23 de março de 2006

A Grande Mentira: O Socialismo Começou na Bíblia

A Grande Mentira: O Socialismo Começou na Bíblia

Julio Severo

Os socialistas, comunistas, esquerdistas e outros radicais com diferentes rótulos — porém com idéias e ambições políticas semelhantes — costumam alegar que o socialismo começou na Bíblia. Eles utilizam como exemplo uma experiência que os 12 apóstolos tentaram na primeira igreja cristã, na região da Judéia. Não houve direção direta de Deus para os líderes cristãos judeus decidirem o uso e administração de seus recursos financeiros, mas Deus lhes deu liberdade para tentarem seus próprios caminhos. O que sabemos é que os apóstolos tiveram a inspiração humana de que todos os cristãos judeus deveriam vender tudo o que tinham e entregar todo o dinheiro aos apóstolos. Nada era poupado, inclusive propriedades. Foi talvez uma tentativa de criar uma comunidade de interesses, trabalhos e sacrifícios comuns.

Prova de fogo

À primeira vista, a tentativa era excelente, principalmente porque os apóstolos tinham muito boas intenções com sua iniciativa. Contudo, tudo o que é bom precisa passar pelo teste de aprovação, assim como o próprio ouro precisa passar pelo fogo, para que toda sujeira seja retirada e o ouro fique puro e valioso. A tentativa de introduzir uma vida de comunidade entre os cristãos judeus passaria por um tempo de muita necessidade, uma verdadeira prova de fogo. Aliás, o mundo inteiro passaria por tal necessidade, e o próprio Deus avisou seu povo do que estava para acontecer. Deus usou um profeta para prevenir:

“Um deles, Ágabo, levantou-se e pelo Espírito predisse que uma grande fome sobreviria a todo o mundo romano, o que aconteceu durante o reinado de Cláudio”. (Atos 11:28 NVI)

O profeta Ágabo alertou que uma grande fome sobreviria para todo o mundo romano. Já que os apóstolos de Jesus e a primeira igreja cristã do mundo estavam em Jerusalém, na Judéia, é de supor que de todas as igrejas espalhadas pelo mundo, as igrejas judaicas teriam melhores condições espirituais de enfrentar o problema da fome. Mas não foi o que aconteceu. A fome sobreveio ao mundo romano inteiro e todos sofreram. Mas todas as igrejas cristãs conseguiram prevalecer nessa situação, menos as igrejas da Judéia. Por que? Todos eles não tinham o mesmo Cristo poderoso e seu Espírito Santo, que até os avisou?

Todas as igrejas, judaicas ou não, sofriam perseguição religiosa e mais tarde, juntamente com todo o restante do mundo, passaram a sofrer o problema da fome. No entanto, só as igrejas da Judéia estavam mais vulneráveis a esse problema. Se as igrejas não judaicas, que estavam sob a direção de apenas um apóstolo, conseguiram se manter no meio de uma crise mundial de fome e até ajudar as igrejas judaicas, como é que as igrejas judaicas, sob a liderança de doze apóstolos, estavam tão vulneráveis e fracas? Qual foi a diferença importante entre essas igrejas?

Não há diferenças significativas, a não ser que levemos em consideração que nas igrejas cristãs não judaicas cada cristão era encorajado a lutar por sua independência econômica. Veja por exemplo a recomendação que Paulo deu para a igreja européia da cidade de Tessalônica, muito tempo depois da fundação da primeira comunidade cristã judaica: “Esforcem-se para ter uma vida tranqüila, cuidar dos seus próprios negócios e trabalhar com as próprias mãos, como nós os instruímos; a fim de que andem decentemente aos olhos dos que são de fora e não dependam de ninguém”. (Tessalonicenses 4:11-12 NVI, o destaque é meu.)

No entanto, nas igrejas judaicas todos entregaram tudo o que tinham para viver em comunidade. Tudo indica que por causa da sua perda de independência econômica para investir na vida em comunidade, os cristãos judeus pagaram um elevado preço, passando a depender até de cristãos não judeus de outros países para sobreviver. Nos capítulos oito e nove inteiros de 2 Coríntios Paulo orienta como as igrejas não judaicas devem proceder para ajudar a igreja dos apóstolos em Jerusalém!

