10 de fevereiro de 2005

A ONU e Sua Incrível Irrelevância

A ONU e Sua Incrível Irrelevância

Hal Lindsay

10 de fevereiro de 2005

© 2005 WorldNetDaily.com


Os Estados Unidos estão oficialmente rejeitando a declaração de uma comissão especial da ONU de que a crise em Darfur, no Sudão, não chega ser “genocídio”. O documento de 177 páginas de uma comissão de cinco membros da ONU, encarregada de investigar alegações de genocídio no Sudão, fez essas conclusões:


1. Houve um massacre de aproximadamente 400 mil pessoas do Sul do Sudão, principalmente cristãos.

2. Sob as leis internacionais, isso constitui graves violações das leis internacionais humanitárias e de direitos humanos.


3. Não se pode considerar isso “genocídio”.

De acordo com a ONU, há quase 2 milhões de pessoas em Darfur que haviam fugido de outras regiões do país e mais de 200 mil “refugiados” que se mudaram para o Chade, o país vizinho.


A ONU também diz que houve destruição em grande escala de vilas em todos os três estados de Darfur. “Mas não há prova alguma de genocídio”. (Deve-se observar que o governo sudanês expressou “alívio” com a conclusão da ONU e prometeu “julgar os culpados”.)


O Tratado de Genocídio de 1948 define “genocídio” como a “intenção de destruir, em todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.


O Sudão tem uma população com diferentes religiões, porém é governado pelo Norte, que é muçulmano. O Sul é quase totalmente cristão, com apenas alguns animinstas e outros grupos não-muçulmanos.


O Norte muçulmano não só está matando em massa os habitantes do Sul que não são muçulmanos, mas também está oferecendo aos cristãos a seguinte escolha: renunciar Jesus como Senhor e se converter ao islamismo ou ser morto à espada. Como conseqüência, dezenas de milhares já foram mortos.


É preciso algumas manobras diplomáticas bem extravagantes para criar um argumento de que o que está ocorrendo no Sudão não é “genocídio”. Apesar das manobras, genocídio tem uma definição legal clara. Sob o Tratado de Genocídio, constitui “genocídio” forçar grupos religiosos identificáveis a se converter. A ONU só conseguiria provar que os muçulmanos sudaneses são inocentes do crime de genocídio se conseguisse provar, diante das evidências volumosas, que os muçulmanos não estão tentando destruir os cristãos sudaneses.


Em outubro de 2004, o vice-presidente do Sudão Ali Taha reafirmou a política islâmica do governo sudanês. Ele declarou descaradamente: “A jihad [guerra santa] é nosso modo de agir”.


Richard Boucher, do Departamento de Estado dos EUA, afirmou aos jornalistas em resposta à declaração da ONU de que o que está acontecendo no Sudão não é genocídio: “Estamos firmes em nossa conclusão de que vem ocorrendo genocídio em Darfur… Nada aconteceu que tenha mudado essas conclusões. Permanecemos firmes com essas conclusões”.


Em 1994, a ONU também não estava muito animada a aplicar a palavra “genocídio” em Ruanda. Nesse caso, membros da tribo rival de hutus massacraram quase um milhão de membros da tribo tutsi de Ruanda em 100 dias de puro derramamento de sangue.


Depois que 10 soldados belgas da força de paz foram mortos no fogo cruzado, a ONU “heroicamente” se retirou e deixou que o derramamento de sangue continuasse, enquanto o representante de Ruanda, na época um membro do Conselho de Segurança da ONU, rebateu que eram “exageradas” as declarações de que estava havendo genocídio em Ruanda.


Em 2004, Kofi Annan designou 7 de abril como o “Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio de Ruanda”. O que ele pediu que fizéssemos nesse dia foi — não sou eu quem está inventando isso — um momento de silêncio. Annan declarou: “Vamos, através de nossas ações em um único minuto, enviar uma mensagem — uma mensagem de remorso por causa do passado, e determinar impedir que tal tragédia venha a ocorrer de novo — e vamos fazer com que nossa mensagem ressoe por vários anos no futuro”.


Anos no futuro? A ONU nem conseguiu manter seu compromisso até abril seguinte, quando deixou ocorrer novamente outro “genocídio” (que, porém, considerou como não genocídio).


A ONU prova sua inutilidade mais uma vez ao recusar utilizar a palavra “genocídio”. E por que será que a ONU não tem ânimo para fazer isso? Essa é fácil de responder. Reconhecer um genocídio exigiria que a ONU adotasse medidas imediatas para parar a matança. E não é de surpreender que a maioria das pessoas sendo mortas são cristãs. A ONU pode facilmente escapar impune com sua falta de ação para resgatar os cristãos, porque os próprios cristãos de outros países fazem bem pouco para expressar a devida revolta. Em comparação, os muçulmanos uivam quando um colega muçulmano sofre o mais leve insulto e geram terroristas para acentuar seus protestos. Isso obtém muitíssima atenção da ONU.


A ONU demonstra ser o lugar em que os perpetradores de crimes internacionais — que violam as leis da ONU — envolvem-se em debates intermináveis sobre como eles não violaram essas leis. A ONU é simplesmente uma sociedade de debates onde ditadores e violadores de direitos humanos protestam sua inocência. No meio tempo, a ONU continua a não adotar medida concreta alguma para impedir violações de suas próprias leis. A ONU não consegue nem cumprir o motivo mais básico de sua própria existência — impedir “genocídios”.


Vou repetir. A ONU foi criada com o objetivo expresso de impedir que ocorra de novo o genocídio que aconteceu durante a 2 Guerra Mundial.


Por pura ironia, agora é a própria ONU que facilita os genocídios. A ONU se transformou na própria coisa que foi criada para impedir — um sistema maligno global que facilita o mal nos lugares sombrios ao redor do mundo. Mais assustador do que isso é tentar imaginar o que é que vai se levantar para substituir a ONU quando finalmente essa organização falir totalmente. As profecias da Bíblia nos dão a resposta. Um governo mundial está se preparando para chegar. Só aguarda a revelação de seu “líder” máximo — o Anticristo.


Hal Lindsey é autor de 20 livros, inclusive “A Viagem da Culpa”, publicado pela Editora Mundo Cristão. Ele escreve toda semana exclusivamente para WorldNetDaily (www.wnd.com). Visite seu website onde ele oferece uma análise detalhada dos eventos mundiais à luz das antigas profecias da Bíblia.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: http://www.juliosevero.com.br/

Fonte: http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=42684

8 de fevereiro de 2005

Acabando com a escravidão

Acabando com a escravidão

Thomas Sowell

Para mim, a coisa mais chocante sobre a longa história da escravidão — que abrangeu o mundo inteiro e todas as raças — é que ninguém de nenhum país antes do século XVIII questionava com seriedade se a escravidão era certa ou errada. No fim do século XVIII, esse questionamento começou a aparecer na civilização ocidental, mas não surgiu em nenhum outro lugar do mundo.

Parece tão óbvio hoje que, como disse Abraham Lincoln, se a escravidão não é errada, então nada é errado. Mas nenhum país do mundo cria nisso três séculos atrás.

Um surpreendente livro recém publicado — “
Bury the Chains” de Adam Hochschild — mostra as origens históricas do primeiro movimento anti-escravidão do mundo, que começou com uma reunião de 12 evangélicos profundamente religiosos na cidade de Londres em 1787.

O livro recria o próprio mundo diferente daquele tempo, quando a escravidão era tão comum que a maioria das pessoas, de um modo ou de outro, nem ligava para isso. E também não ligavam para isso os principais líderes intelectuais, políticos e religiosos da Inglaterra ou de qualquer outro lugar do mundo.

Os 12 homens que formaram o primeiro movimento anti-escravidão do mundo viam sua tarefa como convencer as pessoas de seu país a pensar na questão da escravidão — a pensar nos fatos brutais e nas implicações morais desses fatos.

Eles achavam que seus esforços seriam suficientes para levar o público inglês — e no final até o próprio o Império Britânico — a ficar contra a escravidão. Embora a idéia deles fosse bem simples, foi exatamente isso o que aconteceu. Não aconteceu rapidamente e não aconteceu sem esbarrões com opositores insensíveis, pois na época os britânicos eram os maiores comerciantes de escravos do mundo e tal comércio criou grupos ricos e politicamente poderosos que defendiam a escravidão.

Apesar disso, o movimento anti-escravidão persistiu durante décadas de lutas e derrotas no Parlamento britânico até que acabaram obtendo uma proibição ao comércio internacional de escravos, e no fim uma proibição à própria escravidão em todo o Império Britânico.

Ainda mais impressionante, a Inglaterra se encarregou sozinha, como a principal potência naval do mundo, de policiar outras nações na questão da proibição ao comércio de escravos. Interceptando e abordando os navios de outros países em alto mar em busca de escravos, os britânicos se tornaram e permaneceram por mais de um século os policiais do mundo em seus esforços de dar uma basta no comércio de escravos.


Bury the Chains” apresenta essa história incrível só até a época da proibição da escravidão no Império Britânico. Esperamos apenas que Adam Hochschild ou outro escritor prepare um livro igualmente dramático e convincente sobre a saga da luta mundial contra a escravidão.

Contudo, as chances não parecem boas. O primeiro movimento anti-escravidão foi liderado por pessoas que hoje seriam chamadas de “direita religiosa” e seu movimento foi criado por homens de negócios conservadores. Além disso, o que destruiu a escravidão nas nações não ocidentais foi o imperialismo ocidental.

Nada poderia ser mais chocante e discordante da visão dos intelectuais de hoje do que o fato de que foram homens de negócios, dedicados líderes religiosos e imperialistas ocidentais que juntos destruíram a escravidão no mundo inteiro. Mas como tal fato não se encaixa na visão desses intelectuais, é como se para eles tudo isso nunca tivesse ocorrido.


Os conceitos anti-escravidão acabaram se espalhando por toda a civilização ocidental, uma luta que se tornou mundial, colocando o Ocidente contra africanos, árabes, asiáticos e praticamente o mundo inteiro fora do Ocidente, que ainda não viam nada de errado na escravidão. Mas os imperialistas do Ocidente foram os primeiros a possuir armas a base de pólvora, dando-lhes a vantagem de eliminar a escravidão no Ocidente e em outros países.

Em comentário sobre “
Bury the Chains”, o jornal New York Times tentou insinuar que a proibição ao comércio internacional de escravos de alguma forma serviu aos interesses próprios dos britânicos. Mas John Stuart Mill, que viveu naquela época, disse que os britânicos “durante os últimos 50 anos vêm gastando somas anuais iguais aos ganhos de um pequeno reino em seus esforços para bloquear a costa africana, em favor de um objetivo no qual não só não tínhamos nenhum interesse, mas que também era contrário aos nossos interesses financeiros”.

Foi uma luta épica mundial, cheia de episódios dramáticos e às vezes violentos, junto com histórias inspiradoras de coragem e dedicação. Mas não espere que Hollywood faça um filme sobre algo que é tão contrário à sua visão do mundo.


©2005 Creators Syndicate, Inc.

Thomas Sowell é um economista negro americano.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br

Fonte: http://www.townhall.com/columnists/thomassowell/ts20050208.shtml