6 de maio de 2005

Quem sustentará os idosos?

QUEM SUSTENTARÁ OS IDOSOS ?

Julio Severo


Notícia da CNN:

ESTOCOLMO — O lendário campeão sueco de tênis Bjorn Borg pediu aos europeus que “produzissem” mais bebês a fim de garantir que existam pessoas suficientes no futuro para financiar as pensões dos aposentados do continente.
O jornal Dagens Industri publicou na sexta-feira passada um anúncio em inglês em que Borg aparece rodeado de parteiras.
“Temos um problema delicado no mundo ocidental: não estão nascendo bebês suficientes”, diz o tenista no jornal.
“Se não acontecer nada drástico imediatamente não haverá ninguém capaz de trabalhar para garantir nossas pensões...”
[1]

Muitos especialistas que alertavam o mundo sobre uma possível explosão demográfica agora se encontram sem explicações convincentes para suas alegações. Ninguém sabe como é que os países ricos conseguirão sair das dificuldades que foram criadas por décadas de campanhas que diziam aos casais que trazer mais seres humanos ao mundo equivaleria a trazer mais problemas. Agora o problema é justamente o contrário. A principal preocupação das próximas décadas será um tamanho de população economicamente ativa bem abaixo do normal nas regiões ricas do mundo. Conforme mostra a ONU, a maioria das nações industrializadas terá de abrir suas portas para milhões e milhões de trabalhadores dos países menos ricos para preencher as necessidades econômicas de populações ricas envelhecidas.

ONU DIVULGA ADVERTÊNCIA DE QUE EM FUTURO PRÓXIMO A POPULAÇÃO DE VÁRIOS PAÍSES RICOS ESTARÁ ABAIXO DO NÍVEL NORMAL

Nova Iorque, 31 de março de 2000 — Indo contra décadas de advertências sobre taxas de fertilidade altas e explosão demográfica, a ONU publicou recentemente um relatório de um problema novo: declínio de população. O Secretariado da Divisão de População da ONU diz em seu relatório Replacement Migration que em muitos países a única esperança de manter os atuais níveis de populações trabalhadoras é abrir as portas para os imigrantes em números que muitos podem achar alarmantes.
O estudo examinou dados demográficos de oito países: França, Alemanha, Itália, Japão, República da Coréia, a Federação Russa, o Reino Unido e os Estados Unidos. O relatório reflete decisões políticas feitas por governos durante meio século para diminuir a taxa de fertilidade de seus cidadãos. O resultado é que muitos países estão experimentando um fenômeno novo chamado "fertilidade abaixo do nível de substituição", que significa que os casais não mais estão tendo bebês suficientes para substituir os atuais trabalhadores. A ONU informou que 61 nações estão agora com uma fertilidade bem baixa e o nível populacional de outros países também já está se aproximando dessa situação crítica.


As conseqüências a longo prazo da baixa fertilidade são o envelhecimento elevado da população e eventual declínio da população jovem. Além disso, esses países enfrentam o problema da diminuição no número total de trabalhadores entre 15 e 65 anos. O estudo prediz que o número necessário de imigrantes para equilibrar a diminuição da população é elevado. Os níveis de imigrantes necessários terão de ser muito grandes para compensar as populações dos países ricos que estão envelhecendo e diminuindo. O Japão, por exemplo, precisará receber 10 milhões de imigrantes por ano para compensar o esvaziamento dos cidadãos em idade ativa de trabalho. A União Européia precisará de 13 milhões por ano. O relatório afirma que os líderes políticos terão nas próximas décadas de lutar com muitas questões críticas por causa de dois fatores: envelhecimento da população e resistência a imigração em massa. Já se considera a possibilidade de que as leis estabeleçam que os trabalhadores se aposentem com mais idade. Haverá também mudanças nos benefícios médicos e previdenciários, e os trabalhadores ativos terão de pagar mais para o sustento financeiro dos aposentados.
[2]

A única solução que a ONU consegue indicar para a grande perda de população jovem nos países ricos é receber mais imigrantes dos países em desenvolvimento. Mas talvez nem isso baste. O Sr. Paul Hewitt, diretor do projeto Iniciativa do Envelhecimento Global do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, me explicou: “Soube recentemente que 17 por cento da população da Suíça nasceu no exterior. Mas o que é significativo é que nada disso será suficiente para resgatar dramaticamente o sistema de aposentadoria dos idosos”.
[3]

O futuro dos EUA e da Europa
No curso dos próximos 25 anos, informa o boletim americano Population Research Institute Review, a estrutura de idade da população mundial continuará a mudar e os idosos serão uma parte cada vez maior da população total do mundo.
[4] As projeções oficiais das Nações Unidas indicam que na Europa e América do Norte a população idosa de mais de 65 anos crescerá e chegará a um total de 1 bilhão e 300 mil pessoas no ano 2025, enquanto a população de 0 a 14 está diminuindo sem parar.[5] O envelhecimento da população e a diminuição no número de nascimentos e de jovens nos países desenvolvidos são um dos problemas mais dramáticos que o século 21 terá de enfrentar. Só na Alemanha há hoje quase 400 mil cidadãos com mais de 90 anos de idade. Em 2030 os idosos do Japão, Alemanha e Itália poderão passar dos 40% da população geral.[6]

Os países da Europa já estão sentindo os profundos efeitos demográficos por causa do baixo índice de natalidade: Há um número cada vez menor de jovens na força de trabalho. O resultado é que haverá menos trabalhadores ativos para sustentar mais aposentados. Essa situação criará grande pressão nos sistemas de seguridade social e planos de aposentadoria. Causará também um enorme aumento nos custos de assistência à saúde. Não é sem razão, pois, que os países europeus estão sofrendo forte pressão para aceitar a eutanásia.[7]

Conforme as projeções da ONU, a Europa será a região do mundo mais atingida pelo envelhecimento. No ano de 2050, haverá quase três pessoas acima de 65 anos para cada jovem de menos de 15 anos. Um em cada três europeus terá mais de 60 anos. As outras regiões mais atingidas pelo envelhecimento serão a América do Norte, a Oceania, a Ásia e a América Latina, nessa ordem.
[8] O Prof. Michel Schooyans, da Universidade de Louvain na Bélgica, acha que essa situação “causará migrações incontroláveis, o colapso dos sistemas de previdência social e educação, conflitos entre as gerações mais jovens e as mais velhas…”[9]

A situação européia é tão crítica que o Presidente da França, Jacques Chirac, exclamou: “A Europa está desaparecendo… Logo nossos países estarão vazios”.[10] O perigo maior é que esse esvaziamento da população européia abrirá espaço e oportunidades para as multidões de muçulmanos ansiosos para habitar o continente europeu. Por séculos os muçulmanos tentaram invadir e dominar a Europa, sem sucesso. Contudo, hoje enquanto os europeus estão brincando de sexo, as famílias imigrantes muçulmanas estão multiplicando seus bebês aos milhares e educando-os fielmente na sua religião. Já que até os casais evangélicos europeus não mais desejam se multiplicar e criar uma geração para Jesus, as famílias muçulmanas querem aproveitar e encher o território europeu com seus próprios jovens para avançar o islamismo.

Mark Steyn escreveu no jornal Chicago Sun-Times de 27 de fevereiro de 2005:

“Os problemas da Europa — seus programas sociais que já estão fora das possibilidades econômicas, sua demografia que já está no leito de morte, sua dependência de números de imigrantes que nenhuma nação estável já conseguiu absorver com sucesso — foram todos criados pela própria Europa. As projeções de alguns especialistas indicam que 40 por cento da população da União Européia será muçulmana no ano 2025. O que já é realidade é que semanalmente mais pessoas freqüentam as orações de sexta nas mesquitas do que os cultos de domingo nas igrejas cristãs”.[11]

Problemas econômicos na área da saúde
Ao comentar a situação européia, um jornal britânico escreveu em 1993:


A História mostra que a diminuição da população jovem é um fenômeno que pode colocar a economia em crise e até destruí-la. Essa diminuição põe uma pesada carga sobre os jovens, que terão de sustentar um número cada vez maior de velhos. Essa situação, em vez de abrir espaço para a prosperidade, tende a fazer com que as sociedades sejam destruídas, por causa da diminuição da compra e venda de produtos e serviços e da diminuição das oportunidades.[12]

Será que uma população jovem cada vez menor conseguirá continuar pagando as despesas médicas dos idosos? Hoje debate-se a questão da necessidade de controlar os gastos na assistência hospitalar aos idosos, e esse debate só tende a aumentar, pois vários problemas econômicos graves ameaçam em futuro próximo sobrecarregar completamente o sistema de saúde pública.

A preocupação maior é o fato de que as despesas geralmente aumentam nos últimos meses de vida de um idoso. Alguns países já estão colocando limites de idade para certos tratamentos. Quando consideram a questão da prestação de serviços de saúde, os especialistas médicos agora vêem os fatores econômicos como mais importantes do que as necessidades das pessoas. As elevadas despesas que alguns pacientes dão estão levando muitos políticos, hospitais e médicos a verem a eutanásia como uma alternativa fácil e barata para resolver problemas econômicos. Na Suíça, o departamento de saúde de Zurique autorizou oficialmente suicídios com assistência médica nos asilos para idosos. No entanto, por motivos óbvios, o governo não mencionou a questão dos gastos dos idosos, mas preferiu se limitar a afirmar que a medida foi tomada para “valorizar o direito de autodeterminação” dos idosos.
[13]

Um ativista pró-eutanásia declarou:

A maioria dos estudantes de economia, principalmente economia na área médica, concorda que é urgente e absoluta a necessidade de conter os gastos médicos. A questão que nos divide é de que modo deveremos fazer isso. O primeiro passo é admitir a cruel necessidade de racionar a assistência médica. O segundo é limitar a assistência médica¼ Como é que decidiremos quem deverá receber os escassos recursos médicos?¼ O que deveremos mais considerar, obviamente, é a idade. [14]

As sociedades de hoje que por motivos econômicos apóiam a limitação de nascimentos terão no futuro de apoiar, pelos mesmos motivos, a limitação no número de doentes, deficientes e idosos e outras pessoas que dão despesas pesadas para o governo.

Mais velhos, menos jovens
Em vários países avançados, as autoridades estão começando a se preocupar com o fato de que hoje há mais mortes do que nascimentos e mais idosos do que crianças. Uma das conseqüências mais sérias do envelhecimento da população é o risco de o sentimento de solidariedade entre as gerações sofrer danos. Essa perda de solidariedade poderia fazer com que as gerações brigassem para ver quem é que ficará com os recursos econômicos ou em quem esses recursos serão investidos: nos mais jovens ou nos mais velhos. É exatamente por causa da preocupação com os fatores econômicos que a eutanásia está ganhando a simpatia dos europeus e americanos materialistas.


Não há dúvida de que os idosos serão os candidatos mais fortes à eutanásia futuramente. Desde que começou a apoiar leis de aborto, os EUA e a Europa aprenderam a conviver com o desrespeito ao valor da vida humana. E esse desrespeito poderá se estender a qualquer grupo de pessoas que não se encaixar nos padrões da sociedade ou que for um peso grande demais para o estilo de vida egoísta, consumista e materialista das pessoas de hoje.


Por causa de fatores econômicos, os pais que escolheram ter menos filhos para ter mais bens materiais poderão algum dia não só ter menos pessoas para sustentá-los, mas também enfrentar seus filhos igualmente materialistas que, por causa de fatores econômicos semelhantes, apoiarão a eutanásia para ajudar a sociedade a ter menos “velhos inúteis que só dão despesas”.


O envelhecimento da população vem sendo acompanhado pela destruição do sistema de apoio familiar tradicional que sustentava em casa as crianças, os dependentes e os idosos.
[15] Nos países desenvolvidos, a valorização de bens materiais é mais alta do que uma estrutura familiar tradicional onde a maior riqueza são os filhos e a própria unidade da família.

O Instituto de Pesquisa de População nos EUA, em seu boletim de janeiro de 2000, alerta:

Neste ano, pela primeira vez na História, haverá nos países industrializados mais pessoas com 60 anos do que crianças com a idade de até 14 anos. O crescimento da população idosa levará os velhos a dependerem mais de um número cada vez menor de jovens trabalhadores para sustentá-los… Com a queda mundial nas taxas de natalidade, o número de trabalhadores diminuirá. As conseqüências econômicas da diminuição da população jovem virão em seguida. Conforme diz o economista Peter Drucker, são necessários trabalhadores para garantir a prosperidade e a estabilidade econômica de qualquer país. Em muitas nações por todo o mundo, será difícil, ou até mesmo impossível, uma população trabalhadora cada vez menor sustentar um número cada vez maior de aposentados. [16]

O mesmo boletim dá a informação de que nos Estados Unidos a população economicamente ativa está diminuindo: “No começo de novembro de 1999, Alan Greenspan, Presidente do Federal Reserve, apresentou um relatório declarando que a diminuição no número de trabalhadores estava ameaçando a competitividade de mercado e a produtividade americana”.
[17] Uma das soluções que ele apontou para resolver esse grave problema é permitir a entrada de mais imigrantes nos EUA.

