Fatos Curiosos e Pouco Conhecidos sobre a Escravidão
Julio
Severo
Nos Estados Unidos, os cidadãos de
ascendência africana freqüentemente lembram aos cidadãos brancos o longo tempo
de privação de liberdade e direitos que os escravos negros passaram. Seguindo o
modelo americano, os negros brasileiros cobram a mesma atenção. A venda e
compra de escravos, na América do Norte e do Sul, foi realmente uma das maiores
crueldades da História humana. A partir do século XVI, comerciantes brancos
compravam negros de mercadores para transportá-los e vendê-los no continente
americano. Houve participação de três raças ou culturas: Na própria África, negros
aprisionavam negros de outras tribos e os vendiam aos mercadores africanos e
árabes muçulmanos, que por sua vez os vendiam aos compradores “cristãos” brancos
da América do Norte e do Sul.
Impacto Religioso
Nos Estados Unidos, muitos
proprietários de escravos, com todas as suas imperfeições, se esforçaram para
converter seus escravos para o Cristianismo. Provavelmente, é por causa desses
esforços que a grande maioria dos negros americanos descendentes de escravos
não segue religiões africanas como o candomblé — religiões que são muito
populares no Brasil. Os resultados foram obviamente positivos, pois os escravos
abraçaram o Cristianismo e compuseram alguns dos hinos evangélicos americanos mais
lindos. Assim, os africanos que eram levados para os EUA acabavam abandonando
suas raízes religiosas pagãs. Tal fenômeno não ocorreu em países como o Brasil,
aonde os africanos chegaram e em grande parte transmitiram para seus
descendentes e para a sociedade suas tradições religiosas, que agora fazem
parte da cultura brasileira. Essas tradições — que não tiveram impacto na
cultura americana — ganharam centenas de milhares de adeptos na população não
negra do Brasil. Em termos estritamente bíblicos, o forte peso espiritual dessas
tradições pode estar seriamente contribuindo, principalmente para a população
negra brasileira e outros afetados por sua espiritualidade ocultista, para os
mesmos problemas de condição de pobreza e miséria que já provocavam na África.
De uma perspectiva puramente bíblica
(sem negar a realidade negativa da escravidão), os negros americanos escaparam
do destino cruel de seus parentes na África, que viviam nas trevas e estavam
condenados a uma eternidade sem Deus. Antes de seu primeiro contato com os compradores
brancos de escravos no século XVI, os países negros do continente africano já viviam
na ignorância, na pobreza, nas religiões ocultistas (que envolviam sacrifícios
sangrentos) e no sofrimento, inclusive escravidão entre seus próprios povos.
Com tanta escuridão e escravidão espiritual e social, não havia muita esperança
de progresso, espiritual ou material. Assim, antes da chegada dos brancos, já
havia escravidão na África. Mesmo que os brancos abandonassem completamente a
África, multidões de negros continuariam sofrendo opressão e escravidão — de
outros negros. De modo particular, o contato com os americanos e ingleses
brancos foi consideravelmente benéfico, pela importante oportunidade que proporcionou
aos africanos de conhecerem uma realidade espiritual melhor, embora a
escravidão tenha sido inegavelmente uma condição trágica. Não há dúvida de que teria
sido muito melhor se eles tivessem recebido essa oportunidade sem precisar
sofrer como escravos, porém destino pior tiveram os africanos que foram levados
para o Oriente Médio, onde foram forçados a se “converter” para o islamismo, ficando
sem nenhuma chance de conhecer o Evangelho da libertação.
Assim como no caso dos africanos, o
hebreu José também foi injustamente vendido, por seus próprios irmãos, para ser
escravo no Egito. Mas ele não passou o resto de sua vida lamentando e
reivindicando direitos perdidos. Ele foi fiel a Deus e com sua bênção ele se
tornou governador do Egito, que era um dos países mais importantes daquele
tempo. No caso dos negros americanos, é possível que a escravidão tenha trazido,
espiritualmente, mais vantagens do que desvantagens, colocando-os em contato
com muitos toques especiais de Deus, em diversas épocas. Sabe-se, por exemplo,
que o movimento pentecostal começou nos EUA entre pobres e negros. De modo
semelhante, no Brasil o pentecostalismo vem abençoando essas populações específicas
desde o começo. Sua origem tão humilde pode explicar o motivo por que a
sociedade sempre demonstrou preconceito contra as igrejas pentecostais, que com
a graça de Deus reagiram com amor às piores hostilizações e provaram que só o amor de Cristo vence o preconceito e
ganha o coração dos preconceituosos. É no pentecostalismo que muitas
pessoas socialmente marginalizadas conseguiram, pelo poder de Cristo,
experimentar mudança para melhor em seu padrão de vida moral, espiritual e
financeiro. Desde o começo do século XX, negros têm subido à liderança de
igrejas pentecostais, sem nenhum impedimento e sem nenhuma imposição de leis
governamentais que privilegiam as minorias com o sistema de quotas. Cada
pessoa, negra ou não, assumia funções importantes, inclusive pastorais, somente
de acordo com sua capacidade, esforços pessoais, integridade moral e talentos
espirituais, não de acordo com políticas compulsórias que, em nome de uma
igualdade racial, favorecem uma raça contra outra.
O Papel dos Muçulmanos Africanos na Escravidão de Negros e Brancos
Houve então, mesmo em meio a uma
situação adversa, oportunidade favorável de transformação religiosa na vida dos
escravos, pelo menos no caso dos africanos que foram levados para os EUA. Hoje
nem todos conhecem e entendem essa realidade, ou o papel que muçulmanos e
negros de tribos guerreiras desempenharam na venda e compra de escravos. A
maioria dos grupos muçulmanos e grupos negros de pressão política que utilizam
certas situações do passado para reivindicar certos direitos demonstram desconhecimento
da história da escravidão. O fato é que os cristãos brancos compravam escravos
negros vendidos por mercadores muçulmanos africanos, que os adquiriam de tribos
africanas que travavam guerras contra outras tribos, matando, estuprando, saqueando
e capturando os sobreviventes para vendê-los como escravos. Embora tente mostrar
que é a favor da igualdade racial, o islamismo tem grande participação e culpa
no comércio de escravos. Contudo, os muçulmanos do Norte da África fizeram muito
mais do que só se envolver no aprisionamento e escravização de negros: Eles
atacavam os litorais da Europa para capturar brancos e vendê-los nos grandes mercados
de escravos da África.
