9 de dezembro de 2005

A Munique de Spielberg: Em defesa da paz ou do mal?

A Munique de Spielberg: Em defesa da paz ou do mal?

Benjamin Shapiro
© 2005 Creators Syndicate, Inc.

O novo filme de Steven Spielberg, “Munich” (Munique), está marcado para estrear em 23 de dezembro. Ninguém viu o filme ainda, exceto a Revista Time, que com muita bajulação concedeu sua capa de 12 de dezembro para a “Obra Prima de Spielberg”. De acordo com o que foi relatado, Spielberg quer manter esse filme de 70 milhões de dólares sob sigilo absoluto até que as audiências finalmente possam vê-lo.

Não posso criticar a obra cinematográfica em si sem primeiro vê-la, mas esse filme tem todas as marcas do ponto de vista arrogante e elitista de Hollywood para com a política externa. Tony Kushner, dramaturgo socialista dos mais ferrenhos e autor da peça de propaganda homossexual “Angels in America”, escreveu o roteiro de “Munique”. Kushner, que declarou rindo no artigo da Time que “nunca gosta de passar lições para as pessoas”, chama o estabelecimento do Estado de Israel “uma calamidade histórica, moral e política para o povo judeu… Eu queria que o Israel moderno não tivesse nascido”.

Ele difama as Forças de Defesa de Israel, esnobemente declarando: “Deploro as táticas brutais e ilegais das Forças de Defesa de Israel nos territórios ocupados… De todas as pessoas, os judeus, com nossa história de sofrimento, não deveriam aceitar que nossos companheiros humanos sejam tratados assim”. Permitir que Kushner escrevesse o que provavelmente será visto como a obra cinematográfica definitiva sobre a matança de 11 atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique em 1972 é de certa forma como permitir que Ramsey Clark [americano que defende Saddam Hussein] escrevesse a história definitiva da política externa dos Estados Unidos no Oriente Médio.

A mentalidade de Kushner — e presumivelmente a mentalidade de Spielberg, considerando que Spielberg empregou Kushner — denota uma perceptível tontice com relação ao bem e ao mal. Spielberg contou a Time que “Tony Kushner, eu e os atores não atribuímos características demoníacas a ninguém no filme. Não demonizamos nossos alvos. Eles são indivíduos. Eles têm famílias”. Esse é o problema: A esquerda de hoje, e a esquerda de Hollywood em particular, vê todo o mundo como humano.

Hitler era um indivíduo; Hitler tinha uma família. Presumivelmente, a mãe de Hitler gostava muito dele quando ele era criança. Hitler tinha uma mulher que o amava. Ele gostava de animais. Isso torna Hitler menos demoníaco? Isso o torna mais digno de simpatia? Não. Certas pessoas merecem ser caracterizadas com um caráter demoníaco, pois a atribuição de características demoníacas é simplesmente uma descrição precisa do mal deles. Os terroristas que mataram 11 atletas olímpicos israelenses não merecem simpatia alguma — eles merecem o ódio das pessoas do mundo inteiro que têm princípios éticos.

Mas para Spielberg e sua classe, o problema é odiar o mal. “Em algum lugar dentro de toda essa intransigência deve haver um anseio pela paz”, explicou Spielberg. “Porque o maior inimigo não são os palestinos nem os israelenses. O maior inimigo na região é a intransigência”. Até certo ponto, isso é verdade — mas só no mesmo sentido em que a intransigência dos poloneses em não se entregar logo a Hitler foi a causa da 2 Guerra Mundial.

O conflito árabe-israelense não é assim tão complicado, apesar das cores de variadas nuances que esquerdistas como Spielberg desejam colocar sobre o conflito. Uma população, os judeus, deseja viver em paz e segurança em sua pátria — e eles têm repetidamente demonstrado, chegando ao ponto de fazer loucuras, seu desejo de serem deixados em paz (veja os Acordos de Oslo). Outra população, os árabes, deseja arrancar os judeus para fora de sua terra natal e atirá-los ao mar, e não tolerará nenhuma concessão na busca dessa meta.

Há seres humanos de ambos os lados? É claro que há. Mas todo conflito humano envolve seres humanos. Só os seres humanos têm a capacidade moral de praticar o mal, pois só os seres humanos têm a capacidade de fazer escolhas morais. O mal não torna alguém menos humano — torna-o completamente humano em sua decisão de exercitar o livre arbítrio na busca da maldade. Só porque somos todos humanos não significa que todas as nossas condutas merecem o mesmo tratamento moral.

Spielberg e Kushner não concordam com isso. Na opinião deles, todos, não importando o nível de sua maldade, merecem respeito moral. Com essa finalidade, “Munique” inclui uma cena completamente fictícia em que o líder da unidade militar israelense de ataque Avner Kauffman conversa com o líder do grupo terrorista árabe. Naturalmente, o líder do grupo terrorista recebe a oportunidade de fazer-se eloqüente sobre a necessidade de ainda outra pátria árabe. “Essa cena significa tudo para Kushner e Spielberg”, relata a Time. É claro que significa. Para Neville Chamberlain, sentar-se na mesa de negociações com Hitler também signficava tudo.

Chega um momento em que a indulgência inútil de humanizar todas as formas do mal, reservada para os membros de elite dos países do Ocidente, deve chegar a um fim. Chega um momento em que se deve fazer uma escolha moral. Quando olhamos bem para a face de um Hitler, de um Stálin, de um terrorista palestino determinado a matar, precisamos fazer essa escolha. Se não fizermos, todos cairemos na mesma armadilha em que caíram Kushner e Spielberg — pois em algum momento, simpatia pelo mal representa, em si, o próprio mal.

Benjamin Shapiro formou-se recentemente na Universidade da Califórnia em Los Angeles e atualmente está matriculado na Faculdade de Direito de Harvard.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br

Fonte: http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=47804

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