15 de outubro de 2006

Não Se Engane: o Comunismo Nunca Foi Melhor do que o Nazismo

Não Se Engane: o Comunismo Nunca Foi Melhor do que o Nazismo

Julio Severo

Nasci depois de 1964 e passei a maior parte de minha infância sem saber e sem me importar com os eventos que começaram no Brasil em 1964, em resposta à ameaça comunista. Apesar disso, a primeira vez que li sobre comunismo foi num livro para estudantes, porém a abordagem não era de forma alguma negativa.

Meus anos como aluno de escola pública foram vividos em pobreza e eu não tinha acesso a muitos livros. Mas os poucos que me eram acessíveis não poupavam elogios à União Soviética[1] e ao comunismo. Por exemplo, uma enciclopédia escolar popular tentava me ensinar, até mesmo utilizando versículos da Bíblia[2], que o socialismo é uma ideologia política preocupada com o bem-estar das pessoas, principalmente em dar chances iguais para todas as crianças. Além disso, a enciclopédia também apresentava o socialismo como um “princípio cristão”[3], utilizando como exemplo a “bela” manifestação de bondade que os soviéticos demonstraram para com a Alemanha derrotada da I Guerra Mundial. Enquanto países “capitalistas” como a França exigiam indenizações pesadas do sofrido povo alemão, os comunistas soviéticos — de acordo com a Enciclopédia Mundo Juvenil — deram um tremendo exemplo de compaixão:

De Moscou vinha a mensagem: “o governo entende e defende uma paz imediata e sem anexações, isto é, sem conquista de territórios de outros países, sem a submissão violenta de populações de outras nacionalidades e sem indenizações”. Os soviéticos partiam do pressuposto de que não havia lugar para a procura e o castigo de culpados. Responsáveis pela guerra era o regime político que permitia que uns explorassem outros. Propunha a reconstrução de que um mundo novo, sem oportunidades de desvios tendo como alicerces o perdão no passado e a fraternidade no futuro.[4]

Para a Enciclopédia Mundo Juvenil (EMJ), a União Soviética era a mãe de todas as virtudes e seus soldados comunistas eram libertadores das nações e representantes da paz, enquanto os EUA eram apresentados negativamente como a fonte de todas as opressões mundiais e os soldados americanos como invasores indesejados e destruidores desumanos.

Era estranho: em pleno regime militar uma enciclopédia escolar ensinando crianças a ver a União Soviética como um país de boas intenções e os EUA como um país envolvido em “imperialismo expansionista”[5], sempre com más intenções. Não era de surpreender esse proselitismo ideológico. Afinal, jamais existiu país que mais pregasse e promovesse o socialismo do que a União Soviética.

Apesar de que os militares do Brasil não permitiam a livre expressão das idéias comunistas, não era o que eu via como jovem e estudante. Parecia que o Brasil já se encontrava dominado por uma ditadura comunista que impunha como essencial cultivar o ódio aos EUA e o amor à União Soviética. Não há dúvida de que mesmo nos anos militares a elite estava desabafando, com muita liberdade, seus sentimentos através de material estudantil e dando a impressão de que os esforços dos militares para proteger o Brasil contra a ameaça comunista estavam impedindo o Brasil de prosperar e experimentar todas as realizações do paraíso socialista que os soviéticos estavam, supostamente, vivendo com tanta alegria, paz e amor.

Em pleno regime militar “anticomunista”, eu poderia facilmente ter engolido as “doces verdades” da enciclopédia escolar com anzol, vara e tudo o mais! O que me salvou de tal ilusão foi meu acesso, através de igrejas e pastores evangélicos, a fontes cristãs que me informavam sobre os sofrimentos dos cristãos que viviam em países comunistas. Eu era pobre, mas sabia, como evangélico, que comunismo era sinônimo de perseguição, opressão, destruição e morte. Em meados da década de 1980, fiquei comovido com a situação de cristãos russos condenados a trabalhos forçados na Sibéria. Com muito sacrifício, mandei cartas para alguns e cheguei a escrever para o líder máximo da União Soviética.

A EMJ mostrava a União Soviética como uma nação inocente, sempre ameaçada pelos países capitalistas, e limitava-se a revelar eventos históricos da maneira menos comprometedora possível para os socialistas: “Hitler firmou com os soviéticos um pacto de não agressão. Em seguida, em 1 de setembro de 1939, atacando a Polônia, desencadeia a guerra”.[6] Na verdade, hoje sabe-se que Hitler firmou com os “inocentes” e “bondosos” comunistas soviéticos um acordo para invadir, repartir, dominar e saquear a Polônia. Eles atacaram conjuntamente a Polônia, desencadeando II Guerra Mundial. Assim, os nacionais socialistas alemães e os comunistas da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foram co-responsáveis pela maior guerra que o mundo já viu.