De acordo com o Professor Robert
Davis, da Universidade de Ohio, os muçulmanos africanos não se limitavam a
transformar em escravos apenas os europeus capturados em guerra. No período
entre 1530 e 1780, eles atacavam e
aterrorizavam sistematicamente os litorais da Europa no mar Mediterrâneo em
busca de pessoas para vender como escravas nas cidades africanas de Argel,
Tunis e Trípoli. O Professor Davis escreveu que mais de um milhão de europeus
foram levados à força para a África. O Mediterrâneo veio a se tornar um “mar de
medo” para os europeus que viviam perto dos litorais, principalmente
camponeses, trabalhadores de fazendas e pescadores. Até mesmo grandes cidades
como Barcelona, Genova e Nápoles não estavam a salvo de invasões e ataques de corsários
muçulmanos. Esses piratas caçadores de escravos chegaram até mesmo a atingir
regiões litorâneas do oceano Atlântico: Em 1627, quatrocentos habitantes da Islândia (país
europeu com população evangélica branca de cabelo loiro e olhos azuis) foram aprisionados
e transportados como escravos para a África, para nunca mais voltarem. Em 1631, os habitantes de uma vila inteira
na Irlanda foram atacados de surpresa e capturados pelos africanos. De acordo
com o jornal inglês Guardian Unlimited:
“Milhares de cristãos brancos eram seqüestrados anualmente para trabalhar como
escravos remadores de galeras, trabalhadores braçais e amantes dos senhores
muçulmanos no que é hoje o Marrocos, Tunísia, Argélia e Líbia”.[1]
![]() |
| Escrava branca na mão de um africano muçulmano |
A captura, venda e compra de escravos
europeus nos mercados da África sofreram um duro golpe quando os EUA, no começo
de 1800, corajosamente
agiram de um modo que nenhuma grande
nação da Europa ousara tentar. Em resposta às ações de corsários africanos que
capturaram um navio americano no mar Mediterrâneo e escravizaram a tripulação,
os EUA — que na época nem tinham uma marinha — encomendaram a construção de
três navios. Com essa pequena marinha recém-formada, eles travaram guerra
contra os poderosos países muçulmanos do Norte da África. Na primeira grande
ação militar internacional dos EUA, um pequeno número de soldados americanos
invadiu esses países, prevaleceu sobre seus inimigos e exigiu a emancipação de
todos os escravos europeus cristãos.
A pirataria e a escravidão dos africanos
muçulmanos contra os europeus só terminaram definitivamente quando os
franceses, os espanhóis e os italianos colonizaram os países do Norte da África
e exterminaram as bases de operações dos mercadores de escravos. No entanto, com
o fim da colonização algumas nações africanas — como o Sudão — voltaram aos
velhos hábitos, escravizando homens, mulheres e crianças de seus próprios
povos. No Sudão moderno, centenas de milhares de cristãos negros têm sido
estuprados, escravizados ou mortos por sudaneses muçulmanos, que controlam o
governo.
A Escravidão Sempre Existiu, em Todos os Povos
A escravidão não teve origem na
Bíblia, que apenas a regulou e humanizou. Essa prática está ligada a todas as
raças desde os tempos mais antigos. Sobre essa questão, comenta Thomas Sowell,
um americano negro e professor universitário: “Os europeus escravizaram outros
europeus durante séculos antes que o esgotamento de escravos brancos os levasse
a recorrer à África como fonte de escravos para o Hemisfério Ocidental. O
imperador romano Júlio César marchou em Roma numa procissão que incluía
escravos britânicos capturados. Duas décadas depois que os negros foram emancipados
nos Estados Unidos, ainda havia escravos brancos sendo vendidos no Egito. A
mesma história se repete na Ásia, África, entre os polinésios e entre os povos indígenas
do Hemisfério Ocidental. Nenhuma raça, país ou civilização está isento de
culpa”.[2]
Sowell também diz: “A escravidão era um negócio feio e sujo, mas indivíduos de
praticamente todas as raças, cores e credos estavam envolvidos nela em todos os
continentes habitados. E as pessoas que eles escravizavam também eram de
praticamente todas as raças, cores e credos”.[3]
O Professor Robert Davis explica
essa questão: “Umas das coisas que o público e os estudiosos têm a tendência de
fazer é ver como fato garantido que a escravidão sempre teve natureza racial —
que só os negros eram escravos. Mas isso não é verdade. Não podemos pensar na
escravidão como algo que só os brancos fizeram para os negros”.[4]
A maioria das sociedades de 1,
2, 3 ou 4 mil anos atrás aceitava de uma forma ou outra a
escravidão. E é bom lembrar que na Europa brancos escravizavam brancos, na Ásia
asiáticos escravizavam asiáticos, nas Américas índios escravizavam índios e na
África negros escravizavam negros, tornando a maior parte da população mundial
de hoje (independente de origem racial) descendente de escravos, pois o sistema
social de trabalho forçado era comum a todos os povos. Não havia os que
aceitavam e os que não aceitavam a escravidão. Havia só dois grupos:
*
A maioria: os pagãos, ateus e anticristãos que eram de modo geral cruéis com os
escravos.
*
A minoria: os que, obedecendo ao que Deus diz na Bíblia, eram de modo geral
bondosos com eles.
