21 de novembro de 2018

Relatório revela que livros didáticos sauditas contêm antissemitismo persistente


Relatório revela que livros didáticos sauditas contêm antissemitismo persistente

Michael Wilner
WASHINGTON — Os livros didáticos da Arábia Saudita continuam a promover teorias de conspiração antissemitas e violência contra os judeus, apesar das declarações públicas da liderança em Riad alegando que o reino saudita vai reformar, de acordo com um estudo divulgado nesta semana.
O documento, divulgado pela Liga Anti-Difamação dos EUA, revelou que os livros didáticos do ensino médio continuam ensinando que os sionistas têm a ambição de construir um “governo judaico mundial para controlar o mundo inteiro” e continuam propagando falsos ensinamentos religiosos que pedem o assassinato de judeus.
Várias passagens destacadas no relatório referem-se a versículos atribuídos no Hadith ao profeta Maomé, mas não incluídos no Alcorão, que foram adotados por extremistas religiosos para justificar a violência. O rei da Arábia Saudita, Salman, prometeu policiar essas interpretações.
Mas o relatório da LAD sugere que o policiamento dele, até agora, se mostrou de pouca importância.
O presidente da LAD, Jonathan Greenblatt, pediu que o governo de Trump faça uma “maior apuração” desses livros didáticos.
“Os EUA não podem fazer vista grossa enquanto a Arábia Saudita mostra discurso de ódio antissemita, ano após ano, no material educativo que dá aos seus filhos,” disse Greenblatt.
Membros do Congresso dos EUA há muito tempo pressionam a Arábia Saudita para revisar seus livros, uma medida que eles dizem vai acabar com o ódio na mente de seus jovens.
Respondendo ao relatório, um funcionário do Departamento de Estado fez referência aos comentários da Secretária de Imprensa da Casa Branca Sarah Huckabee Sanders no mês passado em que ela condenou o antissemitismo em todas as suas formas.
“O antissemitismo é uma praga para a humanidade e é responsável por muitos dos piores horrores da história humana. Todos nós temos o dever de confrontar o antissemitismo em todas as suas formas, e em todos os lugares e em qualquer lugar que ele apareça,” disse Sanders no mês passado, depois das mortes a tiros na sinagoga em Pittsburgh, na Congregação da Árvore da Vida da Pensilvânia. “O povo americano rejeita ódio, intolerância, preconceito e violência. Somos uma nação que acredita na liberdade religiosa, tolerância e respeito. E nós somos um povo que preza a dignidade de toda vida humana.”
A Liga Anti-Difamação sediará sua terceira conferência anual sobre o combate ao ódio, chamada “Nunca é Agora,” em Nova Iorque, em 3 de dezembro.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do jornal israelense Jerusalem Post: Report finds antisemitism remains in Saudi textbooks
Leitura recomendada sobre a Arábia Saudita:

20 de novembro de 2018

Como o socialismo quase destruiu os peregrinos, os primeiros colonizadores evangélicos dos EUA


Como o socialismo quase destruiu os peregrinos, os primeiros colonizadores evangélicos dos EUA

Eddie Hyatt
Muitos anos antes do socialismo provocar o colapso do Império Soviético e devastar a nação da Venezuela, as incompetências do socialismo foram demonstradas aqui mesmo em solo americano. Os peregrinos (evangélicos que foram os primeiros a habitar os EUA) que desembarcaram em Cape Cod, no outono de 1620, inicialmente tentaram um tipo de vida comunitária, mas a dissolveram quando se tornou óbvio que sua comunidade não conseguiu sobreviver com tal sistema (Hyatt, Pilgrims and Patriots, 36-38).