Por que há menos trabalhadores jovens?
Há muitos fatores que estão contribuindo para o baixo número de nascimentos hoje. As pessoas estão casando menos e os que querem se casar preferem entrar no matrimônio mais tarde, em grande parte para continuar estudando mais tempo. Enquanto no passado recente, e até nos tempos bíblicos, o casamento ocorria geralmente antes dos 18 anos para a mulher, hoje é bem depois dos 20 anos. Embora se casem mais tarde, os jovens estão tendo experiências sexuais cada vez mais cedo. Há também o crescimento no número de divórcios. E as famílias que sobrevivem à onda de divórcios e separações estão tendo menos e menos filhos. O que mais tem desanimado as famílias de hoje de querer mais que dois filhos são as responsabilidades profissionais do pai e da mãe que trabalham fora. Talvez a mudança mais profunda a atingir as famílias seja o relacionamento entre o casal e o trabalho profissional fora do lar nas décadas recentes. Essa mudança reflete a participação das esposas e mães no mercado de trabalho.


A proporção de mulheres casadas que trabalham fora aumentou em todos os países industrializados. Na Austrália, por exemplo, a percentagem de mulheres casadas no mercado de trabalho fora do lar pulou de 29 por cento em 1966 para 53 por cento em 1998. Metade das mães australianas com filhos de menos de 4 anos de idade trabalham fora agora. No Reino Unido, em 60 por cento dos casais com filhos as mães trabalham fora. Nos Estados Unidos, a participação no mercado de trabalho das mulheres casadas com filhos de menos de 6 anos aumentou de 18 por cento em 1960 para 59 por cento em 1993.
[18] Mulheres casadas que trabalham fora costumam ter um ou dois filhos, ou às vezes nenhum. Isso bem pode explicar a diminuição no número de nascimentos.

A eutanásia, felizmente, não é realidade entre nós. Apesar de não ser economicamente tão avançado quanto as nações européias, o Brasil não está enfrentando a difícil situação de envelhecimento da população e escassez de jovens que a Europa já está começando a sofrer. Esse é o motivo mais importante para a ausência da eutanásia em nosso país. Mas o índice de natalidade está caindo entre nós, graças aos investimentos em massa que os EUA e a Europa fazem para reduzir a população jovem dos países menos desenvolvidos. Milhões de dólares são gastos para financiar a expansão dos programas de planejamento familiar, educação sexual e aborto legal no Brasil. Se essa situação continuar, futuramente o Brasil também terá de se preocupar com questões como envelhecimento da população, escassez de jovens e… eutanásia.

Família: previdência natural
O dever dos filhos é retornar seu amor e assistência quando seus pais precisarem depender da ajuda de outros por causa da idade, pobreza ou doença. Há o exemplo bíblico do Rei Davi, que manteve os pais consigo e cuidou deles em sua velhice.


O Dr. Allan Carlson, presidente do Howard Center e líder evangélico pró-família, diz:

Nos séculos antes da existência da aposentadoria pública, os incentivos econômicos dentro da família uniam fortemente as gerações. Os adultos em seus anos produtivos sustentavam seus pais na velhice deles, pois essa era uma obrigação que o sistema cultural impunha. Ao mesmo tempo, esses adultos tinham um forte incentivo para gerar e criar filhos, para garantir a própria segurança e assistência no futuro. Em resumo, a família tradicional incentivava o nascimento de filhos. Contudo, sob o regime de seguro social cujo foco é a aposentadoria dos idosos, os incentivos mudaram. Comumente, agora os benefícios são pagos assim: através de impostos, a renda é transferida dos atuais trabalhadores para os atuais aposentados. Por causa disso, os laços de segurança econômica entre três gerações da família foram cortados. Hoje, ainda que um indivíduo não tenha nenhum filho, ele conseguirá melhorar seu padrão de vida sem interferência e sem sofrer conseqüências no futuro, pois os impostos já são compulsoriamente descontados da renda e da folha de pagamento. Aliás, a reação lógica então se torna: “Filhos custam muito dinheiro e tempo e fazem muito barulho. Que outra pessoa tenha os filhos que me sustentarão na minha velhice”.[19]

O conceito de previdência social, com seu sistema de aposentadoria, tem uma existência relativamente recente. Nasceu há poucas décadas e não tem probabilidade de durar muitos anos. Por séculos o que existia era a “previdência natural”: Os filhos cuidavam dos pais na velhice e quanto mais filhos e filhas um homem tinha, melhor “assistência” ele teria na velhice. Se os filhos eram cristãos fiéis a Jesus, os pais tinham o conforto e a segurança de passar seus últimos dias no acolhimento da própria família em vez de ficarem abandonados e deprimidos em algum asilo ou instituição de caridade.


Um dos Dez Mandamentos, por exemplo, ordena o respeito aos pais. E Jesus explica que uma maneira de respeitar os pais é dedicar uma parte de nossos recursos para ajudá-los. Respeitar, nesse sentido, seria também acolhê-los, uma prática que as famílias evangélicas do passado nunca deixaram de lado. E Jesus fortemente repreendeu os religiosos de sua época que não queriam praticar tal respeito. Ele disse que não devemos evitar essa responsabilidade nem mesmo com a desculpa de servir a Deus (cf. Mateus 15:3-6).


Hoje não precisamos mais “honrar” nossos pais, pois pensamos que o governo já faz isso através da previdência social. Mas até quando o governo terá condições de sustentar os idosos? Os governos europeus já estão enfrentando sérias dificuldades nessa área, porém mesmo que as famílias européias escolhessem cuidar de seus parentes idosos, por quanto tempo seria possível sustentá-los?


Enquanto a família européia de um século atrás era constituída normalmente de um casal com uma média de seis filhos, a família européia de hoje é composta somente por uma ou duas crianças. Assim, se um casal europeu de hoje fosse precisar dos filhos para ajudá-los na velhice, eles só teriam um ou dois¼ Esse é um dos motivos por que os europeus acham mais fácil colocar os idosos em asilos.


A Bíblia diz: “Mas, se alguma mulher cristã tem viúvas na sua família, deve cuidar delas…” (1 Timóteo 5:16a BLH) Tanto o homem quanto a mulher devem honrar os pais, mas o significado óbvio dessa passagem é que Deus entregou principalmente às mulheres cristãs a responsabilidade de tomar conta dos parentes dependentes. Mas o papel da mulher hoje tem sido tão radicalmente mudado pelas idéias feministas que as esposas têm tantas responsabilidades fora do lar que não lhes sobra tempo, e muitas vezes nem interesse, para desempenhar plenamente o importante chamado do lar que Deus lhes deu.


O livro De Volta Ao Lar, escrito pela ex-feminista Mary Pride, revela o motivo por que as famílias não mais são a principal fonte de assistência aos parentes dependentes:


Mas as pessoas esperam cada vez mais que o governo desempenhe essa responsabilidade. O demógrafo Joseph McFalls, da Universidade de Temple, comenta: “As famílias estão renunciando a algumas de suas funções e as estão entregando ao governo. As famílias costumavam ser responsáveis pela educação dos filhos e pela assistência aos idosos. Mas agora é o governo que faz as duas coisas”.

O Dr. Allan Carlson diz:

Até mesmo o movimento de mulheres casadas entrando no mercado de trabalho em décadas recentes tem uma ligação especial com governos preocupados principalmente com programas sociais. Os dados mais claros vêm da Dinamarca, e mostram que o número de donas de casa nesse país diminuiu em 579 mil mulheres, entre 1960 e 1981. Nesse período, o número de empregados no setor público aumentou para 532 mil. Ao mesmo tempo, dois terços da expansão da força de trabalho na Dinamarca ocorreram em apenas três áreas: creches e assistência aos idosos (25%); hospitais (12%); e as escolas (27%). Ajunte todos esses dados, e o que dá para ver é mulheres deixando as tarefas de criar os filhos e cuidar dos idosos no lar, a fim de trabalharem para o governo nos mesmos tipos de empregos. Contudo, há uma diferença: elas fazem esse trabalho com menos eficiência, pois as crianças e idosos de quem elas agora cuidam não são parentes delas e elas não têm nenhum interesse verdadeiro neles. Além disso, elas recebem seus salários dos fundos obtidos mediante a cobrança de mais impostos¼[20]

Esposas que trabalham, geralmente, preferem ter o menor número possível de filhos. Essa preferência está colaborando para trazer um futuro onde haverá menos trabalhadores jovens para sustentar os aposentados.


