17 de maio de 2005

A Grande Gafe de Lula Contra Israel

A Grande Gafe de Lula Contra Israel

Julio Severo

Em maio de 2005, comemorou-se em todo o mundo 60 anos do fim da II Guerra Mundial. E quem poderia esquecer esse acontecimento terrível, onde milhões pereceram? E também não se pode esquecer que a população judaica da Europa, sempre discriminada e perseguida, foi quase extinta pela obsessão assassina de Hitler. Aproximadamente 6 milhões de judeus foram mortos.

O povo judeu, mais do que ninguém, sabe que a discriminação tem um preço mortal. O Brasil, sob o governo petista cuja preocupação principal é com a questão de discriminação, poderia bem ter aproveitado a ocasião para lembrar o preço que os judeus pagaram pelo preconceito irracional. No entanto, o governo Lula preferiu ocupar-se e ocupar o dinheiro de nossos impostos para realizar a Cúpula Árabe-Sul Americana, hospedando autoridades muçulmanas ricas em petróleo e ricas em preconceitos e ódio contra Israel.

O chanceler Celso Amorim havia afirmado que a conferência teria caráter exclusivamente econômico e cultural e não se voltaria a ataques a aliados históricos do Brasil. Mas aconteceu justamente o contrário: ao final da conferência, os líderes sul-americanos, inclusive o ditador Hugo Chavez, aprovaram uma declaração condenando Israel. A declaração denuncia o terrorismo, mas ao mesmo tempo declara categoricamente que um povo tem o direito de “resistir a ocupação estrangeira”, insinuando que os grupos terroristas “palestinos” têm o direito de atacar Israel.

Incoerências, ofensas e gafes

A ousadia do governo do PT na defesa dos direitos humanos e no combate à discriminação é tão determinada que o Brasil não tem vergonha alguma de defender abertamente o comportamento homossexual, tornando-se a primeira nação a apresentar na ONU uma resolução de combate ao “preconceito” contra o homossexualismo. Mas, por causa dos líderes árabes convidados à sua reunião, o governo foi forçado a sacrificar temporariamente sua política internacional pró-homossexualismo, desistindo de sua resolução pioneira na ONU. Lula também não pôde fazer uma defesa pública da democracia diante dos participantes árabes. A palavra democracia ofende os árabes, lembrando-os de que eles precisam ser justos com as mulheres, com os judeus, com os cristãos e com todos os outros grupos que sofrem diariamente discriminações e até morte nos países muçulmanos.

Lula é conhecido internacionalmente pela capacidade de ofender, fazendo uso de qualquer palavra que lhe venha à mente. Nessa capacidade “especial”, ele é autor de inúmeras gafes, geralmente dirigidas a Bush e aos americanos. Se ele não tem receio de ofender nem de dar gafes, então por que não falar de democracia, direitos humanos e direitos das mulheres para os árabes, que tantos problemas têm nessas áreas?

Na Cúpula Árabe-Sul Americana, Lula se cuidou ao máximo a fim de não utilizar sua capacidade “especial” contra os líderes árabes, até mesmo os ditadores. Mas ele acabou ofendendo — não os árabes, é claro! Ele ofendeu o grupo étnico mais discriminado de toda a História humana: os judeus.

Num momento histórico em que todos deviam lembrar as tragédias da II Guerra Mundial, em que os judeus sofreram brutalmente até serem quase exterminados, o governo Lula lembrou-se somente de cortar Israel do mapa utilizado pelo Itamaraty na Cúpula. No mapa, toda a região onde deveria estar marcado Israel está marcada com o nome Palestina, como se o território israelense fosse exclusivamente um Estado árabe
[1]. Assim, o mapa do governo Lula eliminou Israel da geografia física, como se a terra dos judeus não existisse! Que maneira melhor de agradar os muçulmanos terroristas e, quem sabe, atrair seus recursos bilionários ao Brasil?

Independência da ignorância ou morte

O Brasil hoje vive um momento de grave ignorância. Um povo pode ser destruído por não conhecer e compreender a realidade. Não existe então melhor e maior independência do que estar livre da ignorância.

Mas para que essa independência e liberdade possam vir, um Tiradentes precisa se levantar, sem medo das conseqüências. E assim como o Tiradentes original veio de Minas, de Minas também veio o clamor contra as evidentes e incompreensíveis bajulações do governo Lula às ditaduras muçulmanas na Cúpula Árabe-Sul Americana. De Minas veio o clamor contra a política preconceituosa do governo do PT contra Israel. De Minas veio o clamor contra a posição brasileira que defendeu astutamente o terrorismo palestino contra Israel.

Enquanto o governo federal estava ocupado lisonjeando Hugo Chavez e os árabes muçulmanos em Brasília, em Minas estava ocorrendo um evento que tratou com real justiça a questão do Oriente Médio:
por iniciativa do deputado estadual João Leite, a Assembléia Legislativa de Minas Gerais homenageou Israel pelo aniversário da fundação de seu Estado em 1948 e denunciou o preconceito da Cúpula Árabe-Sul Americana contra Israel.

Israel, vale lembrar, é a única democracia verdadeira no Oriente Médio. Portanto, João Leite fez o que o próprio governo brasileiro deveria estar fazendo: elogiar o único país democrático do Oriente Médio e condenar as violações de direitos humanos e direitos das mulheres de todos os países árabes muçulmanos ao redor de Israel.

Afinal, o PT sempre alegou carregar a bandeira da luta pela democracia e pelos direitos humanos. Se não tem capacidade de mostrar seriedade com essa bandeira, o PT não deveria usar o governo federal para forjar alianças com países árabes sem tradição democrática e transformar o Brasil num circo de tragédias internacionais. Se quiserem tal circo, Lula e seu partido deveriam entrar para esse circo sozinhos e deixar o governo do Brasil nas mãos de pessoas sérias que tenham verdadeiro compromisso com a bandeira da democracia e dos direitos humanos.

Perpetuando o ódio dos filisteus

Ao condenar Israel junto com o ditador Chavez e os líderes muçulmanos da conferência, Lula se envolveu numa guerra que nada tem a ver com o Brasil e, pior, ele escolheu o lado errado para apoiar porque — como sempre — ele desconhece os fatos. Os chamados “palestinos” são na verdade descendentes de árabes da região ao redor de Israel. O próprio Yasser Arafat, o maior líder “palestino” e considerado um dos maiores terroristas do século XX, nasceu no Egito. Os árabes só puderam ocupar a terra dos judeus porque Israel estava desprotegido e desocupado há muito tempo — desde o começo da Era Cristã, quando o Império Romano expulsou os judeus de sua própria terra, proibindo-os de retornar. Essa expulsão foi realizada com tanto ódio que os romanos transformaram a terra de Israel numa simples província da Síria, destruindo sua identidade nacional e mudando até o nome, designando todo território de Israel como Palestina, que é uma variante de terra dos filisteus. O nome Palestina então é uma total falsificação, inventado pelos romanos para ocultar, insultar, agredir e destruir o único nome legítimo de toda aquela terra. Por que o Império Romano decidiu designá-la com o nome daqueles que eram os piores inimigos de Israel? Por vingança, porque os judeus resistiram energicamente à ocupação militar romana.

Por pura e trágica coincidência, hoje todos os que alimentam o ódio romano e filisteu contra os judeus mantêm vivo o nome Palestina. Embora os atuais “palestinos” nada tenham a ver — religiosa e culturalmente— com os filisteus, eles sustentam a mesma hostilidade antijudaica dos antigos filisteus.

Infelizmente, Lula escolheu o lado que está perpetuando o ódio.

Os “palestinos” são bem vindos em Israel

Quem poderia culpar Lula por tal ignorância contra os judeus? Até mesmo entre os cristãos há os ignorantes, que apóiam a luta dos “palestinos” para criar um país no território de Israel. Um ponto que tem sido mal interpretado e até abusado pelos cristãos liberais para prejudicar o direito legítimo dos judeus à sua terra prometida por Deus são as passagens bíblicas que exortam os judeus a aceitar em sua terra os estrangeiros.

Contudo, a finalidade dessas passagens é somente incluir na nação de Israel os estrangeiros. Não é o caso dos “palestinos”. Eles não querem ser incluídos em Israel. O que eles querem é arrancar de Israel todo ou parte grande de seu território e criar outra nação num lugar em que já existe um país.

Apesar de tudo isso, os israelenses estão prontos para acolher os “palestinos” em sua terra, como cidadãos de Israel. No entanto, durante a II Guerra Mundial, quando milhões de judeus queriam fugir para a terra de Israel, os ingleses não permitiram, porque os “palestinos” — que eram os ocupantes árabes daquela terra — não queriam os judeus. Quem menos queria ver os judeus escapando do Holocausto e fugindo para sua terra dada por Deus era o líder muçulmano dos “palestinos”, que na época era um forte aliado de Adolf Hitler. Aliás, ninguém queria os judeus em seus países, nem deixá-los fugir para sua própria terra — deixando-os completamente sem alternativa e lugar para onde ir. Essa tragédia é tão escandalosa quanto o próprio Holocausto.

Entretanto, os israelenses não alimentam vingança contra os que invadiram e ocuparam sua terra e lhes negaram entrada ao território de Israel enquanto Hitler massacrava milhões de judeus.

Se os “palestinos” querem ser incluídos em Israel e se tornarem cidadãos israelenses, a nação de Israel está aberta para recebê-los e a própria Bíblia dá apoio para essa opção. Mas em nenhum lugar a Palavra de Deus mostra que existirá mais de uma nação na terra que Deus deu aos judeus. Além disso, os países árabes ao redor de Israel, de onde saíram os antepassados árabes dos “palestinos”, têm territórios muito maiores para abrigar os “palestinos” do que a minúscula terra de Israel. Mas será que seus irmãos árabes e muçulmanos os quererão? É isso que Lula e os evangélicos liberais precisam conhecer e se perguntar.

Escolha de bênção ou maldição

Lula é esperto demais para dar gafes e ofender os árabes muçulmanos. Ele sabe muito bem com quem pode mexer. Contudo, se o objetivo dele é ganhar visibilidade internacional à custa de Israel, ele precisará conhecer quem é a nação de Israel desde a Antigüidade, a fim de saber o que acontece com os que se aliam com aqueles que disseminam ódio contra os judeus. Se ele não tem coragem de hostilizar os implacáveis e perigosos muçulmanos, por que então provocar Aquele que disse que quem tocar em Israel toca na menina dos seus olhos? Para quem crê no relato da Bíblia, há o fato inegável de que Deus sempre cuida do povo judeu. A própria volta do povo judeu à terra de Israel depois de uma dispersão de dois mil anos comprova o cuidado de Deus, pois em Ezequiel 37 Deus promete ressuscitar a nação de Israel depois de uma morte nacional aparentemente total. Essa promessa divina foi inteiramente cumprida em 1948, com a fundação do moderno Estado de Israel. Para quem não crê em Deus e na Bíblia, há o relato da História humana, que não deixa a menor dúvida de que os inimigos dos judeus não têm fim melhor do que Hitler, que se suicidou e levou uma nação inteira para a destruição.

O ódio dos filisteus e dos romanos contra os judeus está se transformando em ódio mundial contra Israel. Enquanto é tempo, Lula deveria começar a ler a Bíblia e se abster completamente de envolver o Brasil nesse mar de ódio — que é muito bem camuflado no apoio à causa “palestina”. Se quiser fazer uma diferença real na questão do Oriente Médio, ele deveria parar de condenar o povo judeu que durante séculos e séculos sofreu discriminação, perseguição e morte. Se estiver determinado a fazer condenações, há muitos alvos legítimos que merecem repreensão: ele deveria colocar sua atenção nos povos árabes, que até hoje cometem violações dos direitos das mulheres, dos judeus, dos cristãos e de outras minorias em seus países.

Se ler e crer no que a Bíblia diz sobre Israel, ele terá uma excelente perspectiva diante de si: Deus promete abençoar os que abençoam Israel (Gênesis 12:3).


Leia mais: Mensagem ao Presidente Lula sobre Israel

Fonte: www.juliosevero.com.br

Versão em inglês deste artigo:
The Great Gaffe of Lula Against Israel

[1] De acordo com o mapa do Itamaraty mostrado no jornal Folha de S. Paulo de 10 de maio de 2005, pág. A6.

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