8 de maio de 2005

Cruzados 0, Saladino 1

Cruzados 0, Saladino 1

Hal Lindsay

© 2005 WorldNetDaily.com


Um filme novo sobre as Cruzadas acaba de ser lançado pelo aclamado diretor Sir Ridley Scott. Os principais personagens do filme, os cruzados, são — nas palavras de Scott — os “bandidos”.


O filme, chamado “Kingdom of Heaven” (Reino do Céu, mas cujo título em português é Cruzada), é apresentado a partir da perspectiva de um jovem cavaleiro francês que vai a Jerusalém para lutar para libertar a Terra Santa de seus conquistadores muçulmanos.


Temia-se (ou talvez tenham tentado enganar o público) que o filme poderia ofender os muçulmanos e ser lançado em meio a uma controvérsia tão inflamável quanto à controvérsia que acompanhou o filme A Paixão de Cristo de Mel Gibson — mas, de modo geral, as audiências muçulmanas vêm recebendo o filme muito bem.


Laila Al-Qatami, falando em nome do Comitê Árabe-Americano Anti-Discriminação, chamou o filme “uma das melhores descrições dos muçulmanos que vimos sair de Hollywood”.


Em entrevistas, Scott disse que não estava preocupado em ofender árabes ou muçulmanos, pois seu objetivo é “exatidão histórica”. Scott afirmou sentir que o melhor modo de garantir a exatidão histórica era consultando acadêmicos muçulmanos de maneira que ele “apresentasse um retrato equilibrado”.


Todos os editoriais e comentários que li citando as entrevistas de Scott fizeram questão de mencionar a afirmação que ele fez sobre a ajuda dos acadêmicos muçulmanos e o retrato equilibrado.


Quando um diretor cinematográfico de Hollywood promete um “retrato equilibrado”, geralmente significa revisar a história para se encaixar na opinião politicamente correta de hoje.


Quando Mel Gibson produziu A Paixão de Cristo, um dos principais argumentos da controvérsia foi que Gibson consultou acadêmicos bíblicos. Em vez de saudarem o filme como um “retrato equilibrado” que surgiu por causa de tal consulta acadêmica, os críticos disseram que envolver acadêmicos cristãos tornava o filme “propaganda cristã” que ofendia a todos, desde muçulmanos até judeus e ateus, e apresentava um “retrato injusto” de todos, desde as autoridades judaicas até os soldados romanos.


Observe a análise apaixonada que o canal de TV MSNBC fez: “Saladino apresenta uma imagem majestosa e honrável para as audiências americanas acostumadas aos vilões árabes”.


Na verdade, Hollywood de forma persistente evita o uso de vilões árabes. A maioria dos filmes sobre terrorismo utiliza todos os terroristas: neo-nazistas, membros do IRA ou narco-terroristas da Colômbia — todos, menos os terroristas árabes. As audiências americanas que se acostumaram a vilões árabes são audiências de noticiários, não os freqüentadores de cinemas.
A MSNBC incluiu algumas citações do principal homem e mulher do filme, Orlando Bloom e Eva Green. “É tão relevante hoje”, disse Bloom. “A última legenda explicativa do filme é: mil anos mais tarde, ainda fazemos a mesma coisa, ainda lutamos uns contra os outros por causa das mesmas divisões religiosas, e Jerusalém ainda está no meio do conflito. É como se fosse um recado: Quando é que vamos aprender?”


Isso faz muito sentido. O conflito sobre Jerusalém durante as Cruzadas foi uma campanha para forçar os muçulmanos a retroceder e impedir que eles cumprissem sua meta de destruir o Cristianismo. Na época, os muçulmanos estavam numa campanha militar irredutível de conquista em direção ao Ocidente.


O conflito sobre Jerusalém hoje é sobre a campanha do islamismo para expulsar os judeus de Israel. Qual a lição que Bloom acha que precisamos aprender? Aceitar a dominação islâmica?
Então há um supremo comentário que Evan Green dá: “Penso que os muçulmanos ficarão extremamente orgulhosos e felizes, pois eles são vistos como personagens nobres e cavalheirescos”, disse a atriz Green. “Principalmente nessa cruzada, os árabes se conduziram de um jeito mais nobre do que os cristãos. Saladino foi um personagem de tanta grandeza. Ele foi o herói de sua época”.


O bom e velho Saladino e os nobres guerreiros islâmicos que dedicaram a vida para destruir todos os “infiéis”. Que vergonha que os cristãos ignorantes e desprezíveis não pudessem deixar em paz o orgulhoso e cavalheiresco Saladino e seus guerreiros islâmicos!


O trecho seguinte vem do relato de alguém que viu em pessoa o cavalheirismo de Saladino na Batalha de Hattin em 1187. O relato foi escrito por Ernoul, um prisioneiro alemão que sobreviveu à batalha:


Saladino lhe perguntou: “Princípe Raynald, se você me mantivesse preso em sua prisão como agora eu mantenho você na minha, o que, de acordo com sua lei, você me faria?

“Com a ajuda de Deus“, ele respondeu, “eu cortaria a sua cabeça”.

Saladino ficou furiosíssimo com essa resposta insolentíssima, e disse: “Porco! Você é meu prisioneiro, mas me responde com tal arrogância?”

Ele pegou uma espada na mão e enfiou direto no corpo dele.

Os [escravos militares] que estavam ali foram para cima da vítima e lhe cortaram a cabeça. Saladino pegou do sangue e o jogou na própria cabeça para mostrar que havia se vingado dele. Então ele ordenou que carregassem a cabeça a Damasco, e foi arrastada no chão para mostrar aos sarracenos contra os quais o príncipe havia errado o tipo de vingança que ele recebeu.

O historiador Gibbon comentou que, se não fosse pelos cruzados, “o Corão hoje seria ensinado nas escolas da Inglaterra, e os púlpitos de suas igrejas poderiam demonstrar a um povo circuncidado a santidade e verdade das revelações de Maomé”.

Conforme declara no filme Balian, o personagem de Bloom: “Se este é o reino do céu, então Deus pode ficar com ele”.

Hal Lindsey é autor de 20 livros, inclusive “A Viagem da Culpa”, publicado pela Editora Mundo Cristão. Ele escreve toda semana exclusivamente para WorldNetDaily (www.wnd.com). Visite seu website onde ele oferece uma análise detalhada dos eventos mundiais à luz das antigas profecias da Bíblia.

Texto traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br

Fonte: http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=44122

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