Um experimento que ninguém queria imitar

A tentativa de introduzir entre os cristãos judeus um modelo de comunidade baseado na extinção da independência econômica de cada pessoa teve efeitos negativos e trágicos que ninguém inteligente na liderança cristã da Europa quis imitar ou preservar. Foi uma experiência que veio e foi, para a tristeza de ninguém. Na prova de fogo, o ouro sai puro. Na prova de fogo do experimento dos apóstolos, o resultado não foi puro nem belo. Não sobrou nada, além de pobreza e miséria.

A única explicação para a impotência financeira e econômica da igreja judaica diante de uma crise mundial de fome é que seu experimento humano — interpretado modernamente como “socialismo” — de conduzir a administração da igreja do Senhor não foi um experimento abençoado. Não foi Deus quem ordenou esse experimentou. Ele só o permitiu.

Deus dava direção específica aos primeiros cristãos judeus — uma dessas direções era que eles deveriam levar o Evangelho a toda criatura. Essa orientação veio diretamente do coração do Senhor Jesus. Mas com relação à vida de comunidade e redistribuição de renda da primeira igreja cristã, a Palavra de Deus claramente mostra que a iniciativa não foi de Deus. Ele nunca lhes deu direção nesse sentido. Tal iniciativa veio diretamente do coração humano dos apóstolos.

É claro que Deus poderia muito bem revelar de antemão a eles qual seria o fim de seu experimento. Afinal, eles tinham dons de revelação e sabiam se comunicar com Deus. Eles buscavam a Deus intensamente em muitas questões e recebiam respostas, mas quando resolveram viver comunitariamente, dividindo tudo igualmente entre si, ninguém se lembrou de pedir a direção ou permissão de Deus. E Deus nada falou porque ele também espera que seu povo aja com bom senso, e às vezes se mantém calado a fim de que seu povo adquira “experiências” por si mesmo, ainda que dolorosas.

Homens de Deus, porém humanos e imperfeitos

É possível então um homem de Deus se esquecer de pedir a direção de Deus em determinadas ocasiões importantes e sofrer as conseqüências? Claro que sim. Josué era um homem que buscava intensamente a Deus e ouvia a sua voz, e Deus lhe deu a posição de líder da nação inteira de Israel. Quando ele pedia direção, Deus mostrava claramente a ele o que ele devia fazer. Um dessas direções era que ele não devia fazer acordo algum com os povos que habitavam a terra de Canaã. No entanto, um desses povos conseguiu elaborar uma estratégia: enviar uma comitiva, que disse a Josué e aos líderes judeus:

“—Nós estamos chegando de um país que fica bem longe daqui. Façam um acordo de paz com a gente. Porém os homens de Israel disseram: —Pode ser que vocês morem aqui por perto. Como é que podemos fazer um acordo de paz com vocês? —Estamos prontos para ser seus empregados! —responderam eles. —Quem são vocês? De onde vêm? —perguntou Josué. Os gibeonitas responderam: —Nós, os seus criados, somos de um país que fica muito longe e viemos até aqui porque ouvimos falar do SENHOR, seu Deus. Ouvimos as notícias de tudo o que ele fez no Egito.” (Josué 9:6-9 NTLH)

O acordo foi feito e ninguém percebeu nada. Só depois é que os judeus descobriram que haviam cometido um erro. Eles foram enganados e fizeram um acordo errado porque “não consultaram o Senhor” (veja Josué 9:14b). Já que não foi consultado, Deus deu a Josué e aos líderes judeus a mesma coisa que ele deu aos apóstolos em seu experimento de vida de comunidade: liberdade de tomar determinadas atitudes importantes sem pedir seu conselho.

Ainda que os socialistas de hoje — evangélicos ou não — utilizem o experimento da igreja judaica como o primeiro exemplo socialista da história, com o único objetivo de ganhar a simpatia política de adeptos cristãos, as práticas socialistas — se há uma real determinação de procurar experimentos na história da humanidade — podem ser vistas na Grécia, uns 500 anos antes de Cristo. Então a verdade pura é que foram os gregos, não os cristãos judeus, que foram os criadores de um tipo de sistema interpretado modernamente como socialismo.

