12 de fevereiro de 2006

Quando Maior é Melhor

Quando Maior é Melhor

Rev. Mark H. Creech

(AgapePress) — A primeira vez que fiquei sabendo da maior família dos Estados Unidos foi em dezembro passado, num artigo na revista USA Today. De acordo com a matéria, Vladimir e Zynaida Chernenko estavam celebrando o nascimento de seu décimo sétimo filho, David, que nasceu em 7 de dezembro de 2005.

É sério mesmo. Os Chernenkos têm 17 filhos biológicos e são uma família bem feliz!

Como imigrantes fugindo da perseguição religiosa na Ucrânia, Vladimir e Zynaida se mudaram com sua família para os Estados Unidos há seis anos. Seu casamento de 24 anos gerou Sergey (22), Lilia (21), Andrey (19), Dmitry (18), Anatoly (17), Lyudmila (16), Anna (15), Vitaly (13), Oksana (12), Svetiana (10), Inna (9), Vyacheslav (8), Paul (6), Diana (5), Alina (4), Timothy (2), and David (8 semanas).

O que é interessante é que na mesma época em que li sobre a família Chernenko, descobri também um velho livro numa estante de livros de uma loja de objetos antigos. O livro foi escrito pelo falecido Dr. John R. Rice, um influente evangelista cristão e fundador, ex-editor e publicador do jornal Sword of the Lord (Espada do Senhor). O copyright do livro é de 1946 e o título é The Home: Courtship, Marriage, and Children (O Lar: Namoro, Casamento e Filhos). Sem demora comprei o livro do vendedor da loja, pois dentro de suas páginas havia um capítulo sobre controle da natalidade que é muito forte e muitíssimo importante para os nossos dias.

Tenha em mente, porém, que os comentários de Rice no livro foram feitos muito antes que houvesse, como hoje, uma ampla disseminação de dispositivos ou informações sobre controle da natalidade. Rice observou no início do capítulo:

“A Igreja Católica Romana firmemente insiste em que o uso de contraceptivos e a limitação das famílias, ou a prevenção da concepção, é pecado. Os líderes protestantes conservadores que crêem na Bíblia e defendem o Cristianismo histórico têm geralmente a mesma posição. E a maioria das pessoas tem sentido… que havia um grande perigo na propagação de informações sobre controle da natalidade, ou na prática geral do controle da natalidade”.

Rice também disse que na data em que escreveu seu livro todos os estados dos EUA, com exceção de dois, proibiam a disseminação geral de informações sobre o controle da natalidade.

Só um país que agora adotou completamente a contracepção não veria com bons olhos um casal tendo mais que dois ou três filhos, e ficaria absolutamente horrorizado com a idéia de ter 17 filhos como a família Chernenko. Contudo, essa é a situação atual nos EUA.

Em seu livro, Rice com justiça afirmou que o argumento favorável à contracepção vem em grande parte de fontes anticristãs. Ele escreve:

“Uma minoria radical, geralmente fanáticos anticristãos ou modernistas que negam a autoridade da Bíblia, dirigem uma propaganda insistente promovendo o controle da natalidade. Alguns deles, sem dúvida, são sinceros e esperam acabar com algumas das deficiências físicas e pobreza, que algumas famílias grandes passam. Mas geralmente os que são abertamente defensores do controle da natalidade são feministas, ou os grupos radicais tentando tornar as mulheres mais ou menos independentes dos homens, ou são radicais sociais que defendem o casamento de companheirismo, leis de divórcio fácil, ou amor livre, e os radicais que tentam esmagar o padrão bíblico de casamento permanente entre um homem e uma mulher…”

Rice então argumenta que a contracepção é geralmente errada porque toda vida vem de Deus. Ele cita um panfleto, escrito pelo Dr. B.H. Shadduck, intitulado Stopping the Stork (Parando a Cegonha), no qual Shadduck recomenda de modo bem humorado que se quiserem limitar o tamanho de suas famílias, as pessoas deveriam esperar até que seu filho faça dois anos e então decidir matar ou não a criança. “Nessa base, pode ter certeza de que haveria bem pouca limitação de famílias”, declarou Rice. “Praticamente toda criança é sua própria prova de que tinha o direito de nascer. O amor, alegria e orgulho que vêm de uma criança prova que Deus estava dando uma bênção infinita quando ele deu a criança, e que seria um pecado de falta de juízo cometido contra sua própria felicidade um pai e mãe impedir a concepção de um bebê que mais tarde será tão precioso”, observa ele.

