1 de abril de 2006

Pena de Morte: Contradições difíceis de entender

Pena de Morte: Contradições difíceis de entender

Julio Severo

Há um paradoxo irracional e até bizarro nas atitudes sociais de hoje com relação ao valor da vida humana. Os mesmos países ricos que são contra a pena capital para os criminosos culpados de assassinato são, inexplicavelmente, a favor dessa mesma pena para bebês inocentes que se encontram na barriga de suas mães. E agora lutam para estender essa pena aos doentes, aos deficientes e aos idosos, mediante práticas de eutanásia. Querem livrar os culpados dessa pena, sob a alegação de que é um meio cruel de a sociedade castigar indivíduos perigosos.[1] Ao mesmo tempo, não querem livrar os idosos, sob a alegação de que a eutanásia é um meio “misericordioso” de livrá-los do sofrimento. Querem, além disso, que as autoridades civis se envolvam nessa área, quando a Bíblia deixa bem claro que o papel do governo e das leis civis não é castigar os bons, mas os maus.

“Porque as autoridades civis não são terror para [as pessoas de] boa conduta, mas para [as de] má conduta. Você não quer ter medo daquele que está em autoridade? Então faça o que é certo e você receberá a aprovação e o elogio dele. Pois ele é o servo de Deus para o seu bem. Mas se você errar, [tenha medo dele e] receie, pois ele não usa e leva a espada inutilmente. Ele é o servo de Deus para executar Sua ira (castigo, vingança) sobre o malfeitor”. (Romanos 13:3-4 Bíblia Ampliada em inglês)

A espada era usada como um instrumento para castigar e matar. Embora a Palavra de Deus esclareça que as autoridades têm permissão de Deus para usar a espada contra os criminosos, não há nenhum apoio na Bíblia ao uso da espada contra os inocentes, nem para a prática do aborto nem da eutanásia. Isso é contrário aos princípios de Deus.

As autoridades podem, de acordo com a Palavra de Deus, usar a espada para o benefício da sociedade. O que não se pode é fazer o que muitos governos fazem hoje, permitindo o sacrifício de vidas humanas inocentes nas chamadas experiências com células troncos embrionárias. Se a sociedade moderna não tolera a execução dos assassinos que matam seus cidadãos inocentes, então por que tolerar o aborto e o sacrifício de embriões em experiências médicas loucas? Tal contradição é no mínimo hipócrita e ilógica.

Na Europa, onde a execução de criminosos assassinos foi há muito tempo abolida, a execução de bebês na barriga de suas mães é legalmente mantida como um direito sagrado das mulheres. Nos EUA, os mesmos líderes sociais e meios de comunicação que lutam para salvar da pena capital o pequeno número de indivíduos condenados por assassinatos brutais também lutam incansavelmente para proteger a execução brutal dos mais que 1 milhão de crianças que são legalmente abortadas todos os anos! Isso sem mencionar que nada é feito contra a crescente prática de assassinar bebês recém-nascidos nos hospitais.

Na França mais da metade dos médicos que cuidam de recém-nascidos afirmou, numa pesquisa, que freqüentemente administram drogas para acabar com a vida de recém-nascidos que têm algum problema médico incurável, porém a França é conhecida internacionalmente por sua radical oposição à pena de morte de assassinos brutais.[2] Parece que salvar a vida dos culpados é a preocupação mais importante dos ativistas sociais de hoje.

As mesmas sociedades que, por motivo de compaixão, se opõem à pena de morte para assassinos desumanos agora a estão aplicando, por motivo de “compaixão”, em bebês indefesos. Tudo indica que os idosos serão os próximos na fila.

A tendência de combater a pena de morte para os culpados e defendê-la para os inocentes é não só um mistério, mas talvez também o maior desafio e contradição da nossa geração. E é estranho também que cientistas que estão tão ansiosos para encontrar vida em outros planetas não sintam o mínimo remorso de fazer experiências em bebês vivos — que eles chamam simplesmente de embrião ou outros nomes que suavizem a plena humanidade do ser humano indefeso antes do nascimento. Estão com tanta vontade de descobrir e preservar formas de “vidas” que não conhecem quando não se preocupam em preservar e proteger a vida inocente mais importante que já conhecem.

www.juliosevero.com.br

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Notas:

[1] Dr. C. Everett Koop, The Right to Live, The Right to Die (Life Cycle Books: Toronto-Canadá, 1980), p. 38.

[2] Pro-Life E-News, 22 de junho de 2000, Canadá.

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