24 de setembro de 2004

A Difícil Situação dos Cristãos nos Países Muçulmanos

A Difícil Situação dos Cristãos nos Países Muçulmanos

Colunista iraquiano: “É Difícil Lembrar um Período em que os Árabes Cristãos Estiveram em Maior Perigo do que Hoje”.

Num artigo (1) no jornal iraquiano Al-Zaman, publicado simultaneamente em Londres e Bagdá com uma linha independente e liberal que vem desde a década de 1940, o colunista Majid Aziza dá destaque à situação da população árabe cristã no mundo muçulmano. A seguir, alguns trechos do artigo:

Os cristãos que nasceram em regiões árabes estão fugindo de seus países de origem. Hoje em dia, essa informação é noticiada em todo o mundo e é cem por cento correta. As estatísticas mostram que um grande número de cristãos árabes está emigrando para países menos perigosos para eles e seus filhos, como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Europa. O motivo, por um lado, é a perseguição que órgãos governamentais movem contra eles e, por outro, são os grupos extremistas…


Os cristãos têm vivido há séculos nos territórios atualmente conhecidos como países árabes, juntamente com outros grupos religiosos, principalmente os muçulmanos que participaram com eles das aflições da vida. Mas os cristãos perderam o apoio de seus concidadãos muçulmanos por muitas razões, inclusive extremismo religioso entre alguns muçulmanos, o aumento da população [muçulmana] por motivos religiosos, os atos de discriminação, coerção e expulsões individuais e coletivas de cristãos e as pressões que os cristãos vinham sofrendo até mesmo quando estavam servindo seus países. Há muitos exemplos disso na Palestina, Iraque, Sudão, Líbano, Egito e outros países.

Aproximadamente 4 milhões de cristãos libaneses emigraram de seu país como conseqüência das pressões impostas a eles pelos [muçulmanos]. Mais ou menos meio milhão de cristãos iraquianos deixaram seu país pelos mesmos motivos… A situação está ficando pior hoje por causa da discriminação feita pelos extremistas muçulmanos salafi. Na Palestina, os cristãos estão se tornando quase extintos como conseqüência do controle que os extremistas muçulmanos têm sobre a questão palestina e a marginalização dos cristãos [que são impedidos pelos muçulmanos de desempenhar um papel significativos na questão palestina], sem mencionar o impacto negativo da Antifada [revolta dos palestinos contra Israel, com o uso do terrorismo] — que é dirigida pelas organizações islâmicas — sobre os cristãos da Palestina. Com relação aos cristãos coptas do Egito, o que o governo e os muçulmanos fizeram e estão fazendo com eles daria para encher páginas e páginas de livros e jornais, explicando os atos de coerção, discriminação e perseguição. O que está acontecendo também com os cristãos na Argélia, Mauritânia, Somália e outros países é um problema longo demais para explicar.

Essa situação também existe nos países muçulmanos não árabes. Em nações islâmicas como Paquistão, Indonésia e Nigéria, os cristãos sofrem por causa de perseguição. No Paquistão, os líderes muçulmanos decretaram fatwa, uma decisão religiosa permitindo a matança de dois cristãos para cada muçulmano morto pelos ataques americanos no Afeganistão, como se os americanos representassem o Cristianismo no mundo. Em outros países os cristãos vivem com medo, sob a sombra de ameaça, e enfrentam uma crescente série de agressões toda vez que os Estados Unidos e seus aliados executam uma operação militar contra qualquer país [muçulmano].


Os cristãos têm medo do que lhes poderia acontecer nesses países. A situação é muito grave e requer atenção urgente. É difícil imaginarmos qualquer outro tempo em que os cristãos sentiram maior perigo do que o perigo que eles sentem hoje nesses países…

Nota final:
(1) Al-Zaman (Iraque & Londres), 14 de setembro de 2004.

*********************O artigo original, em inglês, foi traduzido do boletim do Instituto de Pesquisa da Mídia do Oriente Médio.
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Traduzido e adaptado por Julio Severo: http://www.juliosevero.com.br


Fonte:
http://www.memri.org/bin/opener_latest.cgi?ID=SD78904

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