15 de outubro de 2005

A imigração como solução

A IMIGRAÇÃO COMO SOLUÇÃO

Julio Severo

Os países ricos estão com uma população jovem cada vez mais reduzida e com uma população idosa que, por causa dos avanços tecnológicos na área da saúde, vive mais e mais anos recebendo aposentadoria e sobrecarregando financeiramente os serviços de saúde. Esses países só vêem duas opções para tentar deter os problemas econômicos que já estão aparecendo no horizonte: incentivar as mulheres a ter famílias maiores ou incentivar em grande escala a entrada de imigrantes em seus países. Sem essas opções, a única perspectiva seria a aceitação compulsória da eutanásia para todos os idosos a partir de determinada idade, a fim de impedi-los de esgotar os recursos econômicos nacionais. Numa reunião sobre imigração em 1 de agosto de 1999, Antonio Fazio, o presidente do Banco da Itália, frisou a importância de aumentar a índice de natalidade e imigração para garantir o desenvolvimento econômico e social.[1]

Um importante documento mostra:

Os rápidos avanços na área da tecnologia médica, juntamente com as crescentes expectações sociais com relação à assistência e à cura, garantem que os gastos de assistência de saúde para os grupos de todas as idades continuarão a crescer mais rápido do que a economia na maioria dos países desenvolvidos. Essa tendência de custos é de maneira especial explosiva porque os idosos consomem entre três e cinco vezes mais serviços de saúde per capita do que as pessoas mais jovens.[2]

Em face desses problemas, os governos teriam de aumentar a idade de aposentadoria e fazer com que os trabalhadores trabalhem mais horas. Mas ao que tudo indica, nem isso seria suficiente para resolver plenamente a sobrecarga de uma população idosa grande demais. A Europa, por esse motivo, é forçada a receber 4 milhões de imigrantes anualmente para compensar a diminuição da população trabalhadora jovem.[3] Além disso, os europeus jovens terão de trabalhar mais horas para sustentar a previdência social e os idosos, com as medidas sociais que serão tomadas, terão de trabalhar mais anos e esperar a aposentadoria mais tarde na vida. O próprio conceito de idoso terá de ser modificado para que se alcance essa meta.[4]

Quem quer mais bebês?
Ainda que as esposas americanas e européias começassem agora a ter famílias numerosas, os resultados só começariam a aparecer daqui a uns 25 anos. Essa seria uma solução de longo prazo, mas nos EUA e Europa as famílias são materialistas demais para verem a chegada de mais crianças no lar como um investimento para o futuro do país. Aparentemente, no mundo materialista de hoje, só o cristão fiel a Deus conseguiria ver uma família numerosa como bênção (cf. Salmo 127:3-5). Apesar dos importantes incentivos financeiros do governo da Alemanha, França e Japão para os casais que tiverem mais filhos, muito poucas famílias estão aproveitando a oportunidade.

A grande maioria das esposas nesses países trabalha fora e não quer trocar um estilo de vida profissional e materialista por uma vida dedicada ao lar e aos filhos. Essa mudança de comportamento foi provocada por vários fatores. A Europa e os EUA sofreram décadas de campanhas desanimando os casais de querer famílias grandes. Ainda que Annie Besant tenha sido a principal responsável pelo lançamento desse tipo de propaganda no século XIX, foi só Margaret Sanger quem conseguiu aplicar com êxito as idéias de planejamento familiar de Besant. As duas, em seu radicalismo, jogavam sobre as famílias numerosas a culpa de todos os males sociais, desde a criminalidade até a fome. Com o tempo, até muitos casais evangélicos passaram a acreditar mais nas teorias delas do que nas promessas de Deus nos Salmos 127 e 128. Hoje a Europa e os EUA exportam e financiam essas campanhas no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

Imigração em massa: uma necessidade crescente
A revista Veja de 1 de agosto de 2001 alerta: “As economias da Europa, dos Estados Unidos e até do Japão precisam dos pobres, dos deserdados e dos aventureiros do Terceiro Mundo… Não se trata de humanitarismo. As razões são puramente econômicas. Sua lógica é simples. Os imigrantes, por mais pobres que sejam, geram riquezas nos lugares que os acolhem.”[5]