Onde a escravidão era praticada por
muçulmanos e outras culturas não cristãs, dificilmente havia esperança de
misericórdia para os oprimidos. Ainda que hoje os muçulmanos não mais
empreendam o aprisionamento e venda de negros e brancos como escravos, sua
falta de compaixão pouco diminuiu, como se pode comprovar nos cruéis atos
terroristas e seqüestros e assassinatos sádicos de reféns inocentes, praticados
por indivíduos que se consideram adeptos de uma “religião de paz”, mas que desde
os tempos da escravidão vem trazendo, através de seguidores fanáticos, opressão
e terror para a humanidade.
No continente americano, antes da
vinda de Cristóvão Colombo, a situação não era melhor. Pessoas capturadas,
mesmo crianças, nas guerras entre as tribos indígenas muitas vezes acabavam
escravizadas, ou engordadas para servirem de alimento para seus captores canibais
ou simplesmente utilizadas em sacrifícios humanos. Tanto homens como mulheres aprisionados
eram estuprados, pois o homossexualismo era comum nas tribos. O tratamento
desses índios nas mãos de outros índios era tão cruel que as vítimas viram
Colombo como herói, quando ele venceu as tribos canibais e libertou os índios
que estavam sendo mantidos presos para serem devorados. Os índios libertos
receberam o “invasor” com muita alegria.
Evangélicos contrários à Escravidão
Se não havia muita esperança de misericórdia
nas culturas não cristãs, as condições eram mais favoráveis a mudanças nos
países cristãos. Afinal, foi exatamente nesses países que Deus levantou grupos
evangélicos contra a escravidão. Provavelmente, foi por causa do trabalho e
intercessão desses grupos que pessoas como John Newton (1725-1807) se converteram a Cristo. Newton era capitão inglês
de um navio de transporte de escravos e experimentou uma transformação tão
profunda em sua vida que ele acabou escrevendo o famoso hino Amazing Grace (Graça Maravilhosa), onde
ele conta como Deus pôde salvar um miserável como ele.
Embora a escravidão fosse universalmente
aceita e não tenha começado na Bíblia, foram pessoas que criam na Bíblia que
deram origem ao movimento de libertação dos escravos, primeiramente emancipando
os europeus que estavam condenados a trabalhos forçados, tanto na Europa quanto
no continente americano. Depois, veio o tremendo esforço de cristãos brancos para
combater a escravidão nos países pagãos e ajudar os africanos que foram usados
para preencher a lacuna que os escravos brancos deixaram. A iniciativa mais
eficaz para ajudar os negros escravos veio sob inspiração do branco evangélico
William Wilberforce (1759-1833), que fundou a Sociedade Anti-Escravidão,
na Inglaterra, no começo do século XIX.
Os Aproveitadores
Não foram os pagãos, nem os ateus e
nem os anticristãos que começaram a luta para libertar os negros da escravidão,
embora hoje tentem dar essa impressão, querendo assumir o papel de defensores
dos descendentes de escravos (só dos negros, não de outras raças), mas se
esquecendo de que os indivíduos daquele tempo que tinham idéias pagãs, ateístas
e anticristãs como eles é que apoiavam forte e cruelmente a escravidão. Eles
também parecem não se importar com o fato de que na atual África e em muitos
países comunistas e muçulmanos a escravidão está bem viva. De fato, esses
pseudodefensores dos descendentes de escravos demonstram muito pouco interesse
pelos oprimidos dessas nações. Pelo contrário, quem está levantando novamente a
voz em defesa desses oprimidos são grupos cristãos. Com a ajuda de Deus, eles
conseguirão a abolição do trabalho escravo no Sudão e nos países comunistas,
cuja situação de injustiça vem sendo denunciada há muito tempo por evangélicos.
Seria apenas lamentável que os ateus e anticristãos daqui a algum tempo se
levantassem, mais uma vez, para alegar que foram eles os responsáveis por essa
abolição.
Os socialistas, os ateus, os
humanistas e os anticristãos impõem a escravidão em países comunistas como China
e Coréia do Norte. Na China, um número incontável de pessoas desarmadas
contrárias ao comunismo e cristãos inocentes, tanto evangélicos quanto
católicos, são torturados, mortos ou, na melhor das hipóteses, enviados para os
laogais, que são os campos de “reeducação
mediante trabalho”. Nesses campos, os prisioneiros são obrigados a trabalhar longas
horas diárias, sete dias por semana, em indústrias controladas pelos militares,
cuja ambição é levantar recursos para construir a maior força militar do mundo.
Pelo fato de que não precisam pagar “empregados” e impostos, os produtos
chineses são vendidos a preços bem baixos no mercado mundial. Na década de 1990, havia mais de mil laogais em toda a China.
Em países como o Brasil os
socialistas, os ateus, os humanistas e os anticristãos fazem belas propagandas
culturais de si mesmos como “campeões” das minorias, tratando a questão da escravidão
como se desde o começo da humanidade os brancos fossem os únicos culpados
mundiais e como se os descendentes de escravos africanos tivessem direito
exclusivo de reivindicar o título de sofredores mundiais da humilhação da
escravidão. Culpando os brancos por todos os infortúnios dos negros e por todos
os problemas dos países pobres da África, eles esperam não só ajudar no estabelecimento
de leis nacionais e internacionais para cobrar indenizações, mas também
reforçar a imagem de que o socialismo é a resposta ideal para favorecer
determinados direitos para as minorias. Um dos direitos reivindicados é
valorizar a “cultura” negra (que inclui valores advindos do ocultismo africano)
com o mesmo respeito e importância que a cultura cristã sempre recebeu,
inclusive nas escolas públicas. Mas seu envolvimento nessas causas é
desconfiável, se considerarmos sua real pretensão: em nome de uma suposta
justiça para os descendentes de escravos africanos eles esperam provocar a luta
de classes, tão essencial para as revoluções comunistas, tão indispensável para
impor uma nova ordem social. Na ordem social de hoje, como bem demonstra o
socialista Lula com seu apoio às reivindicações dos grupos negros e
homossexuais, a defesa das minorias é uma das prioridades.