Pouco tempo depois da invasão à Polônia, os dois regimes socialistas aliados e criminosos se separaram em suas ambições e a Alemanha invadiu a União Soviética, que acabou, com maciça ajuda americana, conseguindo rechaçar os invasores alemães. Posteriormente, os soviéticos invadiram e dominaram a Alemanha. Depois que a Alemanha já estava totalmente subjugada e o nazismo derrotado, os soviéticos voltaram a se lembrar de suas palavras sobre paz imediata, perdão e fraternidade, sem anexações e sem conquista de territórios de outros países; sem a submissão violenta de populações de outras nacionalidades e sem indenizações?

A EMJ afirma: “Terminada a carnificina [da II Guerra Mundial], verifica-se que a União Soviética apostara no socialismo e ganhara. Agora as potências imperialistas tinham pela frente um povo organizado, unido em torno de um ideal de fraternidade…”[7] Segundo o dicionário Aurélio, o termo fraternidade significa: “Amor ao próximo; fraternização. União ou convivência como de irmãos; harmonia, paz, concórdia, fraternização”. Para a EMJ, o comunismo havia transformado a nação soviética em promotora do amor ao próximo, união, harmonia e paz. Sua exposição positiva do socialismo era puro proselitismo e, embora os comunistas soviéticos impusessem o ateísmo em sua sociedade, a EMJ dava a impressão de que o socialismo soviético era o próprio Evangelho e que os soldados soviéticos eram verdadeiros anjos do amor ao próximo. Mas não se engane: o “evangelho” socialista não nunca foi melhor do que o “evangelho” nazista.

Esses anjos de amor deixaram marcas profundas em milhões de pessoas inocentes. Ninguém tem pena quando criminosos brigam e se matam uns aos outros. Assim também, ninguém se importa com o fato de que criminosos nazistas e comunistas tenham se matado na guerra. Mas pessoas inocentes foram terrivelmente atingidas. Anos atrás, li a história de uma moça alemã que presenciou a invasão soviética na Alemanha. Ela viu mulheres, moças e meninas alemãs — de todas as idades e totalmente indefesas — sofrendo diariamente nas mãos de soldados soviéticos, mesmo depois que a guerra já havia terminado. A população civil alemã estava inteiramente cativa de seus “libertadores”. Mais tarde, a moça alemã conseguiu fugir para a zona ocupada pelos “capitalistas” americanos e, ao ser abordada por tropas americanas, pensou que receberia o mesmo “tratamento” que as tropas soviéticas estavam impondo a todas as mulheres. No entanto, os soldados americanos a trataram com muito respeito, dando-lhe toda a ajuda que ela precisava. Ela ficou impressionada de ver que, enquanto na Alemanha Ocidental os americanos libertaram os alemães do nazismo e os ajudaram a se levantar, na Alemanha Oriental os soviéticos escravizaram o povo com crueldade maior do que o próprio nazismo havia feito.

Para a Alemanha derrotada da I Guerra Mundial, a União Soviética — que não foi um dos vencedores da guerra — ofereceu uma mensagem exemplar aos países capitalistas vencedores pedindo compreensão, perdão e fraternidade. Mas ao ser um dos vencedores da II Guerra Mundial, o que a nação soviética ofereceu para a Alemanha derrotada? Na parte ocidental da Alemanha, controlada pelos “frios capitalistas” americanos, houve restauração, progresso e desenvolvimento, levantando a Alemanha para sua posição de potência que é hoje. Contudo, o que houve na parte oriental da Alemanha, controlada pelos comunistas soviéticos? É o que vamos ver no artigo a seguir, traduzido e adaptado por mim.

Fonte: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

Notas:

[1] União das Repúblicas Socialistas Soviéticas — mais conhecida como União Soviética — é hoje geograficamente ocupada, em grande parte, pela Rússia.

[2] Enciclopédia Mundo Juvenil, vol. 3 (Editora Fulgor, São Paulo, 1966), p. 138.

[3] Ibidem.

[4] Ibidem, p. 140.

[5] Ibidem, p. 143.

[6] Ibidem, p. 144.

[7] Ibidem, p. 146.