O pequeno e curto experimento trágico das primeiras igrejas cristãs judaicas foi o suficiente para Paulo não tentar imitar nas igrejas cristãs não judaicas da Europa o que os desesperados cristãos “progressistas” de hoje insistem em chamar de exemplo socialista. Se foi realmente um exemplo ou não, o que é fácil de perceber é que então foi um exemplo que Paulo e nenhum outro líder cristão sábio procurou imitar. Afinal, não valia a pena copiar as imperfeições, os erros e a imaturidade administrativa que acabaram em fracasso.

O Apóstolo Paulo bem sabia que os 12 apóstolos não eram perfeitos. Ele comentou sobre eles: “Quanto aos que pareciam influentes — o que eram então não faz diferença para mim; Deus não julga pela aparência — tais homens influentes não me acrescentaram nada”. (Gálatas 2:6 NVI) Em certa ocasião, Paulo precisou repreender um dos apóstolos publicamente: “Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável”. (Gálatas 2:11 NVI)

As imperfeições da igreja cristã judaica eram tão fortes que, os 12 apóstolos permitiam que os recursos da igreja fossem utilizados para ajudar somente as viúvas judias: “Naqueles dias [quando o experimento administrativo dos recursos da igreja estava em pleno funcionamento], crescendo o número de discípulos, os judeus de fala grega entre eles queixaram-se dos judeus de fala hebraica, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimento”. (Atos 6:1 NVI) Por pura imaturidade, a primeira igreja cristã judaica estava deixando de fora de seu ministério assistencial as viúvas que falavam grego, e não a língua comumente usada pelos judeus da época.

Assim, é de compreender o motivo por que Paulo não copiou o modelo imperfeito de administração dos recursos da igreja judaica. Ele tinha discernimento e maturidade e entendia corretamente que Deus jamais havia confirmado esse experimento iniciado pela inspiração humana dos 12 apóstolos, embora no caso de Ananias e Safira Deus os tenha castigado não por rejeitar tal experimento, mas por escolherem mentir ao Espírito Santo na questão do que a liderança apostólica havia deliberado. No entanto, os cristãos progressistas de hoje têm evitado seguir o bom exemplo de Paulo.

A introdução da experiência de comunidade entre os cristãos judeus foi um fracasso doloroso. Além disso, Paulo e outros líderes cristãos que trabalhavam na Europa e outros lugares fora da Judéia não tentaram introduzir essa experiência nas igrejas novas que estavam se formando na Europa. De fato, não se faz nenhuma menção a uma tentativa de copiar o modelo cristão judaico de entregar todas as propriedades para uma vida de comunidade. Algumas práticas úteis foram imitadas — como evangelizar, orar pelos enfermos e expulsar demônios —, mas o modelo de comunidade cristão judeu não foi copiado e nem mesmo mencionado.

Imitando o fracasso da igreja primitiva

Outra tentativa bem intencionada de instituir práticas socialistas entre evangélicos ocorreu na fundação dos Estados Unidos. Os fundadores dessa grande nação eram evangélicos comprometidos com Deus e eles estavam tão apegados a Deus e sua Palavra que eles queriam imitar tudo o que estava na Bíblia. Eles até queriam instituir o hebraico como língua oficial da jovem nação americana. De maneira semelhante, eles também se esforçaram para imitar a vida de comunidade dos primeiros cristãos judeus, conforme mostra o artigo Mais Sábios que Deus, de Olavo de Carvalho:

Ao chegar à América em 1623, o governador William Bradford encontrou a colônia de Plymouth numa situação desesperadora: magros, doentes, em farrapos, sem atividade econômica organizada, os peregrinos estavam à beira da extinção. Muitos, depois de vender aos índios todas as suas roupas e demais bens pessoais, tinham lhes vendido sua liberdade: eram escravos, vivendo de cortar lenha e carregar água em troca de uma tigela de milho e um abrigo contra o frio.