Hoje os especialistas em questões demográficas acham que está para vir uma situação de ameaça, onde haverá muitos recursos, mas um número insuficiente de pessoas para organizar e alimentar a maioria dos idosos. Já que a mentalidade pró-eutanásia está se espalhando em vários países, principalmente na Holanda, há razões para nos preocuparmos que slogans tais como “morrer com dignidade” e “morte com compaixão” serão defendidos normalmente como uma solução para resolver o complicado problema de sustentar uma população de aposentados grande demais.

© Copyright 2004 Julio Severo. Proibida a reprodução deste artigo sem a autorização expressa de seu autor. Julio Severo é autor do livro O Movimento Homossexual, publicado pela Editora Betânia. E-mail:
juliosevero@hotmail.com

Fonte:
www.juliosevero.com.br

[1] http://cnn.com.br/2001/curiosidades/03/12/bjorn/index.html
[2] Conforme informações divulgadas pelo C-FAM, um instituto de defesa da família e dos direitos humanos que monitora as atividades na ONU. Nova Iorque, 31 de março de 2000.
[3] Comunicação pessoal do Sr. Paul Hewitt para Julio Severo através de email, em 7 de julho de 2000.
[4]Population Research Institute Review (PRI: Front Royal-EUA, agosto-setembro de 1999), p. 4.
[5]Drª Nafis Sadik, Making a Difference: Twenty-five Years of UNFPA Experience (Fundo de População das Nações Unidas: Nova Iorque-EUA, 1994), p. 48, 49.
[6]Situação da População Mundial (Fundo de População das Nações Unidas: Nova Iorque-EUA, 1998), p. 11.
[7] Dr. Brian Clowes, The Facts of Life (HLI: Front Royal-EUA, 1997), p. 300.
[8]Population Research Institute Review (PRI: Front Royal-EUA, agosto-setembro de 1999), p. 4.
[9]Michel Schooyans, We Have Met the Enemy and He Is Us in Celebrate Life (American Life League: Stafford-EUA, 1999), p. 13.
[10]George Grant, Grand Illusion: The Legacy of Planned Parenthood (Adroit Press; Franklin-EUA, 1992), p. 39.
[11] http://www.suntimes.com/output/steyn/cst-edt-steyn27.html
[12]Eamonn Keane, Population and Development (HLI: Australia, 1994), p. 34
[13] Pro-Life E-News, 21 de agosto de 2000.
[14] Willard Gaylin. Citado no capítulo 106 de: Dr.Brian Clowes, The Pro-Life Activist’s Encyclopedia. Pro-Life Library CD-Rom. Ó 2000 Human Life International.
[15]Situação da População Mundial (Fundo de População das Nações Unidas: Nova Iorque-EUA, 1998), p. 4.
[16]Population Research Institute Review (PRI: Baltimore-EUA, janeiro-fevereiro de 2000), p. 10.
[17]Population Research Institute Review (PRI: Baltimore-EUA, janeiro-fevereiro de 2000), p. 8.
[18] Kevim & Margaret Andrews, Rebuilding a Culture of Marriage, The Family in America (The Howard Center: Rockford, EUA, outubro de 1998), p. 3.
[19] Dr. Allan Carlson, The Family, Public Policy & Democracy, The Family in America (The Howard Center: Rockford, EUA, agosto de 1998), p. 4.
[20] Dr. Allan Carlson, The Family, Public Policy & Democracy, The Family in America (The Howard Center: Rockford, EUA, agosto de 1998), p. 5.

Um comentário:

Renato Maués disse...

Meu caro irmão em Cristo,

Interessante notar como nosso Deus é o Senhor da História. Sua palavra nunca muda apesar de os homens insensatos tentarem ridicularizá-la, mas não conseguirão. Os mesmos especialistas alardeadores da "explosão demográfica" agora estão confusos, sabem porquê? Deus confunde os sábios a seu tempo.

Fique na paz irmão, você verdadeiramente cumpre sua missão de esclarecer a todos nós em seus artigos.