1 de outubro de 2001

Defendendo a Responsabilidade da Família na Educação dos Filhos

Defendendo a Responsabilidade da Família na Educação dos Filhos

Julio Severo


À primeira vista, seria desnecessário frisar que os pais têm a principal responsabilidade na educação de seus filhos. Afinal, por milhares de anos eles sempre tiveram um papel decisivo na área de ensinar os filhos.

A principal desvantagem do passado era que não havia os recursos educacionais que conhecemos hoje, e a vantagem era que uma educação centrada no lar moldava a formação do caráter de forma direta. Havia tanto convívio familiar que não sobrava aos adolescentes tempo para se envolver com más companhias. O normal era o respeito e o apego à família. Hoje a situação se inverte: pouco convívio familiar e muito envolvimento com amigos suspeitos, principalmente em escolas públicas, trazendo como resultado infelizes mudanças de comportamento, inclusive desrespeito aos valores aprendidos na família e na igreja.

O que sempre tornou fundamental o papel dos pais na educação dos filhos é que eles sempre tiveram a autoridade para definir os valores de vida. Sua missão era encorajar, corrigir e treinar moralmente. Os filhos não aprendiam somente a ler e a escrever, mas também a levar uma vida honesta e responsável.

Embora saibam que o melhor lugar para uma criança aprender valores morais é o lar, muitos pais se sentem incapazes de dar aos filhos o conhecimento educacional que as escolas institucionais podem dar. Assim, eles enviam os filhos a essas escolas, muitas vezes temendo por sua segurança moral, espiritual e física.
As escolas públicas têm hoje uma vasta influência na vida de milhões de crianças. As crianças passam grande parte de seu tempo semanal absorvendo o que aprendem nas escolas. E o que elas estão aprendendo?

A maioria dos pais sente que as escolas públicas não são uma boa opção. Eles gostariam de mandar os filhos para uma escola cristã. Até mesmo pais não-evangélicos não vêem nenhum problema em colocar os filhos em escolas cristãs, porque sabem que lá eles aprenderão valores morais. Os pais têm um interesse natural em proteger os filhos e lhes dar segurança. Na escola pública, as crianças estão sujeitas a absorver ensinamentos errados e as experiências negativas dos amigos. É uma socialização que desafia tudo o que ela aprendeu no lar. Nesse desafio, o maior perdedor pode ser a criança e a família.

É claro que é direito dos pais decidir o tipo de educação que será melhor para os filhos. Se eles preferem uma escolar pública, o governo não deveria impedi-los, mas apoiá-los. Se o que os pais querem é mandá-los para uma escola particular cristã ou lhes dar educação escolar em casa, é responsabilidade do governo tratar esses pais com o mesmo respeito e apoio. O papel do governo é apoiar os pais, não tentar substituí-los ou enfraquecer seu direito de escolher o que é melhor para os filhos.

Embora a escola pública ofereça um ambiente moralmente desprotegido para muitas crianças, cristãos adultos — como professores, diretores, etc. — deveriam aproveitar toda oportunidade para influenciar essa área. É o que eu mesmo faço. Já tive chance, por exemplo, de dar palestras em escolas públicas sobre aborto e sexo antes do casamento, de um ponto de vista cristão. Os alunos deram muita atenção e experimentaram um impacto tremendo. Costumo também orientar líderes cristãos a darem palestras em escolas públicas.

Uma escola particular cristã é uma opção que toda família gostaria de escolher. É sempre uma boa opção. Mas a maioria das pessoas não tem condições financeiras de sustentar os estudos pagos dessas escolas.

A grande vantagem de nossa época é que o computador nos permite fazer agora o que antes não era possível. Podemos entrar em bibliotecas, consultar enciclopédias e adquirir todo tipo de conhecimento, com um simples click do mouse. Especialistas americanos como John Naisbitt acham que com o computador agora acessível será possível as famílias darem aos filhos educação escolar no próprio lar.

Educar uma criança é como cultivar uma planta. Aliás, o Salmo 128:3 diz que nossos filhos são como oliveiras novas. Plantinhas devem ser cultivadas, regadas e tratadas com muita atenção. Embora o capim possa crescer sem nenhum problema em qualquer lugar, plantinhas valiosas precisam do nosso cuidado direto. Se receber uma educação qualquer, sem princípios morais, a criança corre o sério risco de se tornar como capim, moralmente inútil. Se receber uma educação cuidadosa, ela terá tanto valor e utilidade como a oliveira.

Se durante seu crescimento, essas plantinhas forem regadas com ensinamentos que contaminam e desafiam os valores morais aprendidos no lar, como poderão se preparar para o futuro? As escolas públicas estão regando as crianças numa fase em que elas estão abertas para absorver e aprender experiências. Elas absorvem experiências de seus amigos de escola e também as experiências que seus professores lhes passam. Há professores que, alegando melhorar o desempenho escolar dos alunos, os levam à prática da meditação oriental. As crianças não estão preparadas para discernir o fator espiritual dessa prática. Elas não sabem que, nas religiões orientais, a meditação faz com que o indivíduo entre em contato maior com espíritos guias.

Deveríamos dar a elas a chance de serem regadas com ensinamentos da melhor qualidade moral possível. Deveríamos mandá-las para escolas cristãs conceituadas.

Não havendo essa possibilidade, podemos optar pela educação escolar em casa. Não é difícil. Dois milhões de crianças americanas recebem educação escolar em casa, dos próprios pais. A experiência mais comum é que crianças educadas assim têm dificuldade de se envolver com más amizades, respeitam os pais, têm um desempenho educacional superior ao dos alunos em escolas públicas e até particulares.

No Brasil, já há famílias brasileiras dando educação escolar em casa para os filhos. Embora muitos americanos residentes no Brasil ensinem os próprios filhos no lar, com a liberdade que sua cidadania americana lhes dá, as famílias brasileiras estão dando educação escolar em casa com a liberdade que lhes é garantida na própria Declaração Universal dos Direitos Humanos. Essa declaração diz que é direito prioritário dos pais escolher a educação dos filhos.
Apesar disso, o Ministério da Educação já se colocou na oposição a esse método de ensino, contrariando até mesmo tratados internacionais que o Brasil assinou, e um ministro do Superior Tribunal de Justiça declarou que os pais não podem dar educação escolar em casa porque “os filhos não são dos pais”. Então, de quem são os filhos?

No pensamento socialista, as pessoas pertencem ao governo. Se o governo, por exemplo, determina que todas as crianças em idade pré-escolar devem ir para a creche, todas terão de ir. Se o governo estabelece que as esposas não têm a liberdade de permanecer em seus lares para cuidar dos filhos, só lhes resta deixá-los na creche e entrar no mercado de trabalho.

Contudo, não vivemos num país totalitário. Vivemos num país democrático, onde escolhas e decisões, ainda que sejam diferentes, precisam ser respeitas. Todos são iguais perante a lei. O próprio direito natural estabelece que os filhos são responsabilidade prioritária dos pais, não do governo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos tem respeitado esse direito. Agora resta às nossas autoridades colocarem o bem-estar das famílias e suas escolhas livres acima de suas próprias ambições políticas.

Fonte: http://www.juliosevero.com

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Um comentário:

Anônimo disse...

Caro Senhor Julio,
Sou uma mãe Cristã muitíssimo preocupada com a educação dos meus dois filhos, Sou brasileira e luto muito, más os valores cobrados por uma escola cristã são absurdamente altos o que me deixa a opção somente as escolas públicas.
Não seria o caso de escolas cristãs se unirem e darem a nós cristãos melhores condições em seus valores para que possamos pelos menos ter condições de protegermos nossos filhos dessa imoralidade que se vem apregoando?
Ass: Uma mãe cristã apavorada.