30 de maio de 2016

Putin e a Noite dos Lobos


Putin e a Noite dos Lobos

G. Murphy Donovan
Introdução de Julio Severo: Donovan, um ex-agente secreto dos EUA, mostra que a maior ameaça hoje é o islamismo e que enquanto os EUA e a Europa estão focando na Rússia que restaurou o Cristianismo em sua vida nacional, o islamismo e suas hordas de imigrantes estão conquistando a Europa. Enquanto o Ocidente está oprimindo a Rússia com sanções malignas, nações islâmicas terroristas como a Arábia Saudita não enfrentam nenhuma sanção. Franklin Graham, filho do famoso evangelista Billy Graham, também disse que os EUA precisam juntar forças com a Rússia contra o terrorismo islâmico. Leia o excelente artigo de Donovan:
No mínimo, Vladimir Putin é um líder que pinta a imagem da Rússia com pinceladas claras. Ele venceu um passado comunista e de KGB para criar uma espécie de autocracia democrática na Rússia. Ele literalmente, e figurativamente, restaurou o Cristianismo e as igrejas ortodoxas na Rússia. Em suas horas de folga, Putin anda de motos Harley Davidson com o Noites dos Lobos, o primeiro clube de motoqueiros na era pós-comunismo, uma organização que poderia ser o único clube político patrocinado pelo Estado no planeta.
O presidente russo também reabilitou as forças armadas da Rússia depois das derrotas militares com os afegãos e chechenos. Mais recentemente, Putin desacorrentou o urso e alterou a natureza da política e dissidência no Cáucaso, Geórgia, Ucrânia e agora Síria. A resistência russa à expansão da OTAN e às loucuras de mudanças de regime é uma resposta previsível, e até compreensível, a uma União Europeia azarada. Por que os políticos europeus buscam briga com a Rússia enquanto estão sendo invadidos e atacados por imigrantes islâmicos é um mistério para especialistas em tática e estratégias e diplomatas.
O presidente russo recentemente desmascarou também a Turquia como o calcanhar de Aquiles da OTAN, revelando a Turquia como uma 5ª coluna terrorista entre o Oriente e o Ocidente. A OTAN fazia vista grossa ao cartel petrolífero Erdogan/Baghdadi até a força aérea russa começar a destruir comboios que se dirigiam à Turquia. O diretor financeiro do consórcio turco com o ISIS parece ser Billy Erdogan, filho do presidente turco de duas caras. Do outro lado da fronteira, a Síria era outro pequeno impasse de guerra até Putin intervir.
Os russos ainda levam astronautas americanos ao espaço, enquanto o governo dos EUA mantém sanções maliciosas contra o governo russo — uma demonstração do caráter russo e da insipidez da era de Obama. Com Putin, a diplomacia está muitas vezes com a porta entreaberta. O transporte espacial russo é útil para americanos da NASA e dá chances para astronautas do mundo inteiro. As avançadas viagens espaciais agora requerem uma base no Cazaquistão e um foguete russo.
Diferente de líderes europeus e americanos, Vladimir Putin não tem ilusões sobre ameaças existenciais como fronteiras abertas, imperialismo islâmico ou fascismo religioso.
O mundo muçulmano vem fornecendo combatentes para uma guerra santa islâmica que já dura meio século que mira e mata americanos e europeus ocidentais com quase impunidade. Ironicamente, nenhuma nação muçulmana sofre a opressão de sanções econômicas como as sanções impostas sobre a Rússia. Aliás, os EUA e a Europa agora se cansaram tanto de atrocidades islâmicas que se acostumaram. Os muçulmanos continuam a matar e aleijar enquanto o governo dos EUA e a União Europeia continuam a arrumar desculpas para o terrorismo mundial como a nova normalidade.
Para os defensores, chamar o islamismo de uma “grande” cultura é a retórica imprestável dos facilitadores.
O movimento de boicote, desinvestimento e sanções (BDS) contra Israel é semelhante às sanções contra a Rússia, movimentos motivados por preconceitos e intolerâncias históricas. Ao mesmo tempo em que Israel ganhou uma série de guerras contra árabes predadores e o Ocidente ganhou a Guerra Fria contra o comunismo inepto, a Europa ainda não consegue aceitar uma Rússia que se reinventou.
O Dia da Vitória, celebrando o sucesso soviético na 2ª Guerra Mundial, se tornou o feriado mais importante no calendário russo no governo de Putin.