Os Chernenkos com certeza concordariam com essa declaração. A matéria da revista USA Today mostra Vladimir dizendo: “Creio sinceramente em Deus, e creio que meus filhos são um presente de Deus”.

Aliás, Rice argumentou que famílias maiores são melhores do que as menores. “Toda razão para um filho é uma razão para outro”, afirmou ele. “Se uma criança traz felicidade, mais crianças trazem mais felicidade. Todos os pais de famílias grandes são testemunhas disso. Praticamente todo argumento contra famílias grandes é um argumento teórico. Quando aplicado a um caso particular, não tem sustentação. Pode haver algum argumento teórico para não se ter outro bebê, mas quando o bebê chega, é realmente Deus que supre para o décimo bem como para o primeiro, e o décimo é amado tanto quanto o primeiro, e acrescenta muita contribuição para a felicidade do lar. Dentro dos limites que Deus colocou na natureza, mais filhos significam mais provisão de Deus, mais felicidade”.

Além do mais, sustentou Rice, falando de modo geral “filhos criados numa família de apenas uma ou duas crianças são egoístas e indisciplinados”. “Crianças que vêm de famílias grandes têm mais senso de responsabilidade”, disse ele. “A mãe que tem seis filhos é quase compelida a fazer com que alguns deles sequem os pratos, alguns deles varram o chão, alguns deles vigiem o bebê”, escreveu Rice.

Zynaida Chernenko afirma que na sua família é desse jeito. USA Today a mostra dizendo que seus filhos mais velhos ajudam a fazer a comida e a limpar a casa, e colaboram também nas tarefas de cuidado das crianças menores. Tem de ser desse jeito. “Cada filho mais velho tem deveres e responsabilidades”, declarou ela. De acordo com Anatoly, de 17 anos: “Os irmãos não ficam brigando sobre tamanho de alimentos, canais de TV ou outros assuntos, pois seu pai lhes ensinou a importância de rejeitar o egoísmo a fim de sobreviver como uma família”.

Tais filhos estão obviamente obtendo uma forma de educação de caráter que as escolas jamais poderiam dar. Rice observou:

“Não é comum um filho único se tornar grande e famoso. Mas bem freqüentemente os homens de grande inteligência e excelente caráter e valor vêm de famílias grandes. John e Charles Wesley vieram de uma família de dezenove, cujos pais eram Samuel e Susannah Wesley. Observe o exemplo de Benjamin Franklin, que era o décimo quinto numa família de dezessete… Filhos que fazem o que querem, que nunca cedem aos outros, não se tornam bons cidadãos, não se tornam bons maridos e esposas, não se tornam tão bons cristãos quanto os que cresceram em famílias grandes. Lord Byron era um gênio, mas um homem muito infeliz e certamente não uma grande bênção para a humanidade. O fato de que ele foi criado sem a bênção de uma família grande não pôde impedir Lord Byron de ser um gênio, mas com certeza não o tornou digno da importância humanitária de abençoar a sociedade como John Wesley e Benjamin Franklin a abençoaram… O mimo excessivo, o pecado que arruína muitas crianças em famílias pequenas, se torna mais ou menos impossível em famílias grandes”.

