5 de dezembro de 2005

Aborto: A Solução Não é Só Abusar, Mas Matar?

Aborto: A Solução Não é Só Abusar, Mas Matar?


Julio Severo

Se um pedófilo, em seu abuso individual, é justamente condenado por seus atos, por que o governo, em seu abuso coletivo maior, não recebe também tratamento merecido?

O Congresso Nacional em Brasília votará dia 6 de dezembro de 2005 a legalização do aborto no Brasil. O Estado laico não se guia pelos valores cristãos, de modo que valores estranhos ganham espaço e avançam. De maneira geral, muitos desses valores pertencem a grupos nacionais e internacionais que vêm planejando, trabalhando e pressionando há anos pela liberalização das leis de aborto em nosso país, com a devida cumplicidade de políticos de esquerda. Além disso, o Ministério da Saúde e outros setores do governo também vêm seguindo essa mesma direção. Portanto, é necessário voltarmos a nossa atenção a esse assunto, pois aborto tem tudo a ver com crianças.

Crianças são criaturas indefesas e vulneráveis, e muito precisam de nossa proteção e supervisão. A família tem o dever máximo de vigiar e cuidar de seus filhos. O papel da sociedade é colaborar com tal vigilância e cuidado, com todo respeito à família e seus valores morais e cristãos. A responsabilidade do Estado não é substituir a família em suas funções prioritárias e essenciais, mas fortalecê-la. A família, não o governo, é o protetor natural das crianças e adolescentes.

O tema crianças gera tanta preocupação e atenção do público que basta mencionar a palavra abuso ou pedofilia que todos se unem para apoiar o socorro às crianças. Quando surgem casos de pedofilia, a imprensa entra em cena bradando que o Estado tem a obrigação de intervir contra esses crimes, e o governo logo aparece diante das câmaras declarando que tomará medidas enérgicas contra os criminosos. Aliás, o governo tem sido “convocado” pela ONU e grupos radicais a arrastar para sua rede de abusadores infantis todos os casos que sua visão laica julga como abuso, não poupando nem mesmo famílias evangélicas inocentes que, seguindo a ética bíblica, criam seus filhos mediante sábia aplicação da disciplina física. É meta firme do governo proibir essa disciplina, estigmatizando-a como abuso. O papel do Estado hoje é interpretar, julgar e cuidar de todos esses casos.

Mas esse papel tem sido no mínimo contraditório. O governo tem todo poder e autoridade de proibir toda incitação pública à pedofilia e outros crimes. Então por que permite que os meios de comunicação propaguem impunemente seus programas e cenas freqüentes de incitação ao sexo? Milhões de crianças são expostas a essa incitação diariamente, e o Estado, tão interessado em protegê-las, mal consegue levantar um dedo contra a indústria da TV e outros meios que se enriquecem vergonhosamente com programação que violenta não só a mente das crianças, mas também todos os valores que respeitam e protegem sua inocência. As medidas federais contra a imoralidade na TV são puramente simbólicas, com pouco ou nenhum efeito positivo.

O governo tem, de modo geral, protegido o papel dos meios de comunicação em sua incitação ao sexo. Em retribuição, esses mesmos meios lembram-se incessantemente de prestigiar o Estado como o maior responsável pela solução dos assuntos de pedofilia, como se o governo fosse um Pai acima de todos os outros pais: perfeito, honesto, íntegro, bem-intencionado. Assim, a incitação ao sexo aumenta, e também a pedofilia.

Contudo, será que só o governo tem a palavra final nesses assuntos? Só o Estado sabe julgar e decidir o bem-estar das crianças? O governo é realmente um Pai acima dos outros pais?

Parece que isso é o que toda a sociedade quer, ou é induzida a querer. Certamente, isso é o que todos os liberais querem!

No entanto, o governo não só não inibi a vergonhosa e desenfreada incitação ao sexo dos meios de comunicação, mas também colabora com toda essa incitação.

No começo de 2005, o governo Lula se comprometeu a dar camisinhas para crianças de 10 anos nas escolas. Em vez de educar as crianças para o casamento e para evitar o sexo fora do casamento, o governo prefere incentivar o sexo sem casamento e ensinar as crianças a evitar a gravidez, como se gravidez fosse doença ou problema e como se o sexo sem casamento não fosse problema algum.

Em sua matéria intitulada “Aluno de 10 anos receberá educação sexual, afirma nova política federal”, o jornal Folha Online noticiou: “Nos serviços públicos de saúde, a ordem é garantir ao adolescente o acesso do anticoncepcional ao atendimento em caso de violência e abortamento legal... O Código de Ética proíbe o médico de violar a confidencialidade profissional se o menor tiver capacidade de avaliar e solucionar seu problema sem que isso acarrete danos à saúde. O Estatuto da Criança e do Adolescente também garante o direito à integridade física, psíquica e moral”.[1]

Então, de acordo com determinação federal, as escolas trabalharão unidas aos “serviços” de saúde. As escolas se tornaram instrumento estatal para lidar com as questões sexuais de jovens e crianças e o governo está empenhado em protegê-los da “intromissão” dos pais. Para garantir que nenhuma família atrapalhe, o Código de “Ética” proíbe o médico e as autoridades escolares de revelarem aos pais que um aluno está recebendo camisinha ou que uma aluna está recebendo anticoncepcionais ou “serviços” de aborto. De acordo com a ética do governo, os pais que têm valores morais e cristãos deverão ficar totalmente de fora desses “cuidados” do governo para com as crianças.

