrogância estatal de praticar intolerância contra os cristãos que escolhem obedecer mais a Deus do que ao Estado. Durante o governo nazista, Hitler promulgou lei proibindo a educação escolar em casa. Essa lei, que existe até hoje, continua atuando do jeito que foi criada para atuar: perseguindo, intimidando e oprimindo cidadãos que não se submetem ideologicamente ao Estado.

Famílias evangélicas que dão aos filhos educação escolar em casa estão sofrendo multas, perseguições e prisões na Alemanha. Umas das mães, ao ser presa, iniciou na cadeia estudos bíblicos para as outras mulheres presas. Em qualquer lugar que vão, os cristãos que conhecem seu Mestre dão bom testemunho — mesmo na cadeia.

Entretanto, o que a Alemanha de Lutero está fazendo prendendo inocentes mães cristãs e defendendo perigosos terroristas muçulmanos? O que foi que aconteceu com a Alemanha? A resposta pode ser assombrosa: a Alemanha está mudando de rumo, se distanciando de seus próprios alicerces cristãos. Enquanto muitas igrejas evangélicas alemãs estão fechando, os muçulmanos estão abrindo mesquitas e casas de oração por toda a Alemanha. Enquanto os costumes muçulmanos mais radicais são respeitados pelas autoridades alemãs, por causa da obsessão alemã de promover a tolerância e a diversidade, a Alemanha de Lutero age de forma bem diferente com os cristãos que seguem fielmente a Bíblia.

As famílias evangélicas, que escolheram dar aos filhos uma educação em casa alicerçada na Bíblia, agiram errado em proteger seus filhos da educação governamental que oferece educação sexual, respeito ao homossexualismo, respeito ao sexo fora do casamento, etc.? Não é o que o próprio Lutero faria?

Lutero era um homem corajoso, que não tinha medo de se opor vigorosamente às medidas injustas das autoridades. Ele já havia declarado as razões para os cristãos removerem seus filhos das escolas, numa orientação espantosamente profética que não só confirma a atitude das famílias alemãs que dão aos filhos educação escolar em casa, mas também nos desafia a avaliar se vale a pena sacrificarmos nossos filhos no altar estatal da educação pública. O próprio Lutero disse:

“Temo que as escolas acabem mostrando no final que são as grandes portas do inferno, a não ser que elas se dediquem diligentemente ao trabalho de explicar as Escrituras Sagradas, gravando-as no coração dos jovens. Não aconselho ninguém a colocar seu filho num lugar em que a Bíblia não reine de modo supremo. Toda instituição em que as pessoas não se ocupam mais e mais com a Palavra de Deus está condenada a se corromper”. [1]

Na semana passada, por ordem do governo alemão, vários agentes policiais foram ao lar de uma família que educa os filhos em casa. Contrariando as vontades dos pais, que não reagiram, os policiais arrastaram as crianças à força para a escola do governo. As crianças não paravam de chorar, porém os policiais não vacilaram em sua missão. Eles informaram ter recebido ordens de agir assim diariamente, até a família se submeter totalmente ao Estado.

O mais estranho é que as próprias autoridades que examinaram as crianças haviam comprovado que elas estavam recebendo dos pais uma educação que estava atendendo a todas as necessidades educacionais. Contudo, não importa que as crianças recebam uma excelente educação em casa, o Estado simplesmente na abrirá mão de seu controle na área da educação.

A medida brutal das autoridades, que utilizaram a polícia para humilhar e submeter uma família evangélica, ocorreu pouco tempo depois que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos decidiu como certa a lei alemã que proíbe a educação escolar em casa.

O Dr. Allan Carlson, presidente do Centro Howard da Família, Religião & Sociedade, comentou que a decisão é apavorante, dizendo: “O próprio Hitler declarava que somente o Estado tem o direito de dirigir a educação dos filhos de modo que as crianças e adolescentes aprendessem a ideologia do nacional socialismo. O que é irônico é que a Europa, que se orgulha de ser tolerante e respeitar a diversidade, adotou um instrumento de controle social inventado pelos nazistas”.

Fonte: www.juliosevero.com

Nota:

[1] William J. Federer, America’s God and Country (Fame Publishing, Inc.: Coppell, Texas, 1994), p. 405.

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