29 de março de 2005

O Desafio do Ensino Religioso nas Escolas Públicas

O Desafio do Ensino Religioso nas Escolas Públicas

Julio Severo

O sistema escolar público de hoje têm tido espaço para a violência, namoros sem limites sexuais, distribuição de camisinhas e outros problemas desagradáveis. Tais situações trágicas no próprio ambiente escolar colocam em destaque as necessidades morais, espirituais e éticas de muitos estudantes e até professores.

Não há dúvida de que essas necessidades precisam ser preenchidas. E o melhor lugar para começar a tratar dessas questões é nas aulas de religião. O ensino religioso nos estabelecimentos públicos de educação oferece chances preciosas de criar em crianças e adolescentes interesse em Deus e sua Palavra, a Bíblia, desenvolvendo neles abertura para um contato pessoal com Jesus Cristo.

Contudo, é preciso salientar que a oportunidade de ensino religioso nas escolas pública está à disposição não só de evangélicos, mas também de todos os que praticam uma religião: espíritas, budistas, macumbeiros, etc. O Ministério da Educação (MEC), em suas metas humanistas e pluralistas, não dá valor especial a Jesus. Todos os deuses e religiões são iguais e têm a mesma importância. Até mesmo um pai ou mãe-de-santo que quiser, terá direito legal de dar aulas no ensino religioso. É assim que, em nome da liberdade democrática, o governo quer preencher a lacuna religiosa das escolas: dando espaço para todas as religiões.

Não sabemos exatamente de que modo as outras religiões tentarão aproveitar o espaço que o governo está dando, porém estamos certos de que nossa responsabilidade é grande. A oportunidade está aí para todos, porém se a negligenciarmos, outros têm a liberdade de pegá-la.

Ao contrário dos esforços do MEC de mostrar que tudo é igual na esfera religiosa, nas aulas de religião precisamos deixar claro que a Bíblia não é apenas mais outro livro religioso com valor espiritual comparável aos livros sagrados dos muçulmanos, hindus, etc. A Bíblia, precisamos ensinar, é o único livro em todo o mundo que foi inspirado por Deus e contém respostas para todas as necessidades e desejos mais importantes do ser humano. Todos os que se abrem para as suas verdades e para o seu Autor são abençoados e transformados.

A oportunidade de cultivar nos estudantes respeito pela Palavra de Deus como único livro que revela a vontade de Deus é uma verdadeira atividade missionária, com todos os riscos e desafios característicos. É possível que alguns pais de alunos ou mesmo outros professores se oponham a uma aula que valorize a Bíblia ou Jesus como único caminho, já que em nome da tolerância o governo determina que todas as religiões sejam apresentadas “sem preconceito”. A situação é delicada, pois o MEC manda “repudiar toda discriminação baseada em diferenças de… crença religiosa…”
[1] Se por exemplo um professor cristão tentar indicar, em resposta ao interesse e pergunta de um aluno, o que Deus ensina em Deuteronômio 18:10-11 sobre a feitiçaria, sua explicação poderia ser interpretada como discriminação contra religiões como o candomblé. Sem mencionar que a tentativa de ensinar que só quem se entrega a Jesus Cristo tem felicidade e vida eterna garantida poderia ser vista como afronta contra as religiões que não aceitam a divindade de Jesus.

Em face dos preconceitos humanistas do governo contra uma apresentação autêntica do Evangelho no sistema escolar público, principalmente nas cidades grandes, o professor cristão pode abrir a Bíblia para seus alunos e mostrar que todos, cristãos ou não, têm o privilégio de ser abençoados por uma vida de obediência à Palavra de Deus. Ele não precisa ter receio de ser claro e objetivo em sua apresentação da pessoa de Jesus como única e completa solução para todos os problemas pessoais, familiares, nacionais e mundiais. Jesus diz: “Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus”. (Mateus 10:32-33 NVI)

