22 de março de 2006

O veredicto dos boateiros: “Bush mentiu”

O veredicto dos boateiros: “Bush mentiu”

Julio Severo

“Está comprovado que George W. Bush mentiu sobre as armas de destruição em massa no Iraque”. — Opinião comum da mídia brasileira.[1]

Não é segredo para ninguém que hoje em dia ser contra o aborto e o homossexualismo é um convite para a impopularidade entre os liberais e esquerdistas. Se não é fácil até para um cristão assumir essas posições impopulares, muito menos para um homem que ocupa importante função política.

Mas os esquerdistas e liberais são “justos”, pelo seu próprio conceito. Eles nunca lançariam um ataque frontal direto contra as convicções cristãs de uma autoridade política, pois tal atitude negativa poderia despertar os cristãos para uma revolta legítima contra os agressivos preconceitos anticristãos.

A tática é simples: aguarda-se que a “vítima” cometa qualquer coisa que eles possam interpretar como grave erro ou até crime. Qualquer mínimo deslize pode ser inflado para muito além da seriedade que jamais mereceu.

Um clássico exemplo é a proverbial “mentira de Bush”. Diz-se proverbial porque é a palavra mais comum usada para se referir ao presidente americano. Quem diz que é mentira é a mídia liberal, que não está nem aí se Bush estava com a razão quando declarou que o ditador Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa (ADMs).

Essas armas representavam um enorme perigo internacional, porque já era bem sabido que Saddam financiava os ataques terroristas suicidas contra alvos civis israelenses inocentes. Bombas mortíferas explodiam em todas as partes de Israel, mutilando, destruindo e matando, enquanto as famílias dos “palestinos” suicidas eram recompensadas com o dinheiro que Saddam reservava especialmente para essa finalidade.

Além disso, há evidências de que o governo de Saddam cooperou com o grupo terrorista muçulmano que cometeu os atos terroristas contra os EUA em 11 de setembro de 2001.[2]

As intenções terroristas de Saddam não são novidade. No começo da década de 1980, a força aérea israelense bombardeou e destruiu uma instalação nuclear no Iraque. Essa foi a primeira tentativa frustrada de Saddam de fabricar ADMs.

Agora, o serviço secreto americano informava ao presidente Bush da existência de ADMs nas mãos de Saddam. Como sempre, Israel seria um alvo inquestionável. Em segundo lugar, viriam os Estados Unidos que, ou bem ou mal, são a nação que mais defende Israel.

O que então Saddam poderia fazer possuindo mortíferas ADMs? O que seria de Israel? O que seria dos EUA?

“É tudo mentira!”

Bush precisava agir rapidamente contra as ADMs, antes que fosse tarde demais. O Iraque foi invadido e… as ADMs não foram encontradas. Pelo simples fato de que essas terríveis armas de grande poder de destruição não foram imediatamente achadas, os inimigos de Bush aproveitaram para lançar a campanha “Bush mentiu”. Quando se ouve hoje que “Bush mentiu”, repete-se exatamente o slogan dessa propaganda.

Até mesmo revistas evangélicas, que se consideram conceituadas, entraram alegremente na campanha, como se tivessem subido o monte Sinai, conversado com o Deus de Moisés e depois retornado para dizer a todo o povo evangélico: “Sim, Deus nos contou tudo. Bush realmente mentiu. Saddam Hussein nunca teve ADMs. Saddam está sofrendo injustiças do presidente americano”.

Em matéria intitulada “A descoberta da mentira” — inteiramente dedicada a Bush —, a revista Ultimato, que jamais tentou esconder seus sentimentos sobre o presidente americano, declarou:

Já que o nome de Deus foi profanado abertamente pelos detentores do maior poder bélico do mundo, a religião cristã foi muito prejudicada… A revista Veja pergunta “Onde estão as armas?” e anota: “Se nada for encontrado, o distinto público poderá entender que o governo de George W. Bush mentiu para convencer o mundo da necessidade de derrubar o ditador” (11 jun. 2003, p. 55). Na mesma edição, a coluna “Ponto de Vista”, do historiador brasileiro Luiz Felipe de Alencastro, transcreve um editorial do jornal francês Le Monde (29 maio 2003), no qual se lê: “Trata-se, sem dúvida, da maior mentira de Estado destes últimos anos” (p. 18).[3]

No curtíssimo artigo, Ultimato homenageia negativamente Bush citando a palavra mentira 12 vezes, citando a Bíblia três vezes e citando Carlos Heitor Cony duas vezes. Cita a Bíblia porque é a praxe evangélica. Não se pode chegar ao povo evangélico, para ensinar ou enganar, sem o uso de trechos da Bíblia. Cita Carlos Heitor Cony porque é a praxe esquerdista. Ninguém melhor do que um esquerdista para expressar os sentimentos de outro esquerdista.

No artigo, Cony “inocentemente” promulga que Bush invadiu o Iraque por interesses puramente financeiros. Como é que ele conseguiu “descobrir” que o presidente americano agiu por dinheiro? Fácil. Pela sua experiência.

Na política do governo Lula de sugar os nossos impostos para indenizar radicais comunistas perseguidos durante o governo militar, Cony, não pensando nos próprios interesses financeiros, renunciou a uma gorda indenização, paga exclusivamente pelo generoso povo brasileiro. No entanto, não foi bem assim que o bondoso esquerdista agiu. Em 2004, o jornal O Estado de S. Paulo informou:

De 1965, data da perseguição de que o acadêmico [Carlos Heitor Cony] se diz vítima, para cá não consta que ele tenha passado necessidade, uma vez que esteve sempre bem empregado e tenha merecido notório reconhecimento social. Mas sua renda, que na certa modesta não é, será acrescida de uma indenização de R$ 1,4 milhão. Ele ainda teria direito a receber R$ 23.187,90 por mês, mas o valor será de fato de R$ 19.115,19, teto salarial do funcionalismo federal, correspondente ao salário de um ministro do STF.[4]

Esse é o perfil altruísta do esquerdista que a revista Ultimato usou para sustentar o boato de que Bush mentiu sobre ADMs nas mãos de Saddam.

Afinal, Bush mentiu ou não? Se ele não mentiu, por que os esquerdistas, evangélicos ou não, insistem em sustentar e fortalecer a “proverbial mentira de Bush”?

Havia realmente armas de destruição em massa

De acordo com Pat Boone, há hoje provas convincentes que as ADMs eram uma ameaça real. Boone é cantor, artista e escritor evangélico, mais conhecido entre os evangélicos por seu papel do Pr. David Wilkerson no filme A Cruz e o Punhal. Ele é também descendente do legendário Daniel Boone. Ele declara:

  • Os Estados Unidos descobriram umas 12 horas de gravações no palácio de Saddam Hussein — autenticadas pela metodologia do FBI — contendo debates com vozes conhecidas como Tariq Aziz e outros, inclusive o próprio Saddam, falando sobre o que fazer com os estoques e recursos de ADMs.

  • Unidades Spetsnaz (forças militares especiais da Rússia) ajudaram os soldados de Saddam a esconder — principalmente na Síria — as ADMs. Os iraquianos haviam comprado essas armas da própria Rússia.

  • Duas autoridades militares iraquianas de alta patente — General Georges Sada, o segundo em comando na Força Aérea do Iraque, e Ali Ibrahim, outro comandante iraquiano — afirmam que Saddam possuía estoques de ADMs e as transportou para fora do Iraque por terra e num avião de passageiros 747 adaptado, para serem escondidas na Síria.[5]

A verdade final então é que a campanha covarde “Bush mentiu” apenas revela como o ódio pode mover um ser humano contra outro, a ponto de mentir para acusar o outro de mentiroso. Pode-se chamar de “campanha que mentiu que Bush mentiu”. A iniciativa maliciosa foi tão sistemática e bem sucedida que hoje, não importa o que Bush diga, o rótulo de mentiroso continua sendo sustentado.

Contudo, até mesmo Jesus era acusado de enganar e mentir. Não importa o que ele fizesse, os inimigos viam somente o que queriam ver:

“Na multidão havia muita gente comentando sobre ele. Alguns diziam: —Ele é bom. — Não é não; ele engana o povo! —afirmavam outros.” (João 7:12 NTLH)

“E disseram: — Governador, nós lembramos que, quando ainda estava vivo, aquele mentiroso disse: “Depois de três dias eu serei ressuscitado.”” (Mateus 27:63 NTLH)

Ninguém está comparando Bush com Jesus, porém é importante entender que ninguém é imune a difamações e mentiras. Se até Jesus não escapou de ser alvo de boatos maldosos, o que se pode então esperar dos meios de comunicação que odeiam a posição de Bush contra o aborto e o homossexualismo?

O que fazer com boatos e mentiras?

É claro que a atitude da mídia liberal acusando Bush de mentir sobre as ADMs representa desonestidade. Mas para os líderes e meios de comunicação evangélicos que também participaram, o caso envolve mais do que desonestidade. Espalharam um boato malicioso no meio do povo de Deus, sem consultar a Deus. E é de estranhar que tenham agido assim, pois o Brasil tem um presidente que se comprometeu diante de muitos pastores evangélicos, antes das eleições de 2002, de que jamais deixaria seu governo promover o aborto e o homossexualismo. No entanto, qual é o líder ou revista evangélica que ousa se levantar para dizer que Lula mentiu?

Esses guardiões da verdade prosseguem seus boatos acerca de Bush, sem nenhum respeito, mas se recusam a dizer que Lula mentiu, porque, dizem eles, “a Bíblia nos ensina a respeitar as autoridades”. Não se sabe então qual é o critério que eles usam para criticar uma autoridade que não mentiu e poupar a autoridade que realmente mentiu.

Contudo, o que se sabe é que quando não se tem certeza de um assunto, não temos o direito de espalhá-lo como se fosse verdade. A própria Bíblia condena essa atitude:

“Não espalhe notícias falsas e não minta…”. (Êxodo 23:1 NTLH)

“Ninguém faça declarações falsas e não seja cúmplice do ímpio, sendo-lhe testemunha mal-intencionada”. (Êxodo 23:1 NVI)

“Não admitirás falso rumor e não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa”. (Êxodo 23:1 RC)

“Não faça acusações falsas…. Pois eu condenarei aquele que fizer essas coisas más”. (Êxodo 23:7 NTLH)

Aliás, um dos Dez Mandamento ordena que não podemos contar mentiras sobre as pessoas:

“Não dê testemunho falso contra ninguém”. (Êxodo 20:16 NTLH)

Embora pouco possa se fazer para que os meios de comunicação seculares pensem em descer de seu pedestal de arrogância para se arrependerem de seus boatos e mentiras contra Bush, as revistas evangélicas têm uma oportunidade de ouro de mostrar que são diferentes. Independentemente do fato de que essas revistas considerem Bush evangélico ou não, é preciso destacar que foram lançadas contra o homem covardes ADMs (Armas de Difamação em Massa), e muitos ajudaram a espalhar essas ADMs através de boatos. É hora de reconhecer o erro.

“Porque quem se engrandece será humilhado, mas quem se humilha será engrandecido”. (Lucas 14:11 NTLH)

O cristão, seja um simples articulista ou dono de uma revista, TV ou rádio, tem o chamado, como todos os outros cristãos, de espalhar o Evangelho, não boatos.

www.juliosevero.com.br

Notas:

[1] http://www.mp.sc.gov.br/canal_mpsc/clipping/revistas/veja_051108.htm

[2] http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=49297

[3] http://64.233.179.104/search?q=cache:lOHnSB5D_oAJ:www.ultimato.com.br/revistas_artigo.asp%3Fedicao%3D283%26sec_id%3D620+Bush+mentiu+OR+mentira+OR+mente+site:www.ultimato.com.br&hl=en&ct=clnk&cd=1

[4] http://txt.estado.com.br/editorias/2004/10/25/editoriais001.html?


[
5] http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=49221

Um comentário:

zaira disse...

Julio depois de quase 3 anos estou colocando o meu comentário. Concordo plenamente com as suas colocações. Sempre considerei o presidente Bush um homem sincero e bons principios. Muitas vezes fui de encontro a pessoas que influenciadas pela midia vinham me falar mal dele. Quando li o seu artigo fiquei feliz pois descobri que afinal de contas eu não estou sozinho no meu ponto de vista. abraços.