28 de março de 2006

Os Ativistas Homossexuais da Europa e do Canadá Estão Usando o Governo para Silenciar a Oposição

Ativistas Homossexuais da Europa e do Canadá Estão Usando o Governo para Silenciar a Oposição

Essa situação também acabará ocorrendo no Brasil?

Ed Vitagliano

(AgapePress) — Durante décadas, os ativistas homossexuais afirmavam que eles eram oprimidos por sociedades que queriam que eles permanecessem em silêncio e no armário. Agora que estão experimentando aceitação cultural inédita na civilização ocidental desde a época da antiga Grécia, os homossexuais não mais ficam sem visibilidade e oportunidade de falar tudo o que querem. Aliás, a população homossexual vem obtendo lugar de participação nas importantes esferas de poder político.

Aparentemente, os ativistas consideram essa reviravolta social como um jogo limpo. Na Europa e no Canadá, os simpatizantes do movimento homossexual estão usando o poder coercivo do governo para silenciar aqueles que se opõem à sua agenda.

Os grupos pró-família nos Estados Unidos, ao mesmo tempo, estão apontando para esses outros países com crescente urgência, avisando que o que está acontecendo na Europa e Canadá já está começando a acontecer nos EUA.

Tempestade

Na Europa, a medida em que o ponto de vista politicamente correto se enraíza dentro do sistema legal, o ponto de vista cristão está cada vez mais sob pressão.

Por exemplo, quando o Rev. Peter Forster, o bispo anglicano de Chester, Inglaterra, declarou ao jornal de sua cidade que os homossexuais podem deixar seu estilo de vida obtendo ajuda médica profissional, ele recebeu uma visita inesperada da polícia. Agentes policiais foram até a residência de Forster depois que fizeram uma queixa, com boletim de ocorrência, acusando-o de crime de ódio.

Pelo menos um grupo homossexual chamou os comentários de Forster de “diabólicos”. Martin Reynolds, diretor de comunicações do Movimento Cristão Gay e Lésbico, disse ao jornal Daily Telegraph (de Londres): “Esses comentários são irresponsáveis e poderiam inflamar latente homofobia”.

A polícia investigou a queixa, porém decidiu não tomar mais nenhuma medida — mas só porque a lei britânica contra o incitamento ao ódio racial não havia ainda sido estendida para incluir a orientação sexual.

A escritora Lynette Burrows, que defende os valores da família, também aprendeu do modo difícil, quando ela criticou a adoção homossexual numa entrevista de rádio ao vivo em Cambridge, Inglaterra. De acordo com o jornal Daily Telegraph, depois que um dos ouvintes se queixou, a polícia iniciou uma investigação — afirmando que os comentários dela podem ter se constituído num “incidente homofóbico”.

“Fiquei espantada”, disse Burrows acerca investigação formal. Quando ela declarou para a investigadora que a Inglaterra era um país livre que protegia a liberdade de expressão, a policial respondeu a ela que “não era um crime, mas que ela tinha de registrar esses incidentes. A polícia estava me usando. A investigadora me informou que a polícia estava de olho nas minhas opiniões. Acho isso sinistro e completamente inaceitável”.

A mesma pressão está sendo usada em outras partes da Europa: o cardeal católico Gustaaf Joos da Bélgica está enfrentando um processo por causa de seus comentários, publicados numa revista, acerca da opinião cristã sobre o homossexualismo. Na Espanha, o cardeal Antonio Varela de Madri também está enfrentando um processo por pregar contra o homossexualismo num sermão. E na Irlanda, o clero católico foi informado de que se distribuir as publicações da Igreja Católica contra o casamento gay poderá enfrentar processos sob as leis de crimes de ódio da Irlanda.

Ao mesmo tempo, a medida em que a União Européia (UE) continua tentando fiscalizar mais e mais a vida diária das nações membros, o confronto entre os direitos homossexuais e os direitos religiosos se torna inevitável também.

Em janeiro de 2006, por exemplo, o Parlamento Europeu passou uma resolução condenando a “homofobia” e exigindo que as nações membros introduzam e então implementem leis concedendo direitos para os homossexuais no ambiente de trabalho.