O MEC quer estender suas idéias de “pluralidade democrática” à esfera da educação religiosa nos estabelecimentos públicos de ensino, na esperança de formar nos futuros cidadãos aceitação, tolerância e harmonia entre as diferentes religiões. Do ponto de vista teológico, sua babilônia de tolerância religiosa acabará gerando confusão espiritual. Apesar disso, toda chance de promover o Evangelho deve ser devidamente aproveitada. Assim, os cristãos que sentem chamado para essa área precisam se preparar com paixão, sabedoria e visão missionária. Jesus diz: “Escutem! Eu estou mandando vocês como ovelhas para o meio de lobos. Sejam espertos como as cobras e sem maldade como as pombas”. (Mateus 10:16 BLH)

Copyright 2003 Julio Severo. Proibida a reprodução deste artigo sem a autorização expressa de seu autor. Julio Severo é autor do livro O Movimento Homossexual, publicado pela Editora Betânia. Para mais informações: www.juliosevero.com.br


[1] Parâmetros Curriculares Nacionais [Ética], Vol. 10, p. 143, Ministério da Educação, Brasília, 1997.

9 comentários:

Anônimo disse...

Caro Amigo Julio estou fazendo uma monografia sobre ensino religioso nas escolas e gostei do seu artigo e preciso de sua autorização para coloca-lo na minha monografia. na certeza de sua colaboração fico no aguardando. Graça e Paz no Senhor Jesus Cristo meu Salvador.
Eudi

Alan Maia disse...

Olá Julio, Gostei bastante de seu comentário sobre esse assunto, o MEC possui um padrão para se julgar como deve ser o ensino reliogioso nas escolas, muito exporádico, porque se pensarmos bem e usarmos a lógica , toda essa pluralidade religiosa vai contra a lei da não contradição e daí graves e sérias consequências para o povo que quer aprender coisas verdadeiras, num mundo religioso que apresentado pelo MEC, é relativisado. Pra eles (MEC) os que julgam segundo à algum padrão, o que importa não é a verdade no meio da diversidade, mas sim uma pluralidade religiosa ( uma questão de gosto) não importando para o que se pode resultar desse relativismo religioso. Recomendo um livro " Fundamentos Inabaláveis" de Norman Geisler.

Maria Cláudia Reis disse...

Prezado Júlio, seu artigo veio como um farol para direcionar e iluminar algumas dúvidas e caminhos que preciso seguir. Sou professora de Ensino Religioso da SEE-RJ e confesso que para mim tem sido um grande desafio sustentar essa bandeira. O discurso iluminista da escola laica e do pluralismo religioso são enfrentamentos diários no próprio espaço da escola e da sala de aula.
Obrigada por escrever esse artigo, por me reconciliar com essa tarefa.
Só não sei se o caminho do ensino religioso cristão é exatamante o de ensinar a Bíblia. Há muitas maneiras de se anunciar a existência de Deus, a própria na tureza declara essa existência; é possível estabelecer com os alunos/as um diálogo com outras áreas de conhecimento e identificar a presença do criador em cada fenômeno da criação, seja ele físico, biológico, lógico e/ou social. Deus está em toda parte.
Outro grande desafio é dar um status de conhecimento à area do ensino religioso. Religião e religiosidade são conhecimentos a respeito do mundo; não um conhecimento do tipo científico, pois trabalha com uma lógica diferenciada de compreensão. Mesmo não atendendo ao conceito moderno de cientificidade, não deixa ser conhecimento historicamente produzido e deve estar na escola.
Talvez, hoje, a urgência do ensino religioso sejam as grandes questões éticas que estão em debate no cenário nacional e mundial; a bioética é um deles: aborto, eutanásia, pena de morte e células-tronco. Creio ser possível anunciar o caráter de Deus a partir desses assuntos. Nessa tarefa é preciso muita estratégia, sensibilidade e sabedoria, como você citou muito bem no corpo do artigo, é preciso que sejamos "espertos como as cobras e sem maldade como as pombas”.