Por último, Rice afirmou que a mentalidade contraceptiva acelerou as influências socialistas no governo. Quando uma sociedade adota a contracepção, há uma mudança: a ênfase passa da família para o governo. Em outras palavras, a previdência social toma o lugar dos filhos cuidando de seus pais na velhice, que é um mandamento bíblico (1 Timóteo 5:4). Os programas assistenciais do governo, não o apoio de famílias fortes e bondosas, passam a substituir nos momentos difíceis de necessidade.

Minha intenção não é sustentar que toda família deve ter tantos filhos quanto os Chernenkos. Há algumas exceções, em que contraceptivos não-abortivos ou o planejamento familiar natural poderiam ser justificados. Meu propósito, porém, é mostrar a que ponto já caímos. A prática comum de contracepção hoje, que durante toda a história humana se originou das fontes mais malignas, não está de modo algum de acordo com as práticas, ensinos e história do Cristianismo. A contracepção moderna criou uma cultura de morte que trata as crianças como doença, minou a família e o caráter nacional e, em parte, ajudou a produzir o Estado assistencialista. A mentalidade contraceptiva fez com que vejamos famílias como os Chernenkos como algo anormal, em vez de algo glorioso!

Os cristãos sem dúvida alguma precisam reavaliar muitas de suas convicções e atitudes modernas com relação à contracepção, principalmente à luz da necessidade de reganhar nossa nação para Cristo. Nesse espírito, sugiro uma citação final do livro de Rice:

“Por que é que os que são os verdadeiros cristãos não dão o primeiro passo para obedecer ao mandamento de Deus de se multiplicar e encher a terra com famílias grandes? Por que não criar filhos e filhas que possam fazer por Deus um impacto multiplicado no mundo? Uma família grande, onde os filhos são criados num lar cristão de acordo com os padrões bíblicos, é a contribuição mais importante que um lar pode fazer para a sociedade. Se Susannah Wesley tivesse um bilhão de dólares para gastar na assistência aos pobres e abandonados, no sustento de viúvas e crianças órfãs, em doações para grandes instituições acadêmicas, essa contribuição feita para o bem-estar da sociedade não poderia se comparar em momento algum com a contribuição que ela fez dando ao mundo John e Charles Wesley! Parece que os outros irmãos de Wesley também se tornaram homens e mulheres dignos. Mas se Susannah Wesley tivesse tido só dois filhos, eles não teriam sido John e Charles. Sem a família grande e o sistema de treinamento inaugurado por essa mãe dedicada a Deus em prol de sua família grande, John e Charles Wesley não teriam sido o que se tornaram: os líderes de um grande reavivamento evangélico”.

É verdade mesmo. No que se refere à família, o Dr. John R. Rice defendeu a posição cristã e a família Chernenko a prova: maior é melhor.

“Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a…” (Gênesis 1:28 RC)


“Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre, o seu galardão. Como flechas na mão do valente, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, quando falarem com os seus inimigos à porta”. (Salmos 127:3-5 RC)

Rev. Mark H. Creech é o diretor executivo da Liga de Ação Cristã da Carolina do Norte, Inc.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: http://www.juliosevero.com.br/

© 2006 AgapePress all rights reserved.

Fonte: http://headlines.agapepress.org/archive/2/62006mc.asp

Um comentário:

Matheus Henrique disse...

Oi Júlio, perdão pelo atraso no comentário, rs. Mas estou recentemente estudando este assunto e tenho visto realmente que, embora quase nenhum evanngélico hoje se oponha à contracepção, esta foi SEMPRE a visão da Igreja. Li algo que me deixou curioso no artigo: "Minha intenção não é sustentar que toda família deve ter tantos filhos quanto os Chernenkos. Há algumas exceções, em que contraceptivos não-abortivos ou o planejamento familiar natural poderiam ser justificados". O que seria "planejamento familiar natural"? E poderia dar um exemplo deste tipo situação excepcional? Outra pergunta é: tenho bastante dificuldade em encontrar literatura conservadora moderna contra a concepção. Realmente ela quase não existe. Tem bons livros pra indicar? Grande abraço!

Matheus Henrique.