29 de outubro de 2003

Entretendo-se com a Escuridão

Entretendo-se com a Escuridão:
As Implicações dos RPGs na Vida dos Jovens

Julio Severo

“Olhos que não desgrudam da tela, mãos no mouse, rostos tensos, respiração acelerada. Os fones de ouvidos facilitam a percepção do inimigo. Adolescentes e jovens não se distraem com nenhum movimento além do alvo, que pode estar ao seu lado, no outro quarteirão, em outro estado ou num país distante…”
Elisângela Marques
[1]

Os jogos de computador são tão avançados e sofisticados em tecnologia que é quase impossível distinguir o mundo virtual da realidade. A maioria são feitos de tal maneira que o jovem se sente como se realmente estivesse vivendo o que está jogando. Não é então de admirar que a febre dos games esteja se espalhando rapidamente. Pesquisas apontam que adolescentes e até mesmo adultos estão passando mais e mais tempo mergulhados no mundo dos RPGs.

Não é anormal um jovem gostar de um jogo, porém os RPGs podem levar o jogador a experiências que podem ser muito mais do que só fantasias. RPG é uma sigla em inglês que significa role-playing game (jogo de interpretação de personagem). Nesse tipo de game (jogo), o jovem adota o papel de um personagem e o treina e equipa com poderes e armas especiais durante o curso do game ou série de games.

Caso real


Anos atrás, fui participar de uma conferência evangélica e fiquei hospedado na casa de uma família evangélica. O pai e a mãe trabalhavam na igreja, e os filhos também ajudavam. Muitas vezes, eu ficava com os filhos, um rapaz e uma moça, brincando com eles em seus jogos de computador. Havia alguns jogos bons e inofensivos, e havia também os mais desafiantes que, por acaso, traziam símbolos e situações bastante suspeitos ou explicitamente negativos. A moça tentava evitar os games mais sombrios, mas não conseguia evitar perder muito tempo jogando. Contudo, o rapaz gostava de games que tinham personagens e papéis envolvidos em cenários de túmulos, pentagramas e outros símbolos satânicos. Embora fossem batizados no Espírito Santo, ele não via problema com esse tipo de RPG, e ela achava que nunca se abriria, na vida real, para as práticas dos personagens e papéis que ela adotava nos jogos.

Hoje, a moça reconhece que havia sérios problemas em sua vida, inclusive visitações demoníacas. Agora ela passa muito tempo com Jesus na Palavra de Deus, porém seu irmão se tornou bruxo. Quando passavam muito tempo com RPGs espiritualmente duvidosos, será que eles não estavam na companhia de quem está por traz dos símbolos, títulos e papéis que lhe pertencem? A Palavra de Deus mostra que precisamos ter cuidado com quem passamos nosso tempo: "As más companhias estragam os bons costumes”. (1 Coríntios 15:33 BLH)

Os RPGs podem não ter ocasionado diretamente a contaminação desses jovens evangélicos no ocultismo, mas, juntamente com outros fatores, contribuíram para direcionar suas vidas para a escuridão, sem que eles ou seus pais percebessem o perigo a que eles estavam se expondo. Mesmo tendo nascido num lar evangélico, eles vieram a enfrentar graves problemas espirituais. Os jogos que eles usavam tinham situações imaginárias, mas os títulos e poderes utilizados eram cópia das forças do mal que existem na vida real. Os pais davam bons conselhos, porém não tinham firmeza moral suficiente para impedir a utilização em seu lar de entretenimentos espiritualmente nocivos, como programas de TV contendo terror, violência e imoralidade. De modo geral, seguindo a orientação da psicologia liberal, eles eram permissivos na educação dos filhos.

A influência ocultista dos games pode, como conseqüência, trazer confusão espiritual e, em casos extremos, colocar o jogador em contato com a atividade demoníaca.

Calabouços & Dragões


Então, quem joga um RPG com personagens e situações espirituais negativas pode entrar num mundo que é muito mais do que só fantasia e esse tipo de jogo tem atraído milhões de adeptos apaixonados. Com ou sem Internet, um jovem pode ficar 24 horas por dia ocupado só num RPG. Há casos de jogadores que passam um dia, um mês ou até mais de um ano no mesmo game! O primeiro e mais famoso jogo de interpretação de personagens é Dungeons & Dragons (Calabouços & Dragões). Lançado em 1974, Dungeons & Dragons (D&D) envolve o jogador com personagens identificados como bruxos, feiticeiros e magos e estima-se que mais de 160 milhões de jovens no mundo inteiro tenham jogado D&D, tornando-o o RPG de maior sucesso de todos os tempos.
[2] Há hoje muitas e diferentes versões de computador de D&D.

Afinal de contas, o que é esse jogo que tem um rastro de tanto sucesso? A escritora Pat Pulling define D&D da seguinte maneira:

Um jogo de interpretação de papéis de fantasia que usa demonologia, feitiçaria, vodu, assassinato, estupro, blasfêmia, suicídio, assassinato, insanidade, perversão sexual, homossexualismo, prostituição, rituais satânicos, jogatina, barbarismo, canibalismo, sadismo, invocação de demônios, necromancia, adivinhação, etc.[3]

A Srª Pulling sabe do que está falando. Anos atrás seu filho de 16 anos cometeu suicídio e uma investigação policial revelou que o rapaz estava afundado no satanismo. A Srª Pulling ficou perplexa porque sendo judeus ela e seu marido estavam devidamente conscientes do perigo do ocultismo, porém desconheciam completamente as experiências espirituais negativas do filho. Vasculhando melhor as coisas do filho, a mãe descobriu o grau de envolvimento dele com D&D e como ele estava realmente vivendo e aceitando os padrões espirituais do jogo. De acordo com o andamento do jogo, o rapaz recebeu uma maldição de morte de outro jogador e tudo acabou em morte.
[4]

Contudo, essa morte trágica não foi a última envolvendo D&D. Abaixo se encontram alguns dos casos registrados:


Vernon Butts, conhecido como o “Assassino das Rodovias”, cometeu suicídio em sua cela em 1987 enquanto estava preso sob a suspeita de vários assassinatos. Ele era viciado em D&D.

Michael Dempsey, de 17 anos, se suicida com um tiro na cabeça em 19 de maio de 1981. Testemunhas o viram tentando invocar os demônios de D&D minutos antes de sua morte.

O jogador de D&D Steve Loyacano se suicida por envenenamento de monóxido de carbono em 14 de outubro de 1982. A polícia afirmou em relatório que coisas satânicas que ele escrevia e uma nota de suicídio ligavam sua morte a D&D.

O jogador de D&D Timothy Grice, de 21 anos, comete suicídio com um tiro de bala em 17 de janeiro de 1983. O relatório do detetive comenta: “D&D se tornou realidade. Ele achava que ele não estava preso a esta vida, mas que podia partir e voltar, por causa do jogo”.

O jogador de D&D Harold T. Collins, de 18 anos, se enforca em 29 de abril de 1983.

O jogador de D&D Steve Erwin, de 12 anos, se suicida com um tiro em 2 de novembro de 1984. O relatório do detetive dizia: “Sem dúvida, D&D lhes custou a vida”.

O jogador de D&D Joseph Malin se declara culpado de um assassinato em 2 de março de 1988 e foi condenado a passar o resto da vida na prisão. Ele estuprou e matou a facadas uma menina de 13 anos enquanto jogava D&D.

O jogador de D&D Tom Sullivan, de 14 anos, entrou no satanismo e acabou matando a mãe a facadas.

O jogador de D&D Sean Sellers, de 14 anos, foi condenado a morte por matar os pais e um funcionário de uma loja em 11 de janeiro de 1987. Antes de ser executado, ele entregou sua vida a Jesus. Ele confessou que seu envolvimento com o satanismo começou com o RPG D&D.
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Títulos e Palavras que Revelam


Devido ao enorme sucesso de D&D, muitos RPGs procuram seguir, de uma forma ou de outra, seu estilo. Embora outros jogos tenham títulos diversos e diferentes, os personagens e seus poderes seguem o exemplo espiritual que D&D deixou. Vamos então conhecer alguns termos usados em D&D e outros RPGs. Os títulos originais são em inglês, mas os jogos nunca deixam de trair sua essência espiritual. Só pelos títulos traduzidos dos games já é possível entender que há muito mais do que só fantasia:

Igual a Deus, Espada e Feitiçaria, Calabouço de Túmulos, Necromancista [indivíduo que invoca os mortos], Advanced Dungeons and Dragons [muitas e diversas versões], Paranóia, Paranormal, Terra dos Mortos, etc.