Os peregrinos experimentam a dor do socialismo

A jornada dos peregrinos para a América foi financiada por um grupo de capitalistas de risco que forneceu o navio e suprimentos para sua jornada ao Novo Mundo. Em troca, os peregrinos concordaram em viver comunitariamente com todos, recebendo a mesma recompensa pelo seu trabalho, e com tudo acima de suas necessidades básicas indo para um fundo comum a ser usado para pagar seus credores.
William Bradford, que serviu como governador de Plymouth por muitos anos, contou dos desafios desse sistema socialista. Os homens jovens, ele disse, se ressentiam de receber o mesmo que os homens mais velhos, quando faziam muito mais do trabalho. Como resultado, eles tendiam a ficar relaxados, pois sabiam que receberiam o mesmo, não importando o quanto trabalhassem.
Os homens mais velhos sentiam que mereciam mais honra e recompensa por causa de sua idade e se ressentiam de receber o mesmo pagamento que os jovens no meio deles. Como todos recebiam o mesmo, não importando o quanto trabalhassem, as mulheres muitas vezes se recusavam a ir para o campo para trabalhar, reclamando de doenças e dores de cabeça. Obrigá-las a ir, disse Bradford, teria sido considerado tirania e opressão.
Esse sistema socialista desencorajou o trabalho e a inovação e criou uma atmosfera em que as brigas aumentavam. Quando se tornou óbvio que a escassez e talvez a fome seriam o destino deles, Bradford e os líderes da colônia decidiram fazer uma mudança. Depois de muita oração e discussão, eles decidiram dispensar aquela parte do acordo com seus credores que exigia que eles vivessem comunitariamente até que sua dívida fosse paga.

Eles experimentam os ganhos da livre empresa

De acordo com Bradford, eles então dividiram a terra ao redor deles, distribuindo a cada família certa porção que seria deles para trabalhar e usar para suas próprias necessidades. Bradford disse que houve uma mudança imediata. Os jovens começaram a trabalhar muito mais porque agora sabiam que comeriam o fruto de seus próprios trabalhos.
Não houve mais queixas dos homens mais velhos pela mesma razão. E agora as mulheres eram vistas indo para os campos para trabalhar, levando as crianças consigo, porque sabiam que elas e suas famílias se beneficiariam pessoalmente.
Em vez de faltar comida, cada família agora produzia mais comida e milho do que precisavam, e começaram a trocar entre si por móveis, roupas e outros bens. Eles também tinham excesso suficiente para negociar com os índios por peles e outros itens. Em resumo, a colônia começou a prosperar quando se livrou de sua forma de governo socialista e implementou um sistema empresarial livre.
De sua experiência com o socialismo, Bradford escreveu:
Descobriu-se que esta comunidade [socialismo] gerou muita confusão e descontentamento e retardou muito o emprego que teria sido em seu benefício e conforto… e mostrou a vaidade desse conceito de Platão, e aplaudido por alguns nestes últimos tempos, que a tomada de propriedade e unificar tudo em comunidade os faria felizes e prósperos; como se eles fossem mais sábios que Deus (Hyatt, Pilgrims and Patriots, 38).

Cristianismo e Capitalismo

Bradford acreditava que o socialismo não funcionava porque contrariava a vontade de Deus para a humanidade em um mundo caído. Por causa do estado caído da humanidade, não se pode esperar que ele trabalhe sem recompensa. Nas Escrituras, Deus recompensa os indivíduos por seu trabalho e boas obras. O capitalismo funciona porque é compatível com a realidade da natureza humana e do mundo em que vivemos.
Para o capitalismo ter pleno sucesso, porém, ele deve funcionar em um ambiente cristão forte. Caso contrário, os fortes e poderosos pisarão nos fracos e nos pobres. O capitalismo funcionou para os peregrinos porque eles eram pessoas compassivas que cuidavam daqueles que estavam no meio deles quando estavam doentes, feridos ou incapazes de trabalhar.
O verdadeiro Cristianismo traz uma compaixão que ajuda os fracos e pobres, sem nenhum programa governamental que destrói a iniciativa. Isso é o que aconteceu na igreja primitiva e é o que aconteceu com os peregrinos, que queriam imitar essa igreja.

Socialismo Deifica o Estado

O socialismo moderno está enraizado no marxismo, onde a fé em Deus é substituída pela fé no governo. O Estado é deificado e se torna o tudo em todos para a sociedade. As pessoas são ensinadas a olhar para o governo para resolver todos os problemas e atender a todas as necessidades. Isso, por sua vez, requer uma elite governante, como o antigo politburo soviético, que controla todas os aspectos da sociedade, e é por isso que Walter Williams, professor de economia na Universidade George Mason, diz: “O socialismo é apenas outra forma de tirania.”
No pensamento marxista/socialista, a fé em Deus é vista como um inimigo do Estado. É por isso que, durante o século XX, milhões de cristãos foram presos e condenados à morte em regimes socialistas/comunistas como a China, o Camboja, Cuba e a União Soviética. O deus do socialismo é um deus ciumento e não tolerará rivais.
O socialismo tem um histórico terrível, o que torna incrível que muitas das gerações mais jovens o estejam aceitando. Observando que o socialismo tem sido mantido vivo nos ambientes isolados das universidades, Thomas Sowell opinou: “O socialismo em geral tem um histórico de falhas tão flagrantes que somente um intelectual conseguiria ignorá-lo ou evitá-lo.”

A responsabilidade Cristã

Jamais esquecerei minha visita à Europa Oriental logo depois da queda do Império Soviético. Fiquei impressionado com o ambiente cinzento e monótono. Até os prédios pareciam tão simples, planos e sem brilho. Era óbvio que o sistema marxista havia roubado as pessoas da vida, energia e criatividade. Lembro-me aqui das palavras de Winston Churchill: “Os que não aprendem com a história estão condenados a repeti-la.”
Como cristãos, nossa responsabilidade é chamar as pessoas a Cristo e ajudá-las a viver seu Cristianismo no mundo real. Viver nosso Cristianismo significa uma vida de responsabilidade, sem buscar esmolas do governo, mas trabalhando e prosperando de uma forma que possamos dar uma mãozinha aos que estão em necessidade. Desejamos o melhor para o maior número de pessoas, e é por isso que devemos rejeitar a visão contemporânea de um sistema socialista imposto pelo governo nos EUA.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês da revista Charisma: How Socialism Very Nearly Destroyed the Pilgrims
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19 de novembro de 2018

Política externa brasileira: do marxismo ao ocultismo


Política externa brasileira: do marxismo ao ocultismo

Como entender o novo ministro das Relações Exteriores do Brasil Ernesto Araújo, sua fé guenoniana e sua má interpretação sobre as influências espirituais em Trump

Julio Severo
“Para tentar entender Trump, convém ler o mestre tradicionalista René Guénon, importante influência de Steve Bannon, ex‑estrategista‑chefe da Casa Branca e ainda central no movimento que levou Trump à presidência.” — Ernesto Araújo, novo ministro das Relações Exteriores do Brasil.
Depois de anos de socialismo na política externa brasileira, finalmente um diplomata brasileiro veio para atender às expectativas dos direitistas de reformá-la. Ele é Ernesto Henrique Fraga Araújo, de 51 anos, que, segundo a revista Bloomberg, é um “forte diplomata anticomunista e pró-cristão.”
Olavo de Carvalho e Ernesto Araújo
À primeira vista, a nomeação dele poderia ser interpretada como resultado de orações e da enorme onda conservadora que está varrendo o Brasil que acabou dando a presidência brasileira a Jair Bolsonaro. Essa onda é predominantemente evangélica, de acordo com reportagens dos EUA e de Israel.
Entretanto, uma olhada mais atenta revela que a nomeação dele não foi resposta às orações, e ele não está ligado à onda conservadora evangélica. O fato é que ele está ligado a um movimento ocultista que, usando um discurso tradicionalista e anticomunista, vem penetrando e parasitando a Igreja Católica.
Se não foi a enorme onda evangélica conservadora que levou Araújo ao Ministério das Relações Exteriores, quem o fez?
A pergunta importante agora é quais são as influências espirituais no homem que influenciará e mudará a política externa brasileira.
Uma manchete de 14 de novembro de 2018 no jornal Folha de S. Paulo diz: “Novo chanceler Ernesto Araújo foi indicado por Olavo de Carvalho.”
Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon
Em sua página de Facebook, Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, confirmou que “O nome do Embaixador Ernesto Araújo foi sugerido por Olavo de Carvalho.” Na verdade, Araújo era aluno de Carvalho.
Há três meses, Eduardo Bolsonaro se encontrou com Steve Bannon em Nova Iorque, dizendo em sua conta no Twitter que Bannon é “um entusiasta da campanha de Bolsonaro e estamos certamente em contato para unir força,” acrescentando que "temos a mesma cosmovisão.”
Eduardo Bolsonaro: Foi um prazer conhecer STEVE BANNON, estrategista da campanha presidencial de Donald Trump. Tivemos uma ótima conversa e temos a mesma cosmovisão. Ele disse ser um entusiasta da campanha de Bolsonaro e estamos certamente em contato para unir forças, especialmente contra o marxismo cultural.
Bannon é um adepto do ocultista islâmico René Guénon. Carvalho é, há décadas no Brasil, promotor de Guénon. Não surpreendentemente, Araújo, escrevendo em uma revista diplomática, “louvou” Trump louvando o que ele chama de “mestre” René Guénon. Em seu artigo intitulado “Trump e o Ocidente,” publicado na revista Cadernos de Política Exterior do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, Araújo disse:
Para tentar entender Trump… convém ler… o mestre tradicionalista René Guénon (importante influência de Steve Bannon, ex‑estrategista‑chefe da Casa Branca e ainda central no movimento que levou Trump à presidência). Guénon, escrevendo nos anos 1920, acredita que o Ocidente moderno havia‑se distanciado completamente da “tradição” (o núcleo espiritual de todas as civilizações e que se manifesta diferentemente, mas de forma coerente em cada uma delas), tornando‑se um poço de materialismo e ignorância, cujo único princípio é a negação de qualquer espiritualidade.
Francês convertido ao islamismo e vivendo no Egito, Guénon acreditava, entretanto, que somente o cristianismo, e especificamente o catolicismo, poderia talvez recuperar um mínimo de espiritualidade no Ocidente e salvá‑lo da completa aniquilação numa profunda idade das trevas, pois somente a Igreja Católica, segundo ele, preservava – embora latentes e incompreendidos por ela própria – os elementos da grande tradição. Diz Guénon:
É impossível não ouvir ecos guenonianos em Trump.