No entanto, os exploradores dos
direitos civis não estão apoiando as causas das minorias de graça. Aliás, o
governo Lula tem igualado a condição dos negros com a situação dos que vivem no
homossexualismo, comprovando que a questão dos descendentes dos escravos
africanos se tornou um ponto chave para conceder e expandir direitos especiais
para o homossexualismo. Daí o interesse obsessivo de alguns grupos de tirar
máxima vantagem dos direitos civis. Será que eles teriam interesse nas minorias
se não houvesse nenhum potencial de fomentar a luta de classes a fim de
estabelecer na sociedade suas pretendidas transformações?
Conclusão
Portanto, os esforços para libertar
os escravos não começaram entre africanos, asiáticos ou outros povos sem
tradição cristã, pois entre eles não havia liberdade e segurança para tal
iniciativa. Com todas as suas imperfeições, o sistema cristão de governo de
países como EUA e Inglaterra proporcionou um campo relativamente aberto para
que alguns evangélicos corajosos se opusessem à escravidão, desafiando até
mesmo a ignorância da maioria da população cristã de seus países. Se a luta
contra a escravidão dependesse exclusivamente de povos, tribos e nações não cristãs,
provavelmente a maior parte da população mundial continuaria escrava. No
entanto, como uma pequena quantidade de sal tem um efeito positivo numa comida
inteira, um número pequeno de evangélicos nos EUA e na Inglaterra fez toda a
diferença para que o mundo se tornasse o que é hoje: um lugar em grande parte
livre da escravidão.
Bibliografia:
Harold O.J. Brown, Muslim
Trading, publicado no The Religion & Society Report, julho de 2004. The Howard Center for Family,
Religion & Society.
Sam Blumenfeld, Forgotten
American History: The Barbary Wars, artigo publicado na revista Practical
Homeschooling, maio/junho de 2003,
p. 35.
Julio Severo, Superpropaganda
a favor do homossexualismo, artigo postado no JesusSite.
Nina Shea, The
Lion’s Den (Broadman & Holman Publishers, 1997).
Fonte:
www.juliosevero.com







9 comentários:
Julio,
Excelente artigo. Apenas um comentário: hoje vivo na California, mas vivi na Virginia por 3 anos, um dos estados confederados na Guerra da Secessão. Lá, como em qualquer estado sulista, você ouvirá dos negros que a conversão de seus antepassados não foi por um ato de generosidade dos donos de escravos e sim pura graça de Deus. Os brancos sulistas não consideravam o homem negro como um ser humano (os negros eram vistos como "semi-humanos). De acordo com estes, o homem negro não possuia alma e portanto "não era capaz de se converter". Esta foi a posição da Batista so Sul por muitos anos. Os afro-americanos, segundo os mesmos, se converteram porque escutavam do lado de fora do salão a leitura da Palavra de Deus, da boca dos mesmos "cristãos" que os escravizava e abusavam de suas mulheres. Segundo os afro-americanos, os negros não podiam participar dos cultos e a pregação do Evangelho lhes foi negada pelas razões acima. Isso ainda está bem vivo "in the South". Se for verdade, somente mostra o poder da Palavra de Deus e como o homem não tem nenhum mérito nisso. Veja o contraste com o Brasil, onde os curas tentaram catequizar o negro e o mesmo resistiu por anos, criando o sincretismo que atualmente vemos em terras tupiniquins.
Olá, Hugo! Em todas as questões humanas, sempre há abusos. No Brasil, por exemplo, é bem sabido que muitos donos de escravos abusavam das escravas. Veja o exemplo notório de Dom Pedro I. Assim, não é de admirar que muitos escravos não tenham se convertido à versão de cristianismo falso e podre que lhes era apresentado pelos portugueses. Quanto aos EUA, houve sim méritos humanos também. O Rev. Charles Finney, que viveu bem na época da escravidão, possuia uma faculdade evangélica, onde estudavam negros. Isso em si já era um fenômeno. O Rev. Finney também sustentava um movimento secreto de evangélicos que libertavam escravos e os conduziam a um lugar seguro. Havia também muitos casos notáveis de evangéilcos americanos que faziam questão de ensinar os filhos dos escravos a ler e escrever. Mais tarde, esses escravos educados fundaram escolas e até faculdades para negros. Quanto ao fato de se considerar o negro naquela época um ser semi-humano, infelizmente o homem muitas vezes é capaz de fazer coisas aburdas contra outro ser humano. Veja o caso do aborto em nossos dias, que é defendido e aplicado cruelmente em inocentes e indefesos bebês em gestação, não porque eles sejam considerados subhumanos. É bem pior do que isso. A sociedade moderna insiste em classificar os bebês como seres não humanos, que é uma desculpa horrível para destrui-los!! Então, a loucura do homem hoje é muito pior. Por pura tragédia, atualmente nos EUA os negros são, proporcionamente, o segmento populacional que mais sacrifica seus bebês por meio do aborto. Mas Deus sempre usa homens como Charles Finney para mudar as coisas. Devo, para concluir, dizer que Finney era um pregador avivalista, cheio do Espírito Santo, um dos precursores do movimento pentecostal. Assim, não há dúvida de que houve abundantes méritos humanos nos EUA. Os frutos estão aí para comprovar. Só a extinção dos orixás nos EUA é prova suficiente: http://juliosevero.blogspot.com/2007/12/por-que-ocorreu-extino-dos-orixs-entre.html. Infelizmente, o Brasil não teve tais méritos.
Caro Julio
Que bom o seu blog, arauto de bom senso e defesa de valores cristãos no nosso tempo, que vive uma crise do óbvio e que se define em grande parte pela manobra ideológica das massas populacionais pela mídia contra o Evangelho de Cristo. Curioso é que isso se dá justo neste tempo, em que nos admiramos com os bons sucessos obtidos pela razão humana nos campos técnico-científicos... Envaidecida, entretanto, a mesma razão está se voltando contra o homem. Creio que este é um dos focos dos textos corajosos que tem publicado.
Além disso, gostaria de dar umas pistas históricas e sociológicas para alguns dos debates que li por aqui.
Percebi colocações que são parciais ou tendenciosas, talvez inadvertidamente. Parciais, por simplesmente deixarem de lado dados históricos imprescindíveis no contexto revisionista, isto é, na apresentação da história real contra a história falseada que chamamos politicamente correta. Tendenciosas, porque, apesar da evidente tentativa de manter uma postura equilibrada e respeitosa para com o catolicismo, escapam opiniões preconceituosas e por isso mesmo incapazes da abertura necessária para um estudo imparcial.
Alguns exemplos.
1.a) A luta contra a escravidão no novo mundo começou bem antes do que foi indicado no blog. Vários Papas, através de severas cartas escritas a diversos destinatários, principalmente aos príncipes católicos, condenaram evangelicamente tráfico, comércio e escravidão de negros nas colônias européias de além-mar, defenderam sua dignidade humana e conseqüentes direitos a liberdade e a ouvirem o Evangelho e se fazerem cristãos. Datam do século XVI as primeiras delas e, somadas todas as invectivas Papais contra a escravidão, chegam a mais de 300 durante os séculos em que esta prática infame vigorou nas Américas. Infelizmente, muitas vezes, os filhos da Igreja têm sido desobedientes, e é isso o que deve ser deplorado. O próprio Cristo não teve unanimidade, não foi aceito por todos, e teve entre os seus mais próximos o traidor, que demonstrava preocupação com os pobres, não por caridade, mas porque cuidava da bolsa comum e era ladrão, como afirma João no seu Evangelho.
1.b) Memória gloriosa e veneranda é a da Princesa Isabel, que aboliu a escravidão no Brasil não visando qualquer vantagem com isso, pelo contrário, pagando consciente e generosamente, com os nobilíssimos e insofismáveis direitos imperiais e reais de sua estirpe e com a própria coroa, esta sua atitude, exigência caridosa e justa da sua fé vigorosa e límpida... Não é à toa que ainda nas trincheiras da Segunda Grande Guerra, em particular no assalto e conquista de Monte Castelo, já tantos anos passados desde a Lei Áurea, os pracinhas brasileiros negros gritavam invocação que suscitou a curiosidade de não poucos norte-americanos, especialmente entre os oficiais: Viva Dom Pedro II e a Princesa Isabel. Não foi digno o nosso amado Brasil de tê-la por Rainha? Que este pecado seja creditado aos escravocratas decepcionados, que deram vazão a sua sanha de vingança aderindo a um republicanismo de fachada que maquiava os verdadeiros interesses mesquinhos e anticristãos que nutriam. Cretinos úteis, circunstancialmente predispostos às manobras do processo de revolução laica, para não dizer atéia, e sangrenta, nascido no século iluminado só no nome, e cujas obras se escondem nas trevas para passar desconhecido nas suas genuínas feições.
2.a) Não confere com a realidade o dado apresentado de que, no Brasil, as práticas religiosas de origem afro-brasileiras sejam mais fortes que nos EUA. Lá também elas contam com certa inegável expressividade, apresentada até por diversos veículos de comunicação. Mas lá elas foram muito mais reprimidas, e violentamente, e mais por motivos raciais do que religiosos. Ao contrário do que houve no Brasil, em que a repressão dos cultos africanos era por motivo religioso, porque se opunham à fé cristã, enquanto que as manifestações exclusivamente culturais dos povos africanos gozavam de liberdade, tanto é que hoje ainda elas se apresentam com alegria e vigor. Estatisticamente, esses rituais de origem africana pagã (que assumiram ou desenvolveram muitos elementos sincréticos de catolicismo popular) alcançam hoje a cifra de 0,3% da população brasileira, o que indica que foram praticamente erradicadas entre nós. Não podemos nos esquecer de que, ao entrar no século XX, o Brasil contava com a quase totalidade da população de cristãos católicos, e que até a década de 1970 mais de 90% ainda se declaravam católicos; sendo hoje 74% de católicos e 15% evangélicos de diversas denominações, em particular pentecostais. Isto mostra como a fatia dada aos cultos africanos é quase inexpressiva. Não podemos negar a influência desses cultos pagãos fora do seu círculo de membros, haja vista sobretudo ao fato de que grande parte dos católicos declarados simplesmente desconhece os elementos básicos da doutrina cristã, que se opõem radicalmente ao sincretismo e a qualquer abertura a tais práticas. Isso se deve à falta de instrução e prática religiosa, fato este que relega muitas vezes as pessoas à superstição, e não ao que foi dito na infeliz e falsa expressão publicada neste blog no comentário: (...) Assim, não é de admirar que muitos escravos não tenham se convertido à versão de cristianismo falso e podre que lhes era apresentado pelos portugueses. Meus caros, a conversão é uma atitude de máxima liberdade de alguém que se encontra com Cristo e decide abandonar tudo e reorientar toda a sua vida por Ele, com Ele e para Ele. A função da Igreja é apresentar Jesus às pessoas, dar-lhes esta oportunidade; e é o que Ela sempre fez e faz. Pelos séculos, erraram feio os que acharam que poderiam forçar alguém a se converter; e isso a Igreja nunca ensinou, recomendou ou admitiu, ainda que muitos o tenham feito. Conversão forçada não é conversão, mas encenação.
2.b) A discriminação dos negros, aliás, mais ainda, na sua expressão cruel de segregação racial, chegando aos extremos da Ku-Klux-Klan, só se desenvolveu no ambiente protestante. Lembremo-nos também da política de segregação chamada de Apartheid que vigorou na África do Sul até há pouquíssimo tempo, e que só pôde se dar em ambiente protestante. No Brasil, qualquer expressão de discriminação foi muito menos intensa e muito menos radical, o que é confirmado pelo fato da nossa ampla miscigenação racial oriunda de matrimônios inter-raciais desde o começo, o que não teve lugar nos EUA de maneira tão expressiva, a não ser em anos bem mais recentes; da amplíssima pregação feita a negros e índios no Brasil desde o início da colonização, comprovada não só pelos testemunhos históricos como também pela existência de mais de três centenas de catecismos de doutrina cristã escritos pelos missionários em diversos dialetos africanos e indígenas encontrados no Brasil. Aqui não foi como lá, segundo atesta o relato depositado no blog (grifos meus, sem correções):
«Excelente artigo. Apenas um comentário: hoje vivo na California, mas vivi na Virginia por 3 anos, um dos estados confederados na Guerra da Secessão. Lá, como em qualquer estado sulista, você ouvirá dos negros que a conversão de seus antepassados não foi por um ato de generosidade dos donos de escravos e sim pura graça de Deus. Os brancos sulistas não consideravam o homem negro como um ser humano (os negros eram vistos como "semi-humanos). De acordo com estes, o homem negro não possuia alma e portanto "não era capaz de se converter". Esta foi a posição da Batista so Sul por muitos anos. Os afro-americanos, segundo os mesmos, se converteram porque escutavam do lado de fora do salão a leitura da Palavra de Deus, da boca dos mesmos "cristãos" que os escravizava e abusavam de suas mulheres. Segundo os afro-americanos, os negros não podiam participar dos cultos e a pregação do Evangelho lhes foi negada pelas razões acima. Isso ainda está bem vivo "in the South". Se for verdade, somente mostra o poder da Palavra de Deus e como o homem não tem nenhum mérito nisso. Veja o contraste com o Brasil, onde os curas tentaram catequizar o negro e o mesmo resistiu por anos, criando o sincretismo que atualmente vemos em terras tupiniquins.
Salta aos olhos a atitude muito mais evangélica dos católicos, caridosa, aberta e tolerante, hoje como ontem. As mentalidades católica e protestante são completamente distintas, e geraram colonizações e povos radicalmente distintos em sua maneira de encarar a vida e o seu sentido, o mundo, as relações sociais etc. O capitalismo selvagem, a saber, encontrou terreno propício nos princípios protestantes sobre os quais é fundada a sociedade norte-americana: a predestinação calvinista (extremamente preconceituosa e excludente, além de anti-bíblica) e aqueles outros que compõem o rol da hoje chamada e tão em voga “teologia da prosperidade”, que de teologia só leva o nome, e para a qual a Bíblia é só isca, mascote ou garoto propaganda.
3.a) Apesar de ser “politicamente correto”, não é de bom tom fazer afirmações gratuitas contra a Igreja Católica. Esta acaba sendo uma atitude anti-intelectual, é opor-se a evidências, ao bom senso e à urbanidade cristã. Enfatizo, os execrandos e alardeados “pecados da Igreja” não passam de “pecados dos filhos da Igreja que não agiram como tais”. Fracos – como todos os mortais –, sem vigilância e oração, desobedientes, orgulhosos, avaros, impudicos, olvidados da eternidade, da efemeridade da vida presente e da sua alma imortal a salvar, é que muitos católicos falharam e deixaram seus maus exemplos nos anais da história. E tais ações eles as perpetraram não porque eram católicos, mas apesar de o serem, mesmo ocupando cargos elevados na hierarquia eclesiástica; agiram absolutamente contra o Evangelho de Cristo e o conjunto da Revelação Cristã de que a Igreja Católica é a única guardiã originária e intérprete imediata e fiel. Abundam exemplos históricos da fidelidade a toda prova da Igreja ao Evangelho de Cristo, tesouro que Ela jamais ousou expor a barganha, como é tão freqüente ver acontecer entre diferentes denominações cristãs. Lembre-se aqui tão somente o fato de a Igreja jamais aceitar o divórcio, porque Cristo não o aceita e o Evangelho é claro sobre isso. Essa fidelidade radical católica rendeu à Igreja a perda da Inglaterra, todo o Reino Unido e colônias, porque o Papa simplesmente não “deu um jeitinho” para a luxúria e ambição de Henrique VIII que queria divorciar-se. O Papa foi preso durante meses pelo rei apóstata que visava fazê-lo ceder sob tal coação, mas ficou fiel, e só foi solto quando se fez iminente a intervenção armada de outros príncipes católicos indignados contra a barbárie britânica. Em seqüência, o rei declarou-se a suprema autoridade religiosa para seus domínios, desligando-se da Igreja e rompendo a unidade cristã, o que também fez Lutero (também este, aliás, de motivações e currículo pouco recomendáveis) e trucidou todos os que se lhe opuseram, como também matou suas “esposas” seguintes, que foram mais de meia dúzia.
3.b) Garanto: não há ponto histórico de que a Igreja Católica como instituição se deva envergonhar. Ela não é uma fundação qualquer feita por homens, mas edificação divina feita por Cristo Salvador, o Verbo do Pai; feita de homens, mas inexpugnável por ser divina, como os séculos o comprovam. Aqueles filhos da Igreja, entretanto, desobedientes, ingratos, estes sim devem carregar sua vergonha e penitenciar-se dela.
Para o louvor de Cristo bendito e honra dos que amam a Verdade.
Pe. Raphael Lôbo
Olá amigos e irmãos em Cristo , amei ler este excelente artigo e expresso nestas palavras minha singela opinião. Como cristã tenho experimentado atualmente a vivência em uma Igreja Petencostal e tenho sentido mudanças significativas em minha vida, tenho experimentado como nunca o amor de DEUS , e entendo o quanto toda esta cultura socialista que vem assolando o Brasil , com este enfoque intelectual tem trazido imensos prejuizos para nossa ignorante população , entendo também que em meio aos simpatizantes deste momento brasileiro existam pessoas que estão com olhos vendados e que a escuridão que envolve a aceitação dos cultos afro-esotéricos os impede de deixar a luz do SENHOR penetrar em suas mentes , acho também que estamos num simbólico momento de unir forças em torno de pedidos de misericórdia ao SENHOR JESUS por estas pessoas que vivem na escuridão e entregar nas mãos de DEUS o andar dos acontecimentos, porque é quase impossível de alguém no escuro enxergar a lógica da luz.
Maria Teresa - pazluz53@uol.com.br
Olá meu irmão.
Sou português, sigo à algum tempo o seu blog e sofro consigo a sua deplorável situação.
Ao ler o presente artigo gostaria de deixar alguns esclarecimentos adicionais. É frequente os portugueses serem apresentados como responsáveis pela escravatura aí no Brasil. Na verdade os utilizadores finais deste crime desumano eram em grande parte os agricultores portugueses (e não só) que possuiam as plantações (cana de açucar entre outras). Tudo o resto é falso. Os responsáveis pela escravatura são forçosamente aqueles que tinham mais a ganhar com essa actividade. O comércio de escravos exigia uma estrutura em rede e capitais elevados para que esse negócio existisse.
Nessa época quem possuia capacidade para manter esse comércio eram os cristões-novos (judeus aparentemente convertidos) que possuiam nomes portugueses, porque descendiam dos judeus portugueses expulsos, mas que habitavam principalmente na holanda. Eram esses os senhores das grandes frotas de navios negreiros e eram eles que mantinham em funcionamento as redes de compra de escravos no continente africano,os transportavam e posteriormente vendiam no Brasil.
(ver: http://www.inacreditavel.com.br/novo/mostrar_artigo.asp?id=124 ou ler "Gustavo Barroso, História Secreta do Brasil, 1990, Editora Revisão")
No passado, como agora, a verdade sempre foi incoberta, mas é tempo de que os que lutam pela luz da verdade estejam atentos à mentira que existe na penumbra que nos rodeia.
Deus esteja consigo.
Francisco
Sei que esse tópico já tem uns 6 anos de existência.
Mas é a primeira vez que leio e percebi que, em alguns pontos, há correções necessárias (ou, em muitas casos, arestas sobre as colocações feitas por um dos comentadores, no caso o pe. Raphael Lôbo, que, no geral, fez uma boa contribuição, mas muito mais parcial do que o artigo que ele comenta).
Mas, vamos às iniciais:
1. Não é correto se chamar de evangélica a população da Islândia do século XVII, bem como não é aconselhável se chamar de "evangélicos" aos próprios evangélicos do século XVIII e XIX que lutaram pela causa da abolição, sendo praticamente os pioneiros nessa busca em países como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos (embora não os únicos, como explicarei adiante).
Explica-se: não há uma continuidade histórica entre os evangelicals britânicos e americanos com o movimento evangélico moderno (apesar de algumas convergências doutrinárias). O presente movimento evangélico (ou neo-evangélico, seguindo uma definição mais precisa) tem sua origem nos anos 40, 50 do século XX.
Essa distinção é necessária para compreendermos as diferenças sul/norte entre as denominações dos Estados Unidos na época que antecedeu à guerra civil.
2. O objetivo básico das operações de corso dos estados da Barbária (ou seja, 3 ou 4 estados muçulmanos do norte da África que praticavam apresamento em povoados do litoral para fins de escravidão) não era a escravidão (já que não existiam atividades econômicas lucrativas que não fossem... o próprio saque), mas a obtenção de resgates bastante altos - aliás, o mesmo procedimento feito atualmente pelos piratas somalis.
Caso não obtivessem resgate, esses escravos (geralmente mulheres ou crianças) eram revendidos em Istambul - onde também convergiam escravos de aldeias cristãs cossacas ou circassianas. Mas não era um bom preço. Os escravos serviam apenas ao luxo ou para funções militares.
É bom lembrar que os Estados Unidos não atacaram todos os estados piratas de uma vez, mas aproveitaram as disputas entre eles para as campanhas de 1801 e 1815, ambas enfrentando esquadras superiores em número e tecnologia.
3. A escravidão realmente sempre existiu, em todos os povos, e ainda existe.
Contudo, existem diferentes formas de escravidão, algumas mais degradantes e outras que buscavam a assimilação - mas em todas existia o elemento comum do trabalho forçado, sem remuneração.
A escravidão clássica que conhecemos (séculos XV a XIX) era uma escravidão econômica, mas que seguiu - por uma série de circunstâncias da sua formação - uma natureza racial. Negros, mas não todos, eram os escravos, mas apenas negros podiam ser escravos, não os índios (embora estes também fossem escravos, em número reduzido e sob outro sistema).
Em Israel, se este povo realmente seguisse a Lei todo o tempo (e vemos em Jeremias que não), o escravo deveria permanecer cativo apenas sob 7 anos, e a mesma lei tinha uma série de garantias ao ex-escravo sobre seus filhos e bens. Nenhuma nação da Antiguidade tinha um sistema assim; nem merecia ser chamado de escravidão.
Aliás, foi esse sistema de 7 anos que inspirou o sistema de servidão branca que vigorou nas colônias inglesas.
4. Apesar de ser possível que os índios prisioneiros de outras tribos tenham comemorado a sua captura por Colombo (ou Cortez, ou Pedrarias, etc) com alegria, como uma libertação - ao menos do sacrifício ritual estavam realmente libertos - o fato é que essa situação foi sucedida por outro cativeiro, outra forma de escravidão também com atos de crueldade extrema, como a mutilação de membros e o suplício do chumbo na garganta (entre outros).
Portanto, a libertação pelos espanhóis foi apenas um meio-fato.
(por justiça, convém anotar que Colombo horrorizou-se com tal procedimento).
5. Concordo plenamente com a natureza hipócrita (e falseadora da história) dos movimentos que se apresentam sob a bandeira da defesa dos negros, entre outros grupos - alguns minoritários e outros maiorias bem maleáveis.
É uma circunstância cultural.
O ambiente em que surgiu foi o anticolonialismo da segunda metade do século XX (na verdade, um antiocidentalismo, já que em nenhum momento se impôs contra a submissão ideológica a metrópoles como Praga, Moscou ou Beijing), e não estranha que tenha incoporado outros elementos de reversão da cultura ocidental, como a hostilidade ao cristianismo e à economia global - embora também se sirvam destes, quando servem a um mesmo fim.
Agora, as observações finais (aos comentários):
1. Parece que há controvérsia sobre a diferente conversão dos escravos na América do Norte e no Brasil, afirmando Julio que os seus senhores se empenhavam na conversão, e Hugo em que estes se converteram quase que sozinhos, "apesar" da escravidão.
Ao que tudo indica, os senhores empenharam-se, sim, pela conversão dos seus próprios escravos; alguns mais, outros menos. Eles não se converteram sozinhos como um tipo de resistência.
Não se pode utilizar um "sentimento" atual dos afro-americanos da Virgínia para explicar um fato que ocorreu há 250, 300 anos. São regimes de historicidade diferentes.
Devemos buscar os fatos.
2. Pe. Raphael Lobo observou bem que os evangelicals do século XVIII não foram os únicos a defenderem a abolição. Ele até poderia ter citado o libelo "Etíope resgatado", do pe. Manuel Ribeiro da Rocha, brasileiro do século XVIII, ainda antes de Newton e Wilberforce.
Contudo, daí a entender as cartas papais como documentos pela liberdade e dignidade dos escravos há um passo que não efetivamente transposto - pelo menos em direção aos africanos.
Por exemplo, a Companhia de Jesus dispunha de uma frota própria de navios negreiros, que serviam em suas plantações. Ou seja, não podemos considerar a invectiva contra a escravidão (que sabemos que foi muito mais incisiva contra a submissão dos índios do que dos africanos) como uma política generalizada.
Obviamente, nenhum ramo do cristianismo subscreveu os maus tratos ou a desigualdade racial (pelo menos antes do aparecimento de concepções extravagantes do século XIX, associando a África à descendência e maldição de Cam).
Contudo, em efeitos práticos, a posição católica não foi diferente da tomada pelas igrejas institucionais.
3. A fatia de 0,3% de aderentes de religiões africanas não é um dado seguro, devido ao fato de tradicionalmente os adeptos dessas religiões (como o candomblé ou o Vodu) intitularem-se católicos.
Apenas a umbanda - sob influência do kardecismo - é que se proclama uma religião a parte.
Não é verdade, portanto, que os rituais africanos estejam erradicados no Brasil. Existem milhares de terreiros espalhados no Brasil, embora a filiação não seja um objetivo, pelas próprias características desses centros. E, além disso, existe a influência cultural e artística muito superior, em círculos do beatiful people, embora seja um fenômeno recente
4. Não é verdadeiro que a discriminação racial desenvolveu apenas no ambiente protestante.
O que foi específico dessas culturas foi a discriminação segregacional.
No catolicismo existiu também uma longa trajetória de discriminação racial, incluindo determinações explícitas de não acesso de negros ao clero. Existem numerosos documentos que atestam isso.
Quanto à miscigenação racial, não podemos esquecer que ela sempre começou de maneira forçosa, simbolizando a opressão do senhor sobre as escravas.
Também existiu miscigenação nos Estados Unidos, pelos mesmos motivos. Ela só é disfarçada pelo sistema segregacional, que considera negros também os mulatos, quartos, oitavos...
5. Mesmo que exista controvérsia sobre o caráter bíblica da predestinação agostiniana em Calvino, é incorreto qualificá-la como "excludente" ou mesmo preconceituosa. Pelo contrária, ela exige um postura soturna em relação à propria justificação.
Nenhum calvinista pode afirmar sua própria justificação ou a não-justificação dos demais.
6. Nenhum papa ficou aprisionado durante meses por um rei "apóstata" (a não ser que se considere esse rei como o imperador Carlos V). Acho que há uma confusão de eventos históricos.
7. Não é também exato atribuir a recusa de Clemente VII de ceder ao pedido de divórcio de Henrique VIII como "fidelidade ao Evangelho de Cristo". Foram circunstâncias políticas.
Em 1498, outro papa concedeu prontamente a dissolução do casamento de Luís XII da França com Joana de Valois (aliás, santa posteriormente), que se deu nas mesmas circunstâncias e pelos mesmos motivos. Por que conceder ao rei da França e negar ao rei da Inglaterra?
A dissolução de casamentos por concessão eclesiástica não foi incomum na Idade Média.
8. A perda da Inglaterra para o protestantismo como preço a pagar por negar os caprichos de um rei renascentista não corresponde à realidade.
Henrique VIII jamais contestou a doutrina católica romana, e seu Ato de Supremacia só podia ter um desses objetivos: forçar a uma separação provisória ou render-se à uma tendência de fortalecimento da autoridade real em detrimento do papado. Em ambos os casos, o rei queria um catolicismo, sem papa (cismático), exercendo forte perseguição contra os reformados, como William Tyndale, queimado na fogueira em 1536.
A Inglaterra tornou-se protestante porque tendência própria, inevitável, que vinha desde Wycliff e os lolardos.
Nenhum rei conseguiu impedir isso.
9. Só há uma Igreja fundada por Jesus Cristo, e as portas do inferno jamais prevalecerão sobre ela até que se cumpra a sua obra nessa dispensação. Essa Igreja una e indivisível não é feita por homens e nem registrada por eles, de modo que não se contamina com suas obras, porque foi nascida do sangue de Cristo.
Em muitos momentos, essa fidelidade à Igreja tornou necessário que se rompesse com instituições qualificadas pelos homens como igrejas (até por serem a sua manifestação visível). Contudo, a comunhão no Espírito Santo comprova a certeza dessas decisões e demonstra claramente que o verdadeiro cristianismo é expresso pela fé protestante.
Postar um comentário