Os manuais e livros de RPGs têm os seguintes títulos interessantes (conforme apuração que fiz num site americano de venda de produtos de RPGs em maio de 2003):

Manual Monstruoso, Livro de Magia, A Opção do Jogador: Feitiços & Magia, Manual Completo do Bárbaro, Livro Completo dos Elfos, Livro Completo dos Gnomos, Manual Completo do Sacerdote, Manual Completo do Ladrão, Manual Completo do Bruxo, Livro Completo dos Anões, Livro Completo dos Vilões, Manual Completo dos Druidas, Guarda das Portas do Inferno, Culto do Dragão, Servos da Escuridão, Volta ao Túmulo dos Horrores, Sementes do Caos, Filhos da Noite, Forjado nas Trevas, Enciclopédia da Magia (vários volumes), Compêndio dos Feitiços do Bruxo (vários volumes), Xamã.

Significado de alguns termos, inclusive seus originais em inglês em itálico:

Gnomo: (Gnome) Designação comum a certos espíritos, feios e de baixa estatura, que, segundo os cabalistas, habitam o interior da Terra e têm sob sua guarda minas e tesouros. Demônio, duende.

Elfo: (Elf, elves) Gênio aéreo da mitologia escandinava, que simboliza o ar, o fogo, a Terra, etc. Ser sobrenatural de baixa estatura que causa intrigas e agitações. Duende. Demônio. Gnomo.

Anão: (Dwarf, dwarves) Ser sobrenatural de baixa estatura, que parece um homem feio e deformado. Duende. Demônio. Gnomo.

Dragão: (Dragon) Na Bíblia, o dragão é o próprio Satanás (cf. Apocalipse 20:2).

Xamã: (Shaman) Em diversos povos e sociedades, especialista a que se atribui a função e o poder, de natureza ritual mágico-religiosa, de recorrer a forças ou entidades sobrenaturais para realizar curas, adivinhação, exorcismo, encantamentos, etc.[6]

Nos RPGs o jogador pode assumir personagens e papéis como feiticeiro, druida e outras ocupações ligadas à bruxaria. Entre os vários papéis que o jogador pode representar estão:


Bruxo (Wizard): Personagem que, como na vida real, pode lançar encantamentos e utilizar os poderes da magia para vencer os obstáculos do jogo e vencer os inimigos.

Bruxa (Witch): Mesmo significado do anterior.

Mago (Magus, mage): Personagem semelhante ao bruxo, que se utiliza de forças das trevas para adquirir mais poder e controle sobre as situações.

Sacerdote (pagão) ou druida (Priest, druid): Personagem religioso que destrói os problemas e cura as doenças através de feitiços e poderes mágicos. Os druidas eram sacerdotes celtas que viviam na Bretanha e na Gália, antes do Cristianismo. Eles adoravam o sol e criam na reencarnação.

Ladrão (Thief): Personagem que, como na vida real, rouba suas vítimas.

Até mesmo os personagens que não têm uma ocupação nitidamente ligada à bruxaria são obrigados, para sobreviver no jogo, a aprender a usar a magia e lançar encantamentos contra seus oponentes. Os defensores dos RPGs ocultistas afirmam que o único problema nessa questão é o “radicalismo dos cristãos contra os mitos”. Mas será mesmo? Um grupo de bruxos na Grã-Bretanha reconhece que os livros de Harry Potter, que supostamente só contêm “mitos”, estão ajudando crianças no mundo inteiro a se interessar mais pela bruxaria.
[7]

Como cristãos, não podemos desenvolver poderes mágicos, imaginários ou reais, para derrotar e destruir nossos inimigos. O poder espiritual do cristão vem da oração feita no nome de Jesus, e esse poder deve ser utilizado para curar e abençoar as pessoas e destruir as opressões na vida delas. Por coincidência, uma parte considerável dessas opressões tem origem exatamente nas forças espirituais que os símbolos, personagens e papéis dos RPGs representam na vida real. É claro que os RPGs não são a causa de todos os problemas relacionados com a bruxaria na sociedade, mas pode-se considerá-los como uma das portas de entrada para influências demoníacas.

Muitas questões e práticas de feitiçaria são consideradas mera fantasia pela sociedade, porém Deus alerta:

“Não permitam que se ache alguém entre vocês… que pratique adivinhação, ou se dedique à magia, ou faça presságios, ou pratique feitiçaria ou faça encantamentos; que seja médium, consulte os espíritos ou consulte os mortos. O Senhor tem repugnância por quem pratica essas coisas…” (Deuteronômio 18:10-12b NVI)

Poderíamos parafrasear o alerta de Deus da seguinte forma: “Não permitam que se ache entre vocês entretenimento contendo personagens que pratiquem adivinhação, ou se dediquem à magia, ou façam presságios, ou pratiquem feitiçaria ou façam encantamentos…” O que precisamos fazer então é deixar que o Espírito Santo coloque em nós o mesmo sentimento de aversão que Deus tem com relação a tudo o que nos prejudica.

A Febre do Yu-Gi-Oh


Desenhos japoneses de TV vêm ganhando fama internacional e alguns até têm versões em RPG, tais como Pokemon (que originalmente vem do termo Pocket Monsters [Monstros de Bolso]. Mas a moda mais recente entre os fãs desses desenhos é um personagem chamado Yugi (nome abreviado de Yu-Gi-Oh), que tem se tornado muito conhecido por suas cartas mágicas e imagens ocultas que estão se tornando verdadeiros tesouros cobiçados entre crianças colecionadoras no mundo inteiro.

A versão em desenho animado de Yu-Gi-Oh apareceu no ano 2000 e se tornou um sucesso imediato, provocando uma loucura que incluía vídeo games, gibis e um jogo de cartas, que bateram recordes de venda. Enquanto os RPGs são geralmente produzidos para alcançar os jovens, Yu-Gi-Oh tem como alvo as crianças. É bem comum ver um menino de 6, 7 ou 8 anos colecionando cartas ou obcecado com o desenho ou os jogos de Yu-Gi-Oh.


Yu-Gi-Oh é a estória de um menino chamado Yugi Mutou. Seu avô toma conta de uma loja de jogos e um dia lhe entrega uma caixa dourada, com o símbolo do olho de Anúbis por fora, onde há varias peças. O avô lhe explica que essas peças são parte de um quebra-cabeça (Enigma do Milênio), que revela um antigo jogo egípcio de guerra de cartas chamado “Monstros de Duelo” (Duel Monsters). O avô desafia Yugi a tentar montar as peças, e o neto desvenda o segredo do quebra-cabeça que libera o poderoso espírito de um rei egípcio chamado Yu-Gi-Oh. Aí, toda vez que ele vai duelar, o quebra-cabeça dá poderes especiais a Yugi. Ele se torna especialista no jogo Monstros de Duelo. Nesse jogo há criaturas místicas, duelos mágicos e um campo de batalha que está sempre mudando, cheio de armadilhas e ciladas mágicas.
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Tal como Harry Potter, o mundo espiritualmente misterioso de Yugi tem raízes inegavelmente ligadas à bruxaria. No Yu-Gi-Oh as crianças recebem a informação de que esse jogo tão popular hoje foi realmente inventado no Egito antigo, há 5.000 anos, quando os faraós jogavam um jogo que envolvia rituais mágicos, adivinhação e o poder de monstros e feitiçaria. Os faraós resolviam os problemas de origem espiritual invocando espíritos mais fortes. Embora os faraós estejam mortos, Yugi descobre, através do quebra-cabeça egípcio antigo, que as forças espirituais que os faraós utilizavam não estão mortas. Quando consegue montar o quebra-cabeça, Yugi recebe muitas energias extraordinárias e se transforma num ser poderoso, Yami Yugi. De acordo com a profecia egípcia antiga, somente o escolhido seria capaz de resolver o Enigma do Milênio.

Num dos episódios do desenho de Yu-Gi-Oh, Yugi está num jogo e sua forma transformada Yami Yugi tira uma carta do deck com poder para bloquear o “olho milenial” de Pegasus que vê tudo. Yugi tira uma carta vencedora: a “Caixa Mística” que libera o “bruxo” dele, que aparece de maneira sobrenatural com sua vara mágica. Em seguida, ele tira a carta “Controle Mental” e lança um feitiço poderoso. “Como é que você se sente, Pegasus”, Yugi zomba de seu inimigo, “agora que o jogo virou e os poderes mágicos de controle da mente são usados contra você?” Quando chega sua vez, Pegasus passa e Yugi tira outra carta favorável: “É uma carta ritual… ritual mágico da escuridão. Para invocar seus grandes poderes devo fazer uma oferta em dobro”. Ele sacrifica dois poderosos monstros de Pegasus e grita em triunfo: “A oferta foi aceita. Surge um novo poder… O bruxo do caos negro…”
[11]

Em Yu-Gi-Oh há muitos monstros em forma de cartas (lembrando alguns jogos de cartas de RPG), que ao mesmo tempo são monstros de verdade. De acordo com as informações contidas no RPG de Yu-Gi-Oh, os monstros do Duel Monster eram reais há 5.000 anos, e era com eles que os jogos das trevas eram jogados. Contudo, quando o poder saiu do controle dos faraós, os poderes de todos os monstros foram guardados dentro de tábuas de pedra. Cada uma dessas tábuas tem o desenho esculpido de um monstro e guarda o respectivo monstro. Num dos episódios do desenho de Yu-Gi-Oh é possível ver essas tábuas com os monstros, inclusive a invocação dos monstros aprisionados.
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Algumas cartas de Yu-Gi-Oh levam títulos como Soul Exchange (Troca de Alma), Ultimate Offering (Oferta Máxima), Summoned Skull (Caveira Invocada), Saint Dragon (Dragão Santo), The God of Osiris (O Deus de Osíris) e Sorcerer of the Doomed (Feiticeiro dos Condenados). Essa última carta dá o seguinte aviso: “Esse feiticeiro é escravo das artes das trevas e mestre dos encantamentos para extinguir vidas”. Das 100 Cartas Monstros e Cartas Mágicas de Yu-Gi-Oh que um site brasileiro vende há títulos como Rei Caveira, Witch of the Black Forest (Bruxa da Floresta Negra), Magician of Faith (Mágico da Fé), Mask of Darkness (Máscara da Escuridão), Mystical Space Typhoon (Tifão Espacial Místico), Monster Reborn (Monstro Renascido), Dark Hole (Buraco Negro), Skull Lair (Covil da Caveira), Ominous Fortunetelling (Adivinhação Sinistra), Mystic Clown (Palhaço Místico), Winged Dragon (Dragão de Asas), Feral Imp (Demônio Selvagem), De-Spell (Removedor de Feitiços), Book of Secret Arts (Livro das Artes Secretas), Enchanted Javelin (Lança Encantada).
[13] Além disso, um dos jogos de Yu-Gi-Oh tem como título Cartas “Bíblia de Mil Olhos”.

O site oficial do Yu-Gi-Oh informa sobre seu jogo para crianças: “Duelo de Monstros é um jogo de batalha de cartas em que jogadores colocam diferentes criaturas místicas umas contra as outras em duelos mágicos selvagens! Acompanhado de monstros terríveis e poderosas cartas de encantamento, Yugi e seus amigos estão totalmente obcecados pelo jogo”. Mais obcecados ainda estão as crianças que jogam Yu-Gi-Oh. A fascinação por questões de bruxaria não tem apanhado crianças somente através de literatura “infantil” como Harry Potter, mas também através de desenhos e games. Não há dúvida de que em todas essas questões há muito mais envolvido do que só fantasia. Desenhos, revistas, games e brinquedos para crianças que têm tema ocultista são um canal e elo entre influências espirituais indesejadas e vítimas inocentes. Crianças são assim, os pais percebendo ou não, prejudicadas espiritualmente.

Psicoterapia através dos RPGs


O modo como os jogos de interpretação de personagens envolvem o jogador age de maneira parecida com as sessões de psicoterapia. A maioria dos conselheiros e psicólogos usa a interpretação de personagens para modificar certos tipos de condutas e idéias na vida das pessoas. Por exemplo, no caso de um viciado em drogas (de uma perspectiva puramente psicológica), o conselheiro o faria viver um cenário imaginário em que um amigo lhe ofereceria drogas. O viciado interpretaria a cena várias vezes e de diversas maneiras até chegar ao ponto em que ele adquirisse experiência suficiente para resistir. Na interpretação de um personagem, a pessoa o representa tanto que passa a assumir seu comportamento. Nos RPGs não é diferente. A interpretação de um personagem virtual pode e tem levado a modificação de comportamento na vida de muitos jovens.
[14]

Na cidade americana de Paducah, no Kentucky, Michael Carneal, um rapaz de 14 anos, roubou a arma da casa de um vizinho, levou-a à escola e deu oito tiros num grupo de oração. Antes do roubo, ele nunca havia usado um revólver de verdade. Dos oito tiros que deu, ele acertou todos, atingindo oito colegas de escola. Cinco foram na cabeça, e os outros no peito. Os resultados foram três mortos e um paralítico pelo resto da vida. O FBI informa que em média policiais experientes acertam, de cada cinco tiros, no máximo uma bala. Como então um rapaz que nunca usou uma arma conseguiu adquirir tanta habilidade para atirar com precisão? Onde foi que ele recebeu seu treinamento?
[15]

O Perigo dos Entretenimentos Violentos


Muitos estudos em anos recentes provam que imagens de violência nos games e na televisão estão causando um aumento na violência até mesmo entre crianças. Os estudos foram realizados por importantes entidades como a Associação Médica Americana, a Academia Americana de Pediatria, a Academia Americana de Psiquiatria Infanto-Juvenil e a Associação Americana de Psicologia.
[16]

Games que contêm temas violentos tendem a tornar os jogadores insensíveis para com a questão da violência e para com as vítimas de atos violentos. Dois estudos publicados em 23 de abril de 2000 provam claramente que os games violentos realmente afetam de modo negativo a conduta de quem os joga. Um dos estudos provou que games com violência explícita produzem um aumento imediato em atitudes e idéias agressivas. O outro estudo constatou que games violentos não só provocam um aumento nas atitudes agressivas, mas também produzem impacto de longo prazo que afetam, na vida real, as atitudes e relacionamentos dos jogadores. Professores de psicologia das Universidades de Missouri e Columbia e da Faculdade Lenoir-Rhyne conduziram o estudo em 227 estudantes universitários voluntários que estavam começando cursos de psicologia. Os psicólogos Craig Anderson e Karen Dill constataram que games violentos de computador afetam o jogador das seguintes maneiras:


O jogador se identifica com o personagem que pratica agressão. Uma coisa é você assistir a um filme de um homem que mata todos os seus inimigos, outra é você mesmo assumir a identidade desse homem num game onde você usa a arma e se envolve emocionalmente no “prazer” de matar os outros personagens com as próprias mãos. Esse tipo de jogo tem as seguintes conseqüências na vida do jogador: 1: Ajuda-o a adquirir atitudes favoráveis ao uso da violência. 2: Ajuda-o a presumir que os outros também têm atitudes semelhantes de agressividade. 3: Ajuda-o a acreditar que as soluções violentas são eficazes e adequadas para resolver os problemas da vida. 4: Ajuda-o a ver as atitudes agressivas para com os outros, tais como brigar e atirar, como atitudes necessárias e adequadas para lidar com os outros.[17]

Os filmes violentos e imorais da televisão têm um impacto importante na vida dos jovens, porém os jogos em que eles interpretam um personagem que usa armas e violência os treinam para adquirir características de comportamento do personagem que eles adotaram. Embora nem todo jovem se torne assassino como conseqüência dessa influência negativa, é inegável o fato de que os RPGs podem modificar as atitudes.

Um dos RPGs que conheci era uma corrida de moto em que era preciso chutar, dar socos e usar uma corrente o tempo todo contra os outros competidores. À primeira vista, parecia só diversão, mas os personagens que eu e os outros jogadores tínhamos de assumir eram motoqueiros que, na vida real, se entregavam à anarquia, bebedeira, prostituição e brigas. Se na vida real o cristão e qualquer outra pessoa decente procura não se aproximar de nada que tenha ligação com esses comportamentos, por que deveríamos abrir uma exceção na “diversão”? Se na vida real não podemos chutar e dar socos em outros competidores esportivos, por que deveríamos nos acostumar com essas agressões num entretenimento? Aliás, se soubéssemos que um evento em que queremos entrar é aberto a agressões, é claro que evitaríamos participar. Chutes e socos são atos ilegais em atividades esportivas como corrida e outras competições.

Aproveitando bem nosso tempo


Contudo, mesmo que os RPGs não tivessem nenhum conteúdo satânico, imoral ou violento, ainda assim precisamos parar para perguntar: “Será que preciso gastar horas num jogo?” Afinal, a Palavra de Deus esclarece que não devemos evitar somente o que é obviamente mal. Precisamos evitar tudo o que ocupa desnecessariamente muito de nosso tempo.

“Os dias em que vivemos são maus; por isso aproveitem bem todas as oportunidades que vocês têm.” (Efésios 5:16 BLH)

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada me domine. (1 Coríntios 6:12 NVI)

Confesso que alguns jogos de computador são tão excitantes que é difícil jogar apenas uma hora. O poder viciador de um RPG aprisiona os jogadores e alegra e enriquece seus fabricantes! Ainda que venham a criar RPGs evangélicos, isso não quer dizer que passar muito tempo jogando é a mesma coisa que passar muito tempo lendo a Bíblia. Será que convém investir muito do nosso tempo em algo que não é errado, mas que não é tão importante quanto passar tempo com Jesus na Palavra de Deus? Além disso, há sempre a necessidade de se cultivar maior tempo de comunhão com a família ou permanecer mais tempo diante de Deus em oração e adoração. É claro que o mesmo princípio também se aplica a outros tipos de entretenimento além dos RPGs. Seria desigual e injusto passarmos só meia hora por dia na Palavra de Deus enquanto permitimos que programas de TV, ainda que não sejam indecentes, se apoderem de horas de nosso precioso tempo.

Por experiência, posso dizer que quando passamos muito tempo com Jesus lendo sua Palavra, somos fortalecidos. Não deixo de passar um dia sem ler e estudar no mínimo 20 capítulos da Bíblia, em oração. Posso me entreter, sem gastar muito do meu tempo numa diversão. No entanto, achei mais justo trocar os longos horários de entretenimento por momentos mais longos na presença de Deus. É assim que aproveito todas as oportunidades que tenho para conhecer Jesus melhor e crescer na sua graça.

Contaminação Espiritual


Certa vez joguei um RPG de computador na casa de amigos evangélicos e ao prestar bem atenção percebi que a cada nível que o jogador passava aparecia, num piscar de olho, um símbolo como o pentagrama e a cruz de cabeça para baixo. Esses símbolos vinham de maneira tão rápida e sorrateira que mal dava para ver, tornando bastante suspeito os motivos de sua colocação e propósito. Ninguém os usaria sem um objetivo em mente. Se o poder da magia é real e forte, quem foi usado para colocá-los estava, conscientemente ou não, dando espaço para influências demoníacas na mente e vida dos jogadores incautos. “Porque não ignoramos os seus ardis”. (2 Coríntios 2:11 RC)

O mundo espiritual é complexo e há perigos que não são imaginação. A Palavra de Deus ensina que o risco de contaminação espiritual existe e precisamos evitar até mesmo mencionar nomes de demônios (cf. Êxodo 23:13). Quando alguém permite em seu lar um objeto consagrado a qualquer entidade espiritual que não seja o único Deus verdadeiro, ele pode desnecessariamente sofrer sérias conseqüências. “Não meterás, pois, coisa abominável em tua casa, para que não sejas amaldiçoado, semelhante a ela; de todo, a detestarás e, de todo, a abominarás, pois é amaldiçoada.” (Deuteronômio 7:26 RA)

A contaminação espiritual pode ocorrer através dos olhos. “Não porei coisa má diante dos meus olhos; aborreço as ações daqueles que se desviam; nada se me pegará.” (Salmos 101:3 RC) Nesse Salmo, o rei Davi mostra que ele tinha todo o cuidado para não trazer para seu lar nenhum tipo de objeto espiritualmente suspeito, a fim de que ele e outros em sua família não contaminassem a alma através dos olhos. Nesse caso, pode-se entender contaminação como manter diante de nós um objeto que nos expõe, por vontade própria ou não, a influências espirituais indesejadas. Portanto, podemos ver que Davi jamais pensaria em distrair os olhos e a mente vendo ações violentas, satânicas, imorais ou impróprias dentro de seu próprio lar. É claro que esse princípio bíblico não é útil somente no caso dos RPGs, mas de todas as formas de entretenimento, inclusive TV, revistas, etc.

Jesus ensina que os olhos são a porta para a alma. Se alguém ocupa os olhos com coisas que são da luz, a luz encherá a sua vida. Por outro lado, se ele deixar que seus olhos se distraiam com coisas da escuridão, sua alma não deixará de ser afetada. Jesus diz: “Os olhos são como uma luz para o corpo: Quando os olhos de você são bons, todo o seu corpo fica cheio de luz. Porém, se os seus olhos forem maus, o seu corpo ficará cheio de escuridão. Portanto, tenha cuidado para que a luz que está em você não seja escuridão”. (Lucas 11:34-35 BLH)

É por isso que o salmista orava para o Senhor: “Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade.” (Salmos 119:37a RC) Vaidade aqui significa coisas sem valor para Deus. Então, nossa responsabilidade é ter cuidado, para que a luz que há em nós e nosso lar não vire escuridão. Afinal, vale a pena contaminar nossas vidas e lares por causa de um entretenimento? Um jogo ou programa inadequado de TV merece esse preço?

Precisamos ser cuidadosos o suficiente para evitar todo tipo de entretenimento suspeito. Na dúvida, é melhor evitar do que se prejudicar. “Abstende-vos de toda aparência do mal”. (1 Tessalonicenses 5:22 RC)

Tomando o Devido Cuidado


Colossenses 2:8 revela que se deixarmos que o modo de pensar do mundo nos entretenha continuamente, corremos o sério risco de nos enfraquecer em nossa fé em Cristo. Aplicando às nossas vidas os princípios da Palavra de Deus, não teremos dificuldade de reconhecer um entretenimento inconveniente. Quando um game é impróprio?

Quando incentiva o jogador a agir de um modo não necessariamente ocultista, mas sem ética e moral, como chutar e bater nos outros e tirar a roupas de personagens femininos.

Quando incentiva o jogador a cometer atos que, na vida real, são ilegais, como vandalismo, assédio sexual, roubo, destruição de propriedade, mutilação ou assassinatos a fim de ganhar pontos para avançar.

Os pais precisam ficar sempre alertas para reconhecer e entender o que pode estar influenciando seus filhos. Como então eles podem ajudar os filhos a não se prejudicar com games impróprios?

Orando por eles.


Incentivando-os a passar muito tempo lendo a Palavra de Deus (de preferência, numa versão como a NVI ou a Bíblia na Linguagem de Hoje). É claro que um dos maiores incentivos é o seu próprio exemplo.


Estabelecendo limites adequados para os tipos de entretenimento que podem ser permitidos no seu lar.


Assistindo aos programas de TV e jogando games junto com seus filhos. Fique por dentro do que eles estão vendo, ouvindo e usando. Nessas situações, peça a sabedoria de Deus para transmitir valores morais a eles.


Evitando games e programas de TV que tenham conteúdo de violência e atos e insinuações indecentes.


Dando atenção a eles. Seu filho provavelmente tem alguns jogos favoritos. Jogue com ele e converse sobre os personagens e como eles lidam com os problemas. Ajude-o a entender como a vida realmente funciona e ensine-o a olhar para Jesus e os personagens justos da Bíblia como modelo de pessoas que sabem enfrentar problemas e batalhas.


Limitando o tempo que seu filho passa no computador. Ainda que um game que seu filho jogue não seja violento, passar muito tempo jogando vai aos poucos isolá-lo de um contato saudável com a família, trazendo conseqüência e prejuízos sérios para os relacionamentos.
Envolvendo-se na vida de seu filho e incentivando-o a cultivar atividades que o ajudarão espiritual, emocional e fisicamente.

Uma versão deste artigo, escrita por Julio Severo, foi publicada pela primeira vez como matéria de capa da revista Defesa da Fé de outubro de 2003, pelo Instituto Cristão de Pesquisas. Copyright 2003 Julio Severo. Proibida a reprodução deste artigo sem a autorização expressa de seu autor. Julio Severo é autor do livro O Movimento Homossexual, publicado pela Editora Betânia. E-mail: juliosevero@hotmail.com

Fonte:
www.juliosevero.com.br

[1] http://www.jj.com.br/jj2/agito/agito25102002-01.html
[2] http://www.family.org/pplace/pi/films/a0014049.html
[3] Pat Pulling, The Devil’s Web (Huntington House: Lafayette, Louisiana, 1989), p. 179.
[4] Idem.
[5] http://www.chick.com/articles/frpg.asp
[6] Dicionário Aurélio, Babylon Dictionary, Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary e Encarta Pocket Dictionary.
[7] http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=33032
[8] http://www.yugihocards.hpg.ig.com.br/entretenimento/18/index_int_8.html
[9] http://www.villagestreetwear.com/yugthouscar.html.
[10] http://www.angelfire.com/anime5/otakuparadise/yugioh.html
[11] http://www.cuttingedge.org/articles/bc001.html
[12] http://www.yugihocards.hpg.ig.com.br/entretenimento/18/index_int_7.html
[13] http://www.mercadolivre.com.br/jm/item?site=MLB&id=10058202
[14] http://www.chick.com/articles/frpg.asp
[15] http://www.killology.com/book_stop_summary.htm
[16] http://www.almenconi.com/topics/games/vent24.html
[17] http://www.almenconi.com/topics/games/vent20.html

28 de outubro de 2003

Cardias fala em 28/10/03

Pastor Cardias faz pronunciamento sobre homossexualidade à luz da Palavra de Deus


Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados.

O tema homossexualidade nunca foi tão explorado pela mídia como atualmente. Na televisão, os programas de auditório recebem militantes gays para entrevistas e debates sobre suas conquistas e promoção de seus eventos. Novelas, filmes e manifestações em ruas públicas, também exaltam a homossexualidade. Rádios, jornais e revistas abriram-se para a questão.

O assunto está até mesmo na ordem do dia aqui da Câmara dos Deputados, tendo destaque, inclusive, com a formação de uma frente parlamentar na defesa de seus interesses. Isto prova o grande lobby e o poder da mobilização que o grupo mantém, investindo altíssimo na difusão de suas teses e idéias.

Os acalorados debates atravessam muitas perspectivas quando o assunto é a homossexualidade: psicológica, sociológica, ética e, a mais polêmica, a religiosa. As posturas são as mais diversas. A Igreja Evangélica, entretanto, mesmo não sendo favorável à prática homossexual, acredita que os homossexuais devem ser acolhidos, receber compaixão e ouvir a palavra de Deus, pois as Sagradas Escrituras prometem transformação para todo e qualquer pecador que se arrependa dos seus pecados e creia em Jesus Cristo.

Por isso, Sr. Presidente e nobres Pares desta Casa, como Pastor Evangélico jamais me calarei diante de inverdades e afirmações infundadas que ouvimos quando a questão é levantada. A falta de conhecimento sobre o assunto ainda é grande. No intuito de colaborar mostrando a verdade à luz da Palavra de Deus, e sob o seu temor, faço mais esta intervenção, encorajado por um artigo que recebi do meu irmão em Cristo João Luiz Santolin, membro da Igreja Presbiteriana da Barra, RJ, Bacharel em Teologia e Pós-Graduando em Terapia de Família na Universidade Cândido Mendes, RJ.

A Igreja Evangélica tem uma postura bem firme quanto à questão da homossexualidade. E apesar de lançar mão de argumentos psicológicos, científicos, sociológicos e éticos, é da Bíblia Sagrada que esta retira o substrato para nortear sua compreensão teológica e suas ações práticas.

Tanto no Antigo como no Novo Testamento, a Bíblia faz menção aos atos homossexuais. A primeira referência ao homossexualismo está no livro de Gênesis, quando os habitantes das cidades Sodoma e Gomorra tentaram violentar sexualmente dois anjos com aparência humana. Assim a Bíblia menciona, em Gênesis 19, a exigência dos homens da cidade que tentavam invadir a casa de Ló, onde os anjos se hospedaram: “Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a nós para que abusemos deles”.

Outra passagem do Antigo Testamento que se refere à prática homossexual, encontra-se no capítulo 19 do livro de Juízes. Os homens da cidade de Gibeá também tentaram violentar sexualmente um homem que se hospedou na casa de um velho agricultor.

Baseado nesta passagem bíblica, o pesquisador e escritor Júlio Severo afirma que os judeus - por não terem eliminado de seu meio os costumes dos povos pagãos - acabaram sendo influenciados por eles e sofrendo graves conseqüências sociais e morais:

“O fato é que os costumes dos cananeus que habitavam no meio do povo de Benjamin acabaram minando toda sua resistência moral. O homossexualismo, que era comumente praticado nas religiões cananéias, foi aos poucos sendo introduzido na vida social do povo de Deus. Como conseqüência, as ruas de Gibeá deixaram de ser seguras. Nelas, agora, rondavam estupradores homossexuais. Foi por isso que o velho se dispôs a acolher os viajantes em casa. Ele quis protegê-los de um eventual abuso sexual”.

Segundo Severo, os habitantes da cidade de Gibeá colocaram-se ao lado dos seus cidadãos homossexuais e sofreram graves conseqüências. Ele considera a história de Gibeá um alerta para os cristãos dos dias de hoje, pois segundo afirma, esses também são suscetíveis de abrigar o pecado em suas comunidades:

“Para que toda influência homossexual fosse arrancada do meio do povo de Deus, o Senhor ordenou que os benjamitas fossem combatidos. Na guerra que se seguiu, morreram quarenta mil soldados de Israel e vinte e cinco mil de Benjamin, sem mencionar as vítimas civis, que foram em número muito maior. A tragédia moral de Gibeá é um alerta para a comunidade cristã de todos os tempos. Ela mostra que não só a sociedade secular, mas também os próprios crentes são suscetíveis de perder a aversão pelas opiniões e práticas sexuais erradas. O ex-povo de Deus de Gibeá foi destruído porque não amou a Palavra do Senhor, nem obedeceu a ela”.

Além de outras duas passagens no Antigo Testamento, cujo foco principal é a moralidade, tratada em Levítico 18 e Levítico 20, no Novo Testamento a homossexualidade também é abordada de forma clara em três momentos: Rm 1, 1 Co 6.9 – 11 e 1 Tm 1.8 - 11. As três referências são feitas pelo apóstolo Paulo. As principais passagens que abordam a questão homossexual, no entanto, encontram-se nas cartas do apóstolo endereçadas às igrejas de Roma e da cidade de Corinto, na Grécia. Tanto em Roma como na Grécia antiga, o homossexualismo era uma prática comum. Era, ainda, considerado imagem ideal do erotismo e modelo de educação para os jovens.

A História registra que dos quinze primeiros imperadores de Roma, só Cláudio era exclusivamente heterossexual. Mas foi o imperador Júlio César que ganhou a fama, só sendo tolerado pela posição que ocupava e por suas conquistas bélicas. Dele diz-se que “era homem de todas as mulheres e mulher de todos os homens”.

A palavra lésbica vem da ilha de Lesbos, na Grécia, onde vivia uma poetisa e sacerdotisa chamada Safo. Ela iniciava mulheres no homossexualismo (daí os adjetivos lésbica ou mulheres sáficas). As palavras “sodomitas” e “efeminados” usadas em 1 Co 6.9 têm significados distintos: sodomita vem do pecado de Sodoma e tornou-se sinônimo universal de homossexualismo ativo (quando o homossexual faz o papel de “marido” na relação com outro homem); e efeminado é quando o homossexual faz o papel de passivo (ou seja, o de “mulher” na relação sexual com outro homem) e, também, quando tem trejeitos femininos ou gosta de vestir-se com roupas de mulher (no caso de travestis).

Esse era exatamente o contexto em que o apóstolo Paulo vivia quando escreveu a primeira referência bíblica do Novo Testamento sobre o homossexualismo, dirigindo-se à igreja de Roma. Usando a autoridade que tinha de pregador da Palavra de Deus, ele não fez distinção entre homossexualismo ativo ou passivo. Afirmou, sim, que o homossexualismo contrariava os propósitos morais, sexuais, sociais e espirituais de Deus para homens e mulheres.

Depois de afirmar que os romanos haviam trocado a verdade de Deus pela mentira, ele condenou a homossexualidade declarando em Romanos 1.26 e 27: “porque até as suas mulheres trocaram o modo natural de suas relações íntimas, por outro contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo em si mesmos a merecida punição do seu erro”.

A outra menção à homossexualidade - considerada por muitos evangélicos a mais importante da Bíblia, por mostrar que o homossexualismo é um pecado como qualquer outro, mas, principalmente, que os homossexuais podem mudar - é encontrada na carta de Paulo dirigida à igreja de Corinto. Essa cidade pertencia à Grécia antiga, onde, à semelhança de Roma, o homossexualismo era celebrado e também praticado por filósofos e poetas. Na adolescência, os rapazes gregos deixavam a casa de seus pais e se tornavam amantes de homens adultos. Corria que essas práticas sexuais faziam parte de um relacionamento afetivo e educacional em que os jovens eram ensinados a trilhar os caminhos da virilidade.

O apóstolo Paulo, porém, mesmo conhecendo muito bem a cultura da Grécia, faz uma leitura diferente do pensamento corrente na época, em 1 Coríntios 6.9 a 11 ao afirmar:

“Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.”

Portanto, Sr. Presidente, diferentemente do que afirmam alguns simpatizantes gays, a Bíblia não condena os homossexuais, mas sim suas práticas. Muitas são as evidências bíblicas, explícitas, mostrando que Deus pode transformar a vida de uma pessoa envolvida nesse tipo de comportamento. E muitos homossexuais têm experimentado estas transformações desde que a Bíblia foi escrita. Então, não nos esqueçamos: Deus ama a todos, indistintamente. Deus só não ama o pecado.

Agradeço a atenção de todos e que Deus, em Cristo Jesus nosso Senhor, nos ajude e abençoe. Meu muito obrigado.

Pr. Milton Cardias Dep. Fed. PTB/RS

8 de outubro de 2003

O casamento está em risco?

O casamento está em risco?
Você tem dúvidas sobre o que o "casamento" realmente significa nos dias de hoje?

Introdução

Muitas pessoas, até mesmo cristãs, estão confusas com alguns dos argumentos que estão escutando hoje em dia sobre o assunto de casamento entre homossexuais. De uma forma superficial, aquilo que os defensores de tal conceito afirmam parece até justo e lógico. Arranhe a superfície, no entanto, e você irá descobrir que alguns desses argumentos não são sustentáveis.

Esta brochura contém algumas das perguntas mais freqüentes e algumas das declarações mais ouvidas sobre esse importante assunto, ao lado de respostas que ajudarão no decorrer do debate. Essa é uma batalha social cataclísmica, que estará no nosso meio por muito tempo. Assim, nenhum cristão ou cidadão pode ignorar esse debate.

PERGUNTA: Duas pessoas que se amam não deveriam ter o direito de se comprometerem uma com a outra?

REPOSTA:
Com certeza, e pessoas se comprometem umas com as outras o tempo todo. Mas não chamamos isso de casamento. Existem várias formas de se comprometer com alguém sem um casamento. Amigos se comprometem uns com os outros, um pai tem compromisso com seu filho, avós com seus netos, e há gente que tem compromisso com seus animais de estimação. Tudo isso são meios de expressar amor, e resultam em compromissos. Nenhum deles, porém, é casamento.

PERGUNTA: O que há de errado em se permitir que homossexuais se casem?

RESPOSTA:
Nenhuma sociedade humana — nenhuma — jamais tolerou o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo como uma regra para a vida em família. E é isso o que está em jogo aqui, tornar o casamento entre dois homens ou duas mulheres tão normal quanto o casamento entre um homem e uma mulher, e também dizer que essas uniões devem ser consideradas iguais, sem nenhuma diferença. Como o Dr. Dobson escreve, apenas nos últimos "milésimos de segundo" da história e experiência humana (por exemplo, no Canadá e alguns países europeus) é que passamos a acreditar, arrogantemente, que temos o direito de aperfeiçoar essa instituição tão antiga e universal.

O significado público do casamento não é algo que toda nova geração está livre para redefinir. O casamento foi definido pelo Deus da natureza e pela natureza de Deus — e uma sociedade sábia irá proteger tal conceito como ele sempre foi compreendido. O casamento é a maneira pela qual a nossa cultura promove a monogamia, providencia uma forma de homens e mulheres construírem uma vida juntos, e assegura que toda criança tenha uma mãe e um pai.

PERGUNTA: Homossexuais não podem ter filhos, mas há casais que também não o podem. Então, por que se permite que eles se casem?

RESPOSTA:
Isso é a exceção e não a regra. Muitos desses casais que não podem ter filhos os adotam, e essas crianças adotivas recebem todos os benefícios de se ter um pai e uma mãe. É impossível para um casal homossexual proporcionar tal benefício — isto é, a presença de um pai e uma mãe — a qualquer criança, mesmo que aquele casal tenha adotado, ou tenha se utilizado da inseminação artificial.

PERGUNTA: Isso não é cruel?

RESPOSTA:
Isso é devido à época em que estamos vivendo. Nossa sociedade valoriza mais o que parece justo, do que o que é verdade. Crianças precisam, de fato, de uma mãe e de um pai. O que é cruel é negar isso intencionalmente a elas. As pesquisas que apóiam essa realidade são tão substantivas quanto inequívocas!

PERGUNTA: E quanto às pessoas que são muito velhas para ter filhos, mesmo que adotivos? Nós permitimos que elas se casem.

RESPOSTA:
Sim, claro que nós permitimos que pessoas mais velhas se casem. Ter filhos não é um requisito do casamento. A razão em se defender a instituição do casamento não é fundada apenas na criação de filhos. Homem e mulher foram feitos um para o outro, e o Estado tem um interesse convincente em apoiar essa idéia — com ou sem crianças.

PERGUNTA: Mas não é melhor para uma criança crescer com pais do mesmo sexo que se amam, do que viver em um lar tumultuado, ou viver saltando de um lado para o outro em um lar adotivo?

RESPOSTA:
Você está comparando o pior de uma situação (pais heterossexuais abusivos) com o melhor de outra situação (pais carinhosos de um mesmo sexo). É como comparar maçãs a laranjas.

O fato é que as pesquisas revelam que o índice de abuso contra crianças é menor quando elas vivem com seus pais biológicos, do que quando a criança vive apenas com um dos pais biológicos e um adotivo; nesse caso os índices de abuso são bem maiores.1 Situações em que a criança é criada por pais de um mesmo sexo impossibilitam a criança de viver com seus pais biológicos, aumentando, assim, o risco de abuso.

Aqueles que estão reivindicando casamentos entre homossexuais não estão pedindo para resgatar crianças que vivem em situações complicadas; então é intelectualmente desonesto apoiar essa reivindicação com tal argumento. Eles estão reivindicando pelas mesmas coisas que todos os pais desejam: crianças saudáveis e felizes a quem eles possam chamar de suas. Assim vamos pôr de lado a idéia de que casais do mesmo sexo irão prestar um serviço bom e elevado à sociedade se apenas criarem crianças que se encontram em situações complicadas. Eles jamais reivindicaram por isso.

PERGUNTA: Deixando de fora a questão das crianças, os gays não possuem os mesmos direitos ao casamento que pessoas heterossexuais possuem?

RESPOSTA:
Todas as pessoas têm o mesmo direito de se casar, contanto que tudo seja feito de acordo com as leis. Não se pode casar, se já se é casado, não se pode casar com um parente próximo, um adulto não pode se casar com uma criança, não se pode casar com um animal de estimação, e você não pode casar com uma pessoa do mesmo sexo. Vamos deixar bem claro aqui: todos têm acesso ao casamento desde que cumpram os requisitos. Isso não é uma discussão sobre acesso ao casamento. Estamos falando de redefinição de casamento para um conceito que jamais existiu.
PERGUNTA: Mas os heterossexuais podem casar de acordo com a sua orientação/propensão sexual. Por que não permitir também aos homossexuais se casarem de acordo com a sua orientação?

RESPOSTA:
Nenhum tribunal dos Estados Unidos jamais reconheceu, nem estudo científico algum jamais estabeleceu, que a homossexualidade é conseqüência da natureza e, portanto, pode ser comparada com a heterossexualidade. Os cientistas entendem que a homossexualidade está baseada em vários fatores biológicos, psicológicos e sociais. Não podemos tratá-los de uma mesma forma.

PERGUNTA: Mas isso é ser intolerante, pois eu pensei que os homossexuais não têm culpa de serem o que são.

RESPOSTA:
Então a própria natureza é intolerante. O casamento não foi "imposto" sobre a nossa cultura por alguma instituição religiosa ou poder governamental do qual precisamos nos "libertar". Foi estabelecido por Deus, e aplicado pela natureza a qual Deus conferiu ao homem, e o risco será nosso se não soubermos tratá-lo de modo apropriado. Isso é o que é ser intolerante: o fato do "casamento" entre pessoas do mesmo sexo estar sendo imposto sobre nós por um grupo pequeno, de elite, um grupo de indivíduos, vestidos em togas pretas — juízes — que afirmam que milhares de anos da história humana estavam simplesmente errados. Uma noção bastante arrogante que trará, como conseqüência, danos enormes à nossa cultura.

PERGUNTA: Proibir o casamento entre gays não é a mesma coisa que proibir casamento entre pessoas de raças diferentes?

RESPOSTA:
De forma alguma! Ser preto ou branco, hispânico ou asiático não é o mesmo que ser homossexual. Repito, instituição acadêmica alguma no mundo ou nenhum tribunal de justiça dos Estados Unidos jamais estabeleceu que a homossexualidade é imutável, assim como a raça, a nacionalidade ou o sexo.

Essa afirmação dá a entender que os que se opõem ao casamento entre pessoas de um mesmo sexo são fanáticos, e isso não é verdade. Eles apenas acreditam que, por um bom motivo, o casamento é entre homem e mulher.

PERGUNTA: Mas no decorrer da história não temos visto todo tipo de variedades de família em várias civilizações?

RESPOSTA:
Não. Os antropólogos nos revelam que toda sociedade humana é estabelecida por homens e mulheres que se unem permanentemente a fim de construir uma vida conjunta para gerar filhos e os criar. As diferenças que nós vemos em famílias de cultura para cultura são variações primárias nesse modelo: quanto tempo o homem e a mulher ficam juntos, quantos esposos cada um pode ter, e como o trabalho é dividido. Algumas culturas fazem mais uso de uma família grande do que outras. Diversidade familiar é amplamente limitada a essas diferenças. Entretanto, jamais existiu uma cultura ou sociedade que fez do casamento homossexual parte do modelo familiar.

PERGUNTA: Mas como o "casamento" homossexual constitui uma ameaça às famílias dos outros?

RESPOSTA:
Os ativistas gays não estão reivindicando apenas o casamento homossexual, apesar de que geralmente eles personalizam essa idéia ao dizer: "Não interfira na minha família e eu não interferirei na sua". O que de fato tais ativistas querem é uma nova política nacional que admita o fato de que se ter uma mãe e um pai não é em nada melhor do que ter duas mães ou dois pais. Essa política viraria de cabeça para baixo alguns princípios bem importantes:

O casamento se tornaria meramente um relacionamento emocional flexível o suficiente para incluir qualquer grupo de adultos que se amam. Se é justo que dois homens ou duas mulheres se casem, por que não três, ou cinco, ou 17? Os termos "marido" e "esposa" se tornariam meras palavras sem significado algum.

A paternidade passaria a consistir em qualquer número de pessoas que se preocupam com crianças. "Mãe" e "pai" passariam a ser meras palavras.

A diferença sexual deixaria de existir. O argumento do casamento entre pessoas do mesmo sexo não permite a idéia de que existem diferenças reais, profundas e necessárias entre os sexos. Se diferenças reais existissem, então homens precisariam de mulheres e mulheres de homens. Nossas crianças começariam a aprenderiam na escola que as diferenças sexuais são meramente coisas da personalidade. Espere até que seus filhos comecem a trazer para casa livros da escola defendendo esse tipo de idéia.

PERGUNTA: Mas será que expandindo o casamento para incluir os homossexuais não se estaria de fato fortalecendo o casamento?

RESPOSTA:
Pelo contrário. Há evidências recentes da Holanda, considerada a cultura mais tolerante ao homossexualismo na face da Terra, de que os homossexuais do sexo masculino têm grande dificuldade de honrar o ideal do casamento. Apesar de o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo ser legalizado por lá, uma pesquisa do Jornal Médico Britânico afirma que o relacionamento homossexual masculino dura, em média, um ano e meio, e o homem gay tem em média oito parceiros por ano fora do seu suposto relacionamento de "compromisso".

Compare isso com o fato de que 67 por cento dos casamentos de primeira vez nos Estados Unidos duram 10 anos, e mais de três quartos dos casais heterossexuais afirmam que são fiéis aos seus votos nupciais. 2

Não. Diluir o conceito de casamento não ajuda a fortalecer o casamento.

PERGUNTA: Mesmo assim, o casamento tradicional não está indo tão bem, com tantos divórcios ocorrendo.

RESPOSTA:
Você está certo. O casamento não está indo bem, então o que devemos fazer? Acabar com as leis do casamento? Olhe para isso da seguinte maneira. Nós temos leis contra o homicídio, mas pessoas ainda estão cometendo assassinatos; o que devemos fazer, então? Acabar com as leis de homicídio? Claro que não. Quando as leis não estão funcionando devidamente, os legisladores tentam corrigí-las. Nós deveríamos tentar fortalecer o casamento, e alguns já estão fazendo isso.

De fato, a evidência a favor do casamento é tamanha que o governo federal começou a encorajar a inclusão de um componente de treinamento conjugal em todos os planos de previdência social estaduais.

PERGUNTA: Mas nossa cultura não se beneficia quando tentamos algo “novo”?

RESPOSTA:
Novidade nem sempre significa melhora. "Novo" e "aperfeiçoado" são sinônimos apenas nesta era do consumo. Tudo o que se distancia dos ensinamentos bíblicos específicos é uma idéia ruim, inevitavelmente.

Trinta anos atrás, nossa nação entrou numa experiência social dramática na família, o chamado "divórcio sem culpa", achando que isso melhoraria a vida familiar. As pesquisas que examinaram os 30 anos após essa experiência revelaram que tal experimento falhou completamente. Crianças e pais ficaram feridos de uma forma muito mais profunda — e por muito mais tempo — do que jamais se pudera imaginar.

Os revolucionários do movimento “divórcio sem culpa” reivindicaram que a parte dos votos matrimoniais que declara "até que a morte nos separe" não era tão importante assim. Eles estavam errados. A mesma proposta do casamento entre pessoas do mesmo sexo reivindica que "marido" e "mulher" não é tão importante. Lá vamos nós de novo.

PERGUNTA: Mas com certeza os homossexuais precisam do casamento para que se sintam membros integrais da sociedade, não acha?

RESPOSTA:
Precisam casar-se? Não. O que nós estamos falando aqui é de estima própria e não cabe ao governo conferir estima própria a nenhum indivíduo ou grupo.

PERGUNTA: Por que você é tão restritivo na sua definição de casamento?

RESPOSTA:
A natureza é restritiva em sua definição e por uma razão muito boa. Pesquisas dos últimos 100 anos sem variação alguma nos mostram que o casamento proporciona um baú de tesouros em coisas boas tanto para crianças como para adultos, assim como para a sociedade.

PERGUNTA: Quais são os benefícios que o casamento proporciona?

RESPOSTA:
Em todas as escalas que medem o bem-estar, as pesquisas constantemente nos mostram que adultos casados se desempenham melhor. Pessoas casadas vivem mais e são mais felizes. Elas têm níveis mais altos de saúde física e mental, recuperam-se de doenças mais rapidamente, ganham e poupam mais dinheiro, são empregados mais confiáveis, sofrem menos stress, e têm menos probabilidade de se tornarem vítimas de violência. Elas valorizam mais a responsabilidade de criar os filhos e são mais agradáveis, além de terem mais satisfação e realização em sua vida sexual. Esses benefícios são iguais tanto para homens como para mulheres. 3

Comparando-se com crianças em qualquer outra situação, crianças com pais casados vão menos ao médico, têm menos problemas físicos e emocionais, e elas se saem melhor em todas os níveis do desenvolvimento acadêmico e intelectual. São mais simpáticas com os outros, e têm muito menos probabilidade de se envolverem em problemas na escola, em casa ou com a polícia. Elas também têm menos probabilidade de usarem drogas, terem atitudes violentas ou se envolverem em atividades sexuais antes do casamento e terem filhos fora do casamento. Ē raro que crianças que vivem com pais casados venham a viver em miséria, ou sejam vítimas de abuso físico ou sexual.4

As pesquisas são claras: o casamento faz uma diferença importante e positiva na vida das pessoas.

PERGUNTA: Então, permitir o casamento para casais do mesmo sexo não significa que mais pessoas usufruiriam dos benefícios do casamento?

RESPOSTA:
Pelo contrário. O casamento é mais do que um relacionamento emocional com um compromisso. É a união permanente das duas partes complementares do ser humano que se completam nas suas diferenças. Essa é a razão pela qual o casamento proporciona coisas boas para adultos e crianças, o que relacionamentos do mesmo sexo por definição não podem proporcionar.

A maior conseqüência de se expandir a definição do casamento é que o casamento passaria a significar tudo e, ao mesmo tempo, nada. O objetivo dos líderes gays mais influentes que estão liderando este movimento não é o de ampliar os benefícios do casamento, mas de privá-lo de qualquer significado. Eles vêem a redefinição do casamento como o primeiro passo para abolir o matrimônio e a família como um todo, eliminando assim os benefícios do casamento para todos.

PERGUNTA: Mas tudo o que está sendo reivindicado não é somente o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

RESPOSTA:
Sim, o casamento gay é visto por muitos como um direito civil. No entanto, se tal direito for instituído, aí em que base poderá o casamento ser negado a vários casais ou a um grupo? Em um artigo sério no The Weekly Standard, o escritor Stanley Kurtz explicou que a poligamia está sendo endossada mais do que nunca antes, com comentários amigáveis em vários jornais recentemente. Kurtz prediz que em breve a ACLU (entidade liberal americana que luta para dar direitos às pessoas) se levantará como um de seus maiores defensores.

E não vai parar por aí. Kurtz relata que com a popularidade crescente de algo que se chama poliandria — em outras palavras, “casamento de grupo”. A poliandria está na vanguarda dos direitos de família, e é promovida por professores em várias de nossas maiores universidades. Kurtz explica que esse movimento de "casamento grupal" está marchando no mesmo caminho que as propostas do casamento entre pessoas do mesmo sexo.5


Além de todos os problemas que isso traz, o governo e as empresas serão forçados a providenciar benefícios de saúde e legais para qualquer grupo de pessoas que se declararem "casadas" perante tais leis, ou mais provavelmente, através de decisões judiciais. Será que a sua empresa teria condições de arcar com os custos dos benefícios de saúde para 5 ou 9 pessoas em um casamento grupal? De fato, nesse novo mundo, o que impediria duas (ou até seis) mães solteiras heterossexuais de se casarem simplesmente para poderem receber seguro saúde familiar, benefícios em impostos e de seguridade social em conjunto? O aumento dos custos para o governo tanto quanto para as empresas seria paralisante.

CONCLUSÃO

O casamento não é apenas um assunto de natureza privada. Todo casamento é um bem social que coloca responsabilidade e controle na sexualidade humana, une as duas partes do ser humano num relacionamento cooperativo, mútuo e benéfico, e dá pais e mães para crianças. A sociedade ganha benefícios quando o casamento vai bem; uma grande parte do dinheiro gasto pelo nosso governo em programas de previdência social é devido aos casamentos que não deram certo, ou que falharam na sua formação. Coisas boas acontecem quando honramos o que o casamento significa. Coisas ruins ocorrem quando tentamos modificá-lo.

Inevitavelmente, o futuro e a saúde da humanidade acabarão ficando nas mãos da saúde e futuro do casamento.

Desenvolvido por Glenn T. Stanton, diretor de Pesquisa Social e Relações Culturais do Focus on the Family. Ele é o autor de Why Marriage Matters: Reasons to Believe in Marriage in PostMordern Society; também por Pete Winn, editor associado da CitizenLink na Focus on the Family.

Esta brochura também está disponível online no site www.citizenlink.com


Bibliografia:
1 Catherine Malkin and Michael Lamb, “Child Maltreatment: A Test of the Sociobiological Theory,” Journal of Comparative Family Studies, 25 (1994): 121-133; David Popenoe, Life Without Father, (New York: The Free Press, 1996).
2 Maria Xiridou, et al., “The Contributions of Steady and Casual Partnerships to the Incidence of HIV Infection Among Homosexual Men in Amsterdam,” AIDS, 17 (2003): 1029.38.
3 Glenn T. Stanton, Why Marriage Matters: Reasons to Believe in Marriage in Postmodern Society, (Colorado Springs, Pinon Press, 1997); Linda Waite and Maggie Gallagher, The Case for Marriage: Why Married People Are Happier, Healthier and Better Off Financially, (New York: Doubleday, 2000); Robert Coombs, “Marital Status and Personal Well-Being: A Literature Review,” Family Relations 40 (1991) 97-102; Lois Verbrugge and Donald Balaban, “Patterns of Change, Disability and Well-Being,” Medical Care 27 (1989): S128-S147; I.M. Joung, et al., “Differences in Self-Reported Morbidity by Marital Status and by Living Arrangement,” International Journal of Epidemiology 23 (1994): 91-97; Linda Waite, “Does Marriage Matter?” Demography 32 (1995): 483-507; Harold Morowitz, “Hiding in the Hammond Report,” Hospital Practice (August 1975), p. 39; James Goodwin, et al., “The Effect of Marital Status on Stage, Treatment, and Survival of Cancer Patients,” Journal of the American Medical Association, 258 (1987): 3152-3130; Benjamin Malzberg, “Marital Status in Relation to the Prevalence of Mental Disease,” Psychiatric Quarterly 10 (1936): 245-261; David Williams, et al., “Marital Status and Psychiatric Disorders Among Blacks and Whites,” Journal of Health and Social Behavior 33 (1992): 140-157; Steven Stack and J. Ross Eshleman, “Marital Status and Happiness: A 17-Nation Study,” Journal of Marriage and the Family, 60 (1998): 527-536; Robert T. Michael, et al., Sex in America: A Definitive Survey, (Boston: Little, Brown, and Company, 1994), p. 124-129; Randy Page and Galen Cole, “Demographic Predictors of Self-Reported Loneliness in Adults,” Psychological Reports 68 (1991): 939-945; Jan Stets, “Cohabiting and Marital Aggression: The Role of Social Isolation,” Journal of Marriage and the Family 53 (1991): 669-680; “Criminal Victimization in the United States, 1992,” U.S. Department of Justice, Office of Justice Programs, Bureau of Justice Statistics, (March 1994), p. 31, NCJ-145125; Ronald Angel and Jacqueline Angel, Painful Inheritance: Health and the New Generation of Fatherless Families, (Madison: The University of Wisconsin Press, 1993), pp. 139, 148; Richard Rogers, “Marriage, Sex, and Mortality,” Journal of Marriage and the Family 57 (1995): 515-526.
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