Eu só conheço Guénon por causa da propaganda que Carvalho vem fazendo por ele há anos no Brasil. Sem essa propaganda, Araújo e eu nunca teríamos ouvido falar do desconhecido ocultista islâmico. Mesmo assim, não ouvi nenhum “eco guenoniano” em Trump. Como Araújo conseguiu ouvi-los?
Se os católicos da Teologia da Libertação conseguem ouvir ecos marxistas até mesmo em Jesus Cristo e em Seu Evangelho, efetivamente sequestrando Sua mensagem, como outros oportunistas não poderiam fazer o mesmo com Jesus Cristo, Trump e outros? É impossível não ver o mesmo oportunismo nos guenonianos.
A primeira pergunta é: o que um diplomata está fazendo introduzindo um ocultista islâmico em uma revista diplomática publicada pelo Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil?
Outras questões também aparecem. Araújo disse que Guénon é “uma importante influência de Steve Bannon, exestrategistachefe da Casa Branca e ainda central no movimento que levou Trump à presidência.”
Ele está certo em dizer que Guénon é uma grande influência em Bannon — como ele é uma grande influência em Araújo e seu mestre Carvalho. Mas ele está obviamente mal informado quando diz que Bannon é central no movimento que levou Trump à presidência dos EUA. Aliás, Bannon foi demitido exatamente porque ele tentou fazer parecer que ele foi central para a vitória de Trump! Em sua mensagem pública sobre Bannon, Trump disse:
Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com minha presidência. Quando foi demitido, ele não só perdeu o emprego, ele perdeu também a cabeça. Steve era um funcionário que trabalhava para mim depois de eu já ter ganhado a indicação ao derrotar dezessete candidatos…
Agora que ele está sozinho, Steve está aprendendo que ganhar não é tão fácil quanto eu faço parecer. Steve teve muito pouco a ver com nossa vitória histórica… Steve não representa minha base, ele só está nisso para se autopromover.
Steve finge estar em guerra com a mídia, que ele chama de partido de oposição, mas ele passava seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para a mídia para se fazer parecer mais importante do que ele era. Essa é a única coisa que ele faz bem. Steve raramente estava em uma reunião frente a frente comigo e só finge ter tido influência para enganar algumas pessoas sem acesso e que não entendem, pessoas a quem ele ajudou a escrever livros fajutos.
Ao contrário da conclusão imaginária de Araújo, Trump deixou bem claro que Bannon não foi central para sua vitória. Houve um movimento enorme que levou Trump à presidência dos EUA, mas não era ocultista. Era evangélico. Os evangélicos foram a base principal de Trump. Os evangélicos, não Bannon ou Guénon, foram centrais para a vitória de Trump. Araújo deixou de fora essa informação importante. E, a propósito, os evangélicos também foram centrais para a vitória de Bolsonaro no Brasil, mas os adeptos de Guénon — desde Carvalho até Araújo — negam essa realidade e, assim como Bannon, eles se retratam como centrais para a vitória de Bolsonaro.
Araújo vê Guénon guiando Trump e suas ideias, embora Trump seja um evangélico e nunca tenha louvado Guénon. Como não ver Guénon guiando Araújo e suas ideias, quando ele claramente exalta Guénon como um “mestre” e fala sobre o tradicionalismo como fazem os seguidores de Guénon?
A bibliografia de “Trump e o Ocidente” tem Guénon e Júlio Evola como a base principal da defesa que Araújo faz do “tradicionalismo” e do Ocidente. Ele menciona ostensivamente “A Crise do Mundo Moderno” (“The Crisis of the Modern World,” Nova Iorque: Sophia Perennis, 2001), de René Guénon, e “Metafísica da Guerra” (“Metaphysics of War,” Londres: Arktos, 2001), de Júlio Evola.
Joshua Green, autor do livro “Barganha do Diabo: Steve Bannon, Donald Trump e a Invasão da Presidência” (“Devil’s Bargain: Steve Bannon, Donald Trump, and the Storming of the Presidency,” Penguin Publishing Group, 2017), disse que “O sentido antimodernista da filosofia de Guénon atraiu vários seguidores notáveis” e “O mais notório deles foi Júlio Evola,” que “aliara-se a Benito Mussolini, e suas ideias se tornaram a base da teoria racial fascista; mais tarde… as ideias de Evola ganharam força na Alemanha nazista.”