Interrogando os líderes da comunidade em busca da causa de tão deplorável estado de coisas, Bradford descobriu que a origem dos males tinha um nome bem característico. Chamava-se “socialismo”.

Os habitantes de Plymouth, revolucionários puritanos exilados, trouxeram para a América as idéias sociais esplêndidas que os haviam tornado insuportáveis na Inglaterra, e tentaram construir seu paraíso coletivista no Novo Mundo. As terras eram propriedade comunitária, a divisão do trabalho era decidida em assembléia e a colheita se dividia igualitariamente entre todas as bocas. O sistema havia resultado em confusão geral, a lavoura não produzia o suficiente e aos poucos a miséria havia se transformado naturalmente em anarquia e ódio de todos contra todos.

A um passo do extermínio, a comunidade aceitou então a sugestão de mudar de rumo, voltando ao execrável sistema de propriedade privada da terra. “Isso teve muito bons resultados”, relata Bradford. “Muito mais milho foi plantado e até as mulheres iam voluntariamente trabalhar no campo, levando suas crianças para ajudar”. O surto de prosperidade que se seguiu é bem conhecido historicamente: ele permitiu que os colonos fincassem raízes na América e começassem a construir o país mais rico do mundo.

Homem de fé, Bradford não atribuiu a salvação da colônia aos méritos dela ou dele próprio, mas à mão da providência divina. O sucesso do sistema capitalista, escreveu ele, “bem mostra a vaidade daquela presunção de que tomar as propriedades pode tornar os homens mais felizes e prósperos, como se fossem mais sábios que Deus”.[1]

Entres os primeiros judeus cristãos e os evangélicos fundadores do EUA, as práticas socialistas trouxeram fome e miséria. O efeito foi igual. Mas entre os que não são evangélicos, essas práticas trouxeram muito mais do que só fome e miséria. Aproximadamente 100 milhões de seres humanos foram brutalmente assassinados por governos socialistas durante o século XX.

Com boas intenções, até mesmo com intenções cristãs e santas, práticas minimante parecidas com o socialismo trouxeram pobreza, miséria e morte para os primeiros cristãos dos EUA e para os cristãos judeus do primeiro século. Com supostas “boas” intenções, mas sem nenhuma ética cristã, o socialismo se tornou, pela abundância de evidências históricas, a ideologia mais macabra, enganadora e assassina do século XX.

Entretanto, sua propaganda continua iludindo milhões, por seu apelo aos pobres. Propostas como redistribuição de renda e alimentação dos necessitados geralmente atraem a simpatia das multidões e produzem força política — até mesmo entre cristãos. Mas é assim que Jesus age?

A prioridade de Jesus: alimento espiritual

O Senhor Jesus Cristo, em seu ministério de evangelização, não tinha um trabalho exclusivo de caridade para alimentar as multidões. Apesar de que ele tinha constante contato com os pobres e de que ele tinha autoridade e poder para produzir alimentos suficientes para eles diariamente, a Bíblia mostra que só em duas ocasiões ele utilizou essa autoridade e poder. Quando ele deu alimentos numa ocasião em que as pessoas estavam famintas por terem passado com ele três dias inteiros ouvindo a Palavra de Deus, houve uma conseqüência com enorme potencial político e imenso apoio popular. As pessoas receberam tão bem a generosa distribuição de alimentos que Jesus fez que queriam com todas as sua forças elevá-lo ao cargo político mais importante daquele tempo, a fim de que ele pudesse continuar sua distribuição de alimentos (veja João 6:15).

O ato de os cristãos progressistas promoverem propostas políticas de alimentação dos pobres tem também o mesmo potencial de produzir apoio político para suas causas, e eles têm tirado vantagem desse potencial, canalizando inclusive apoio dos evangélicos para a eleição de candidatos socialistas que se identificam com o que eles enxergam como vocação “profética” da igreja — uma preocupação política obsessiva de se aproveitar dos pobres para avançar seus interesses ideológicos.

Quando os cristãos progressistas vêem que determinadas medidas políticas de alimentação aos pobres ajudam a avançar seus interesses, eles as utilizam como alavanca para subir politicamente. Contudo, Jesus mostrou claramente que quando foi necessário alimentar os que estavam ouvindo a Palavra, houve todo o cuidado de não permitir que a ocasião fosse utilizada para finalidades políticas.