Rússia: Novo Livro Revela Detalhes do Lado Escuro da Libertação que o Exército Vermelho Deu para a Alemanha

Jeremy Bransten

Nesta semana, os europeus celebram o 57º aniversário do fim da 2 Guerra Mundial. Tradicionalmente, é um tempo para refletir e lembrar os feitos heróicos. Mas o famoso escritor e historiador britânico Antony Beevor, autor de um livro recente sobre a queda de Berlim em 1945, diz que nem todos os soldados vitoriosos eram heróis. Beevor, utilizando informações extraídas de arquivos da época, deixa claro fatos preocupantes sobre a conduta de muitos libertadores soviéticos da Alemanha. O correspondente Jeremy Bransten, da Rádio Europa Livre\Rádio Liberdade falou com Beevor sobre seu livro recente.

Praga, República Tcheca, 8 de maio de 2002 (Rádio Europa Livre\Rádio Liberdade) — Enquanto os europeus marcam o 57º aniversário do fim da II Guerra Mundial nesta semana, nos próximos dias haverá muitos discursos sobre os feitos heróicos dos soldados do Exército Vermelho que libertaram metade do continente da opressão nazista.

Muitas dessas palavras de elogio merecem ser repetidas. Mas há outro lado da libertação soviética da Europa, principalmente da Alemanha, que raramente é mencionado. São histórias de atos enlouquecidos de violência e estupros em massa cometidos contra as populações civis. Muitas vezes, todos os níveis do comando soviético aprovavam ou, no mínimo, toleravam esses atos. O historiador e escritor britânico Antony Beevor, em seu recente e detalhado livro intitulado “A Queda de Berlim, 1945, conta esse lado da história.

Para ser justo, conforme aponta Beevor, só uma pequena parte das 500 páginas do livro trata especificamente da questão dos estupros em massa cometidos pelos soldados do Exército Vermelho. Mas as revelações, colhidas dos arquivos soviéticos que incluem relatos detalhados escritos pelos agentes da polícia secreta NKVD, são tão explosivos que ganharam a maior parte da atenção dos leitores. A Rádio Europa Livre\Rádio Liberdade falou com Beevor sobre esse aspecto da ocupação soviética da Alemanha.

Ao descrever as fontes de seu livro, Beever menciona Natalya Gesse, correspondente soviética de guerra e amiga íntima do cientista e posteriormente dissidente Andrei Sakharov. Gesse descreveu os soldados soviéticos na Alemanha em 1945 como um “exército de estupradores”.

Beever diz que um exame dos arquivos soviéticos confirma as alegações de Gesse. Ele descreve onde conseguiu suas fontes de informações.

“Certa quantidade dos arquivos do Ministério da Defesa, uma grande quantidade do Arquivo Estatal Central — e isso é muito importante, pois há informações… de que praticamente todas as mulheres no território da Alemanha Oriental estão sendo estupradas pelas tropas do Exército Vermelho. Nada se comenta sobre isso. Nada sugere que as informações são difamações ou mentiras ou algo parecido. As informações são apresentadas como fatos”.

Beever observa que esses documentos estiveram, durante muitos anos, abertamente disponíveis aos historiadores russos. Por que então a questão dos estupros em massa continua a ser omitida nas monografias e histórias populares da guerra freqüentemente escritas na Rússia?

“É muito impressionante o que está acontecendo com os historiadores russos. Obviamente, eles realmente acham muito difícil de enfrentar os fatos, ou mesmo avaliá-los. Por exemplo, penso que o ponto que mais chama a atenção é que a vitória em Berlim é considerada como um evento quase sagrado. Foi o ponto máximo da bravura inquestionável, heroísmo e sacrifício espantoso dos soldados do Exército Vermelho durante sua resistência contra a invasão nazista. O problema é que tudo o que mine ou lance sombras escuras sobre essa resistência é um assunto muito difícil para os historiadores russos lidarem”.

Beevor diz que os estupros em massa que os soldados soviéticos cometeram não se limitavam à população alemã.

“Do ponto de vista russo, a informação mais chocante que encontramos foi um relatório minucioso do principal representante do departamento político do primeiro fronte ucraniano (nesse fronte, havia um milhão de homens). O relatório informava que [os soldados russos estavam envolvidos] nos freqüentes estupros de mulheres e meninas russas, ucranianas e bielorussas que haviam sido levadas à força para a Alemanha, pela Wehrmacht, para trabalhos forçados. E essas jovens, que estavam em muitos casos rezando depois de dois ou três anos de horrendos tratamentos (rezando para que o Exército Vermelho as libertasse) então acabaram sendo estupradas e tratadas de maneira cruel e desumana pelos soldados do Exército Vermelho”.