De acordo com Green:
“Os temas comuns do colapso da civilização ocidental e a perda do espírito transcendente em livros como ‘A crise do Mundo Moderno’ de Guénon (1927) e ‘A Revolta contra o Mundo Moderno’ (1934) de Evola atraíram o interesse de Bannon para o tradicionalismo (embora ele também foi muito atraído pelos seus aspectos espirituais, citando o livro de Guénon de 1925, ‘O Homem e Sua Transformação Conforme a Vedanta’, como ‘uma descoberta que mudou minha vida.’) Bannon… trouxe ao tradicionalismo de Guénon uma forte dose de pensamento social católico.”
Se Araújo queria falar sobre Trump e espiritualidade, ele foi irresponsável ao mencionar o que não tem nada a ver com Trump — Guénon e suas ideias ocultistas malucas — e ao não mencionar o que tem tudo a ver com Trump — o evangelicalismo.
Há excelentes livros sobre o conservadorismo de Trump (o qual Araújo trata como “tradicionalismo”), inclusive “Deus e Donald Trump” (God and Donald Trump), de Stephen Strang, e “A Fé de Donald J. Trump: Uma Biografia Espiritual” (The Faith of Donald J. Trump: A Spiritual Biography), de David Brody. Ambos os livros mostram as conexões evangélicas de Trump e que o alegado “tradicionalismo” de Trump é essencialmente evangélico — um fato negligenciado por Araújo, que escolheu usar dois ocultistas fascistas como suas principais fontes bibliográficas.
Seguindo Guénon, Araújo acredita que “somente o cristianismo, e especificamente o catolicismo, poderia talvez recuperar um mínimo de espiritualidade no Ocidente e salválo da completa aniquilação.” Araújo aprendeu isso de Guénon através de Carvalho, que sempre menciona isso.
Os ocultistas louvam a Igreja Católica como “salvadora” porque sabem que podem parasitá-la e usá-la. Os adeptos de Guénon parasitam indivíduos e instituições. Trump não é adepto de Guénon, mas os adeptos de Guénon o estão usando como símbolo do tradicionalismo guenoniano. A Igreja Católica não é guenoniana, mas seus adeptos a usam para encobrir suas operações.
Parece tática de esquerda. Aliás, em seu artigo intitulado “Sequestrar e Perverter” em seu blog pessoal Metapolítica, Araújo disse:
“A tática da esquerda consiste essencialmente no seguinte: sequestrar causas legítimas e conceitos nobres e pervertê-los para servir ao seu projeto político de dominação total.”
Guenonianos sequestram tudo e todos para sua revolução ocultista. Nos EUA, eles sob Bannon tentaram sequestrar Trump. “Barganha do Diabo” disse: “No verão de 2016, Bannon descreveu Trump como um ‘instrumento bruto para nós.’”
Mas Trump acabou acordando para a realidade. Bannon, que tem por Guénon a mesma simpatia que Ernesto tem, foi expulso da Casa Branca com toda a sua bagagem de tradicionalismo ocultista.
No Brasil, os guenonianos tentam sequestrar a onda conservadora, predominantemente evangélica, dizendo que seu criador é o guenoniano Olavo de Carvalho.
Araújo disse: “Ocidente de Trump é o patrimônio simbólico mais profundo das nações que o compõem. Nesse quadro, Deus mesmo não deixa de ser um símbolo, o supersímbolo.” Ele mencionou símbolos várias vezes em seu artigo. Ele está apenas seguindo seu antigo professor, Carvalho, que escreveu vários livros ocultistas, inclusive:
* Questões de Simbolismo Astrológico. São Paulo: Speculum. (1983)
* Astros e Símbolos. São Paulo: Nova Stella. (1985)
Araújo disse: “Quem não tem símbolos não pensa e não sente.” Sua imersão no curso de Carvalho deu-lhe uma fixação pelos símbolos.
Em sua mentalidade de símbolos ocultistas, Araújo disse: “Somente Trump pode ainda salvar o Ocidente.”