De acordo com uma matéria da Rede Arco-Íris, a resolução, que foi aprovada por 469 votos a favor e 149 contra, requer que a Comissão Européia comece processos contra países que recusam passar tais leis.

Naturalmente, a passagem da resolução recebeu aplausos dos homossexuais, um dos quais agradeceu aos cristãos por sua falta de ação durante os debates para a aprovação da resolução. “Outro ponto positivo é que os radicais lunáticos estavam aparentemente muito silenciosos”, gabou-se Joke Swiebel, um ativista homossexual e ex-membro do Parlamento Europeu. “Não vale mais a pena se opor aos gays e lésbicas no próprio Parlamento”.

Loucuras Canadenses

No Canadá, grupos pró-família e outros conservadores sofreram séria derrota quando essa nação legalizou o casamento gay em 2005. Mas a pressão do governo contra aqueles que ousam abrir a boca contra o homossexualismo vinha aumentando há vários anos.

Por exemplo, em 2001 William Whatcott criou e distribuiu um panfleto alertando acerca dos perigos médicos e espirituais do estilo de vida homossexual, mas ele acabou sofrendo problemas legais depois que quatro homossexuais leram o panfleto. Eles o consideraram “expressão de ódio”, e o Tribunal de Direitos Humanos de Saskatchewan concordou. Whatcott recebeu ordem de pagar mais de $17.000 para os homossexuais.

Ao mesmo tempo, os Cavaleiros de Colombo, uma organização masculina ligada à Igreja Católica Romana, foram multados em $2.000 pelo Tribunal de Direitos Humanos da Colúmbia Britânica depois que os Cavaleiros se recusaram a permitir que duas lésbicas alugassem um salão de sua organização para um “casamento” homossexual. Embora o tribunal poupasse, na base de objeções religiosas, os Cavaleiros de Colombo de uma condenação, a multa foi imposta por causa da “humilhação” que as lésbicas “sofreram” por terem de procurar outro local — ainda que as próprias lésbicas é que tivessem tornado o assunto público informando a imprensa.

Contudo, as lésbicas não ficaram satisfeitas com a decisão, e disseram que apelarão. A advogada delas, Barbara Findlay, disse: “Esse vai ser o primeiro teste legal real da lei de casamento gay. Queremos que o tribunal deixe bem claro até onde se estende a liberdade de religião. Onde estão os limites entre direitos religiosos e direitos homossexuais?”

Esses limites legais podem ser irrelevantes para David Hauser, o membro dos Cavaleiros de Colombo que tinha responsabilidade de vetar a celebração nupcial das lésbicas no salão. Mas o que acabou ocorrendo, de acordo com uma matéria em LifeSiteNews.com, é que Hauser foi demitido de seu emprego na empresa Costco logo depois, e ele alega que foi por causa dessa briga.

Por que é que ele pensa desse jeito? Uma das lésbicas que registrou o boletim de ocorrência alegando discriminação na realidade também trabalha na empresa de Hauser, e ele disse que muitas das pessoas na gerência de seu antigo local de trabalho eram abertamente homossexuais.

Ironicamente, outros cristãos estão descobrindo que estão no lado errado da lei. As leis antidiscriminação e contra os crimes de ódio — leis que os ativistas gays declaram ser absolutamente necessárias para proteger a população homossexual — são agora armas nas mãos dos que querem silenciar o Cristianismo.

Scott Brockie, um tipógrafo cristão, foi multado em $5.000 em 2000 pela Comissão de Direitos Humanos de Ontário porque ele se recusou, na base de suas convicções religiosas, a imprimir materiais para um grupo homossexual. Mas a Comissão decidiu que ele deveria imprimir. Aliás, a Comissão lhe disse que ele deveria imprimir qualquer outra coisa que o grupo quisesse.

Muito embora uma corte de apelação tivesse dado a Brockie uma vitória parcial — lhe informando que ele não tinha de imprimir mais materiais com temas homossexuais — a multa original foi sustentada. Além disso, o processo inteiro de apelo o deixou com uma dívida de mais de $100.000. Então a Comissão de Direitos Humanos entrou com processo e venceu uma ação que exigia que Brockie pagasse as despesas legais da Comissão. Essa ação o sobrecarregou com uma dívida de mais $40.000.

Mas até mesmo quando um cristão promove suas convicções em seu próprio tempo livre, de uma maneira desligada de seu emprego, os resultados podem ser devastadores. Chris Kempling, conselheiro do Distrito Escolar de Quesnel na Colúmbia Britânica, concedeu uma entrevista à Rádio CBC em 2003 — enquanto estava em seu lar no feriado de Natal.

Na entrevista, Kempling, que é um psicólogo licenciado com um doutorado nessa área, explicou sobre sua especialidade: aconselhamento para homossexuais que desejam deixar esse estilo de vida.

O distrito escolar suspendeu Kempling por três meses, mas quando ele tentou processar a escola por discriminação religiosa, o Tribunal de Direitos Humanos da Colúmbia Britânica negou-lhe audiência.

Em resposta, o Rev. Tristan Emmanuel, um aberto defensor da família tradicional no Canadá, disse para LifeSiteNews.com: “A decisão do Tribunal de Direitos Humanos [da Colúmbia Britânica] deixou claro que a questão não é sobre tolerância — é sobre supressão de toda a oposição — um tipo de guerra santa contra a livre expressão e liberdade de religião”.

A verdade é que a liberdade de religião continua a enfrentar pressões no Canadá, assim como vem ocorrendo na Europa. De acordo com o jornal National Catholic Register, o bispo católico Fred Henry de Calgary ofendeu os grupos homossexuais quando ele se opôs ao casamento gay numa carta à sua diocese. Dois homossexuais acusaram o bispo de discriminação.

Em sua própria defesa, o bispo Henry argumentou: “Meus direitos à liberdade de religião e livre expressão foram violados. Aqueles que apóiam o casamento gay querem silenciar as igrejas nesse importante debate. Aqueles que favorecem o casamento gay receberam plenas oportunidades de expor suas opiniões nessa questão. Mas agora eles estão dizendo que qualquer um que abrir a boca contra o casamento gay está cometendo discriminação contra os homossexuais”.

Para os cristãos do Canadá, talvez a lei mais detestável foi a lei homossexual contra crimes de ódio, a Lei C-250, que foi aprovada pelo poder legislativo em 2004. Como explicou Lynn Vincent da revista World, a Lei C-250 declara que é “ilegal publicar, distribuir, mandar pelo correio, importar ou falar qualquer comunicação que se possa perceber como promovendo ou incitando ‘ódio’ contra ‘grupos identificáveis’”, que inclui os homossexuais.

“Todos os que, ao comunicarem declarações (menos conversas em particular), deliberadamente promoverem ódio contra qualquer grupo identificável são culpados de… um crime sujeito à sanção penal”, diz a lei. A punição inclui até dois anos de prisão.

Embora a lei faça uma exceção aos grupos religiosos, os cristãos no Canadá temem que os tribunais removam essa isenção, pois a exceção só se aplica se uma pessoa expressa sua opinião religiosa “em boa fé”.

Vincent declarou que “pelo menos um tribunal de Saskatchewan já sustentou que certas passagens da Bíblia expõem os homossexuais ao ódio”.

Levando em conta a aprovação da Lei C-250, pelo menos um advogado no Canadá está aconselhando as igrejas a considerar “evitar críticas públicas aos grupos identificáveis” e “limitar opiniões às conversas em particular”.

Se as igrejas seguirem esse conselho legal, será o começo da morte do testemunho cristão no Canadá. Mas parece que é isso o que os ativistas homossexuais querem. Aqueles que saíram do armário querem começar a socar os cristãos para dentro de seu próprio armário.

Ed Vitagliano é um colaborador regular de AgapePress e é editor de notícias de AFA Journal, uma publicação mensal da Associação da Família Americana.

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Traduzido e adaptado por Julio Severo:

www.juliosevero.com.br

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Fonte: http://headlines.agapepress.org/archive/3/152006b.asp

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