24 de agosto de 2006

Nem todos têm AIDS

Nem todos têm AIDS

Michael Fumento

Manifestações em favor de campanhas de prevenção se destacaram durante a abertura da XVI Conferência Internacional da AIDS em Toronto, Canadá, na semana passada. Oh, que tristeza! É tarde demais. No mesmo dia, o jornal Washington Post colocou uma foto na sua primeira página mostrando um homem com uma camiseta onde se lia: “Nós todos temos AIDS”. Pode jogar fora as camisinhas, esqueça a abstinência e não se incomode de fazer um teste. Ou qual é a parte do “todos” que você não entende?

É sério. Esse tipo de propaganda é só um exemplo de como ideologias políticas sempre aleijam as campanhas contra a AIDS. Ninguém realmente crê que nós todos temos AIDS. Mas muita gente está engolindo a idéia paranóica de que “Todo o mundo está em risco”. Não há dúvida que tal idéia atrapalha todo esforço de mirarmos a atenção naqueles que de fato estão em risco. A ciência inteira da epidemiologia (que começou quando o médico londrino John Snow mapeou os casos de cólera em sua cidade e descobriu que estavam todos agrupados ao redor de uma única bomba d’água) depende de se identificar os fatores de risco para se obter uma melhoria. No caso de Snow, bastou-lhe remover o cabo da bomba d’água e a epidemia cessou.

Ele teve a sorte de não ter de lidar com ativistas carregando cartazes dizendo: “A água não causa a cólera. O que causa a cólera é o preconceito e a ignorância!”

Desde 1985, quando a revista Life retumbou em imensas letras vermelhas, “Agora Ninguém Está a Salvo da AIDS”, os ativistas vêm lutando furiosamente contra a idéia de que a AIDS atinge como alvo aqueles que se envolvem em determinadas condutas. No entanto, nas duas décadas posteriores a AIDS permanece nos EUA uma doença predominante em homens homossexuais e usuários de drogas intravenosas. Menos de 39.000 americanos foram diagnosticados com AIDS em 2004 (dados mais recentes de que se dispõe), e menos de 16.000 morreram de AIDS. Isso significa 1 de cada 770 e 1 de cada 1.875 respectivamente. O fato é: quase todo mundo está a salvo da AIDS.

Mas é claro que a atenção principal dessa conferência é a questão internacional da AIDS, que todos sabemos está varrendo continentes inteiros do mapa. Uma alta autoridade de Uganda disse que dentro de dois anos sua nação “será um deserto”. O programa Nightline da ABC News declarou que dentro de 12 anos “50 milhões de africanos poderão morrer de AIDS”.

O problema é que essas predições foram feitas em 1986 e 1988. Contudo, desde 1985, a população de Uganda duplicou. Os 50 milhões de mortos para o ano 2000 do programa Nightline demonstraram ser 20 milhões em 2005, de acordo com as estimativas da ONU. Além disso, “na África abaixo do Saara, a região mais atingida pela epidemia da AIDS, os dados também indicam que o índice de incidência do HIV já chegou ao ponto máximo na maioria dos países”, de acordo com o Relatório da UNAIDS 2006.

Essas estatísticas são da própria agência da ONU que vem exagerando de modo flagrante a ameaça mundial da AIDS. Por exemplo, em 1998 essa agência estimou que 12% dos ruandeses de 15-49 anos de idade estavam infectados; hoje diz que é só 3%. Que diferença, hein? Por outro lado, outras agências haviam estimado uma estatística ainda mais horrível: que 30% dos ruandeses estavam infectados. De acordo com James Chin, uma ex-autoridade da ONU que realizou algumas das primeiras estimativas globais do HIV, tais estatísticas inventadas são “pura propaganda para defender interesses ideológicos”.

Entretanto, o ex-presidente americano Bill Clinton declarou aos participantes da conferência: “É difícil imaginar como o mundo poderá crescer, a menos que lidemos com a AIDS”. A verdade é que o crescimento da população mundial é mais acelerado nas regiões mais duramente atingidas pela AIDS.

Quanto à alegação bizarra de que ainda nos resta lidar coma AIDS, a UNAIDS relata que 1.3 milhão de pessoas nos países de renda baixa e média receberam terapia antiretroviral em 2004, cinco vezes mais do que o número de 2001. O sangue doado passa hoje por testes até mesmo nos países mais pobres. O nível de testes e educação nas nações mais pobres aumentou muito.

Enquanto isso, os gastos mundiais com a AIDS foram em média 1.7 bilhão de dólares entre 2002-2004, mas chegaram a 8.3 bilhão de dólares em 2005 e o orçamento para 2007 é 10 bilhões. O tamanho imenso dessa verba, e o desejo de tirar uma fatia, é tudo o que você precisa saber para entender como a conferência de Toronto conseguiu atrair de modo impressionante 24.000 participantes que são com todo acerto rotulados de “a indústria da AIDS”. Apesar disso, a UNAIDS insiste, esses 10 bilhões não serão o suficiente.

Ninguém está se importando com o fato de que até mesmo o atual orçamento para lidar com a AIDS está tirando dos recursos que deveriam ser investidos para combater a malária e a tuberculose. Anualmente, essas duas doenças matam juntas duas vezes mais pessoas do que a AIDS. A terapia antiretroviral para tratar a AIDS não cura ninguém e embora custe relativamente pouco no Terceiro Mundo — 300 a 1.200 dólares por ano — em comparação com a América do Norte, pode-se curar a tuberculose com 65 dólares de medicamentos. Dá para impedir a malária na África e Ásia por uma ninharia utilizando-se o DDT, mas os ambientalistas radicais e a União Européia bloquearam sua utilização naquelas regiões que mais precisam.

Pobres vítimas da malaria e da tuberculose. São obrigadas a morrer, porque não têm uma doença politicamente correta.

Michael Fumento é autor de The Myth of Heterosexual AIDS (O Mito da AIDS Heterossexual) e especialista em saúde e ciência no Instituto Hudson em Washington, D.C., EUA.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com; www.juliosevero.com.br

Fonte: http://www.spectator.org/dsp_article.asp?art_id=10252

Um comentário:

Roberto Robledo disse...

Conheci pessoas no Centro de Referência AIDS em São Paulo e vi como é tratada essa questão da transmissão heterossexual da AIDS. É criminoso! Para não "estigmatizar" os gays, preferem deixar que esses corram mais riscos de contrair AIDS, NÃO FAZENDO PROPAGANDA PARA ESSE GRUPO. Nunca médicos, assistentes sociais, psicólogos e outros "trabalhadores da saúde" devem ter participado de tamanho genocídio, talvez com exceção dos médicos do III Reich. Monstros!