Os evangélicos progressistas pensam que antes de tentarmos evangelizar os pobres primeiro precisamos alimentá-los. Contudo, Jesus não alimentou as multidões famintas a fim de produzir mais abertura para o Evangelho que ele pregava. Ele as alimentou porque elas já estavam ouvindo a Palavra de Deus. Ele as alimentou porque elas estavam já havia três dias ouvindo a Palavra de Deus. Não há em todos os Evangelhos nenhuma citação de Jesus alimentando os pobres para que eles se abrissem mais para o Evangelho. Pelo contrário, eles os alimentou somente em duas ocasiões em que eles permaneceram muito tempo ouvindo o Evangelho:

“—Estou com pena dessa gente porque já faz três dias que eles estão comigo e não têm nada para comer. Se eu os mandar para casa com fome, eles vão cair de fraqueza pelo caminho, pois alguns vieram de longe.” (Marcos 8:2-3 NTLH)

A compaixão de Jesus produziu uma miraculosa multiplicação de alimentos para seu público atento à Palavra de Deus. A fome de todos foi saciada. A conseqüência foi que eles imediatamente queriam promover Jesus politicamente:

“Jesus ficou sabendo que queriam levá-lo à força para o fazerem rei; então voltou sozinho para o monte.” (João 6:15 NTLH)

Qual foi a resposta de Jesus para as multidões que ele havia acabado de alimentar e que estavam ansiosas para promovê-lo politicamente por causa da perspectiva de comida na mesa?

“Jesus respondeu: —Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres. Não trabalhem a fim de conseguir a comida que se estraga, mas a fim de conseguir a comida que dura para a vida eterna. O Filho do Homem dará essa comida a vocês porque Deus, o Pai, deu provas de que ele tem autoridade. —O que é que Deus quer que a gente faça? —perguntaram eles. —Ele quer que vocês creiam naquele que ele enviou! —respondeu Jesus. Eles disseram: —Que milagre o senhor vai fazer para a gente ver e crer no senhor? O que é que o senhor pode fazer? Os nossos antepassados comeram o maná no deserto, como dizem as Escrituras Sagradas: “Do céu ele deu pão para eles comerem.” Jesus disse: —Eu afirmo a vocês que isto é verdade: não foi Moisés quem deu a vocês o pão do céu, pois quem dá o verdadeiro pão do céu é o meu Pai. Porque o pão que Deus dá é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. —Queremos que o senhor nos dê sempre desse pão! —pediram eles. Jesus respondeu: —Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede. Mas eu já disse que vocês não crêem em mim, embora estejam me vendo. Todos aqueles que o Pai me dá virão a mim; e de modo nenhum jogarei fora aqueles que vierem a mim. Pois eu desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou e não para fazer a minha própria vontade. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum daqueles que o Pai me deu se perca, mas que eu ressuscite todos no último dia. Pois a vontade do meu Pai é que todos os que vêem o Filho e crêem nele tenham a vida eterna; e no último dia eu os ressuscitarei.” (João 6:26-40 NTLH)

Jesus jamais agiu conforme a “ética” socialista. Ele jamais se aproveitava das necessidades das multidões para usá-las para objetivos políticos e ideológicos. Pelo contrário, ele sempre deixava claro para os pobres que quando damos prioridade para a vontade de Deus na nossa vida, ele supre nossas necessidades. Jesus declara:

“—Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam para viver nem com a roupa que precisam para se vestir. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas? Vejam os passarinhos que voam pelo céu: eles não semeiam, não colhem, nem guardam comida em depósitos. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos? E nenhum de vocês pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso. —E por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo a vocês que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores. É Deus quem veste a erva do campo, que hoje dá flor e amanhã desaparece, queimada no forno. Então é claro que ele vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena! Portanto, não fiquem preocupados, perguntando: “Onde é que vamos arranjar comida?” ou “Onde é que vamos arranjar bebida?” ou “Onde é que vamos arranjar roupas?” Pois os pagãos é que estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas.” (Mateus 6:25-33 NTLH, o destaque é meu.)