Diferente dos EUA e Europa, vitória, sucesso e a necessidade de se opor ao fascismo, inclusive a espécie religiosa, são pilares da vigilância russa atual. O presidente Obama está para visitar Hiroshima no Japão; ele rejeitou convites para celebrar o Dia da Vitória na Rússia. Dos “Grandes Três Aliados” da 2ª Guerra Mundial que derrotaram a Alemanha fascista e o Japão imperial, a Rússia fez o sacrifício mais elevado para derrotar os nazistas e salvar a Europa. A Rússia pode ter de resgatar a Europa de si mesma de novo no século XXI.
Enquanto o presidente russo cultiva uma ética de “nunca esquecer,” o presidente americano parece nunca se lembrar. Aliás, Barack Obama, como normalmente ocorre com a história muçulmana, parece ser ignorante do legado de culturas incomuns — e a diferença entre competição amistosa e letal. Se um esquerdista como o presidente Franklin Delano Roosevelt pôde unir seus esforços com Josef Stálin e um conservador como Ronald Reagan pôde negociar com Mikhail Gorbachev, como é que uma insignificância política como Barack Hussein Obama não consegue negociar com Vladimir Putin?
A face do fascismo do século XXI é religiosa — e islâmica. Não existe muita diferença entre totalitários seculares e religiosos. Coerção, terrorismo e atrocidade são o que eles têm em comum. Pobre Europa, com a possível exceção da Inglaterra que deseja sair da União Europeia, que parece estar canalizando condutas do início do século XX que facilitaram o nacional socialismo (nazismo). Recorde que a Itália e a Espanha uniram esforços com o fascismo. A França e a Bélgica se entregaram como prostitutas, e a maioria da Escandinávia permitiu que os canalhas de Hitler assumissem controle sem resistência. “Neutralidade” na Europa antes e durante a 2ª Guerra Mundial era outra palavra para apaziguamento. No Norte, o aroma era colaboracionista; no Sul, a colaboração se chamava Vichy. Em vez de focarem em defesa, a União Europeia e a OTAN estão flertando com semelhante loucura histórica.
Os paralelos da Europa da 2ª Guerra Mundial e a União Europeia do início do século XXI não são mais difíceis de ignorar. Os eurocratas parecem não ter a mínima ideia acerca de defesa cultural comum ou defesa cinética comum. Os terroristas vivem lado a lado com belgas distraídos. A União Europeia busca resolver o problema da 5ª coluna agora fazendo da Turquia uma fronteira aberta para a Europa!
Às vezes não é difícil concluir que a Europa ingênua e a Arábia Saudita implacável e cruel merecem uma a outra. No passado distante, o islamismo estava às Portas de Viena. Agora o islamismo bate às portas da Abadia de Westminster em Londres. Se bom senso fosse dinheiro, a União Europeia estaria falida.
A perda de uma Europa Ocidental ingênua com certeza vai fornecer novas oportunidades para novas alianças. Considerando o caos e agressões epidêmicas que procedem do mundo islâmico, a Rússia, a China e os Estados Unidos poderiam ser os novos “Três Grandes Aliados” contra os totalitários do século XXI. Uma das vantagens mais óbvias de uma nova coalizão militar mundial seria a economia. Diferente dos dependentes da OTAN, os chineses e os russos certamente vão pagar suas próprias despesas.
Ironicamente, a China e a Rússia já são aliados fiscais, tanto quanto ambos emergiram como uma espécie de Viagra orçamentário para o Ministério da Defesa dos EUA. É difícil justificar “imensos” orçamentos de defesa no Pentágono se a ameaça real for a 5ª coluna de imigrantes muçulmanos e terroristas dirigindo picapes Toyotas.
Só um candidato nas eleições primárias americanas sugere que guerras pequenas, estratégias e alianças deveriam estar na mesa de negociações em 2016. Difícil prever como tal debate poderia ocorrer, mas qualquer movimento em novas direções seria uma melhoria diante da “nova normalidade”: ameaças falsificadas, inércia sanguinária e apaziguamento suicida.
O tempo não é um aliado dos europeus e americanos quando a guerra envolve ataques terroristas islâmicos ali e aqui que no final vão representar uma derrota de guerra.
G. Murphy Donovan é um ex-agente secreto dos EUA que escreve sobre as políticas de segurança nacional.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do American Thinker (Pensador Americano): Putin and the Night Wolves
Leitura recomendada:

28 de maio de 2016

Olavo de Carvalho versus Reinaldo Azevedo: censurar ou não, eis a questão


Olavo de Carvalho versus Reinaldo Azevedo: censurar ou não, eis a questão

Julio Severo
“Quase todos os homens conseguem aguentar adversidades, mas se quiser testar o caráter de um homem, dê-lhe poder.” — Abraham Lincoln
Muitos só mostram o que são quando chegam ao poder. Só uns poucos conseguem, antes de chegarem ao poder, mostrar o que são.
Esse caso pode se aplicar ao Olavo de Carvalho e ao Reinaldo Azevedo, que estão numa briga de galo midiática. Não sei se o Reinaldo se mostraria um censor se chegasse ao poder, mas na briga entre os dois, Reinaldo tem dado total liberdade de expressão para os olavetes invadirem seu espaço de Facebook e o xingarem à vontade.
Os dois defendem a liberdade de expressão. Mas enquanto Olavo só defende a liberdade de expressão para quem o elogia, Reinaldo tem generosamente dado liberdade de expressão para seguidores do Olavo o xingarem — uma tolerância que o mestre dos olavetes sempre mostrou indisposição de tolerar.
Aos seguidores do Reinaldo que desejam comentar no espaço de Facebook do Olavo com a mesma liberdade de expressão que os olavetes têm no espaço do Reinaldo, Olavo já deu o ultimato:
“Aviso às raras reinaldettes que aparecem por aqui: Tomar partido de quem me xinga não é expressar opinião: é me xingar de novo.”
Se são raros ou não, é uma informação impossível de apurar, já que os seguidores do Reinaldo, ou qualquer outro comentarista que apenas disser que concorda com o Reinaldo, terão o tratamento padrão do Olavo: censura, bloqueio e xingamento.
A mais recente medida do Olavo é processar o Reinaldo pelo mesmo tipo de conduta que o Olavo exibe rotineiramente. Ele disse:
“Ainda não respondi ao sr. Azevedo porque pretendo fazê-lo por via judicial em vez de pedir gentilmente direito de resposta.”
Já pensou se todas as pessoas a quem o Olavo ofende também o processarem pelas mesmas razões que ele está processando o Reinaldo?
Em meu artigo “Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho na arena das vaidades e baixarias,” mostrei que o que o Reinaldo falou sobre o Olavo não é diferente do que o Olavo fala sobre os outros:
Mesmo discordando do Reinaldo, o que ele disse sobre o Olavo não é nem 10 por cento do que o Olavo já disse contra mim, com abundância de palavrões, desde 2013 quando discordei do revisionismo histórico dele acerca da Inquisição.
Isso é apenas efeito bumerangue tardio. Olavo usa diariamente, com palavrões até contra gente conservadora, o mesmo tratamento que Reinaldo lhe dispensou. Fazer o Olavo pelo menos uma vez na vida provar da própria sujeira não vai matá-lo.
Fico imaginando se o Olavo cuidaria melhor da limpeza de sua boca se ele começasse a receber de todo mundo as mesmas baixarias e palavrões que ele lhes dá com a maior naturalidade — mas para si recebe todo ofendido e magoado, como se fosse vítima da maior injustiça do universo. Quem fala baixarias e palavrões todos os dias deve estranhar quando o bumerangue da boca porca volta contra si mesmo?
Com a experiência que tenho de vítima dos palavrões e baixarias do Olavo, não pude deixar de postar um comentário na fanpage do Reinaldo quando a vi inundada de olavetes histéricos usando todo o seu talento de boca suja com total liberdade de expressão (ou liberdade de sujeira). Comentei no Facebook do Reinaldo:
Parabéns ao Reinaldo pela liberdade de expressão neste espaço, pois a censura no perfil do Olavo é violenta. Quando Olavo começou a me atacar pelo fato de que ele desculpa a Inquisição e eu não, muitos evangélicos tentaram fazer no perfil de Facebook do Olavo exatamente o que os adeptos do Olavo estão tendo liberdade de fazer aqui: comentar me defendendo dos ataques do Olavo. Praticamente todos os comentários a meu favor foram apagados e os comentaristas foram bloqueados. Eu discordo do Reinaldo em várias questões, mas se ele fosse o CENSOR que o Olavo é, os adeptos do Olavo não teriam aqui no espaço do Reinaldo vez e voz. TOMARA QUE AO VER A LIBERDADE DE EXPRESSÃO QUE HÁ AQUI O OLAVO APRENDA ALGO ÚTIL E PARE DE APAGAR COMENTÁRIOS E PARE TAMBÉM DE XINGAR E BLOQUEAR PESSOAS QUE EDUCADAMENTE DISCORDAM DAS OPINIÕES DELE.
Olavo de Carvalho não dá liberdade de expressão em seus espaços para opiniões divergentes, mas tira proveito, com sua matilha de zumbis amestrados, da liberdade de expressão do espaço dos outros.
Estou apenas defendendo a liberdade de expressão, que tanto Reinaldo quanto Olavo afirmam defender, mas só um deles pratica.
Hoje, sem poder governamental, Olavo censura os discordantes e os manda tomar naquele lugar. Amanhã, com poder governamental nas mãos, ele poderá aplicar censura maior e mandar todos para o xilindró.
Como é que sei? Assim agiu o líder comunista Vladimir Lênin, cuja boca suja era, segundo Olavo, um exemplo de sucesso. Conforme o próprio Olavo já declarou, é a boca suja de Lênin que o inspira a ter uma boca suja.
Não vai ser um final feliz para um movimento conservador brasileiro onde um de seus integrantes é imitador da boca suja e ofensiva de Lênin e onde outros adoram imitar o mau exemplo do imitador de Lênin.
Leitura recomendada:

26 de maio de 2016

Olavo de Carvalho errou sobre quem é a mãe da Teologia da Libertação


Olavo de Carvalho errou sobre quem é a mãe da Teologia da Libertação

Marcos Paulo Fonseca da Costa
Segundo Olavo de Carvalho, num vídeo de 2015 no Youtube, Nikita Kruschev, o sucessor de Stalin na União Soviética, foi o autor do termo Teologia da Libertação e, conforme entendi, foi o formulador da própria teologia em si. Assista (5 min 20s).
Curiosamente, em vídeo de 2013, o mesmo Olavo ensina que a origem dessa teologia é o padre jesuíta Gustavo Gutierrez. Assista (5min 45s).
Qual Olavo tem razão, o Olavo de 2013 ou o Olavo de 2015?
Num artigo de janeiro de 2015, Olavo insistiu que a Teologia da Libertação, na verdade, é fruto do trabalho sombrio da KGB. No último parágrafo do artigo ele ensinou assim:
“Ou seja, em suas linhas essenciais, a idéia da TL veio pronta de Moscou três anos antes de que o jesuíta peruano Gustavo Gutierrez, com o livro Teología de la Liberación (Lima, Centro de Estudios y Publicaciones, 1971), se apresentasse como seu inventor original, decerto com a aprovação de seus verdadeiros criadores, que não tinham o menor interesse num reconhecimento público de paternidade.” (Um cadáver no poder I, 15/1/2015)
É bem verdade que não se deve cair no erro rasteiro de pensar que a Teologia da Libertação é produto da mente de Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff, Juan Luis Segundo, Frei Betto ou até mesmo, como advogam alguns, do ex-pastor Rubem Alves. Não, eles são apenas competentes divulgadores dessa teologia. Eles estão para ela como Voltaire e Diderot estão para as ideias iluministas.
Será Nikita Kruschev o autor direto da Teologia da Libertação ou apenas o chefe administrativo de sua difusão pela América Latina?
Bem, o historiador do Comunismo, autor de “O Comunismo” e de “História Concisa da Revolução Russa”, Richard Pipes, traz informação que lança óbice sobre parte da tese de Olavo de Carvalho segundo a qual a Teologia da libertação nasce de Kruschev. Veja o que ensina Pipes sobre a compreensão que Kruschev tinha do Comunismo:
“‘Desde o meu tempo de estudante, tentara e não conseguira compreender exatamente o que era o comunismo(…) Tinha tentado fazer com que o meu pai lançasse uma luz sobre a natureza do comunismo, mas não obtive nenhuma resposta inteligível. Percebi que tampouco a sua compreensão era tão clara a respeito.’ Se o líder do bloco comunista e arauto incansável de seu triunfo futuro por todo o mundo não conseguiu explicar a seu filho o que era o comunismo o que se pode esperar da compreensão teórica das pessoas comuns?” (O Comunismo, Bibliex/Objetiva, 2014, p.134)
Imagine se um homem que sequer entendia bem o que era o comunismo teria capacidade para criar uma teologia, como Olavo parece deixar nas entrelinhas do vídeo de 2015? Para criar a Teologia da Libertação seria preciso mais do que uma noção vaga e imprecisa da doutrina comunista; antes, seria necessário que o postulante a criador dessa teologia detivesse sólido conhecimento tanto de marxismo quanto da letra da Escritura. Que intelectual ou corporação poderia reunir tal síntese?
O autor intelectual dessa teologia foi Gutierrez ou foi a KGB?
Pista extraída do livro “Os jesuítas – A companhia de Jesus e a traição à Igreja Católica”, publicado pela Record em 1989, escrito pelo ex-jesuíta Malachi Martin, aponta boa direção para aonde seguir a fim de saber quem são os verdadeiros criadores da Teologia da Libertação. Ela não nasce de nenhum ventre em Moscou; ela surge das entranhas de Roma.
“Sem um gigante como Karl Rahner é de se duvidar que a Teologia da Libertação fosse conseguir muito mais do que rachar, oscilar e despencar.” (p. 21)
A teologia que Olavo de Carvalho abomina e cuja parturição joga no útero de Moscou, vem exatamente da Roma religiosa. Ela tem origem em gabinetes de homens que pertenciam ao estudo, de mentes que conheciam bem o marxismo e as Escrituras; essa teologia provém da mesma ordem religiosa a que pertence o papa Francisco. Embora Gustavo Gutierrez tenha sido jesuíta, ele não é o mentor intelectual da Teologia da Libertação. Nesse quesito, três nomes aparecem com força: George Tyrrel, Teilhard de Chardin e Jacques Maritain.
Toda informação que trago à frente é de Malachi Martin, autor que Olavo admira e vez ou outra aparece na boca dele. O livro é o mesmo indicado antes.
“George Tyrrel nasceu na Irlanda, de pais ingleses, em 1861” (p. 247)
“Muitos dos destacados teólogos e bispos da igreja de hoje deveriam poder reconhecer em George Tyrrel um verdadeiro ancestral seu. Os entusiastas da Teologia da Libertação como o padre jesuíta Gustavo Gutierrez e Juan Luis Segundo estão seguindo o exemplo de Tyrrel na sua insistência de que a teologia não deve vir ‘de cima’ – da Igreja hierárquica – mas de baixo – do ‘povo de Deus’” (p.254)
“Teilhard, como costumava ser chamado, nasceu na França vinte anos depois de George Tyrrel, em maio de 1881” (p. 259)
“‘Para Teilhard, o marxismo não apresentava dificuldade alguma. ‘O Deus cristão lá no alto, escreveu ele, e o Deus do Progresso marxista estão reconciliados em Cristo.’ Não admira que Teilhard de Chardin seja o único escritor católico-romano cujas obras estão expostas ao público junto às de Marx e Lenin no Salão do Ateísmo em Moscou” (p. 263)
“A Teologia da Libertação – defendida em grande parte por jesuítas latino-americanos – fornecia um objetivo tangível para as novas teorias de Pierre Teilhard de Chardin, SJ…” (p. 274)
“Na esteira do impressionante trabalho de Teilhard na década de 1920…surgiu outro francês na década de 1930 – o filósofo católico Jacques Maritain…[que] codificou o chamamento humanista da fraternidade à Igreja Católica Romana para que se identificasse com as aspirações revolucionárias das esforçadas massas da humanidade.” (p. 276)
“A esquerda política, para Maritain, representava tudo o que era da maior significação do ponto de vista histórico. De fato, Maritain adotou uma espécie de teologia da história, como se poderia chamá-la, baseada na filosofia marxista: a verdade religiosa se encontrava exclusivamente nas massas do povo.” (p. 277)
“Apesar de tudo, é muito mais correto dizer que a América Latina serviu de laboratório vivo para as experiências com a as várias teorias e fórmulas que se reuniam sob o nome de Teologia da Libertação; que a inspiração da Teologia da Libertação, sua fórmula primordial, e seus principais defensores eram todos europeus.” (p. 279)
“Em essência, a Teologia da Libertação é a resposta àquele chamamento dirigido à Igreja codificado tantos anos antes por Maritain.” (p. 279)

Apreciação final

É inegável que o sistema político de Moscou teve envolvimento com a “exportação” do comunismo mundo afora e na América Latina em particular. Pipes trata disso no livro que mencionei aqui.
Para Olavo, o autor da Teologia da Libertação é Gustavo Gutierrez ou Nikita Kruschev/KGB?
Qual Olavo tem razão, o Olavo de 2013 ou o Olavo de 2015?
Fico com a impressão de que Olavo na verdade quer desviar o foco do problema central: Roma é a autora da Teologia da Libertação, não Moscou. É a velha história de culpar o mensageiro pela mensagem ou do marido traído pela esposa no sofá que vende o sofá e deixa tudo como antes.
Por tudo o que foi visto em Malachi Martin, a Teologia da Libertação é sem dúvida uma construção intelectual de jesuítas. A Teologia da Libertação é um projeto católico, embora tenha recebido anátema papal e tudo o mais. Ela sai da matriz romana, especificamente de Tyrrel, Chardin e Maritain, todos católicos, todos jesuítas. Moscou foi vetor de propagação dessa teologia, mas definitivamente não é a mãe da criança. A genitora é a própria Igreja Católica Romana, que Olavo quer restaurar. Só para relembrar: Os jesuítas estão no “trono de Pedro”. Eles chegaram lá.
Divulgação: www.juliosevero.com
Leitura recomendada sobre Teologia da Libertação como criação soviética:
Leitura recomendada sobre Teologia da Libertação como criação soviética:
Olavo de Carvalho e o bruxo islâmico René Guénon

25 de maio de 2016

Teologia da Prosperidade: a maior ameaça ao esquerdismo secular, católico e evangélico


Teologia da Prosperidade: a maior ameaça ao esquerdismo secular, católico e evangélico

Entendendo as vontades da esquerda degoladora

Julio Severo
As forças principais que estão ameaçando o esquerdismo brasileiro foram identificadas pela filósofa marxista Marilena Chaui, que denunciou uma “operação cotidiana, minuciosa que foi feita no campo ideológico de convencimento da teologia da prosperidade, da ideologia do empreendedorismo e, em particular, da concepção neoliberal do individualismo como competição bem-sucedida.” Essa declaração reveladora foi exposta pelo jornalista Reinaldo Azevedo num confronto de católico nominal com outro católico nominal no artigo “Cuidado! Marxilena Chaui, o Aiatolavo da esquerda, confessa: quer ‘enfiar um punhal’ na nossa goela.”
Não me envolvo na briga de católicos nominais, que estão, como porcos de chiqueiro, atirando lama um no outro, mas Azevedo pegou em cheio o alvo central da marxista Marilena.
Essa macaca velha do esquerdismo brasileiro colocou a Teologia da Prosperidade como a primeira força na fileira da ameaça ao socialismo no Brasil. Como reação selvagem, ela expressou o desejo de “enfiar um punhal na goela” das forças conservadores. Isso significa que se dependesse dela, os primeiros a serem degolados seriam os televangelistas neopentecostais da Teologia da Prosperidade (TP).
Não é difícil imaginar por que Marilena odeie tanto a TP. Mas o mistério é: Como é que a TP é, de longe, a teologia mais demonizada da história da Igreja Evangélica no Brasil? De onde vem esse ódio?
É um ódio hipócrita, pois os inimigos da TP (tanto comunistas quanto pastores progressistas) não vivem o que pregam.
Amantes e promotores da Teologia da Missão Integral (TMI), que é a versão protestante da marxista Teologia da Libertação, odeiam tudo o que tem aparência de capitalismo. Essa é a principal razão por que eles classificam como “heresia” a chamada Teologia da Prosperidade. A TMI domina especialmente em igrejas protestantes históricas, que por sua vez dominam a teologia brasileira e detêm quase todas as instituições teológicas.
Pastores presbiterianos e batistas esquerdistas, ostentando salários de 20, 30 e 40 mil reais por mês, se acham no direito de julgar, direto de seus tronos, o “capitalismo” de pregadores da TP.
Eles não gostam do capitalismo, mas não doam seus gordos salários, carrões e mansões aos pobres que eles afirmam tanto amar. Se doassem, eles teriam moral para criticar a TP, que muitos pobres abraçam para escapar da pobreza.
Eles não têm moral para criticar a TP, que faz oposição feroz aos valores destrutivos da Esquerda (inclusive aborto e agenda gay). As críticas raras dos adeptos da TMI a esses valores destrutivos mal causam cócegas na Esquerda.
Diferente da TMI, a TP coloca o foco no Deus certo. Enquanto a Esquerda coloca o Estado como deus de provisão de saúde, emprego, educação e outras necessidades, pregadores que pregam a TP colocam o único e verdadeiro Deus no seu devido lugar dessa provisão. Basta conferir meu livro “Teologia da Libertação e neopentecostalismo: o grande desafio da igreja evangélica do Brasil.”
Por que então líderes evangélicos da TMI demonizam a Teologia da Prosperidade e endeusam o Estado socialista? Por que eles preferem ficar do lado da extremista Marilena Chaui, que ama tanto Marx que a chamam de Marxilena?
Suspeito que Marxilena não é a única que deseja degolar os pregadores da TP e outros empreendedores capitalistas.
Quer gostem ou não, a única teologia forte o suficiente para se opor à TMI e à Teologia da Libertação predominantes na sociedade brasileira é a TP.
Quem tem olhos esquerdistas nunca verá: No maior país católico do mundo, que é também o país mais adepto da Teologia da Libertação, Deus escolheu a TP como ferramenta de guerra e confronto com as forças das trevas esquerdistas, especialmente a TMI e a Teologia da Libertação.
Incrivelmente, Marxilena viu e Azevedo divulgou.
Como diz a Bíblia, até as pedras estão falando.
Que as outras pedras deem atenção!
Leitura recomendada:

23 de maio de 2016

Olavo de Carvalho, astrologia e antipetismo


Olavo de Carvalho, astrologia e antipetismo

Julio Severo
“Todas as mudanças culturais que aconteceram no Brasil nos últimos anos, com as conseqüências políticas que as acompanharam, foram o resultado, em parte direto, em parte indireto, de um PLANO que comecei a aplicar a partir de meados dos anos 80.”
Essas palavras, escritas por Olavo de Carvalho, concedem para si mesmo o Prêmio Nobel por “todas as mudanças culturais e políticas” no Brasil atual, buscando atribuir o antipetismo e o antilulismo predominantes hoje na sociedade brasileira a um suposto plano antipetista e antilulista iniciado por ele em meados da década de 1980. Mas nessa década e mesmo depois, ele estava de fato envolvido em antipetismo e antilulismo?
Num texto da década de 1990, Olavo advertiu seus leitores que tentassem enxergar nele um autor “hidrófobo antipetista.” Ele disse:
“Votei em Lula para presidente e o faria de novo, com prazer, se ele tomasse [certas] providências.”
Mais que isso, Olavo disse: “Lula é um homem decente.”
São declarações pró-Lula feitas muito tempo depois que ele já havia começado a aplicar um suposto plano antipetista e antilulista.
Hoje, ele não cessa de auto-reconhecer que ele é o responsável pelo antipetismo, o antilulismo e até mesmo o impeachment de Dilma Rousseff, embora simule humildade diante de toda a sociedade brasileira que parece “teimar em não reconhecer” o papel principal que ele mesmo deu para si. Olavo disse recentemente:
“Não faço questão nenhuma de que reconheçam o papel central que desempenhei.”
Se não quiserem dar a ele o Oscar do antilulismo, não tem problema: ele próprio dá para si mesmo! Mas na década de 1980, Olavo não era um ativista antipetista e antilulista nem no Brasil nem na China. Antes de escolher se apresentar como filósofo conservador que prediz tendências e eventos políticos, ele era um famoso astrólogo (e fundador e diretor da primeira escola de astrologia do Brasil) que predizia tendências e eventos políticos. Então é muito comum seus seguidores bocas sujas dizerem hoje “Mestre Olavo predisse essa e aquela tendência e evento político.”

Na década de 1980, Olavo de Carvalho era um ativista esotérico, não um ativista antipetista e antilulista

Na década de 1980, Olavo estava seguindo o “conservadorismo” da Filosofia Tradicionalista ou Perene de René Guénon, um feiticeiro islâmico que costumava predizer tendências e eventos políticos. A primeira tradução para o português de um livro do Guénon foi feita pelo Olavo.
Quando iniciou seu suposto plano antipetista e antilulista, Olavo já estava totalmente mergulhado no esoterismo da astrologia e feitiçaria islâmica. Pode alguma coisa boa sair disso?
Na década de 1980, eu era (e continuo) antipetista roxo, e as igrejas pentecostais que frequentei naquele tempo eram antipetistas roxas. Mesmo antes daquela época (no final da década de 1970 e início da década de 1980), programas de TV de Pat Robertson e Jimmy Swaggart, de vastas audiências no Brasil, estimulavam o público contra o socialismo.
A TFP católica daquele tempo era também antipetista roxa. Nunca ouvi falar do Olavo na época, e se ouvi, logo me esqueci, pois como cristão o PT, a astrologia e declarações elogiando “Lula como um homem decente” em nada me interessavam. Se eu visse um astrólogo elogiando ou atacando Lula, isso não teria a mínima importância para mim.
Mesmo assim, insistentemente hoje Olavo afirma prever tudo e que desde 30 anos atrás, ele previu o mal de Lula e do PT contra o Brasil e que ele já havia lançado um plano antilulista em 1985. E insiste em outras previsões “políticas.”
Andam dizendo, entre católicos, espíritas, esotéricos e até evangélicos: “Ele é um profeta!”
Não tenho absolutamente nada contra espíritas e esotéricos que considerem Olavo um profeta. Eles sabem com quem se identificam. Mas até evangélicos?
Alguns calvinistas cessacionistas, que não acreditam em dom de profecia para hoje, creem na capacidade “política” do Olavo prever.

Olavo de Carvalho é um “verdadeiro profeta”?

Até um famoso pastor da Assembleia de Deus não teve o mínimo resguardo bíblico de chamar Olavo de “verdadeiro profeta” no Congresso Nacional. Será a mancada assembleiana do século XXI. Ele superou José que estava entre magos e astrólogos no Egito, mas nunca os chamou de “profetas” por suas “previsões” políticas. Ele superou Daniel que estava entre magos e astrólogos na Babilônia, mas nunca os chamou de “profetas” por suas “previsões” políticas.
Com Olavo, previsões (altamente desconexas, nebulosas, contraditórias e confusas) viraram consenso e ele é poupado por apologetas e cessacionistas, pois aparentemente o cessacionismo não se aplica a revelações vindas da astrologia, mas só ataca revelações vindas do Espírito. Se esse for o caso, Olavo está isento, pois o que ele possui não vem de experiências com o Espírito Santo, mas de uma pesada e vasta experiência ocultista, que envolve diretamente “previsões” políticas de natureza astrológica. Daí o motivo de ele estar sempre dizendo: previ, prevejo e — é claro — continuará prevendo muito no futuro.
O “dom” de revelação da astrologia, que já nos tempos da Bíblia andava com a política, se tornou uma ferramenta fantasticamente embutida em sua “filosofia” política, que envolve uma estranha paixão revisionista pró-Inquisição, que torturava e matava judeus e evangélicos pelo “delito” de opinião religiosa diferente. Com Olavo ou com os antigos astrólogos do Egito e da Babilônia, política e astrologia são inseparáveis.
Eu achava que os evangélicos — inclusive eu — que se aproximaram do Olavo pudessem ajudá-lo a sair das trevas e ir para a luz. Contudo, ninguém — nem eu — pôde, mas quase todos — excluindo a mim — se tornaram “religiosamente” seduzidos, hipnotizados e liderados por ele, em vez de o liderarem para o Espírito. Os poderes ocultos da astrologia são maiores do que o poder do Espírito, ou esses evangélicos não são convertidos?

O que se deve fazer com premonições e predições?

Mesmo que uma premonição ou predição demoníaca seja aparentemente correta, a obrigação do cristão é repreender e expulsar o demônio da vítima que faz premonições:
“E aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem escrava que estava tomada por um espírito que a usava para prognosticar eventos futuros. Dessa forma, ela arrecadava muito dinheiro para seus senhores, por meio de adivinhações. Seguindo a Paulo e a nós, vinha essa moça gritando diante de todos: ‘Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação!’ E ela insistiu em agir assim por vários dias. Finalmente, Paulo irritou-se com aquela atitude e dirigindo-se ao espírito o repreendeu, exclamando: ‘Ordeno a ti em Nome de Jesus Cristo, retira-te dela!’ E ele, naquele mesmo instante, saiu.’” (Atos 16:16-18 KJA)
Vasculhar escombros e entulhos de premonições e predições em busca de “pepitas de ouro” de conservadorismo ou antimarxismo não é um trabalho saudável. O Apóstolo Paulo, ao lidar com homens cultos que haviam saído do ocultismo, só tinha uma orientação: Eles deveriam queimar publicamente seus livros satânicos e dar testemunho público de como o poder de Deus foi maior e transformador em suas vidas.
“Muitos dos que creram, assim que chegavam, começavam a confessar e a declarar em público suas más obras praticadas.  Da mesma forma, muitos dos que haviam se dedicado ao ocultismo, reunindo seus livros de magia, os queimaram diante de toda a comunidade reunida. Calculados os seus preços, chegou-se à estimativa de que o valor total equivalia a cinquenta mil moedas de prata.  E assim, a Palavra do Senhor era grandemente propagada e prevalecia poderosamente.” (Atos 19:18-20 KJA)
Necessariamente, a rejeição ao ocultismo vem depois de uma conversão genuína.
Por mais valiosos que sejam, temos de queimar os livros e escritos de ocultistas. Ou somos mais sábios que Paulo?
Não podemos confiar na inteligência humana, que é alimentada por livros. Essa inteligência é vista como tolice diante de Deus, conforme disse Paulo:
“Onde está o filósofo? Onde está o acadêmico? Onde está o debatedor desta era? Deus não transformou em loucura a sabedoria deste mundo?” (1 Coríntios 1:20 HCSB)
Portanto, a sabedoria ou filosofia do homem nada mais é que loucura aos olhos de Deus, ainda mais quando carregada de premonições, predições e astrologia. A filosofia humana, energizada pelo esoterismo, gera culto à personalidade.
A inteligência espiritual, que é alimentada exclusivamente pela Bíblia, gera o temor de Deus, que é o princípio da sabedoria verdadeira. Gera culto a Deus.

O que é astrologia?

O que a Bíblia tem a dizer sobre predições, premonições e astrologia? De acordo com Daniel 1:20; 2:2, 10, 27, o astrólogo (cuja palavra original em hebraico é “ashshaph” e significa “encantador”) é alguém que professa ver, com a ajuda de “deuses,” acontecimentos futuros através da aparência das estrelas. Essa prática era comum na Babilônia, onde o profeta Daniel estava. A astrologia é proibida por Deus. Confira Deuteronômio 4:19; 18:10 e Isaías 47:13.
Na antiga Babilônia, astrologia (ocultismo) andava de mãos dadas com a política. Os “deuses” da astrologia são na verdade demônios que buscam influenciar assuntos e destinos políticos.
O Michaelis-Moderno Dicionário de Língua Portuguesa diz que “astrólogo” é sinônimo de “encantador, feiticeiro e mago.” Outros dicionários também ligam astrólogo com encantador.
Encantador é alguém que encanta, seduz, fascina, cativa, maravilha e enfeitiça. Pela sua experiência espiritual, Olavo tem vasto conhecimento e prática dessas técnicas, pois fazem parte da função do astrólogo.
Se um simples astrólogo domina algumas técnicas ocultistas de sedução e engano, Olavo domina todas essas técnicas. Muito mais do que um mero astrólogo, Olavo foi chefe de astrólogos. Veja este vídeo: https://youtu.be/-XDFh_eLgPI

Encantamento

Existe farto material, escrito pelo próprio Olavo, que mostra suas afinidades espirituais. O mistério é como evangélicos têm sucumbido a esse tipo de encantamento. Há casos até de pastores que se converteram para o peculiar catolicismo pró-Inquisição dele depois de se tornarem alunos do curso dele. Isso de fato é encantamento.
Não importa como ou quanto Olavo xingue ou ofenda seus adeptos evangélicos cegos, eles adoram sua cegueira.
Chamar o Olavo, nessas condições, de “verdadeiro profeta” é igualar o papel de um encantador ou astrólogo (que “vê” o futuro por meios desaprovados por Deus) ao papel de um homem de Deus que recebe revelações de Deus. É uma comparação incompatível. É puro efeito de encantamento.
E a Bíblia é bem clara em sua advertência de que a filosofia também tem seus próprios encantamentos e seduções, que devemos evitar:
“Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.” (Colossenses 2:8 NVI)
“Certifique-se de que nenhum predador transforme você em vítima por meio de alguma filosofia enganadora e ilusão vazia com base em tradições fabricadas por meros seres humanos mortais. A fonte dessa filosofia e ilusão está nos princípios que se originam neste mundo e não no Ungido (por isso, não deixe as conversas deles capturarem você).” (Colossenses 2:8 The Voice Bible)
No passado, Paulo ajudou na libertação de uma jovem escrava de espíritos de premonição. Hoje, quem ajudará um velho escravo dos mesmos espíritos? Quem ajudará os que estão se deixando encantar por esses espíritos?

Contradições e incoerências

Se o Olavo de fato previu os perigos de Lula e do PT em meados da década de 1980, ele agiu como um astrólogo contraditório. Se na época ele fosse filósofo, seria mais contraditório ainda — tão contraditório quanto um famoso esotérico antimarxista da década de 1930.
Depois de iniciar seu plano antipetista e antilulista na década de 1980, Olavo votou em Lula para presidente e disse que “Lula é um homem decente.” Hoje, posa de deus do antipetismo e antilulismo e faz questão de não deixar ninguém se esquecer de que ele é merecedor do Prêmio Nobel Anti-PT e Anti-Lula. E faz questão igual de lembrar a todos de que desde a década de 1980 ele já previu tudo sobre o Brasil.
De forma semelhante, depois de passar os anos recentes numa obsessiva propaganda anti-Rússia e anti-Putin, agora Olavo posa de apoiador de Donald Trump, o candidato presidencial mais pró-Rússia e pró-Putin da história recente dos EUA.
Mais contraditório (ou oportunista) que isso, impossível. Mas totalmente natural no que se refere às confusões que o esoterismo normalmente provoca na mente de seus adeptos.
Leitura recomendada sobre Olavo de Carvalho: