30 de abril de 2005

A Marca da Besta

A Marca da Besta: A Educação do Futuro

Julio Severo

Se perguntassem para nós hoje como será a educação do futuro, talvez diríamos que será uma educação que, finalmente, eliminará completamente o analfabetismo e dará oportunidades de ensino para todos. Pelo menos, nosso desejo simples é o bem-estar das crianças, inclusive na área educacional. Educação é parte importante da vida. Assim, a vasta maioria dos pais espera mandar os filhos para boas escolas.

Contudo, e se perguntassem para Abraão, Isaque e Jacó como seria a educação do futuro? Parece que eles não tinham preocupações com essa questão, pois eles estavam ocupados com a responsabilidade de treinar os filhos para viver para Deus neste mundo. Deus também não estava preocupado, pois ele sabia que Abraão e seus descendentes cumpririam essa responsabilidade. Ele mesmo disse: “Porque o conheço e sei que ele ordenará a seus filhos e sua casa depois dele, e eles guardarão o caminho de Jeová, para praticarem a justiça e o juízo, a fim de que Jeová traga sobre Abraão o que ele falou dele”. (Gênesis 18:19 Darby)

Portanto, Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, revela que Deus estava perfeitamente consciente de que Abraão estava capacitado para dar uma educação alicerçada no lugar certo: nos mandamentos de Deus. Abraão, Isaque e Jacó não se preocupavam com a educação do futuro, pois sua atenção estava voltada para a importante missão de educar os filhos nos caminhos do Senhor. Não existia para eles interesse educacional maior do que formar nos filhos uma mentalidade com um profundo conhecimento e temor de Deus.

E se perguntassem para outros homens e mulheres da Bíblia como seria a educação do futuro? Parece que poucos teriam condições de responder, porém há dois homens que saberiam dar uma resposta relevante: Moisés e João. Tendo estudado nas melhores universidades do Egito, Moisés estava em condições de oferecer uma perspectiva com base em sua experiência no sistema educacional egípcio, que não era muito diferente do que conhecemos hoje. No entanto, parece que em nenhum lugar da Palavra de Deus se vê uma resposta tão clara e direta quanto uma importante revelação que se encontra no último livro da Bíblia. Em Apocalipse, o Apóstolo João pôde ver por revelação especial como seria o sistema educacional de um futuro que, bem provavelmente, também inclui nossa geração.

O QUE APOCALIPSE REVELA SOBRE O FUTURO

Entre as muitas visões que recebeu no livro do Apocalipse, João viu um sistema de governo mundial, sob a liderança da Besta, controlando a vida de todas as pessoas:

“[A Besta] obrigou todas as pessoas, importantes e humildes, ricas e pobres, escravas e livres, a terem um sinal na mão direita ou na testa. Ninguém podia comprar ou vender, a não ser que tivesse esse sinal, isto é, o nome [da Besta] ou o número do nome [dela]”. (Apocalipse 13:16-17 BLH)

Será que é difícil entender essa passagem? Deus ama as pessoas simples que o amam e lhe dão atenção. Ele escreveu sua Palavra de modo que mesmo alguém sem formação educacional do mundo possa compreender. “A explicação da tua palavra traz luz e dá sabedoria às pessoas simples”. (Salmos 119:130 BLH) Como podemos então entender o que Deus está querendo nos dizer em determinados textos bíblicos? O que precisamos fazer é comparar uma passagem espiritual com outra passagem espiritual. Aliás, a própria Palavra de Deus nos ensina que podemos aprender a distinguir os pensamentos, intenções e revelações do Espírito Santo em Sua Palavra “comparando as coisas espirituais com as espirituais”. (veja 1 Coríntios 2:13 RC)

Então, comparando o texto de Apocalipse com duas passagens no Antigo Testamento que trazem indicação semelhante de sinal na mão e na testa, é possível entender o que esse simbolismo significa.

“Essa festa será como um sinal para vocês, como se fosse uma coisa amarrada na mão ou na testa, e os ajudará a se lembrarem de recitar e de estudar a lei do Deus Eterno; pois com grande poder ele os tirou do Egito”. (Êxodo 13:9 BLH)

“Isso será como uma lembrança, como alguma coisa amarrada nas mãos ou na testa. E nos fará lembrar que com o seu grande poder o Deus Eterno nos tirou do Egito”. (Êxodo 13:16 BLH)

A repetição da festa, ano após ano, ajudaria a educar o povo de Deus a nunca se esquecer da Palavra de Deus. Em termos bem simples, essa repetição era um método educativo usado para marcar profundamente a mente das pessoas, de modo que sempre se lembrassem de recitar e estudar a Palavra de Deus.

MARCAS PROFUNDAS

“[A Besta] obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome”. (Apocalipse 13:16-17 NVI)

Comprar e vender faz parte do sistema de vida da sociedade. Para sobreviver nesse sistema, no mínimo o cidadão precisa de um emprego. Principalmente em cidades grandes, praticamente todos os empregos exigem determinado nível de escolaridade. Aliás, uma das primeiras perguntas que um empregador faz a alguém que deseja um emprego é sobre grau de escolaridade. Mais do que nunca, um homem hoje precisa de um diploma escolar para poder ter uma ocupação no mercado de trabalho, e as exigências mínimas de escolaridade estão cada vez mais altas, obrigando assim crianças e adolescentes a passar o máximo de anos nas instituições escolares. Um ser humano hoje só é valorizado de acordo com um diploma oficial que comprova que ele passou anos estudando nas escolas e universidades. Está se tornando quase impossível viver sem um diploma escolar.

Essa tendência indica que logo não será possível conseguir um emprego sem uma escolaridade mínima aprovada pelo governo. Preocupados com os filhos e a fim de ajudá-los a não sofrer desvantagens e portas fechadas no mercado de trabalho, os pais fazem questão de forçá-los a passar o máximo de anos nas instituições de ensino. As pressões sociais, políticas e legais de hoje não permitem que um jovem consiga obter uma ocupação digna de trabalho sem um diploma escolar aprovado pelo governo, anulando assim suas chances de sobrevivência. Sem emprego, como é que alguém conseguirá comprar e vender para viver? É isso o que indica o texto de Apocalipse: os que não tiverem sido marcados na mão ou na testa não poderão fazer nada para sobreviver no mercado de trabalho. Qual então é o significado da mão e testa marcados?

Marca na mão: A mão é a parte do corpo que age, trabalha e realiza tarefas. O sinal na mão é um símbolo de que a pessoa recebeu uma formação educacional tão profunda e intensa que tudo o que ela faz traz a marca do que ela aprendeu. Ela foi ensinada a fazer as coisas de acordo com os ideais do sistema educacional do governo. Ela foi “marcada” para agir e se conduzir conforme a educação que lhe foi implantada.

Marca na testa: A testa é a parte do corpo onde fica a mente. O sinal na testa é um símbolo de que a pessoa recebeu uma formação educacional tão profunda e intensa que tudo o que ela pensa e fala traz a marca do que ela aprendeu. Ela foi ensinada a pensar e se expressar de acordo com os valores do sistema educacional do governo. Ela foi “marcada” para pensar conforme a educação que lhe foi implantada.

Se esse simbolismo realmente representa a influência de um sistema educacional no modo de as pessoas pensarem e agirem, então pode-se considerar essa influência como uma marca bem forte, pois hoje uma criança é obrigada a passar anos na escola institucional sendo marcada por muitos ensinos impostos pela educação do governo.

MISTÉRIO DA BESTA E SEU SIGNIFICADO

Qual é o significado do nome e número da Besta? Há a possibilidade de que nome e número possam ser uma referência bem simples aos conceitos básicos e essenciais de língua e matemática, que são as colunas fundamentais da educação. Assim, no sistema da Besta todos os cidadãos, cristãos ou não, são obrigados por lei a ir para a escola para aprenderem o básico (ler e escrever) e, no processo, absorverem “outros ensinos” que a Besta considerar importantes para a formação das crianças e adolescentes.

Portanto, a Besta mencionada em Apocalipse não é um homem, mas algum tipo de entidade espiritual por trás de um sistema social que controlará e dirigirá o rumo e a vida de todos os cidadãos. Assim, a Besta é um sistema operando aqui na terra sob direção e controle demoníacos. De que maneira exatamente a Besta controlará a vida das pessoas? Quem é a Besta?

O termo Besta significa no original grego animal selvagem ou pessoa má. Seguindo essa definição, é possível entender que todas as pessoas (de qualquer condição social, religião ou etnia) receberão uma formação educacional que as condicionará a pensar e viver sem a ajuda dos valores morais, exatamente como fazem os animais selvagens e as pessoas más. Em que sentido precisamente as instituições humanas de ensino poderiam implantar na mente das crianças abertura para condutas iguais ao comportamento dos animais selvagens ou das pessoas más?

SEXUALIDADE: UMA DAS QUESTÕES MAIS IMPORTANTES

Deus diz sobre a sexualidade humana: “É por isso que o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa”. (Gênesis 2:24 BLH) Aliás, o primeiro e mais importante mandamento positivo de Deus para o primeiro casal humano foi exatamente sobre sexo, casamento e família (veja Gênesis 1:28). Embora o homem tenha chamado especial de Deus para deixar pai e mãe para se unir à sua mulher, serem uma só carne, formarem uma família e dominarem o mundo, o sistema educacional moderno basicamente educa as crianças a pensar e agir sem limites morais, exatamente como se o ser humano fosse um animal selvagem.

Para combater a ameaça das doenças sexualmente transmissíveis, o governo oferece a solução da camisinha. Nas escolas públicas, os programas de prevenção a essas doenças têm “como principal objetivo possibilitar que crianças e adolescentes possam fazer escolhas na área da sexualidade com responsabilidade e sem culpa, sem correr riscos de uma gravidez indesejada e de doenças sexualmente transmissíveis”.[1] Crianças e adolescentes são ensinados a fazer “escolhas” na área sexual [eles podem aprender a decidir o que quiserem: sexo oral, vaginal, anal, etc.] com responsabilidade [sempre usando a camisinha e o controle da natalidade] e sem culpa [sem se sentirem incomodados com o sexo sem compromisso matrimonial]. É desse jeito que o governo quer que as crianças de escolas públicas aprendam a “proteger” seu prazer sexual de possíveis “transtornos”. Entre esses transtornos está a gravidez, que é colocada no mesmo nível das doenças sexuais.

Para o governo, o problema não é o sexo antes do casamento, mas a gravidez e a criança inocente já concebida. O problema é tudo (seja gravidez ou doença) o que atrapalha o adolescente de obter o prazer sexual, com ou sem casamento, com ou sem valores morais. Assim, o alvo do governo é usar as escolas para preparar os jovens para fazer sexo, não para entrar no casamento. Seu objetivo é educar os jovens a evitar a gravidez, não o sexo fora do casamento. Sua meta é ensinar “respeito” e “tolerância” para com a liberdade sexual, não respeito para com todos os compromissos morais envolvidos com o sexo, inclusive casamento, família e criação de filhos.

Ao excluir a importância e o valor do compromisso conjugal entre homem e mulher como única forma saudável e natural de se relacionar sexualmente, a educação das escolas acaba abrindo espaço para escolhas sexuais anormais, inclusive a homossexualidade. O homossexualismo tem sido apresentado e ensinado nas salas de aula não como um comportamento sexual contra a natureza, mas como um estilo de vida diferente, que merece respeito e tolerância. Basicamente, as escolas agora educam a criança para pensar e agir como animal selvagem ou pessoa má na área sexual. O sistema educacional da Besta faria diferente disso?

Os governantes entendem muito bem a importância da educação na formação dos futuros cidadãos. Em seu governo socialista, Lula lançou um programa abrangente inédito chamado Brasil Sem Homofobia, para cultivar nos cidadãos atitudes favoráveis ao homossexualismo e, através de campanhas, implantar na mente deles uma programação ideológica hostil que os faça rejeitar espontaneamente toda opinião contrária às práticas homossexuais. Essa programação os condicionará a ver como preconceito, discriminação e ódio toda posição, inclusive da Bíblia, que considere o homossexualismo como pecado, anormalidade e perversão. De que maneira ocorrerá essa sutil lavagem cerebral? O plano do governo é treinar principalmente os professores de escolas públicas para fazerem apresentações exclusivamente positivas da conduta homossexual para os estudantes. Então, será de estranhar ver e ouvir, daqui a alguns anos, a maioria dos jovens defendendo o homossexualismo com naturalidade? Tal defesa será evidência de que os anos que eles passaram nas escolas produziram os resultados esperados pelas campanhas “educativas”. Assim, o governo vê a escola como elemento chave em seu esforço para formar e mudar a mentalidade das crianças. A Besta verá as escolas de modo diferente?

RISCOS ESPIRITUAIS DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

Além da sexualidade, é a vontade do governo que a educação pública também inclua, disfarçadamente, elementos religiosos. Embora o Ministério da Educação (MEC) não tenha o mínimo interesse em ensinar as crianças a conhecer, ler e respeitar a Bíblia, tal não é o caso com as práticas de feitiçaria. O MEC acredita que o candomblé e outras religiões ocultistas provindas da África são expressões culturais legitimas dos negros brasileiros e quer doutrinar sistematicamente as crianças de escolas públicas a não desprezar nem rejeitar as práticas dessas religiões. Assim, os alunos são ensinados a respeitar o ocultismo africano como cultura. Qualquer oposição a essa “cultura” é considerada como racismo. O sistema educacional da Besta faria menos que isso?

Uma das preocupações mais fortes de todo pai e mãe que ama é garantir a segurança física, espiritual e moral dos filhos. Até os animais protegem seus filhotes. No entanto, em muitas escolas públicas a criança é exposta a drogas e outras situações que lhe colocam em perigo a saúde moral e espiritual e às vezes a própria vida. Muitos alunos estão também desprotegidos de más influências e de ensinos que desrespeitam os princípios morais e bíblicos aprendidos no lar e na igreja. É na escola que muitas vezes adolescentes e crianças são expostos a modelos e exemplos errados de namoro e conduta sexual. É de admirar então que tantos jovens evangélicos caiam sob as pressões de suas amizades e se desviem do Senhor depois de passar anos sob tal influência e socialização negativa? O sistema educacional da Besta faria diferente disso?

No sistema educacional da Besta, as crianças serão condicionadas, em alguns aspectos, a viver e ver a si mesmas como um animal. Enquanto na Bíblia o ser humano é mostrado como claramente distinto, diferente e mais importante do que os animais, nas escolas do sistema da Besta as crianças aprenderão que o ser humano teve origem não em Deus, mas nos animais. Não é exatamente isso o que está acontecendo em nossa própria época? Nas escolas de hoje, os professores recebem ordem do governo para ensinar que o homem veio do macaco, igualando assim o ser humano aos animais. A mente de crianças inocentes é marcada com uma mentira contra Deus, o Criador. Se o homem é igual aos animais em essência, então por que seu comportamento sexual não pode se igualar ao dos animais também? Assim, se os animais não precisam se casar antes de fazer sexo, por que valorizar o casamento entre os seres humanos? Por que esperar até o casamento para fazer sexo? É de estranhar então que as propagandas contra a AIDS do governo e a educação nas escolas enfatizem só a preparação para o sexo, não para o casamento? Será que o sistema da Besta agiria diferente disso?

A VULNERABILIDADE DO ESTUDANTE NA ESCOLA

A influência que uma criança recebe na escola pode marcá-la para o resto da vida. Um importante exemplo é o que aconteceu com um rapaz na Alemanha. Ele vivia bebendo e gastando o dinheiro do pai, que era um advogado descendente de rabinos. Para a alegria do pai, o rapaz se converteu ao Cristianismo e abandonou os maus hábitos. Ele passou até a escrever poemas sobre suas experiências cristãs. Contudo, quando foi estudar num estabelecimento de ensino ele caiu debaixo da influência de um professor que o introduziu num nível avançado de satanismo e idéias políticas radicais. A partir daí, o rapaz adquiriu uma nova mentalidade e crescente interesse no satanismo. Sua nova inspiração o levou a escrever poemas e livros sobre assuntos bem diferentes dos ensinamentos de Jesus. Em seu poema O Jogador, ele escreveu:

Vapores do inferno se levantam e enchem o cérebro,

Até que eu enlouqueça e meu coração mude completamente.

Vê a espada?

O príncipe das trevas a vendeu a mim.

Para mim ele supera o tempo e dá os sinais.

Danço cada vez mais ousadamente a dança da morte.[2]

Em outro escrito, ele declarou:

Todas as minhas palavras são fogo e ação.[3]

O rapaz foi tão marcado pela influência que recebeu que acabou se tornando autor de obras que até hoje influenciam e inflamam nações e líderes mundiais: O Capital e O Manifesto Comunista. O nome do rapaz? Karl Marx, o fundador do socialismo, um sistema de governo criado para ocupar o lugar de Deus na vida dos cidadãos e controlar e determinar tudo o que fazem, principalmente na área da educação e família. Talvez nenhuma ideologia tenha trazido tanto derramamento de sangue para a humanidade quanto as idéias socialistas. De fato, as palavras de Marx se tornaram fogo e ação, incendiando e matando. Milhões de vidas inocentes foram destruídas na Rússia e na China comunista. Milhões de cristãos ao redor do mundo sofreram e sofrem cruelmente em países controlados por ideologias socialistas radicais, como Cuba, China e Coréia do Norte. Em países onde floresce um socialismo mais “brando” — como Suécia, Holanda, Canadá e Alemanha — as igrejas cristãs estão murchando e os direitos fundamentais dos cristãos estão sendo aos poucos suprimidos em favor de privilégios e direitos especiais para o comportamento homossexual, aborto e outras práticas contrárias aos princípios cristãos e morais mais básicos. Pais evangélicos que obedecem à Palavra de Deus e disciplinam fisicamente os filhos são alvo de discriminação, preconceito e hostilidade das autoridades suecas e canadenses, enquanto militantes homossexuais radicais adotam crianças e recebem espaço e permissão legal para poderem promover o homossexualismo até mesmo para crianças das escolas. O sistema da Besta faria menos que isso?

SOCIALISMO PARA TODOS, ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO

Apesar de toda a realidade cruel envolvendo o comunismo, socialismo, esquerdismo e todos os seus parentes ideológicos, em muitas escolas e faculdades do Brasil o socialismo é apresentado da maneira mais benigna e favorável possível. Um jovem evangélico me contou que ao estudar informática numa faculdade de Brasília, a leitura de O Capital, de Karl Marx, e outros livros socialistas era obrigatória, muito embora essas obras ideológicas nada tenham a ver com o assunto de informática. Será que um jovem estudante pode ser contaminado e marcado por idéias e influências erradas numa escola? Karl Marx é um exemplo trágico e real do que pode acontecer com um rapaz num ambiente escolar.

Basicamente, o socialismo — em todas as suas formas — prega a submissão e dependência total de cada cidadão no governo e suas instituições. Na maioria das nações da Europa, a população vem sendo sistematicamente condicionada, por diversas estratégias educativas, a não ser “intolerante”, “discriminadora” e “preconceituosa” contra o aborto, homossexualismo e outras perversões. Eles estão sendo condicionados a ver como natural o governo ocupando na vida deles um controle que só Deus deveria ter. Eles permitem que suas vidas sejam dominadas do nascimento até a morte. No passado, quando havia problemas nacionais e familiares, muitos europeus recorriam a Deus. Hoje, eles apelam para o governo. Se precisavam de emprego, buscavam mais a Deus. Agora, eles foram “ensinados” a pensar que é a responsabilidade do governo dar emprego para todos. O governo educou os cidadãos a vê-lo como o Grande Provedor. É de admirar então que a Europa esteja se esquecendo de Deus e experimentando um esvaziamento das igrejas cristãs?

O condicionamento do socialismo “brando” na Europa, através das escolas e dos meios de comunicação, programa todos para pensar que é o governo que tem o dever de suprir solução para tudo e para todos. Em resumo, os europeus aprenderam a depender mais do governo do que de Deus para suprir suas necessidades mais básicas. Para os pervertidos, o governo dá leis favoráveis ao homossexualismo, em vez de proteger os cidadãos contra condutas prejudiciais à saúde física e moral. Para as feministas, leis a favor do aborto, em vez de tomar uma posição firme contra o assassinato de bebês inocentes e indefesos. Para as esposas, condições para trabalhar fora, em vez de condições para elas não serem obrigadas por pressões econômicas a sair do lar para trabalhar e complementar a renda da família. Para as crianças, creches, em vez de condições para as mães poderem cuidar de seus próprios filhos no lar. Para os idosos, asilos, em vez de trabalhar para promover o bem-estar da família, que é o lugar mais saudável para acolher os seres humanos mais vulneráveis, inclusive idosos. Sem mencionar que as leis de freqüência obrigatória à escola mantêm crianças vulneráveis muitas horas diárias afastadas da família e seus valores e próximas do governo e seus valores. E toda a sociedade vê como normal o papel do governo e suas políticas socialistas que substituem as funções mais essenciais da família. Essas políticas tornam a família até certo ponto irrelevante e descartável. Pense bem: O sistema da Besta faria menos que isso?

As escolas de hoje, por imposição dos conceitos de “tolerância” e “pluralidade cultural” do governo, promovem o socialismo, evolução, homossexualismo e sexo sem necessidade de casamento e responsabilidade moral. Depois de passar dia após dia e ano após ano debaixo dessa influência “educacional”, como as crianças conseguirão deixar de ser marcadas? O sistema educacional da Besta faria diferente disso?

Um pergunta intrigante então é: a educação do futuro já está aqui? A educação revelada em Apocalipse já está acontecendo?

ESCOLA PARA TODOS, POR VONTADE OU POR FORÇA

A questão de hoje não é só que uma pessoa precisa receber uma boa educação, mas onde todos são obrigados a recebê-la. O único tipo de educação aceita para que alguém tenha um bom emprego é a educação das instituições de ensino que seguem as normas do governo. Se uma criança cristã receber uma educação completa, no lar, tudo o que será necessário é um justo reconhecimento. Mas o governo tem seus motivos e interesses para não dar tal reconhecimento. O governo vê uma educação controlada pelos pais como ameaça a seus objetivos ideológicos.

Esse controle sobre as crianças em idade escolar segue o rastro do socialismo e do nazismo. No passado, a educação pública nunca foi alvo de políticas governamentais compulsórias, porém as maiores ditaduras assassinas que o mundo já conheceu tinham interesses especiais. A Rússia socialista e a Alemanha nazista estão entre as primeiras nações modernas a controlar completamente as escolas, a não permitir uma educação exclusivamente cristã, a obrigar os professores a ensinar que o homem veio do macaco e a colocar o ser humano e sua vontade no centro de tudo na educação e na sociedade. Nessa questão, não há diferença ideológica significativa entre nazismo e socialismo. Aliás, a maioria dos membros fundadores do nazismo era formada por ex-militantes comunistas e sabe-se que o Partido Nazista — forma abreviada de Partido dos Trabalhadores Nacional Socialista — foi um movimento político composto, com Hitler e sua elite, por muitos homossexuais ocultos. A maior calamidade humana da história — a Segunda Guerra Mundial — começou quando os socialistas russos e os socialistas nacionais alemães fizeram um acordo para repartir, invadir e saquear a indefesa Polônia. Depois disso, o mundo viu tragédias e destruição em massa. Com esse exemplo cruel, as nações deveriam ter aprendido que um sistema de governo que obriga todas as crianças a freqüentar somente escolas aprovadas pelo governo está, literalmente, no caminho da destruição.

Sem dúvida alguma, as leis de freqüência obrigatória à escola da Alemanha nazista e da Rússia comunista teriam recebido total aprovação da besta. No entanto, será que o desejo governamental de controlar as crianças em idade escolar acabou? Infelizmente, não.

Já há leis compulsórias que forçam no Brasil e em muitos outros países todas as crianças a ir para a escola, e as tendências sociais, legais e políticas indicam que logo nenhuma criança poderá ficar fora das instituições de educação aprovadas pelo governo. Será então que a educação obrigatória revelada em Apocalipse já está começando a se tornar realidade? Hoje, todas as crianças — independente de raça, religião e condição social — são obrigadas a freqüentar a escola e receber uma educação de acordo com as determinações do governo. A criança pode estudar muito bem e até adquirir uma formação educacional excelente, porém se não receber sua educação através de instituições determinadas pelo governo, as autoridades lhe negarão um justo diploma, a fim de que as famílias nunca tenham a coragem de assumir a responsabilidade de controlar a educação dos próprios filhos através do ensino em casa. Essas ações do governo deixam a criança sem oportunidades e chances para entrar no mercado de trabalho mais tarde. A questão não é só que o governo quer que as crianças recebam uma educação, mas também que recebam um diploma que comprova que elas foram sistematicamente doutrinadas de acordo com os princípios aceitos pelo governo.

Um efeito colateral importante provocado pela posição da educação no pedestal social é que os jovens são obrigados a passar o máximo de anos estudando, sem nem mesmo poder pensar em casamento. Nos tempos bíblicos e até recentemente, a grande maioria dos jovens podia se casar logo que sentisse muita necessidade. Hoje, mesmo em grande necessidade, eles são forçados a esperar longos anos para se casar, devido às pressões sociais em suas vidas, pois todos temem que eles não conseguirão sustentar uma família sem um diploma aprovado pelo governo. Sem mencionar que as pressões do ambiente universitário para namorar cedo e para não casar cedo são tão grandes que se pode considerar um grande milagre se um rapaz ou moça conseguir terminar a universidade virgem.

Pesquisas indicam que por causa dos estudos universitários, rapazes e moças agora se casam cada vez mais tarde na vida. No entanto, eles não deixam de sentir desejos sexuais. Enquanto os jovens da Bíblia canalizavam esses desejos para o sexo dentro do casamento, os jovens de hoje também canalizam para o sexo, mas não no casamento, em parte por causa da imposição social que os impede de se casar antes de uma formatura. É um dilema importante, em que muitas vezes um ou outro é sacrificado, embora na grande maioria das vezes o sacrificado seja a família e o casamento. Assim, até mesmo muitos jovens cristãos, ao priorizar a educação na frente do casamento quando sentem necessidade sexual urgente, acabam envolvidos em situações bem parecidas com o que sofrem os jovens descrentes: sexo e gravidez antes do casamento e, tragicamente, até aborto. O governo soluciona esses “problemas” treinando os professores das escolas para falar sobre questões sexuais (inclusive métodos de controle da natalidade, camisinha e homossexualismo) num nível distante dos valores bíblicos e familiares. Tudo o que o governo tem feito, em seus esforços para ajudar a “cuidar” das necessidades sexuais das crianças e adolescentes, é ensinar os estudantes a fazer sexo sem gravidez e casamento.

Não é novidade alguma que o governo tem um interesse obsessivo na educação de todas as crianças. Sua meta, obviamente, é formar a mentalidade dos futuros cidadãos desde cedo.

ALTERNATIVA DIVINA

Contudo, a Palavra de Deus revela que Deus também tem um interesse profundo e especial na questão da educação das crianças de famílias cristãs. A orientação de Deus é que os pais têm a responsabilidade de dar para a criança uma educação completa no lar, onde ela poderá aprender muito mais do que só ler, escrever e fazer contas. Deus diz:

“Portanto, amem o Eterno, o nosso Deus, com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças. Guardem sempre no coração as leis que eu lhes estou dando hoje e não deixem de ensiná-las aos seus filhos. Repitam essas leis em casa e fora de casa, quando se deitarem e quando se levantarem. Amarrem essas leis nos braços e na testa, para não esquecerem delas; e as escrevam nos batentes das portas das suas casas e nos seus portões”. (Deuteronômio 6:5-9 BLH)

Em Deuteronômio, amarrar as leis e os ensinos nos braços e na testa é um sinal e símbolo usado para descrever a educação total que as crianças recebem em casa, sob a direção do pai e da mãe. Quem escreveu esse texto foi Moisés e ele sabia muito bem o que era ser marcado pela educação, pois ele mesmo havia recebido tal marca. A questão da educação é tão vitalmente importante que Deus, através de Moisés, repete para as famílias a mesma orientação:

“Lembrem-se desses mandamentos e os guardem no seu coração. Amarrem essas leis nos braços e na testa, para que não esqueçam delas, e não deixem de ensiná-las aos seus filhos. Repitam essas leis em casa e fora de casa, quando se deitarem e quando se levantarem, e as escrevam nos batentes das portas das suas casas e nos seus portões. Assim vocês e os seus descendentes viverão muitos anos na terra que o Deus Eterno jurou dar aos nossos antepassados. Enquanto o mundo existir, vocês viverão naquela terra”. (Deuteronômio 11:18-21 BLH)

Outra versão é ainda mais clara:

“Coloquem essas palavras em seus corações. Implantem-nas profundamente em vocês. Amarrem-nas nas mãos e testa como lembretes. Ensinem essas palavras para seus filhos. Conversem sobre elas onde quer que vocês estejam, sentados me casa ou andando na rua; conversem sobre elas desde o momento em que se levantarem de manhã até o momento em que vocês forem dormir a noite”. (Deuteronômio 11:18-19 MSG)

Essa passagem deixa claro que as crianças e o ambiente do lar em que a família vive devem ser profundamente marcados pela educação. Evidentemente, o centro dessa educação são os mandamentos de Deus. Sem esses mandamentos, toda educação, dentro ou fora do lar, é inútil.

Os pais foram colocados na posição de professores naturais de seus filhos, com a oportunidade e responsabilidade de ensinar espontaneamente do começo ao fim do dia, onde quer que estejam. Assim, enquanto as crianças estão em sua fase vulnerável, sua companhia educacional mais importante e próxima deve ser os próprios pais e seus valores. É desejo de Deus que as crianças fiquem totalmente expostas o dia inteiro, todos os dias e em todos os lugares ao exemplo e influência educacional dos pais, a fim de lhes marcar completamente as atitudes e pensamentos.

EDUCAÇÃO DE DEUS X EDUCAÇÃO DA BESTA

Quando Deus usou Moisés para orientar os pais a educar os filhos no lar, já existia um “excelente” sistema educacional fora do ambiente familiar. Hoje esse sistema ocupa uma posição de controle e respeito social tão grande que ninguém acredita que no lar a criança possa receber um mínimo de educação adequada. A idéia geral é que “ninguém consegue viver decentemente sem passar por uma escola institucional”. Assim, a educação das escolas ocupa um pedestal de divindade social que ninguém ousa questionar.

Embora não freqüentassem escolas públicas, as crianças das famílias de Deus na Bíblia recebiam uma educação excelente, principalmente nos mandamentos de Deus. Os professores não eram pessoas estranhas, mas o pai e a mãe. A escola era o próprio lar.

Naquela época não havia lápis, caneta, borracha, caderno, livros, etc. Hoje, com todos os recursos de que dispomos, os pais acham que, diante dos professores de escolas públicas, são incapacitados e inferiores para educar os filhos. Contudo, possuindo somente a Palavra de Deus e seguindo a orientação de Deuteronômio 11:18-21, os pais e as mães da Bíblia conseguiram educar e treinar filhos para o Senhor. Se era possível dar aulas em casa naquele tempo, por que não agora? Hoje há menos impedimentos para se dar aulas escolares em casa. Há computadores, vídeos e muitos outros meios que facilitam grandemente a instrução da criança. Portanto, do ponto de vista tecnológico, não há barreiras para que a educação da criança seja dada no próprio lar. A única barreira é o governo, que teme perder a oportunidade de marcar a criança com suas ideologias. Do ponto de vista e chamado de Deus, os pais e as mães têm a responsabilidade, com ou sem barreiras, de assumir a educação total de seus filhos.

A educação no lar não é impossível. Jesus mesmo disse: “O que é impossível para os homens é possível para Deus”. (Lucas 18:27 NVI) Eu e minha esposa educamos nossos filhos por esse método, sacrificando tudo para que Deus e seus projetos sejam prioridade absoluta na vida deles. Comprovamos por experiência própria que um menino aprende a escrever e ler melhor e mais rápido sob a instrução direta dos pais. Mas não estamos, de forma alguma, sozinhos. Há muitas famílias evangélicas no Brasil ensinando os filhos em casa, mesmo sem nenhum apoio e aceitação do governo. Nos EUA, o número de crianças evangélicas na educação escolar em casa — movimento conhecido lá como homeschooling — já chega a 2 milhões e não pára de crescer. Contudo, mesmo que estivéssemos sozinhos, não valeria a pena? Afinal, Deus é fiel e ele sempre honra os que o honram acima de tudo.

O alvo da educação pública é formar a mentalidade de um menino e menina de acordo com os valores aprovados pelo governo e transmitir para eles tudo o que esses valores consideram como importante. O alvo de Deus, quando ele orienta os pais a educar em casa, é transmitir para a criança tudo o que a Palavra de Deus vê como importante. Naturalmente, o governo não tem disposição de permitir que Deus e sua Palavra ocupem o centro da educação na vida das crianças. Aliás, o sistema social e político de hoje quer que acreditemos que é possível educar a criança sem misturar “religião”, embora nas escolas públicas haja crescente espaço para a expressão das religiões afro-brasileiras sob a máscara da valorização da cultura negra. A educação completa que o governo exige para as crianças é obrigatória e não inclui a Palavra de Deus no centro de tudo, não muito diferente da educação revelada em Apocalipse:

“[A Besta] obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome”. (Apocalipse 13:16-17 NVI)

Enquanto em Apocalipse se menciona o “marca na mão direita ou na testa”, Deuteronômio menciona amarrar as leis de Deus “nos braços e na testa”. Esse simbolismo bíblico se refere a uma educação completa e marcante na mente e nas atitudes das crianças, mas com uma diferença: Deuteronômio apresenta o plano de Deus para formar os filhos no lar, porém a futura formação da humanidade que Apocalipse revela ocorrerá fora da influência e controle da família e seus valores. Sua ligação mais importante será os valores da Besta, e a maneira mais eficaz de transmitir esses valores é aproveitando as oportunidades em que as crianças estão longe da supervisão direta dos pais.

Qual é o lugar em que um menino e menina passam mais horas, diariamente, fora dos olhares e proteção moral da família?

Qual é o lugar que eles, em seus anos vulneráveis, passam mais tempo distantes da esfera de influência dos pais?

Qual é o lugar em que eles ficam, durante anos, mais próximos do governo e seus valores?

Resposta: O ambiente da escola institucional. Apocalipse mostra que, através da educação, os valores escolhidos pela Besta serão implantados em todas as crianças e adolescentes: religiosos e ateus, pobres e ricos, pretos e brancos, empregados e patrões, etc. Um desses valores, por exemplo, é a tolerância, respeito e aceitação como normal de comportamentos como o homossexualismo. Essa educação será, na opinião dos maiores educadores futuros, completa porque o ser humano e sua vontade estarão no centro de tudo.

No entanto, de que adiantará para a humanidade alcançar níveis elevados em sua “qualidade” de educação, sem a Palavra de Deus? “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?” (Mateus 16:26 NVI) Noah Webster, autor do famoso Dicionário Webster, declarou: “A educação é inútil sem a Bíblia”.[4] Uma educação sem a Bíblia valeria o sacrifício da alma de nossos filhos? Martinho Lutero declarou: “Temo que as escolas acabem mostrando no final que são as grandes portas do inferno, a não ser que elas se dediquem diligentemente ao trabalho de explicar as Escrituras Sagradas, gravando-as no coração dos jovens. Não aconselho ninguém a colocar seu filho num lugar em que a Bíblia não reine de modo supremo. Toda instituição em que as pessoas não se ocupam mais e mais com a Palavra de Deus está condenada a se corromper”.[5]

Lutero estava errado? Hoje quase todos os exemplos de famílias evangélicas em que há filhos desviados do Senhor, os filhos começam a se distanciar dos pais e seus valores durante o período em que freqüentam uma escola institucional. Eles se desviam por influência dos amigos, principalmente no convívio do ambiente escolar, onde muitas vezes não há respeito pelos valores morais da Palavra de Deus. Além disso, na escola institucional de hoje a criança e o adolescente absorvem novos valores e aprendem basicamente independência da família e seus valores.

MOISÉS E AS MELHORES ESCOLAS, DO PONTO DE VISTA HUMANO

Deus precisa da educação controlada pelo governo para construir e usar um homem ou uma mulher? Talvez ninguém tenha experimentado tanto de uma educação desse tipo quanto Moisés. Como filho adotivo da filha do faraó, o governante do Egito, Moisés passou considerável parte de sua vida recebendo educação nas melhores universidades egípcias, que eram consideradas as mais avançadas da época. Em termos modernos, seria como estudar nas melhores universidades americanas. Livros de história modernos confirmam que a educação no Egito era avançada:

Muitos dos ideais e crenças modernos, assim como grande parte do conhecimento sobre o homem, tiveram sua origem no Egito. Os antigos egípcios desenvolveram o primeiro tipo de governo nacional do mundo. Produziram uma arte e uma literatura expressivas. Introduziram a arquitetura baseada na pedra e fabricaram o primeiro material adequado para a escrita, o papiro. Estabeleceram o ano de 365 dias, e os métodos básicos de geometria e cirurgia.[6]

Moisés passou quase 40 anos de sua vida estudando! Sua formação educacional nas universidades egípcias foi tão abrangente que ele se tornou, com todo o conhecimento e treinamento que ganhou, um homem com a capacidade de falar com eloqüência e realizar grandes obras e empreendimentos na área política, científica, social, filosófica e militar. “Moisés foi educado em toda a sabedoria dos egípcios e veio a ser poderoso em palavras e obras”. (Atos 7:22 NVI) Muito antes de ser usado por Deus, ele adquiriu uma fama e influência impressionante como pensador, filósofo, orador e empreendedor. Pelos padrões humanos, que valorizam apenas os diplomas, ele estava destinado ao sucesso das grandes carreiras.

Com toda a educação especial que recebeu, ele estava mais do que preparado para dirigir um povo, na esfera política e militar. Um dos seus primeiros atos, depois de anos de treinamento nas instituições de ensino egípcias, foi matar um egípcio que estava maltratando um hebreu. Embora muitas vezes dirija militarmente seus líderes, Deus não precisava do treinamento educacional e militar egípcio para usar Moisés para liderar o povo hebreu na sua saída do Egito. Por isso, Deus o levou para o deserto para remover dele a educação e preparação do Egito e lhe dar a educação e preparação do Senhor. Ali, depois de anos trabalhando com rebanhos de ovelhas e sem acesso a livros e outros meios para alimentar o vasto conhecimento cultural que ele havia adquirido nas universidades egípcias, ele perdeu sua capacidade para falar com eloqüência e coragem para realizar grandes obras (veja Êxodo 4:10,13). Quarenta anos de “treinamento” no deserto, sem acesso ao elevado conhecimento humano do Egito ao qual ele estava tão acostumado, o deixaram humilde em suas palavras e ações! Os longos anos que Moisés passou nas universidades egípcias foram também, na mesma proporção, os mesmos longos anos que Deus escolheu para moldá-lo e remover dele as marcas que a educação egípcia havia deixado no seu modo de pensar e agir.

Depois de passar 40 anos no deserto e ser “desmarcado” e “descontaminado” da educação egípcia, Moisés pôde ter o que todos os anos de estudo nunca lhe deram: abertura e sensibilidade para ouvir e atender à voz de Deus. Para remover dele toda socialização negativa que ele teve nas instituições de ensino, Deus o colocou numa situação em que não havia quase nenhum contato social, a não ser sua esposa, filhos e… a presença de Deus. Buscando a Deus profundamente na solidão do deserto foi uma experiência importante que o ajudou a se tornar um homem sensível e aberto ao Espírito Santo. Ouvindo a voz do Senhor, ele foi aprendendo sua vontade e foi poderosamente usado pelo Espírito Santo para ensinar o povo de Deus. Aliás, foi através dele que o Senhor deu a orientação de Deuteronômio 6:5-9, onde os pais são instruídos a assumir a educação total dos próprios filhos, marcando suas mentes para pensar e suas vidas para agir conforme o Senhor determina.

Moisés conhecia, de experiência própria, a educação em escolas institucionais. Conforme descreve o escritor Filo, da Antigüidade, ele estudou matemática, geometria, ciência, astronomia, poesia, música, medicina, hieróglifos, etc. Ele estudou tudo o que as universidades egípcias tinham para oferecer. Embora a instrução que ele recebeu no Egito o tenha marcado fortemente para falar e agir de acordo com a educação das melhores instituições de ensino daquele tempo, Apocalipse alerta que o sistema da Besta vai superar a educação egípcia, marcando muito mais profundamente o modo de as pessoas falarem e agirem. Naturalmente, o condicionamento da Besta na mente e vida das pessoas virá sob o disfarce de excelente educação humana.

Em Deuteronômio, Deus usa Moisés, um homem que tinha vasta experiência nas instituições humanas de ensino, para mostrar aos pais que a melhor educação ocorre no lar. Em Apocalipse, a Besta mostrará e obrigará todas as pessoas a aceitar como fato que a melhor educação ocorre nas escolas institucionais, fora da esfera da família e seus valores. O sinal ou marca na mão e na testa que a Bíblia revela indica o poder de uma educação sistemática que marca profundamente os estudantes em seu modo de pensar e agir. A diferença é onde cada sistema opera para marcar a vida das pessoas.

A freqüência obrigatória às escolas institucionais é cada vez mais a escolha do governo para as famílias. No entanto, a escolha de Deus nos dá a opção de escolher um jeito melhor de treinar nossos filhos academicamente, livres de interferência governamental.

A educação aprovada por Deus tem o lar como escola essencial, mas a educação futura ocorrerá longe da família e sua supervisão e acompanhamento moral e espiritual na vida das crianças. Essa educação futura ocorrerá sob a responsabilidade de governos e leis inspirados por uma potestade espiritual que quer condicionar os seres humanos a pensarem e agirem, em alguns aspectos, como animais ou como indivíduos maus, que não seguem nem respeitam os mandamentos de Deus, principalmente nas questões de sexo, família, filhos, aborto, homossexualidade, etc.

JOÃO BATISTA E A MELHOR EDUCAÇÃO, DO PONTO DE VISTA DE DEUS

A atual geração precisa das visitações de Deus. E a verdade é que ele tem prazer em visitar as pessoas para trazer cura, libertação, transformação e salvação. Se queremos criar e educar filhos que terão uma estrutura de vida espiritualmente forte para preparar as visitações que o Senhor deseja realizar neste mundo desesperado e necessitado, precisamos ter a disposição e abertura espiritual que o casal Zacarias e Isabel tinham. Eles estavam dispostos a sacrificar tudo por Deus e seus projetos divinos. Por causa dessa disposição, Deus lhes deu a honra e oportunidade de se tornarem os pais de João Batista, o homem que Deus usou para preparar o coração das pessoas para a vinda de Jesus Cristo.

João foi treinado de modo bem especial, desde o começo de sua vida. Ele nasceu bem na época do próprio nascimento de Jesus, e quase foi morto, pois em sua fúria contra a chegada do menino Jesus ao mundo o rei Herodes lançou uma campanha de perseguição contra as famílias da cidade de Belém, matando todos os bebês, na esperança de acabar com o Messias que havia nascido. Para salvar seu bebê da morte, Zacarias e Isabel pegaram João e fugiram para o deserto, onde passaram a viver escondidos das autoridades. Eles já eram muito idosos e provavelmente passaram seus últimos anos no deserto, protegendo e treinando seu menino especial.

Zacarias e Isabel, que eram pessoas muito dedicadas a Deus e vinham de famílias de sacerdotes, estavam muito bem capacitados para ensinar tudo sobre Deus e sua Palavra poderosa. Eles implantaram fortemente em João as verdades e mandamentos de Deus e lhe deram instruções básicas de como sobreviver no deserto. Pelas atitudes rústicas de João, nota-se que ele cresceu sem um convívio social “normal”. Mas Deus escolheu exatamente essas circunstâncias para treiná-lo para crescer diferente das outras pessoas. Homens e mulheres que têm uma missão especial de Deus em suas vidas são treinados, desde a infância, num modo de vida especial e diferente das pessoas “normais”. O treinamento especial de João mudou sua vida, fortaleceu seu chamado e moveu o Espírito Santo para derramar sobre ele a poderosa unção de Elias, um homem de oração que vivia nos desertos com Deus, um homem que foi profeticamente usado pelo Senhor para tocar uma nação inteira.

Do ponto de vista humano, João pode ter perdido muitas oportunidades de contato social, mas não houve perdas reais, conforme confirma Jesus: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma? Pois o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então recompensará a cada um de acordo com o que tenha feito”. (Mateus 16:24-27 NVI) Sua falta de contato social “normal” foi preenchida por Deus com um treinamento especial que o envolveu em contatos muito especiais: a maioria dos apóstolos de Jesus já seguia João muito antes de conhecerem Jesus. Ele teve o privilégio de dirigir o treinamento espiritual inicial de Pedro e outros discípulos de Jesus! Do ponto de vista espiritual, a educação que João recebeu foi muito útil e lhe deu uma estrutura forte que o capacitou a preparar o coração dos homens que fariam parte importante do ministério de Jesus.

Deus achou que era necessário que João fosse criado no deserto, com muitos sacrifícios para ele e para seus pais, a fim de que ele pudesse ficar distante de todo tipo de socialização e influência negativa que o desviasse do chamado divino para ele. A única educação que João experimentou em seu isolamento no deserto foi a instrução bíblica e pessoal que seus pais lhe passaram. Não havia mais nada para distraí-lo. Não havia nenhum outro tipo de influência educacional. Seu contato mais importante era a presença do Espírito Santo, os próprios pais e seus valores. E ele não foi o único homem de Deus a “perder” em favor de metas mais importantes. O próprio Apóstolo Paulo diz: “E não somente essas coisas, mas considero tudo uma completa perda, comparado com aquilo que tem muito mais valor, isto é, conhecer completamente Cristo Jesus, o meu Senhor. Eu joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim de poder ganhar a Cristo”. (Filipenses 3:8 BLH)

Zacarias e Isabel morreram logo, porém seus ensinamentos e valores espirituais jamais morreram. “Filho, faça o que o seu pai diz e nunca esqueça o que a sua mãe ensinou. Guarde sempre as suas palavras bem gravadas no coração. Os seus ensinamentos o guiarão quando você viajar, protegerão você de noite e aconselharão de dia. As suas instruções são uma luz brilhante, e a sua correção ensina a viver”. (Provérbios 6:20-23 BLH) Eles mesmos deram aulas escolares para seu filho. Essas aulas foram ministradas juntamente com os ensinos da Palavra de Deus. A educação projetada por Deus tem o lar como escola e a Palavra de Deus como centro da educação, sob a supervisão e acompanhamento direto dos pais. Até mesmo distintos homens reconhecem que a melhor educação vem da Bíblia. Theodore Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos, declarou: “Um conhecimento profundo da Bíblia vale mais do que uma educação universitária”.[7] Reconhecer uma verdade é uma coisa; pagar o preço para vivê-la é outra. Os pais de João Batista sacrificaram tudo para priorizar a Palavra de Deus na educação de seu filho.

Tudo o que Zacarias e Isabel ensinaram para João permaneceu vivo na alma dele, guiando-o na sua importante missão de anunciar e preparar a vinda do Messias. Com a educação no lar que recebeu dos pais, João pôde fazer o que, aos olhos de Deus, é o alvo mais importante de todo ser humano: viver a vontade e o chamado de Deus na terra.

A educação moderna e suas instituições formais podem parecer muito mais atraentes, sofisticadas e importantes do que a instrução cristã no lar, mas a educação institucional é um oásis traiçoeiro — cheio de promessas enganosas — cada vez mais controlado por governos para doutrinar sistematicamente as crianças. Esse controle e doutrinação é a principal característica do sistema da besta revelado no livro do Apocalipse. Em contraste, a educação escolar no lar oferece liberdade para as famílias fortalecerem e protegerem seus filhos moral e espiritualmente. Essa educação é realizável? No exemplo de Moisés e João Batista, Deus mostra que até mesmo no deserto, onde há escassez de recursos educativos e onde ninguém vê esperança de sucesso, ele pode educar e levantar grandes homens de caráter, integridade, sabedoria e coragem para liderar uma nação, treinar líderes e, principalmente, honrar o nome de Jesus Cristo. Assim, se Deus pode trabalhar no deserto para educar um homem ou mulher, quanto mais em casa!

Para as famílias cristãs, a educação no lar é essencial porque seu controle não pertence ao governo, mas aos pais. A educação escolar em casa dá aos pais a preciosa liberdade de colocar Deus e sua vontade no centro de tudo e treinar e capacitar a criança para se tornar um adulto equipado para fazer a vontade de Deus, glorificar a Pessoa de Jesus Cristo e ajudar a avançar, na sociedade e na vida das pessoas, um governo mais elevado: o Reino de Deus e seus valores. Assim, as crianças cristãs educadas no lar ganham a oportunidade maravilhosa de conhecer e obedecer a seu Mestre, Professor, Senhor e Rei e são treinadas, como foi João Batista, para ajudar homens e mulheres a se tornarem seguidores apaixonados de Jesus. Tal educação é perfeitamente possível quando se dá espaço livre e plenas oportunidades para Deus ser seu Capacitador.

Versões bíblicas usadas:

BLH: Bíblia na Linguagem de Hoje (CD-Rom Módulo Básico da Sociedade Bíblica do Brasil).

Darby: Tradução literal do Antigo e Novo Testamento feita por John Nelson Darby (1800-82).

MSG: THE MESSAGE, versão em inglês da Bíblia em Linguagem Contemporânea. Copyright 2002 by Eugene Peterson.

NVI: Nova Versão Internacional. Copyright 2000 Sociedade Bíblica Internacional.

Copyright 2004 Julio Severo. Proibida a reprodução deste artigo sem a autorização expressa de seu autor. Julio Severo é autor do livro O Movimento Homossexual, publicado pela Editora Betânia. Ele escreve principalmente sobre questões de vida e família e seu trabalho tem sido mencionado no Congresso Nacional e em importantes revistas evangélicas, inclusive Revista Show da Fé, Eclesia, Enfoque Gospel, etc. Além disso, seus artigos têm aparecido em muitos sites e publicados (inclusive três matérias de capa) na Defesa da Fé, a principal revista apologética para líderes evangélicos. Ele também é um líder no movimento de educação escolar em casa (veja a seção brasileira do site da Home School Legal Defense Association: www.hslda.org). Se desejar publicar este artigo em seu site ou revista, entre em contato com o autor. Para mais informações: www.juliosevero.com

Notas:

[1] Noticia fornecida pelo gabinete do deputado federal Josué Bengston via email datado de 11 de abril de 2002.

[2] William T. Still, New World Order (Huntington House Publishers: Lafayette, Louisiana, 1990), p. 131.

[3] William T. Still, New World Order (Huntington House Publishers: Lafayette, Louisiana, 1990), p. 131.

[4] William J. Federer, America’s God and Country (Fame Publishing, Inc.: Coppell, Texas, 1994), p. 676.

[5] William J. Federer, America’s God and Country (Fame Publishing, Inc.: Coppell, Texas, 1994), p. 405.

[6] 2002 Enciclopédia Koogan-Houaiss Digital.

[7] CITIZENLINK, 14 de abril de 2004.

Fonte: www.juliosevero.com

28 de abril de 2005

O que é eutanásia?

O QUE É EUTANÁSIA?

Julio Severo


A palavra grega “eutanásia” literalmente significa “morte bonita” ou “morte feliz”. E quem é que poderia ser contra o desejo de morrer bem e feliz?

O Dr. J. C. Willke, em seu livro Assisted Suicide & Euthanasia, diz: “As palavras são importantes. É comum, quando abordam esse assunto, as pessoas procurarem o significado da palavra eutanásia e saber que sua tradução é ‘boa morte’. Mas precisamos ignorar e rejeitar essa tradução, pois não tem nada a ver com o que está acontecendo em nossos dias. A eutanásia hoje ocorre quando o médico mata o paciente”.[1]

No uso moderno, eutanásia quer dizer causar diretamente uma morte sem dor a fim de acabar com o sofrimento de vitimas de doenças incuráveis ou desgastantes. Em outras palavras, é matar sob a alegação de um sentimento de compaixão. A eutanásia, como o aborto legal, é um método em que matar representa uma solução.

O que não é eutanásia
Permitir que uma pessoa morra quando o curso da doença é irreversível e a morte é obviamente iminente por questão de horas ou dias não é eutanásia. Os pacientes têm a liberdade de recusar tratamentos médicos que não lhes trarão cura nem alívio para o sofrimento. Quando o doente não está em condições de falar por si mesmo, a família tem o direito de recusar tratamentos caros que não terão nenhum benefício para impedir o andamento da doença.


Quando um paciente está realmente morrendo, os médicos podem e devem usar o bom senso para avaliar a situação. Se os tratamentos não estão trazendo nenhuma cura e só estão ajudando a adiar a morte inevitável, os médicos podem descontinuar os tratamentos para permitir que o doente tenha uma morte natural. Nenhuma dessas ações é eutanásia. Mas eles têm a responsabilidade de dar conforto para o paciente e permitir que ele tenha uma morte pacifica.

O que é eutanásia
Eutanásia é a ação deliberada de causar ou apressar a morte do doente. Essa ação pode ocorrer das seguintes maneiras:

• Decisão médica de administrar uma injeção letal no doente, com ou sem consentimento.

• Decisão médica de não dar a assistência médica básica ou o tratamento médico padrão. Por exemplo, não dar a uma criança deficiente a mesma assistência que é dada a uma criança normal.

• Decisão médica de dar ao doente uma droga ou outro meio que o ajude a cometer suicídio. Nessa situação específica, quem realiza o ato letal não é o médico, mas o próprio paciente. O médico apenas fornece os meios.

Há uma diferença
O ponto mais difícil nos debates sobre a eutanásia é que a grande maioria das pessoas não sabe a diferença entre assistência e tratamento. Como muitas vezes não se entende até onde a medicina deve intervir ou não na vida de um doente, é importante compreender a diferença entre assistência e tratamento.

O que é assistência?
A assistência supre as necessidades básicas de todas as pessoas, doentes ou saudáveis: nutrição, hidratação (água), calor humano, abrigo e apoio emocional e espiritual. O alimento e a água são necessidades básicas de todos os seres humanos, não tratamento, e sua retirada provoca ou apressa a morte. Isso é inaceitável na ética médica, já que a medicina tem a missão clara de destruir a doença, não o doente. O alvo é sempre dar assistência para o doente, nunca matá-lo. Enquanto o paciente está em condições de receber nutrição, essa necessidade tem de ser plenamente suprida. A retirada da nutrição só é possível quando o doente está perto da morte e seu corpo não consegue mais metabolizar o alimento. Nessas circunstâncias, a alimentação pode ser inútil e sobrecarregar excessivamente o organismo do doente. Em todos os outros casos, a assistência jamais deve ser negada.


Há pacientes que não têm condições de receber alimento pela boca normalmente. Dar comida e água para eles através de uma sonda de alimentação é considerado assistência normal. A ética médica tradicional estipula que as sondas de alimentação sejam usadas quando há necessidade, a não ser que o paciente esteja prestes a morrer ou não esteja em condições de metabolizar o alimento devido à sua doença (como câncer metastático pervarsivo) ou haja uma patologia (por exemplo, aderências no estômago) que torne impossível ou perigoso introduzir uma sonda. Sondas de alimentação são simples e eficientes para fornecer alimentação e água, e não incomodam, não causam dor nem custam caro. Remover a sonda ou não aceitá-la para dar alimentação e água quando é necessário com certeza provocará a morte do paciente. Nesse caso, ele morrerá não de sua doença, mas de desidratação e fome. É uma morte extremamente desumana.[2]

É muito difícil cuidar de alguém que está morrendo de desidratação e fome. A pessoa tem convulsões, a pele e as mucosas secam, causando feridas que apodrecem e sangram. O aparelho respiratório seca, causando grossas secreções que tapam os pulmões e provocam uma respiração angustiosa. Todos os órgãos acabam ficando fracos e a morte vem então, depois de um agonizante período de 5 a 21 dias. [3]

A escritora Eileen Doyle disse:

Matar-se de fome é a mesma coisa que colocar uma arma na própria cabeça. A causa da morte é a intenção de acabar com a própria vida. Qualquer argumento que permita a remoção das sondas de alimentação poderia ser também aplicado para a recusa de alimento e água para pessoas em condições de ingeri-las.
[4]

Por que tantos doentes são alimentados por sonda e não pela boca? A alimentação por sonda diminui o tempo necessário para as enfermeiras alimentarem o paciente pela boca, economizando tempo e reduzindo os custos.

O que é tratamento?
O alvo do tratamento médico é curar ou controlar os problemas crônicos ou agudos de saúde. Na maior parte das situações os médicos usam o tratamento padrão, e em situações mais sérias eles têm de aplicar tratamentos mais fortes. O tratamento padrão envolve o uso de medicamentos e cirurgias para aliviar os problemas de saúde ou outros problemas provocados por acidentes ou doenças. Quando o tratamento se torna medicamente inútil ou quase não traz benefício, o caso deve ser avaliado levando-se em consideração os melhores interesses do paciente. Nos casos terminais, o tratamento mais útil é trazer conforto ou aliviar as dores do paciente.


É uma opção saudável, no caso de alguém que já está morrendo, a remoção de tratamentos muito fortes que só causam dor e prolongam desnecessariamente um tempo bem curto de vida. Morte natural significa permitir que o paciente morra em conforto e paz. Observe que se os mesmos tratamentos fossem removidos de uma pessoa que tem grande chance de viver por mais tempo, tal ação seria eutanásia. Exemplos desse tipo são os milhares de recém-nascidos que morrem anualmente nos EUA porque os médicos não permitem que eles recebam alimento e água. Se não fosse por esse ato médico, esses bebês poderiam viver anos. [5]

Quem deve decidir?
Quando um doente está impossibilitado de falar por si mesmo, a família tem a responsabilidade de tomar as decisões no lugar dele. A questão mais importante não é avaliar o que é melhor para nós ou se valerá a pena deixá-lo viver de uma maneira considerada improdutiva pelos padrões de um mundo que não teme nem obedece a Deus. Precisamos decidir o que é melhor para a pessoa que está doente.


Nessa situação, o cristão tem a responsabilidade de buscar a vontade e a presença de Deus em tudo o que faz, pois a decisão de dar ou não a vida pertence somente a ele (cf. Deuteronômio 32.39). Portanto, a base de qualquer decisão é se determinado tratamento trará benefício ou sobrecarregará a vida de um paciente, não se a vida de um paciente é inútil ou difícil de suportar.

Como muitas outras pessoas que estudam muito para aprender, Christine Skiffington está se esforçando e avançando muito em seu estudo da língua francesa. Não há nada de raro nisso, exceto que seis anos antes ela estava em coma, depois de sofrer hemorragia cerebral. Ela não mostrou absolutamente nenhum sinal de consciência e não conseguia se comunicar. Ninguém esperava que ela se recuperasse e os médicos queriam remover o alimento e os líquidos dela, a fim de lhe apressar a morte, mas seu marido não deu consentimento. Os médicos ainda não conseguem explicar como Christine, que tem 61 anos, saiu do coma. Ela teve uma recuperação total e já está tirando carteira de motorista. Esse caso mostra que as pessoas que trabalham na medicina não são infalíveis e que há sempre a possibilidade de uma recuperação. Mas a questão mais importante não é essa. O ponto chave é que ninguém deve ajudar a empurrar outro ser humano para a morte. Como ser humano, Christine Skiffington tinha o direito à vida — mesmo que ela não se recuperasse totalmente.[6]

O APERTO DA MÃO DA ESPOSA
Lorraine Lane tinha 42 anos quando desmaiou ao ir para casa depois do trabalho. Os médicos diagnosticaram que um derrame a tinha deixado com danos cerebrais graves. O marido Neil queria honrar o pacto de “direito de morrer” que o casal tinha feito antes do derrame. Depois de um ano, ele ficou tão desesperado para livrar a esposa do “inferno em vida” que ele lutou para ganhar uma ordem judicial que obrigaria os médicos a remover a alimentação e líquidos dela. Mas o Sr. Lane mudou de idéia depois que sua esposa apertou a mão dele quando ele estava na cama ao lado dela. Ele disse: “Eu não poderia viver com o pensamento de que Lorraine estava consciente do que estava acontecendo e consciente de que ela estava sendo praticamente abandonada para morrer de fome”. (Daily Mail [Inglaterra], 18 de julho de 2000)


A questão da dor
Se não fosse pela existência da dor, provavelmente não haveria nenhum movimento pró-eutanásia no mundo. Na Holanda, o espectro de sofrer dores agonizantes e a solução misericordiosa da eutanásia são os grandes responsáveis pela aceitação da morte deliberada de pacientes em hospitais. Quando pensam em eutanásia, muitas pessoas pensam em fuga do sofrimento.


O Dr. Jack Willke diz:

A questão central é que é possível controlar a dor. É possível aliviar as dores dos pacientes em todos os casos, com a exceção de uma fração muito pequena de situações. A chave de tudo é o médico. Se ele não sabe controlar a dor e não pode, ou não quer, tomar o tempo para aprender, então a “solução simples” do médico é matar o paciente quando ele não puder matar a dor.[7]

Vivemos numa época em que a medicina se desenvolveu a tal ponto que já é possível aliviar o sofrimento de pessoas que estão sofrendo as dores mais intensas. Anestesistas e outros especialistas afirmam que a medicina hoje pode dar adequado alívio paliativo em 99% dos casos. Mas muitos pacientes são impedidos de obter o alívio de suas dores porque alguns médicos acham que eles ficarão viciados aos medicamentos analgésicos e porque também muitos profissionais médicos não receberam um treinamento adequado na área de controle de dores e sintomas.[8]

Kathleen Foley é responsável pela área de alívio às dores no Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering em Nova Iorque. Ela declarou:

Vemos freqüentemente pacientes encaminhados para nossa Clínica que, por causa de dores incontroláveis, pedem que os médicos os ajudem a se matar. Mas é comum vermos tais idéias e pedidos desaparecerem quando eles recebem um tratamento que lhes traz alívio de suas dores e outros sintomas, usando uma combinação de métodos farmacológicos, neurocirúrgicos, anestésicos e psicológicos.
[9]

Um escritor fala
Se a medicina hoje tem tantos recursos disponíveis para aliviar o sofrimento físico dos doentes sem matá-los, então por que os médicos não os usam? O escritor Wesley Smith recentemente escreveu um livro chamado Cultura da Morte, onde ele mostra o que está acontecendo com a medicina nos Estados Unidos. Em entrevista ao noticiário eletrônico WorldNetDaily, ele explica que a maioria das pessoas não sabe que um pequeno mas influente grupo de filósofos e autoridades da área de saúde está trabalhando intensamente para transformar as leis e o sistema de saúde. Ele afirma que, sob a incitação de especialistas em bioética, a indústria da saúde está abandonando sua prática tradicional de não fazer mal aos pacientes e está agora adotando um sistema completamente utilitário que legitimaria a discriminação contra — e em alguns casos até o assassinato de — as pessoas mais fracas e mais indefesas da sociedade. A seguir os melhores trechos da entrevista:

Pergunta: Como é que a classe médica está mudando?
Resposta: O que está acontecendo é que há um movimento ideológico chamado o “movimento de bioética”, que está nos afastando da medicina cujo juramento profissional é “não fazer mal” (e a maioria das pessoas querem que seus médicos sigam essa medicina) e está nos levando para uma medicina baseada na tão chamada “qualidade de vida”.
P: Uma das coisas assustadoras que você menciona em seu livro é toda essa conversa sobre “direito de morrer”... não queremos ficar presos a máquinas de suporte de vida; temos o direito de morrer. Mas você escreve que a tendência mais recente não é só o “direito” de morrer, mas um “dever de morrer”.
R: Sim. O movimento de bioética está nos levando em direção ao dever de morrer. O motivo por que logo de início já falo sobre filosofia é porque é a filosofia que fortalece as próprias políticas e planos que descreverei daqui a pouco. Você e eu pensaríamos, assim creio eu, que o fato de nós sermos seres humanos é algo exclusivo e especial no mundo. Mas de acordo com a ideologia da bioética, a coisa não é bem assim, pois somos mera vida biológica. Não há nada especial no fato de sermos seres humanos. Portanto, os especialistas em bioética — não todos, mas os que mais chamam a atenção no movimento — decidiram que temos de distinguir o que é que torna a vida humana — ou qualquer outro tipo de vida — especial. E eles chegaram a uma conclusão, que é realmente prejudicial e discriminatória.
A questão deles não é se o fato de você ser humano é importante, mas se você é uma “pessoa”. Assim, para eles há alguns humanos que são pessoas, e todas as pessoas têm o que você e eu chamamos de direitos humanos. Mas as não-pessoas humanas não têm direitos humanos.
P: E quem é que está decidindo classificar certas pessoas assim?
R: Os especialistas em bioética estão criando essas decisões, e estão ensinando isso nas universidades mais importantes.
P: Quem lhes deu o direito de decidir o que é certo e errado?
R: É uma boa pergunta. Quem foi que decidiu que os filósofos — pois é principalmente isso que eles são — devem decidir nossa ética médica e nossas políticas de saúde pública? Mas se der uma olhada na comissão presidencial de bioética, adivinhe quem é que está ocupando essas posições? Dê uma olhada na maioria das posições de bioética nas universidades. Ali estão pessoas como Peter Singer, da Universidade de Princeton.
P: Esse cara é louco.
R: Peter Singer exemplifica o movimento sobre o qual estou falando¼ Ele é um australiano, o que chamam de “filósofo moral”. Mas no caso dele, esse termo é contraditório. Ele é conhecido principalmente por duas coisas. Primeira, ele é o criador do moderno movimento dos direitos dos animais. Na década de 70 ele escreveu um livro chamado “A Liberação dos Animais”, e o livro oferece a suposição de que os seres humanos e os animais têm igual e inerente valor moral. Portanto, não se pode usar animais em pesquisa de animais e coisas desse tipo... Ele também não gosta que as pessoas os comam. Segunda, ele é o mais famoso defensor mundial da legalização do assassinato de recém-nascidos.
Ora, não estou falando sobre aborto. Singer e seu guia espiritual, Joseph Fletcher, poderiam chamar aborto. Aliás, eles chamam “aborto pós-nascimento”.
P: Se os pais deles praticassem o que eles agora ensinam...
R: No passado Peter Singer disse que os pais deveriam ter 28 dias para decidir ficar com seus filhos recém-nascidos ou matá-los. Agora ele expandiu esse prazo para um ano. Essa atitude é baseada em sua idéia de que a criança recém-nascida não é uma pessoa. Conforme crê Peter Singer, o recém-nascido não é um ser consciente... Outros especialistas em bioética discutem o assunto de modo diferente. Alguns acreditam que... uma pessoa é um ser que pode fazer decisões morais e dar prestações de contas moralmente, por exemplo, num crime. Mas a conclusão a que isso leva é à atitude de decidir quais seres humanos são melhores do que os outros.
P: Estou completamente aturdido com o fato de que as pessoas poderiam chegar a desperdiçar um minuto escutando esse imbecil do Singer.
R: Ele tem menos tato do que outros. Mas ele não pertence a uma minoria isolada. Ele exemplifica o movimento. Ele é o presidente da Associação Bioética Mundial. Talvez esse não seja o nome exato da organização, mas ele está na segunda universidade mais prestigiosa nos EUA e uma das mais conceituadas no mundo. Ele é um dos mais respeitados especialistas em bioética em posição de autoridade¼
P: Devíamos simplesmente não dar nenhuma atenção aos esquerdistas radicais como Singer. Por que não fazemos isso? Que tipo de impacto esses especialistas em bioética podem ter em mim e em você?
R: Eles são os indivíduos que estão criando leis. Se você for a um tribunal para resolver uma questão de bioética, adivinhe que é que dá testemunho no tribunal? Os especialistas em bioética! Quando o ex-presidente Clinton estava decidindo o que fazer acerca da pesquisa de células-troncos [retiradas de bebês], adivinhe que é que fez essas decisões com base nas recomendações dos especialistas de bioética? A pessoa que preside a comissão de bioética do presidente é o presidente da Universidade de Princeton, responsável pela presença de Peter Singer na universidade.
P: Então eles são uma panelinha.
R: É uma panelinha de elite. Eles estão nas universidades mais importantes: Harvard, Yale, Georgetown. A Universidade de Georgetown publica a Revista de Ética do Instituto Kennedy, que é uma das principais revistas para os especialistas em bioética no mundo inteiro.
P: Então esses caras ensinam os estudantes de hoje que estão se preparando para ser os médicos de amanhã?
R: Sim. Todos os médicos que se formam passam por um treinamento de bioética. E o motivo por que escrevi o livro “Cultura da Morte” é que a maioria das pessoas não concorda com a bioética. A [atual] ética médica e os valores de saúde pública não refletem... nossa convicção de que toda vida humana é sagrada e tem os mesmos direitos. Como disse Thomas Jefferson: “Afirmamos que essas verdades são evidentes para todos, que todas as pessoas são criadas iguais”. Os especialistas em bioética rejeitam essa idéia porque de acordo com a bioética a pessoa tem de provar merecer o direito de ser considerada uma “pessoa”. Se não acredita em mim, permita-me lhe ler algo de um especialista em bioética chamado John Harris. O artigo dele saiu publicado na Revista de Ética do Instituto Kennedy. É sobre isso basicamente que estamos falando. Então gostaria de levar você para as conseqüências, para onde esse tipo de pensamento conduz. O que quero dizer é que as pessoas entre nós que são mais vulneráveis, as mais fracas — são literalmente empurradas para a morte. Veja aqui o que Harris diz sobre o direito de ser uma pessoa: “Muitos, ainda que não todos, dos problemas da ética de assistência de saúde pressupõem que temos uma opinião sobre os tipos de seres que têm algo que poderíamos considerar como de valor moral máximo”. Ora, você e eu diríamos que todos os seres humanos têm valor, certo?... Veja o que mais ele diz: “Ou se isso parece apocalíptico demais, então com certeza precisamos identificar os tipos de indivíduos que têm o valor moral mais elevado”. Mas os especialistas em bioética estão dizendo isso, e as pessoas parecem pensar que tudo o que eles dizem está certo só porque eles são das universidades mais conhecidas... Dê uma olhada no modo como o jornal The New York Times e outros membros dos principais meios de comunicação fazem reportagem sobre Peter Singer. Eles fizeram pouco caso de suas declarações de que precisamos ganhar o direito de matar bebês e as tacharam como fora de contexto. Eles o exaltam como um homem com idéias novas e grandes.
P: Parece que há um grupo de acadêmicos arrogantes e pretensiosos que está agora ditando o modo como a medicina será praticada.
R: É porque esse país está sofrendo de uma horrível doença chamada “especialitis”. Achamos que as únicas pessoas que sabem tudo são os “especialistas”, e as pessoas de certo modo pararam de acreditar que seus próprios valores podem ser importantes e podem desempenhar uma parte nessas questões. Quando dizem que alguns de nós não são pessoas, então o que podemos fazer com as pessoas que não são consideradas “pessoas”? Será que poderemos tirar proveito delas como se fossem recursos naturais?
P: Isso é o que esses palhaços diriam. Aliás, basicamente eles vêem as não-pessoas como campo para o cultivo de órgãos e partes do corpo que podem e devem ser colhidos para serem usados sempre que as pessoas de maior valor moral precisem desses órgãos.
R: E aí está o ponto mais importante. Tom Beechum — um importante bioético que escreveu um dos principais livros escolares de bioética “Os Princípios da Ética Biomédica” — diz: “O fato de que muitos seres humanos não são pessoas ou são menos do que pessoas plenas... os torna moralmente iguais ou inferiores a alguns seres não humanos [animais]. Se dá para defender essa conclusão, precisaremos repensar nossa opinião tradicional de que esses seres humanos infelizes não podem ser tratados do mesmo modo que tratamos semelhantes seres não humanos. Por exemplo, eles poderiam ser usados como matéria humana para pesquisas e fontes de órgãos”.
P: Por favor conte-nos o caso, registrado em seu livro, de Christopher e seu pai.
R: Christopher Campbell era um jovem de 17 anos que sofreu um acidente de carro. Ele ficou inconsciente por três semanas. De repente ele começou a ter uma febre alta e horrível, e seu pai John diz ao médico: “Trate a febre do meu filho. Ele está com 40 graus de temperatura, e está subindo para 41”. O médico respondeu ao pai: “De que vai adiantar? Seu filho não está consciente. Sua vida já terminou”. E quando o pai continuou a insistir, o médico chegou ao ponto de rir na cara dele.
P: Como você ficou sabendo desse caso?
R: Esse pai desesperado me ligou porque eu havia escrito um livro anterior, Forced Exit (Morte Forçada), sobre a eutanásia. Ele me sondou e disse: “Ei, o que posso fazer?” Então lhe dei algumas dicas, e adivinhe o que aconteceu? Ele conseguiu tratamento para seu filho... ele saiu do coma, está aprendendo a andar e é hoje um conselheiro para adolescentes em situação de risco.
P: E pode-se definir esses adolescentes em risco como qualquer infeliz que teve de ser tratado pelo homem que era o médico de Campbell.
R: Agora esse jovem está levando uma vida bem produtiva, e está trabalhando muito para se recuperar fisicamente, pois ele teve ferimentos bem graves na cabeça. Mas esse jovem estaria morto hoje porque o médico não se importava o bastante com sua vida para reduzir uma febre.
P: Lamentavelmente, o caso dele não é incomum. Diga-nos da senhora de 90 anos cujo médico não queria lhe dar antibióticos.
R: Uma mulher me telefonou para dizer: “Minha mãe tem 92 anos. Ela está com uma infecção terrível, e o médico não quer lhe dar antibióticos”. Então fiz a pergunta óbvia: “Por que?” Ela respondeu: “O médico me disse: ‘De todo jeito sua mãe vai morrer de infecção. Bem que poderia ser essa.’”
P: Conte-nos o caso do bebê Ryan do Estado de Washington.
R: O bebê Ryan nasceu prematuramente com problema nos rins. Ele precisava de diálise de rins. O pai era um imigrante vietnamita e, como não é de surpreender, ele não era visto como uma pessoa de influência. Como sabemos, não se faz essas coisas para um presidente. Inicialmente, se faz esse tipo de coisa para gente que não pode revidar. Mas esse pai revidou. Os médicos lhe disseram: “Chegou a hora de seu bebê morrer. Muito embora você não queira, estamos removendo dele a diálise de rins”. O pai conseguiu um advogado e obteve um mandado judicial.
P: Explique o que aconteceu com o pai.
R: Pelo fato de que o pai obteve o mandado, os médicos o entregaram às autoridades públicas, afirmando que o pai, não os médicos, estava prejudicando a criança impedindo-a de morrer.
P: E o que aconteceu?
R: Apareceu um médico diferente que tomou conta do caso. Ele colocou o bebê num hospital diferente, e ele ficou melhor. A verdade é que após várias semanas o bebê não mais precisou de diálise de rins. A criança acabou morrendo aos 4 anos, porém por razões que nada tinham a ver com os rins. Aliás, ele teve uma infância bem feliz. Se tivessem deixado os médicos imporem seus valores e moralidade no bebê, ele teria morrido com a idade de duas semanas.
P: No seu livro há alguns casos horríveis de pacientes que foram forçados a morrer porque removeram a água deles.

R: Há mesmo. E é uma situação terrível — principalmente se o paciente está consciente. A desidratação mata em 14 dias, porém é um problema que dá para resolver facilmente. Antes era a família que decidia remover a água e o alimento. Mas agora a história é diferente. Há um caso na Califórnia envolvendo Robert Wendland. Robert consegue andar de cadeira de rodas pelos corredores do hospital. Ele consegue escrever a letra “R”. Ele consegue dizer sim ou não com a ajuda de botões. Ele sofreu um horrível acidente de carro e é hoje um deficiente físico cognitivo. Estão agora decidindo diante da Suprema Corte dos EUA se podem remover a água dele para ele morrer, o que levará 14 dias. A Corte de Apelos disse que os médicos têm o direito de remover a água dele...[10]

Copyright 2005 Julio Severo. Permitida a reprodução deste artigo, desde que sejam citados na íntegra a fonte, autoria e site do autor. Favor enviar uma cópia ao autor. Julio Severo é autor do livro O Movimento Homossexual, publicado pela Editora Betânia. Para conhecer outros artigos do autor, visite: http://www.juliosevero.com.br


[1]J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 1.
[2] Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996).
[3] Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996).
[4] Eileen Doyle, A Pro-Life Primer on Euthanasia (American Life League: Stafford, EUA, 1996).
[5] Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. Pro-Life Library CD-Rom. Ó 2000 Human Life International.
[6] Pro-Life Times, novembro de 2000, pp. 1,2.
[7]J. C. Willke, Assisted Suicide & Euthanasia (Hayes Publishing Co.: Cincinnati-EUA, 1998), p. 90.
[8]Teresa R. Wagner, To Care or To Kill (Family Reserch Council: Washington, D.C., 1999), p. 5.
[9]Teresa R. Wagner, To Care or To Kill (Family Reserch Council: Washington, D.C., 1999), p. 10.
[10] Wesley Smith, em entrevista ao noticiário eletrônico WorldNetDaily de 11 de fevereiro de 2001 (www.wnd.com). O texto foi traduzido e adaptado por mim e alguns trechos importantes foram destacados em negrito por mim.