Julio Severo é autor do livro O Movimento Homossexual (Editora Betânia).

Fonte: http://www.juliosevero.com.br/

Nota:

[1] Olavo de Carvalho, Mais Sábios que Deus, publicado no jornal Diário do Comércio, 28 de novembro de 2005.

11 comentários:

Pitombildo disse...

Rapaz! Eu adoro esse site pelo conteúdo histórico dele. Continue assim, Júlio. Meu irmão é economista e de vez em quando brincava dizendo: O Comunismo é antinatural. Eu não entendia, mas agora saquei tudo. É uma forçação como o homossexualismo ou outras loucuras do homem querendo ser melhor que Deus!!!

Marcelo Medeiros disse...

"Deus dava direção específica aos primeiros cristãos judeus — uma dessas direções era que eles deveriam levar o Evangelho a toda criatura. Essa orientação veio diretamente do coração do Senhor Jesus. Mas com relação à vida de comunidade e redistribuição de renda da primeira igreja cristã, a Palavra de Deus claramente mostra que a iniciativa não foi de Deus. Ele nunca lhes deu direção nesse sentido. Tal iniciativa veio diretamente do coração humano dos apóstolos".

1) Concordo com vc sucessivas vezes Jesus orienta seus apóstolos a levarem o Evangelho. Mas o que fazer de ensinamentos do tipo Mt 25. 31 - 45? Textos mais densos e mais amplos do que Mt 10. 5 - 8; 28. 18 - 20; Mc. 16. 15, 16.

Observando bem os dois lados da questão, temos de admitir que o texto por nós citado, não é tão diretos quanto os do ide. Mas podem ser ignorados?

2) Se a orientação para as ações praticadas em Jerusalém não procedem do Senhor, então de quem são as palavras registradas em Mt 25. 31 - 45? Só para dar um exemplo.

3) A Bíblia traz sucessivos textos nos quais o povo de Israel passou por fome. Em uma delas a situação foi tal que uma mãe comeu seu próprio filho. Pergunto algum socialismo era praticado antes disto?

3) Infelizmente discordo que as práticas de vida comunitária sejam a causa da vulnerabilidade financeira da comunidade de Jerusalém. Discordo ainda mais que aaquele modelo seja fruto do coração dos discípulos.

4) Há um texto na carta de Paulo aos Efésios que mostra o quanto a independência financeira era estimulada, ao menos por Paulo. Todavia, ao contrário do que os capitalistas camuflados de cristãos possam vir a entender, a razão de tais recomendações era a aquisição de meios para ajuda mútua Ef 4. 28.

5) Ainda que a vida comunal tenha se esgotado face aos sucessivos conflitos advindos da mesma (At 6. 1), ou face à fome que veio sobre todo o mundo da época; nenhum apóstolo icentivou o que vemos no regime econômico atual, o individualismo exarcebado, a acumulação de riquezas.

Donde concluo ser ingênua e anti bíblica toda ideologia direitista vista nos pretensos "ortodoxos".

Na paz e no Amor de Cristo. Um abraço!!!!

Julio Severo disse...

Marcelo, Mateus 25:31-46 nada tem a ver com comunismo. O que Jesus diz ali é que ele, vivendo no coração de um cristão genuíno, passa as necessidades junto com eles. Jesus não se refere a todos os outros, que são considerados criaturas, e quando em Atos os apóstols ajudavam as viúvas, eram apenas as da igreja. Paulo também deu uma lista de viúvas, apenas da igreja, que deveriam ser sustentadas. Mateus 25:31-46 se refer e apenas a ajudar cristãos em necessidade. Vc faz isso?

Marcelo Medeiros disse...

Concordo com você quando dizes que Mt 25. 31 - 46 se refere à ajuda aos crentes em necessidade. Embora o texto não especiifique em parte alguma.

Mais uma concordância, é esta: O Comunismo Marxista, ou seja de qual tipo for não havia sido formulado na época.

Mas isto não quer dizer que a nossa sociedade seja saudável, falando do ponto devista teológico, ou econômico.

Esse não é o meu foco. Apenas insisto em uma LEITURA INTEGRAL DA BÍBLIA SAGRADA. NO EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO, NADA DE KARL MARX, OU DE LEITURAS AMERICANAS DA BÍBLIA.

Mas o que fazer com o texto de Gálatas que Diz que o bem deve ser feito a "Todos" e "principalmente aos domésticos na fé" (Gl 6. 10)
Observando que o principalmente da ARA, ou o especialmente da NVI não exclui o todos?

Anônimo disse...

Caro Pastor Júlio Severo

Concordo com o senhor quanto ao fato de que o Socialismo não começou na Bíblia, e que as experiências socialistas reais foram terríveis. Contudo, não podemos dizer também que o capitalismo é cristão, pois também produziu e produz mortes (tão assassino quanto o comunistmo), miséria e fome em todos os lugares, embora traga riqueza e prosperidade para certas pessoas. E outra: no livro de Tiago há a abordagem sobre os ricos opressores, sobre o triste destino deles, algo que é presente hoje.

Claro que as pessoas são desiguais, tem aptidões diferentes e que não devem ser igualadas. Mas não justifica que elas devam ser marginalizadas.

No mais, era isso.

Atenciosamente
Josuan Conceição

soneide cerqueira disse...

julio severo. Um abraço bem forte, mesmo!Tenho uma agenda de mãe de familia e estudante, bem cheia para tirar um tempo para navegar ,mas mesmo assim olha eu aqui.... sou leiga na maioria dos assuntos aqui, mas sou uma apaixonada pelos seus artigos,se eu tivesse tempo comentaria em todos eles. só lamento que os jovens perdem tempo vendo ou fazendo baboseiras. Sempre oriento minha filha e sobrinhos a passarem em seu blog pois só tem a nos acrescentar. Estou com 45 anos e hoje, tenho oportunidade de receber informações e aprender pois você decidiu nos ensinar a pensar, a nos mobilizar para um bem comum. Coisa que na escola , igreja ,a maioria das vezes, não ensina. Na igreja é só o "espiritual" no resto a gente pode ficar de fora aceitando ser "burro" mesmo! Sempre escutei, alguns pastores falar que o socialismo vinha da bíblia. obrigada! Só tenho a lhe agradecer, por tantas informações postadas em seu blog.E meu agradecimento no momento só posso lhe dar através das minhas orações por sua vida e familia. Soneide Cerqueira -Irecê Bahia

Cristina Santos disse...

Quero desejar prá você,Júlio Severo um Feliz Natal. Deus continue te abençoando e te guiando para nos abrir os olhos contra tudo o que está errado por aí.
Muito bom o seu site. Parabéns.

Fique com Deus.

Euclides disse...

Marcelo, qualquer defesa de ações comuns tende ao comunismo/socialismo, o que não existe na Bíblia. Um dos pontos mais esquecidos é que a ação socialista se dá como se deu na igreja da judéia: vamos fazer diferente, vamos mudar o mundo com recursos nas mãos de poucos - o mundo melhor possível mediante concentração de poder. Qualquer ato de caridade deve ser feito individualmente, pois é o coração do indivíduo que Deus vê, não da coletividade.
Ademais, o socialismo, como método de transformação da realidade não existia formalmente, mas já tinha seus pressupostos lançados por Epicuro, o qual foi combatido por Paulo em Atenas e nas regiões circunvizinhas, nas quais a filosofia dele já havia chegado. O capitalismo em si é o modelo da realidade humana de necessidade e satisfação da necessidade de forma pulverizada. O socialismo contempla algo semelhante, mas a necessidade é satisfeita pelas mãos do estado mediante concentração de poder e obrigatoriedade. O estado sempre foi corrupto e corruptor, além de exercer poder que busca assemelhar-se ao de Deus em relação aos homens. O socialismo tira de quem tem para dar a quem não tem - em teoria - mas acaba apenas privilegiando os mandantes no poder. O estado nunca satisfaz a necessidade humana em coisa alguma, basta ver os serviços por ele prestados em todo o mundo: sempre muito piores do que os prestados pela iniciativa privada. Em algumas parábolas Jesus fala dos proprietários, do dinheiro, da renda, do administrador e em nenhuma delas ele condena a iniciativa privada. Contudo, em várias passagens Ele condena o estado judeu e o estado romano nas pessoas que os comandavam. A concentração de poder, seja para o que for, estará sempre nas mãos de poucos homens, que passam a mandar conforme desejam, provocando distorções imensas na vida das pessoas. Está escrito: "Cada um dará contas de si mesmo a Deus", o que, de imediato, exclui uma personalidade jurídica, mas impõe a retidão às pessoas físicas individualmente. Se alguém quer fazer caridade, que faça por conta própria, pois é individualmente que receberá bênçãos ou disciplina de Deus. O que fica confuso é que hoje não há capitalismo no seu sentido natural, mas dinheirismo - lucro a qualquer custo. Isso é adorar Mamon, que é bem diferente.

Sergio disse...

Julio, será que a atitude do judeus cristãos de viverem em comum, vendendo suas propriedades,não era a propria providência de Deus para eles não ficarem presos `as coisas materiais, tendo em vista que deveriam fugir qdo da invasão do Gal Tito destruindo o templo e tudo o que havia em Jerusalém?

Tatiana disse...

Não gosto de defender capitalismo,nem comunismo. Deus é quem provê todas as coisas. O que vejo hoje no meu país é um governo sustentando marginais e preguiçosos. Claro que há exceções,ms em sua maioria,aproveitam-se dos tais programas pra arrecadar dinheiro,aumentando o número de membros das famílias e n trabalhar,o que parece um círculo vicioso,pois aumentando o número de membros de famílias à beira da miséria,eles estarão criando futuros maginais que não terão interesse em trabalhar pra conquistar o que quiserem,e entrarão pra o mundo do crime. Raras são as famílias hoje,onde os pais incentivam seus filhos a trabalhar e estudar,geralmente frequentam escola num turno e no outro são desocupados enchendo a cabeça de coisas inúteis. Tudo bancado pelo governo.
O que acontece hoje com o capitalismo é que as pessoas sem escrúpulos,em sua maioria,não respeitam valores,condições,limites. O problema não está no capitalismo,mas sim, nas pessoas,que deixam de servir a Deus pra servir a seus próprios desejos,muitas vezes insanos.

Anônimo disse...

Some os ensinamentos de Cristo e Seus apóstolos, ponha em prática, de forma individual e coletiva. Faça isso em relação a tudo que Ele ensina, inclusive sobre as riquezas, sobre o princípio de justiça, de amor e de igualdade. Pratique uma comunidade cristã conforme a doutrina e veja que tipo de comunidade será. Veja se ela parecerá mais com um sistema capitalista ou socialista. Contudo não importa se pareça com este ou aquele,ou com nenhum deles; se os cristãos praticarem o reino conforme o ensinamento dos apóstolos de Cristo, isso é o que importa. Mas, lembre-se não siga as suas inclinações e suas opiniões, daquilo que voce acha que é bom ou ruim. Simplesmente aceite a doutrina de Cristo e pratique como comunidade cristã:
"Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6:19-21)
Vamos praticar isso, não vamos acumular riquezas materiais. Que nenhum cristão acumule riquezas!
"Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na ABUNDÂNCIA DE BENS que ele possui. E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse; Farei isto; destruirei os meus celeiros, reconstruì-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: TENS EM DEPÓSITO MUITOS BENS para muitos anos: descansa, come, bebe e regala-te. MAS DEUS lhe disse: LOUCO, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? ASSIM É O QUE ENTESOURA PARA SÍ MESMO E NÃO É RICO PARA COM DEUS. A seguir, dirigiu-se Jesus a seus discípulos, dizendo: Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir . . .VENDEI OS VOSSOS BENS E DAI ESMOLA; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, TESOURO inextinguível NOS CÉUS, onde não chega o ladrão, nem a traça consome, porque, onde está o vosso tesouro, aí estará o vosso coração." (Lc 12: 15-34)
Ensine isso para os cristãos, pratique isso e leve-os a praticar isso.