Embora a aceitação da imigração em massa não agrade a muitos americanos e europeus, eles são, devido às circunstâncias, obrigados a aceitá-la, para o bem da própria economia de seus países. Isso traz uma perspectiva interessante para eles e para nós. Mais do que nunca, eles vão precisar de nós para ajudá-los. Pode-se dizer que o futuro deles não mais pertence aos descendentes insuficientes que eles estão deixando, mas a todos nós, do Brasil e de outros países em desenvolvimento, que estivermos dispostos a emigrar para seus países. A imigração é agora vista como uma necessidade indispensável para a sobrevivência econômica das nações ricas. Um documento das Nações Unidas declara:

As projeções das Nações Unidas indicam que nos próximos 50 anos as populações de virtualmente todos os países da Europa e Japão enfrentarão declínio da população jovem e aumento da população idosa. Esses novos desafios… exigirão novas e mais abrangentes avaliações… com relação à migração internacional.[6]

Diante dessas tendências na estrutura da população, o documento propõe migração de substituição para oito países com baixa fertilidade (França, Alemanha, Itália, Japão, República da Coréia, Federação Russa, Reino Unido e Estados Unidos) e duas regiões (Europa e União Européia). O documento diz: “Migração de substituição refere-se à migração internacional que um país precisa para compensar a diminuição da população jovem e o aumento da população idosa causados por baixas taxas de natalidade e mortalidade”.[7]

Essa informação oficial da ONU nos ajuda a entender que, quer aceitem ou não sua realidade, os EUA e a Europa precisarão mais cedo ou mais tarde abrir suas portas para milhões de imigrantes — apenas para manter seu elevado padrão econômico. Nesse debate, não se coloca a questão do papel econômico do imigrante para livrar os idosos da eutanásia, porque a preocupação principal dos países ricos parece ser proteger seu próprio materialismo, não a vida humana.

A questão da imigração traz oportunidades importantes para os países ricos e para nós no Brasil. O jornalista americano Matt Marshall, num artigo publicado na revista alemã Deutschland, conta o caso de um brasileiro que se aventurou como imigrante e alcançou muito mais do que queria:

Romildo Wildgrube veio à Alemanha em 1992 em busca de trabalho. Encontrou emprego no Ministério federal dos Transportes, mas bem cedo o trabalho ficou monótono. A sua verdadeira paixão era o computador, diante do qual passava as noites, ampliando seus conhecimentos em alta tecnologia. Desiludido com a falta de perspectiva profissional, Wildgrube foi para os EUA em 1996. Enquanto ainda estudava inglês, encontrou uma colocação numa empresa de computação no Vale do Silício, onde ganhava 8 dólares por hora. Após seis meses, assumiu outro emprego em computação e passou a ganhar 25 dólares por hora. Em 1999, ele estava dirigindo o departamento de suporte de computador de uma jovem empresa de Internet, ganhando um salário de mais de 100.000 dólares por ano e, em pouco tempo, já possuía milhares de ações de diversas empresas. O valor dessas empresas subiu para mais do dobro do seu salário anual. Ele comprou uma casa na baía de São Francisco. Para ele, o “o sonho” americano tornou-se realidade. Mas Wildgrube fez mais — ele criou empregos nos EUA. Contribuindo para cobrir a necessidade de especialistas em computação de empresas americanas, ele ajudou outra empresa de computação a conquistar e firmar sua posição no mercado on-line internacional. A empresa Double-Click experimentou um crescimento enorme e se expandiu logo depois para outros países. Para preencher suas necessidades empresariais, a empresa teve de contratar mais empregados para a área de marketing e vendas, na maior parte americanos formados em áreas acadêmicas mais leves, como literatura, economia ou administração de empresa. Sem a afluência de estrangeiros com as respectivas experiências técnicas, essa empresa não teria conseguido essa expansão e sucesso — e os americanos não teriam conseguido emprego. Os americanos não estavam em condições de assumir esses empregos devido à falta de formação específica. E como a revolução da Internet começava a explodir, não havia tempo suficiente disponível para esperar até que jovens americanos tivessem concluído a devida formação nas escolas. Hoje, Wildgrube trabalha em outra empresa, onde a maioria de seus colegas de trabalho é russa. Ele e seus companheiros também ajudaram essa empresa a dar uma boa arrancada no mercado, o que teve como resultado a contratação de mais pessoas — por exemplo, Sean Murphy, de 25 anos, um americano que trabalha no setor de publicidade da empresa.[8]

A necessidade de mais trabalhadores nos países avançados está abrindo as portas de oportunidades para brasileiros com iniciativa como Romildo Wildgrube. Romildo teve a possibilidade de emigrar e, em vez de tirar o emprego de americanos, ele acabou contribuindo para a criação de mais empregos para eles. O jornalista Marshall avalia o desempenho e a iniciativa de Romildo: “Contribuindo para a implantação de empresas no setor das novas tecnologias, ele também contribuiu para que surjam novos empregos, que algum dia serão ocupados por jovens americanos”.[9]

As leis americanas permitem que empresas americanas tragam todos os anos em torno de 115.000 especialistas estrangeiros para trabalhar nos EUA por um limitado período de tempo, embora o número de vagas de trabalho ultrapasse 300.000.

Na Alemanha, o país mais forte da Europa hoje, a situação não é diferente. O jornalista Marshall comenta:

Na Alemanha existem atualmente 75.000 vagas de empregos sem cidadãos alemães treinados para preenchê-las. Segundo uma estimativa, essa escassez de trabalhadores subirá, em poucos anos, a 500.000 vagas. Além disso, há ainda outro problema: nas próximas três décadas o número de alemães com mais de 60 anos aumentará 50%, ao passo que o número de alemães entre 20 e 60 anos provavelmente diminuirá 50%, causando assim uma sobrecarga enorme no sistema de aposentadoria e bem-estar social da Alemanha. Se esse espaço vago não for preenchido com imigrantes, a Alemanha terá de optar por uma sociedade envelhecida, por uma economia de crescimento lento e nível elevado de preços. Um relatório publicado recentemente pelas Nações Unidas afirma que a Alemanha precisa anualmente de 500.000 imigrantes, se quiser manter estável o nível demográfico de sua população. Estima-se que nos próximos 50 anos a população alemã diminuirá entre 20 e 60 milhões de pessoas. E como no futuro também vai ser preciso varrer as ruas, dirigir os ônibus do transporte coletivo e executar as atividades administrativas do governo, temos de fazer uma pergunta: como é que sobrará pessoas para trabalhar para as empresas voltadas para a inovação?[10]

O jornal inglês Telegraph de 21 de julho de 2000 diz: “Sob a ameaça de uma população que está diminuindo, a Alemanha terá de importar milhões de trabalhadores migrantes para manter sua posição como a maior potência econômica da Europa”.[11] O governo da Alemanha tem tomado medidas para permitir a entrada anual de centenas de milhares de trabalhadores estrangeiros. Se as famílias alemãs tivessem tido mais filhos, haveria hoje perspectiva de trabalhadores suficientes para sustentar a economia e preencher os milhares de vagas de empregos que existem. Mas ainda que os casais alemães se dispusessem a ter famílias grandes agora, levaria anos até a nova “safra” estar pronta para o mercado de trabalho. Então, a solução mais imediata para impedir o colapso da economia são os imigrantes.

Até nos EUA, com todo o seu avanço tecnológico, há hoje mais de 300.000 de vagas de empregos no setor de tecnologia que os próprios americanos não estão conseguindo preencher. Parece não haver trabalhadores suficientes para essas funções. Por isso, empresas americanas estão lutando na justiça a fim de que a lei permita a distribuição anual de centenas de milhares de vistos especiais para que especialistas de outros países possam se instalar definitivamente nos EUA.[12]

Trabalhadores imigrantes oferecem muitos benefícios
A necessidade mais urgente no momento é de trabalhadores bem qualificados. Mas à medida que o tempo vai passando, a necessidade de jovens trabalhadores aumenta dramaticamente. Até mesmo setores menos especializados do mercado de trabalho nos EUA e Europa enfrentarão escassez de todos os tipos de trabalhadores, pois pessoas terão de ser contratadas para construir casas e prédios e outros serviços, como encanadores, eletricistas, etc. A probabilidade quase certa é que essa necessidade abrirá espaço para milhões de jovens que imigram em busca de melhores empregos. Um efeito positivo para o imigrante é que geralmente sua renda aumenta com um emprego numa nação avançada. Uma vantagem para os países desenvolvidos é que geralmente os imigrantes são jovens e contribuem positivamente para sustentar o sistema de aposentadoria dos idosos.

De acordo com o Dr. Julian Simon, economista americano de fama internacional, a imigração de pessoas de países pobres traz muitos benefícios para os países ricos: maior produtividade, padrão de vida mais elevado e um abrandamento da pesada sobrecarga social causada por crescentes proporções de dependentes idosos. E é claro que os imigrantes também se beneficiam. Até mesmo os países de origem se beneficiam com as transferências de dinheiro que os imigrantes mandam para suas famílias, e os laços de amizade entre os dois países melhoram.[13]

Em seu livro The Ultimate Resource (O Recurso Máximo), o Dr. Simon mostra que os imigrantes pagam muito mais impostos do que os custos dos serviços de assistência social e educação escolar que eles usam. Aliás, em média a família imigrante usa menos os serviços de assistência social e paga mais impostos do que em média paga a família natural do país. O motivo é que os imigrantes não são velhos, cansados e sem experiência. Geralmente, eles estão no auge da idade de trabalhar. O Dr. Simon consegue provar que os imigrantes acabam de diversas maneiras contribuindo positivamente para a economia do país.[14]

Havia época em que o interesse principal dos países ricos nos países pobres era as matérias-primas: indústrias americanas e européias buscavam ouro, prata, etc. A partir de hoje, essas indústrias estarão atrás de outro artigo de valor: jovens trabalhadores. Grandes empresas estão pressionando os governos da Europa e EUA para facilitar a entrada legal de trabalhadores estrangeiros em seus países.

Milhões de imigrantes trabalhando nos países ricos poderiam ajudar a evitar o colapso da economia e a sobrecarga do sistema de aposentadoria. Em parte a sobrecarga econômica está encorajando a aceitação da eutanásia, mas o maior culpado é a ausência de valores morais. O colapso da economia é previsto para um futuro não longe, porém o colapso da família e dos valores morais já é uma realidade inegável nos países ricos.

Diversas tendências hoje indicam que a aceitação legal ou social da eutanásia para os idosos em grande escala fará parte do futuro dos países ricos. É claro que os imigrantes poderão representar uma solução parcial ou ampla para o complicado problema da falta de jovens para sustentar o sistema de previdência e saúde pública, que são o principal apoio ao idoso. Mas é difícil analisar neste momento se a presença deles conseguirá afetar de alguma maneira como os europeus e americanos vêem a questão da eutanásia, aborto, etc.

Imigração missionária profética
O imigrante temente a Deus poderá desempenhar um papel importante em futuro bem próximo. Deus realmente poderá levantar “missionários” brasileiros para emigrar para os EUA e Europa. Deus lhes dará uma visão, unção e caráter profético que lhes permitirá dar um testemunho forte que defenda os bebês contra o aborto, as crianças e jovens contra o ativismo gay e os idosos e doentes contra a eutanásia. Sem mencionar que eles evitarão a contaminação dos valores sociais modernos que estão enfraquecendo os cristãos dos países ricos. Precisamos pois aproveitar essa oportunidade, pois até os ativistas homossexuais dos EUA estão lutando para que gays de países pobres possam imigrar para os EUA. [15]

Deus já está levantando brasileiros para o evangelismo internacional. Há hoje missionários brasileiros em muitos países necessitados e fechados para os missionários dos países ricos. Brasileiros estão sendo levantados para evangelizar muçulmanos, budistas, animistas, etc. Essa tendência está de acordo com a observação e discernimento de David Wilkerson, em seu livro profético Set the Trumpet to Thy Mouth. Ele diz:

Deus não precisa dos EUA para evangelizar o mundo. Falhamos nessa missão. Nosso país gasta mais dinheiro anualmente em comida de cachorro do que em missões... Um grande exército de testemunhas de todas as nações divulgará o Evangelho para todo o mundo. É a colheita final do Senhor. Agora mesmo o Espírito de Deus está levantando um grande número de testemunhas na China. A América do Sul e a África serão totalmente evangelizadas por testemunhas poderosas de seus próprios países. O México e a América do Sul estão abertos ao Evangelho, e Deus está levantando jovens evangelistas. Eles não precisarão de juntas missionárias, ordenação, grande quantia de dinheiro e equipamentos pomposos. Eles viverão com muito pouco dinheiro, como viviam os primeiros cristãos. Em curto tempo, eles cobrirão a terra com o Evangelho. E eles indicarão o juízo ardente de Deus sobre a despreocupada, rica e moderna Babilônia como sinal de que o fim está perto.[16]

David Wilkerson diz: “Creio que a Babilônia moderna são os Estados Unidos, inclusive sua sociedade corrupta e seu sistema eclesiástico adúltero”. [17] Essa perspectiva não está longe da realidade, pois os EUA têm há muito tempo se empenhado, através de meios diplomáticos, financeiros e políticos, na luta para legalizar o aborto em todos os países, inclusive no Brasil. Hoje o aborto, amanhã a eutanásia. O Rev. Wilkerson realmente acha que Deus usará cristãos dos países menos desenvolvidos para repreender os erros da moderna Babilônia. E já que Deus está levantando tantos brasileiros para o evangelismo internacional, o que o impediria de levantar profetas também?

O chamado de Deus para a imigração
Deus algumas vezes chama seus servos para uma imigração profética. Veja o caso de Abraão:

“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. Partiu, pois Abrão, como o Senhor lhe ordenara, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Abrão levou consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhes acresceram em Harã; e saíram a fim de irem à terra de Canaã; e à terra de Canaã chegaram. Passou Abrão pela terra até o lugar de Siquém, até o carvalho de Moré. Nesse tempo estavam os cananeus na terra. Apareceu, porém, o Senhor a Abrão, e disse: À tua semente darei esta terra. Abrão, pois, edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera”. (Gênesis 12:1-7)

Vários Salmos nos convidam a louvar o Senhor em outras nações. Tal convite é também um chamado para servirmos a ele em outros países. A melhor maneira de louvá-lo é viver uma vida de testemunho cristão que realmente glorifique e honre o nome de Jesus.

“Pelo que, ó Senhor, te louvarei entre as nações, e entoarei louvores ao teu nome”. (Salmo 18:49)

“Louvar-te-ei, Senhor, entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações”. (Salmo 57:9)

“Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos as suas maravilhas... Dizei entre as nações: O Senhor reina; ele firmou o mundo, de modo que não pode ser abalado. Ele julgará os povos com retidão.” (Salmo 96:3,10)

“Louvar-te-ei entre os povos, Senhor, cantar-te-ei louvores entre as nações”. (Salmo 108:3)

Houve época em que Deus abençoou grandemente países como o Brasil através da atividade de missionários americanos e europeus. Agora Deus poderá inverter tudo. Para que tenham sucesso em seu trabalho, os imigrantes “missionários” aos países ricos precisam entender um dos motivos por que a Europa e os EUA estão na situação em que estão.

A população desses países permite que o governo e as leis do ser humano tenham na vida deles um controle que só Deus deveria ter. Eles permitem que suas vidas sejam controladas do nascimento até a morte. Antes, quando as coisas ficavam difíceis, muitos deles recorriam a Deus. Hoje, eles recorrem ao governo. Se precisavam de emprego, recorriam a Deus. Agora, eles procuram o governo. Eles foram condicionados a deixar que o governo e as instituições tomem total controle de suas vidas. Até muitos cristãos acham que agora é o governo que tem de suprir solução para tudo e para todos. Em resumo, os habitantes dos países ricos aprenderam a depender mais do governo do que de Deus para suprir suas necessidades mais básicas. E é justamente a preocupação com a preservação dos recursos sociais que está predispondo esses governos a aceitar o aborto e a eutanásia.

Ameaça no horizonte
Agora, eles estão na situação em que estão, com uma perspectiva de futuro econômico incerto e com o sombrio espectro da eutanásia. Mas, apesar de tudo, a Europa e os EUA não parecem estar com vontade de receber milhões de imigrantes que, com certeza, poderão mudar consideravelmente o próprio destino étnico, cultural e religioso das nações ricas. Isso já aconteceu na Turquia e Norte da África, regiões que no passado eram predominantemente cristãs, e hoje são muçulmanas. Isso não poderia acontecer na Europa e EUA, se pelos menos os cristãos buscassem mais a Deus e estivessem dispostos a receber mais as bênçãos de Deus. (Cf. Salmo 127:5 BLH)

A organização evangélica Concerned Women for America, presidida por Beverly LaHaye[18], traz um importante alerta:

Temendo uma população muito reduzida, as Nações Unidas editaram um relatório convidando mais imigrantes a entrar nas nações industrializadas para compensar a diminuição da população jovem e o crescimento da população idosa. Já que as nações em desenvolvimento são alvo dos programas de planejamento familiar [dos países ricos], e considerando que suas populações jovens também começarão a diminuir, quem é que sobrará para emigrar?[19]

Depois de vermos tudo o que esses programas estão fazendo para as nações ricas, essa se torna uma questão importante para nós cristãos. Será que vamos deixar que esses programas roubem de nós as bênçãos de Deus? Pelo contrário, deveríamos deixar que os muçulmanos e outros que não querem saber de Deus se utilizem desses programas.

© Copyright 2004 Julio Severo. Proibida a reprodução deste artigo sem a autorização expressa de seu autor. Julio Severo é autor do livro O Movimento Homossexual, publicado pela Editora Betânia. www.juliosevero.com.br

[1] Immigrants are Positive Resource for Country, Zenit News Service, notícia divulgada na internet pela 1999, American Life League, Inc.
[2]Documento Global Aging: The Challenge of the New Millenium (Center for Strategic and International Studies: Washington DC: 1999), p. 10.
[3]Documento Global Aging: The Challenge of the New Millenium (Center for Strategic and International Studies: Washington DC: 1999), p. 17.
[4]Documento Global Aging: The Challenge of the New Millenium (Center for Strategic and International Studies: Washington DC: 1999), p. 23.
[5] Artigo A Solução que Vem de Fora, p. 80.
[6]Replacement Migration: Is it a Solution to Declining and Ageing Populations? (Department of Economic and Social Affairs/Population Division/ United Nations: New York-USA, 20 de março de 2000).
[7]Replacement Migration: Is it a Solution to Declining and Ageing Populations? (Department of Economic and Social Affairs/Population Division/ United Nations: New York-USA, 20 de março de 2000).
[8] Matt Marshall, Green Card Initiative (Societäts-Verlag: Frankfurt, Alemanha, junho/julho de 2000), pp. 9,10.
[9] Matt Marshall, Green Card Initiative (Societäts-Verlag: Frankfurt, Alemanha, junho/julho de 2000), p. 10.
[10] Matt Marshall, Green Card Initiative (Societäts-Verlag: Frankfurt, Alemanha, junho/julho de 2000), p. 10.
[11] James Drake & Julius Strauss, Shrinking population threatens German economy: www.telegraph.co.uk
[12] Matt Marshall, Green Card Initiative (Societäts-Verlag: Frankfurt, Alemanha, junho/julho de 2000), p. 11.
[13] Julian L. Simon, The Ultimate Resource, People, Materials, and Environment (College of Business and Management, University of Maryland: College Park, EUA, s.d.). Dr. Brian Clowes, Pro-Life Library CD-Rom. Ó 2000 Human Life International.
[14] Julian L. Simon, The Ultimate Resource, People, Materials, and Environment (College of Business and Management, University of Maryland: College Park, EUA, s.d.). Dr. Brian Clowes, Pro-Life Library CD-Rom. Ó 2000 Human Life International.
[15] Veja o capítulo 117 de: Dr. Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. Pro-Life Library CD-Rom. Ó 2000 Human Life International.
[16] David Wilkerson, Set the Trumpet to Thy Mouth (World Challenge, Inc: Lindale, EUA, 1985), p. 26.
[17] David Wilkerson, Set the Trumpet to Thy Mouth (World Challenge, Inc: Lindale, EUA, 1985), p. 3.
[18] A Dra. LaHaye é co-autora de O Ato Conjugal, um dos livros mais vendidos da Editora Betânia.
[19] Catherina Hurlburt, It Started in America: How U.S. tax dollars hurt Peruvian women, 11 de maio, 2000. Citada na seção Life de Concerned Women for America (www.cwfa.org), uma organização, evangélica presidida pela Drª Beverly LaHaye.

Um comentário:

gustavo henrique disse...

Muito bom texto. Só não leva em conta como os brasileiros são tratados atualmente naqueles países. Primeiro o governo tem de exigir tratamento digno aos brasileiros na Europa e EUA. Quando vão levados pelas máfias que dominam aqueles países nada de fiscalização, porém para trabalhar dentro da lei as dificuldades são enormes. Corrupção não é privilégio do Brasil.