O tratamento cruel e desumano estava fora de controle, e muitos soldados soviéticos estavam fazendo o que bem queriam sexualmente.

Um relatório informa: “Um número de 60 soldados costumava ir aos dormitórios onde essas mulheres [russas] libertadas eram mantidas presas e literalmente as estupravam num só ataque”.

Os arquivos realmente registram vários exemplos de comandantes tentando conter seus soldados. O marechal Konstantin Rokossovsky, comandando as tropas soviéticas na Prússia oriental (hoje Kaliningrado), chegou a dar uma ordem escrita no começo de 1945, avisando os soldados soviéticos para que redirecionassem seus “sentimentos de ódio na luta contra o inimigo no campo de batalha”. Mas tais ordens tiveram pouco efeito. Agora que os soldados estavam atacando com total fúria, era difícil controlá-los. De qualquer forma, o líder soviético Josef Stálin não parecia se importar com as ações de seus soldados enquanto eles cumprissem suas metas militares. Beevor afirma que os arquivos indicam uma falta de controle surpreendente por parte dos comandantes locais.

“Em parte por causa dos comentários feitos ao [líder político e militar da Iugoslávia Miloslav] Djilas, pode-se dizer que Stálin achava que as tropas precisavam de liberdade para ‘se divertirem’, e não havia nenhuma dúvida de que, no que dependesse de Stálin, ninguém iria atrapalhar essa ‘diversão’. E de todos os relatórios… a impressão que se tem é que basicamente o exército — apesar de todas as impressões da sociedade soviética aparentando total controle — estava fora de controle. O álcool era um dos maiores problemas. Aliás, vemos que muitos soldados do Exército Vermelho precisavam realmente se embriagar antes de começar seus atos de violência sexual a noite — era, de um modo estranho, quase como se eles precisassem de coragem para cometer esses estupros.

Quando os soviéticos avançaram e notícias sobre a conduta dos soldados soviéticos foram divulgadas no Oeste, o Kremlin finalmente fez tentativas de re-estabelecer disciplina nos soldados. Em 11 de abril de 1945, veio uma nova ordem de Moscou. Beevor esplica: “Novas ordens e instruções eram mandadas dizendo: ‘Conforme o Camarada Stálin sempre diz, os Hitlers vêm e vão, mas a Alemanha continuará para sempre e precisamos nos lembrar de que nosso inimigo são os nazistas e não os civis alemães inocentes”. Mas, é claro, agora já era tarde demais — pois só faltavam poucos dias antes do ataque a Berlim. E muitas autoridades políticas viram que os oficiais e soldados se recusavam a obedecer às ordens — alguns realmente disseram: ‘Isso é ridículo’”.

Alguns oficiais que tentaram impor as ordens do Kremlin, comenta Beevor, foram denunciados por seus próprios homens.

“Havia também casos — conforme observam [Lev] Kopelev e outros escritores — em que oficiais que tentaram impor uma disciplina foram mortos a tiros por suas próprias tropas ou até foram acusados de humanitarianismo burguês e pena para com o inimigo, o que era quase equivalente à traição”.

É claro que incidentes de saque e estupro foram registrados nas fileiras dos exércitos aliados nos dias finais da II Guerra Mundial. Mas nada se compara, nem de longe, à escala em massa das ações dos soviéticos, que continuaram estuprando e saqueando por muito tempo depois que a guerra na Europa já tinha terminado, de acordo com Beevor.

A disciplina e o controle que os oficiais britânicos exerciam sobre seus soldados, por exemplo, em grande parte impediu tais ações.

“O próprio fato de que os sargentos e oficiais britânicos mantinham um controle rígido sobre todos os seus soldados e sabiam exatamente onde eles estavam significava que havia bem pouca chance de os soldados saírem do controle. E o que é de chamar a atenção é que (por causa dos estupros e saques que estavam acontecendo em Berlim em agosto, meses depois do fim da guerra na Alemanha) o [marechal Georgi] Zhukov impôs novas ordens para impedir que os estupros e saques continuassem. Suas instruções são realmente — lendo-as do ponto de vista militar do Ocidente — espantosas. Essas ‘novas medidas’, como eram chamadas, já eram praticadas pelos exércitos do Ocidente como absolutamente fundamentais para suas tropas em seus alojamentos de cidade natal, sem mencionar em operações de exercício num país estrangeiro”.