Resumindo: o Estado agora é o Grande Abusador de crianças e famílias. Mas tal título vergonhoso e justo jamais lhe é atribuído, principalmente pela mídia liberal. Por enquanto, somente o pedófilo é condenado. O Estado laico fica impune.

Como se incitação ao sexo e abuso não fossem o suficiente, o governo, que tanto gosta de se representar como defensor máximo das crianças, agora quer assumir um papel que contradiz frontalmente essa imagem: assassino de crianças. O Congresso Nacional está, com a devida pressão do governo Lula, prestes a votar a legalização do aborto no Brasil. Para o governo, agora a solução não é só abusar, mas também matar.

O aborto, ao contrário do que prega o Estado laico, não é direito da mulher, não é questão de saúde pública, não é questão de saúde reprodutiva ou sexual, não é questão de livre escolha, pois só os assassinos escolhem matar. E o governo quer fazer tal escolha. Fingindo respeitar o direito de as mulheres fazerem aborto, o governo está plenamente disposto a facilitar essa prática e ainda obrigar os hospitais públicos a realizar o que a maioria dos pedófilos não faz: matar crianças.

O fato é que o aborto não envolve só a mãe grávida. O aborto permitido por lei envolve a destruição intencional de uma vida inocente. Mas, acredite se quiser, o Estado laico ignora esse fato. Suas escolas incentivam o sexo fora do casamento e ensinam a evitar a gravidez, deixando uma mensagem bem clara: sexo imoral é bom, gravidez não. É de admirar então seu apoio ao aborto?

Contudo, nenhum governo tem o direito de utilizar seus hospitais para matar crianças. Matar é crime, seja praticado pelo maior assassino, por uma mulher, por um médico ou por um governo. A “interrupção voluntária e legal da gravidez” é matar crianças na própria barriga da mãe. Quem não sabe que o aborto mata já não sabe o que é a vida.

Dá realmente para acreditar que um governo envolvido em apoio a abuso sexual e assassinato de crianças merece o papel de protetor das crianças que a mídia liberal lhe impõe? Ou o Estado assume um papel guiado por valores morais e cristãos ou então se arrisca mais cedo ou mais tarde a encontrar em seu meio uma legião de pedófilos que, cansados de “perseguição” e o estigma social de sua conduta pervertida, o invadiram a fim de se aproveitar da impunidade estatal para satisfazer seus instintos. Mas, para os liberais, ser guiado por valores cristãos é pior do que ser invadido por pedófilos!

Primeiro, os liberais reivindicam um Estado laico. Depois que tal Estado é formado conforme a imagem e semelhança deles, os valores judaico-cristãos e todos os outros valores essencialmente morais são descartados em favor de uma ética e democracia pluralista, onde poucos têm alguma noção minimamente correta do que é certo e errado. Com o descartamento dos valores judaico-cristãos, o valor da vida vai sendo submetido e medido por diversas pressões, interesses e tendências, trazendo em seu rastro aborto, eutanásia, leis a favor da perversão homossexual, etc., — e o papel do Estado como protetor e respeitador da vida inocente se perde no meio do redemoinho pluralista. O mandamento “Não matarás” tem pouco efeito moral num governo laico — talvez apenas para interpretações distorcidas e contraditórias. Tal Estado confuso acaba protegendo os culpados e condenando os inocentes, não aceitando de forma alguma a pena de morte para criminosos assassinos, mas aprovando tal pena para bebês indefesos através de leis cruéis que permitem o aborto.

O governo do Brasil hoje tem inegavelmente esses “valores” confusos, porque foi “capturado” por ideologias a favor do aborto, do feminismo e do homossexualismo. O chamado Estado laico não pode, por imposição dos ideais humanistas que o controlam, ser dirigido por valores cristãos, nem respeitá-los. Por isso, não pode respeitar nem promover totalmente o valor da vida humana inocente. Mas tem lutado pela legalização do aborto. E a experiência na Europa e nos EUA mostra que, depois que o aborto é legalizado, o Estado laico o protege, respeita e promove como direito sagrado das mulheres — e milhões de bebês europeus e americanos têm sido mortos em nome desse direito.

Então, o que o governo brasileiro espera resolver com o aborto? Onde está a real preocupação do governo para com o bem-estar das crianças?

Estudos e pesquisas de opinião pública têm confirmado que a grande maioria dos brasileiros não quer a legalização do aborto.

Se a votação sobre aborto no Congresso Nacional terminar do jeito que o governo Lula espera, o povo brasileiro receberá um grande e amargo presente de Natal.

Fonte: www.juliosevero.com.br

Esse artigo também se encontra em inglês, no seguinte blog do autor:
www.lastdayswatchman.blogspot.com

[1] http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u106853.shtml

Outros artigos de Julio Severo sobre aborto:

Nos bastidores das campanhas para legalizar o aborto

Aborto: Tragédia ou Direito?

Aborto nos casos difíceis: um teste para os líderes evangélicos?

Atualização sobre a votação do aborto 29 de dezembro 2005

Devido a diversas manobras políticas, a votação sobre o aborto acabou não ocorrendo dia 6 de dezembro de 2005. A data dessa votação tem sido marcada e adiada por diversas vezes.

A questão do aborto é dificílima, pois a imprensa nada informa à população a fim de que as pessoas não consigam se mobilizar. Os políticos marcam uma data atrás da outra a votação do aborto, e depois desmarcam, a fim de que os que defendem a vida sejam num momento ou outro pegos de surpresa. Como os políticos pró-aborto não têm a aprovação da maioria, eles apelam para maquinações. Infelizmente, isso é a política do Brasil. Muitas vezes projetos são aprovados não porque o povo quer, mas porque determinado grupo de deputados maquinou melhor....

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