Abraço fraterno,
Maria Cláudia Reis
Niterói - RJ

rose disse...

Júlio, seu artigo é muito bom. Tenho um Projeto que ensina a Bíblia na escola passando os ensinos sobre ética, cidadania e outros princípios fundamentais para a vida em sociedade, através das histórias bíblicas. O projeto é constituido por um grupo de volúntários cristãos de várias igrejas.Os alunos amam as aulas, os que mudam de escolas pedem para irmos lá.
Estou concluindo o curso Bacharel em Teologia e a Pós em Ciência da religião com enfase em história e filosofia. Na monografia estarei falando sobre 'a criança e a religiosisdade', por favor se você puder me indique artigos e livros sobre este assunto.

grata
Rosemary da Mata

Naldinho disse...

Macumba? Que religião é essa?
Não seria Umbanda ou Candomblé?

thiago disse...

Sou pai e professor. Se um dia eu ficasse sabendo que um professor tentou convencer meus filhos de que esse ou aquele deus, santo, entidade, personagem fantástico et alli, é "a única solução" para tudo o que existe no mundo, trataria de infernizar a vida dessa pessoa enquanto me sobrasse força e dinheiro. Processos em cima de processos. Porque se dentro da minha casa eu não vejo qualquer necessidade de prender minhas crianças a dogmas e mentiras, se nas minhas aulas faço uso do meu direito de esclarecer meus alunos, não quero, não permito e acho criminoso que outros confundam as minhas crianças. Meus filhos crescerão livres. Esse é o primeiro direito delas, que deve ser mantido, apesar da insistência no obscurantismo e na ignorância que pessoas religiosas pregam.

PEROLA DE JESUS disse...

A Paz do Senhor, gostei do seu artigo e gostaria de pedir a sua permissão pra coloca-lo na minha monografia.
meu nome é Rosangela, moro em Rosário -MA.

Deus te abençoe!

Julio Severo disse...

Olá, Pérola de Jesus! Você tem minha permissão. Por favor, faça referência ao link: www.juliosevero.com

arnaldo ribeiro ou israel disse...

A BOCA FALA DO QUE ESTÁ CHEIO O CORAÇÂO
(LC.6.45)
(EC.51.33) Eu abri a minha boca e disse: (IS.66.5) Ouví a palavra do Senhor, vós que a temeis; (IS.30.15) porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: (JB.3.27) O homem não pode receber cousa alguma, se do céu não lhe for dada: (LS.7.15) Mas Deus me fez a graça de que eu fale segundo o que sinto, e de que presumisse cousas dignas destas que me são dadas; (EF.3.16) para que, segundo a riqueza da sua sabedoria, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no Homem interior; (2TS.3.2) e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos: (IS.22.4) Portanto digo: (AP.2.7) Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: AP.13.10) Aqui está a perseverança e a fidelidade dos Santos: (EF.3.8) A mim, o menor de todos os Santos, me foi dada a graça de pregar aos gentios o Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo; (RM.7.22) porque no tocante ao Homem Interior, tenho prazer na Lei de Deus:
(RM.9.1) Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência: (1CO.9.3) E a minha defesa perante os que me interpelam é esta: (DT.4.20) Como hoje se vê: (EF.4/4/6) Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados, numa só esperança da vossa vocação; há somente um Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus, e Pai de todos, o qual é Senhor de todos, age por meio de todos, e está em todos: (TG.4.12) Há um só legislador e Juiz; (TM.2.5) porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os Homens, Cristo Jesus, Homem:
(IS.46.5) A quem me comparareis para que Eu seja seu semelhante? (JÓ.6.28) Agora, pois, se sois servidos, olhai para mim e vede que não minto na vossa cara: (JÓ.33.3) As minhas razões provam a sinceridade do meu coração, e os meus lábios proferem o puro saber: (GL.1.20) Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto; (1PE.2.6) pois isso está na Escritura: