13 de maio de 2005

Valeu a pena a II Guerra Mundial?

Valeu a pena a II Guerra Mundial?

Patrick Buchanan


© 2005 Creators Syndicate Inc.


No debate de Bush versus Putin sobre a II Guerra Mundial, Putin teve de longe a tarefa mais difícil. Defendendo o registro histórico da Rússia na “Grande Guerra Patriótica”, o presidente russo declarou: “Nosso povo não só defendeu sua pátria, mas também libertou 11 países europeus”.


Esses países são, presumivelmente: Lituânia, Letônia, Estônia, Polônia, Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária, Iugoslávia e Finlândia.


Para confirmar se a Rússia realmente libertou esses países, poderíamos fazer uma pesquisa perguntando aos filhos e filhas da geração que sobreviveu à libertação do Exército Vermelho que pilhou, estuprou e matou em todo o seu trajeto através da Europa. Como na Floresta de Katyn, esse exército eliminou os verdadeiros heróis que lutaram para preservar o caráter nacional e cristão dos países europeus.


Para Bush, essas nações não foram libertas. “Ao marcarmos uma vitória de seis décadas atrás, lembramo-nos de um paradoxo”, disse ele:


Para grande parte da Europa Oriental e Central, a vitória trouxe o domínio cruel de outro império. O dia da vitória marcou o fim do fascismo, mas não terminou a opressão. O acordo de Yalta seguiu a tradição injusta de Munique e do Pacto Molotov-Ribbentrop. Mais uma vez, quando governos poderosos negociaram, a liberdade de nações pequenas foi de certo modo descartável… O cativeiro de milhões na Europa Oriental e Central será lembrado como um dos grandes erros da história.


Bush revelou a verdade terrível sobre o que realmente triunfou na II Guerra Mundial em toda a Europa Oriental. E não foi a liberdade. Foi Stálin, o ditador mais detestável do século. Onde Hitler matou seus milhões, Stálin, Mao, Ho Chi Minh, Pol Pot e Castro mataram suas dezenas de milhões.


O comunismo foi a Peste Negra do Século 20.


As verdades que Bush declarou corajosamente em Riga, Letônia, trazem à tona perguntas que há muito permaneceram escondidas, enterradas ou ignoradas.


Se o Acordo de Yalta traiu nações pequenas e foi tão imoral quanto o Pacto Molotov-Ribbentrop, por que veneramos Winston Churchill e Franklin Delano Roosevelt? Em Yalta, Churchill e Roosevelt entregaram, em segredo, essas pequenas nações para Stálin, assinando a “Declaração da Europa Liberta”, um documento cínico que foi uma mentira monstruosa.


Já que Roosevelt e Churchill entregaram esses povos ao inferno de Stálin, então por que eles não são colocados nos livros de história ao lado de Neville Chamberlain, que em Munique entregou os tchecos ao dar os Sudetos à Alemanha? Pelo menos os alemães dos Sudetos queriam ficar com a Alemanha. Contudo, nenhum dos povos cristãos da Europa jamais aceitou seus captores soviéticos ou os traidores a serviço de Stálin.


Outras perguntas também vêm à tona. Se a Inglaterra agüentou a guerra durante seis anos e teve milhares de mortos numa guerra que os ingleses declararam para defender a liberdade da Polônia, e a liberdade da Polônia acabou sendo exterminada pelo comunismo, como é que podemos dizer que a Inglaterra ganhou a guerra?


Se o Ocidente entrou na guerra para impedir Hitler de dominar a Europa Oriental e Central, e essas regiões terminaram debaixo de uma ditadura ainda mais detestável, conforme Bush indica, pode-se dizer que a civilização ocidental ganhou a guerra?


Em 1938, Churchill queria que a Inglaterra lutasse pela Tchecoslováquia. Chamberlain não aceitou. Em 1939, Churchill queria que a Inglaterra lutasse pela Polônia. Chamberlain concordou. No fim da guerra Churchill conseguiu o que queria: a Tchecoslováquia e a Polônia estavam sob a ditadura do império de Stálin.


Como é que, então, os homens podem proclamar Churchill como o “Homem do Século”?


É verdade que as tropas americanas e inglesas libertaram a França, a Holanda e a Bélgica da ocupação nazista. Mas antes que a Inglaterra declarasse guerra contra a Alemanha, a França, a Holanda e a Bélgica não precisavam ser libertas. Essas nações já eram livres, e só foram invadidas e ocupadas depois que a Inglaterra e a França declararam — em favor da Polônia — guerra contra a Alemanha.


Quando paramos para pensar nas perdas que a Inglaterra e a França sofreram — centenas de milhares de mortos, privação, falência, o fim de impérios — valeu a pena a II Guerra Mundial, considerando que de todo jeito a Polônia e todos outros países da Europa Oriental foram completamente abandonados e entregues à opressão comunista?


Se o objetivo do Ocidente era a destruição da Alemanha nazista, foi um sucesso “esmagador”. Mas por que destruir Hitler? Se foi para libertar os alemães, não valeu a pena. Afinal, Hitler subiu ao poder através do processo democrático, recebendo voto dos próprios alemães.


Se foi para impedir Hitler de atacar a Europa Ocidental, por que declarar guerra contra ele e levá-lo a atacar a Europa Ocidental? Se foi para manter Hitler fora da Europa Oriental e Central, então o destino já era certo: Stálin era que ficaria mesmo com essas regiões.


Valeu a pena lutar uma guerra mundial — com 50 milhões de mortos?


A guerra que a Inglaterra e a França declararam para defender a liberdade da Polônia acabou tornando a Polônia e toda a Europa Oriental e Central escravos do comunismo. E nas festividades de Moscou, americanos e russos estavam na frente e centro, sorrindo — mas os ingleses e os franceses não. Dá para compreender.

Sim, Bush tocou numa questão que ainda vai trazer muitos problemas imprevisíveis.

Patrick J. Buchanan concorreu duas vezes à candidatura presidencial do Partido Republicano. Ele é também fundador e editor da revista
The American Conservative. Atualmente, ele trabalha como analista político da MSNBC e colunista sindicalizado. Ele assessorou três presidentes na Casa Branca e é autor de sete livros.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br

Fonte: http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=44210

Um comentário:

andré disse...

Excelente artigo!