Em análise final, é preciso reconhecer que nem todos os soldados soviéticos participaram das crueldades que Beevor descreveu. Os que cometeram crueldades muitas vezes tinham sofrido barbaridades e tinham testemunhado atrocidades nazistas que seus colegas em outros exércitos aliados só podiam imaginar. Mas 57 anos depois do fim da guerra, comenta Beevor, é hora de os veteranos soviéticos e principalmente a Rússia pós-soviética reconhecerem esse capítulo desagradável de sua história em tempo de guerra — capítulo que é muito bem conhecido na Europa Oriental e Central, mas que permanece tabu na Rússia.

Mas como confessa ele, talvez precisemos aguardar mais alguns anos. Os veteranos soviéticos que Beevor e sua equipe de pesquisadores entrevistaram não estavam com bom humor para um exame da própria consciência.

“A vasta maioria dos veteranos se negou a reconhecer que os estupros ocorreram. Havia os tipos esquisitos e raros que de repente — para o espanto de todos — se gabariam dos estupros. Eles diziam: ‘Sabe, todas as mulheres alemãs levantavam a barra da saia para nós. Engravidamos as alemãs com dois milhões de bebês.’ E havia outras conversas semelhantes. Mas a vasta maioria, com muita seriedade, dizia: ‘Não, nada parecido jamais ocorreu’”.

Fonte: http://www.rferl.org/features/2002/05/08052002104901.asp

Estupros em Massa em Nemmersdorf

Na fronteira leste da Alemanha com a Tchecoslováquia, a cidade alemã de Nemmersdorf foi a primeira a cair nas mãos do vitorioso Exército Vermelho. Invadida pelo 11º Exército de Guardas do General Gatlitsky, seus soldados, enlouquecidos e sedentos de sangue, começaram a estuprar, saquear e matar com tal ferocidade que houve necessidade de impor disciplina a fim de forçar os soldados a lutar na guerra. Dos prédios, placas russas penduradas diziam: “Soldados! Vinguem-se sem misericórdia!” Quando o 4º Exército Soviético conquistou cinco cidades mais tarde, quase não restou nenhum habitante com vida. As mulheres foram pregadas nas portas dos celeiros depois de serem despidas e estupradas por multidões de soldados; seus corpos foram então usados para a prática de tiro ao alvo. Muitas mulheres e menina mesmo de oito anos eram estupradas tantas vezes e com tanta brutalidade que morriam exclusivamente por causa dos estupros. Os soldados russos ativaram em todas as crianças indiscriminadamente e os civis em fuga eram esmagados debaixo de tanques soviéticos. Quarenta franceses prisioneiros de guerra foram mortos a tiros como espiões depois de dar as boas vindas ao Exército Vermelho como libertadores. Setenta e uma mulheres e um homem foram achados nas casas, todos mortos. Todas as mulheres, inclusive meninas de oito a doze anos, haviam sido estupradas.

A orgia de estupros que as tropas soviéticas cometeram foi bem maior do que se cria inicialmente. Até mesmo mulheres e meninas novas, que haviam sido libertas recentemente dos campos de concentração na Polônia e Alemanha, não escapavam de sofrer estupros selvagens.

Soldados russos não poupavam nenhuma mulher e menina

O fato, destacado por Beevor, de que as tropas soviéticas estupravam não só alemãs, mas também as vítimas dos nazistas que tinham sido recentemente libertas dos campos de concentração, indica que a violência sexual era muitas vezes indiscriminada.

As tropas soviéticas não viam os judeus necessariamente como também vítimas dos nazistas. Os comissários soviéticos haviam assumido os campos de concentração alemães a fim de prender seus próprios prisioneiros políticos, que incluíam “inimigos de classe”, bem como oficiais nazistas.

Quanto aos milhões de prisioneiros russos ou trabalhadores escravos que sobreviveram aos nazistas: aqueles que não eram executados como traidores ou mandados para o Gulag podiam se considerar sortudos. As mulheres entre eles eram provavelmente tratadas do mesmo jeito que eram tratadas as alemãs, talvez pior.

Os estupros na Alemanha deixaram um legado amargo. Contribuíram para a impopularidade do regime comunista da Alemanha Oriental e sua conseqüência dependência da Stasi, a polícia secreta. As próprias vítimas foram traumatizadas de maneira permanente: as mulheres da geração do tempo da guerra ainda se referem ao memorial de guerra do Exército Vermelho em Berlim como “o Túmulo do Estuprador Desconhecido”.

Fontes:

http://members.iinet.net.au/~gduncan/massacres.html

http://www.arlindo-correia.com/berlin_1945_reactions.html

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