Mas não é qualquer Trump. Ele quer dizer o Trump que Bannon, Carvalho e ele escolheram como “símbolo” da revolução guenoniana. Claro, Trump não tem nada a ver com Guénon, Carvalho, Araújo e a paixão deles por Guénon. Contudo, eles o sequestraram para ser usado como um símbolo guenoniano.
Araújo criou um Trump de acordo com a imagem e semelhança de Guénon e agora ele usa esse Trump imaginário como um modelo tradicionalista, quando o modelo real, em sua mente e vida, é Guénon e Carvalho. Aliás, Araújo é autor de três romances de ficção. Ao usar sua experiência com ficção e ocultismo, o que ele vai fazer com a diplomacia brasileira?
Na verdade, o que ele vê não é um Trump moldado pelo próprio Trump. Ele vê um Trump que foi profundamente moldado por Bannon, um Trump que sem Bannon não seria o que ele é hoje. Ele vê Bannon e Guénon em Trump. Como Trump reagiria a isso?
Ele projeta todo o seu idealismo guenoniano em Trump. Ele não tem escolha. Não há um bom exemplo de influências guenonianas sobre um presidente, e a mais poderosa influência guenoniana no passado foi Júlio Evola sobre Benito Mussolini. Mas isso é fascismo com o ocultismo. Mesmo que direitistas tivessem vergonha de se associar a algo fascista, Araújo não se envergonhou de apresentar o conceito de tradicionalismo baseado no próprio Evola.
Araújo não achou útil usar diretamente Mussolini como exemplo de líder nacional influenciado por um conselheiro guenoniano, mas usou Trump, que acabou expulsando seu próprio conselheiro guenoniano. Assim, o único bom exemplo envolvendo Trump e o tradicionalismo guenoniano é que Trump expulsou seu conselheiro guenoniano. Esse é um bom exemplo que Jair Bolsonaro no Brasil deveria imitar.
Mas Araújo vê Trump como eternamente dependente da influência guenoniana de Bannon. Seu “Trump e o Ocidente” usa Trump como um instrumento bruto a serviço da ideologia guenoniana.
Araújo poderia ter usado o próprio Carvalho como um exemplo do suposto “sucesso” do tradicionalismo e antimarxismo guenoniano, especialmente porque Carvalho foi uma grande influência em seu pensamento. Mas o histórico perturbado e complicado de Carvalho não o tornaria um bom exemplo.
Mesmo assim, é muito preocupante que ele tenha usado como base bibliográfica Evola, cujas ideias tradicionalistas influenciaram Mussolini e a Alemanha nazista.
Assim como os socialistas usam um discurso de assistência aos pobres para promover sua agenda ocultista, os guenonianos usam um discurso tradicionalista e antimarxista para promover sua agenda ocultista.
Araújo defende um catolicismo parasitado por ocultistas como a força predominante na política ocidental.
Há uma diferença entre Steve Bannon e Olavo de Carvalho. Enquanto Bannon passou anos lendo Guénon e outros ocultistas, Carvalho fez muito mais: passou anos lendo e praticando Guénon. Por anos ele deu aulas de astrologia no Brasil. Ele adquiriu proeminência nacional no Brasil por ter fundado a primeira organização da astrologia e a Escola Júpiter, a primeira escola de astrólogos do Brasil no final da década de 1970.
Na sua posição de astrólogo chefe, ele foi entrevistado pela revista Veja, em 9 de abril de 1980, e pela TV Manchete, no início da década de 1980, para abordar questões de astrologia. Ambas as entrevistas o catapultaram para a fama nacional no Brasil.
Em 1981 ele traduziu para o português “A Metafísica Oriental,” de René Guénon, publicado pela sua Escola Júpiter. Carvalho herdou seu “antimarxismo” de Guénon, que era antimarxista.
Em 1989, ele fundou a Sociedade Brasileira de Astrocaracterologia para promover ideias astrológicas.
Araújo disse: “Os americanos são o último povo tradicionalista no Ocidente.” Essa é obviamente uma contradição em seu sequestro, porque se o pensamento guenoniano é que a Igreja Católica é a única salvadora do Ocidente, então uma conclusão honesta seria que o Brasil, a maior nação católica do mundo, seria a última nação tradicionalista no Ocidente.
Se os “americanos são o último povo tradicionalista no Ocidente,” então uma mente inteligente questionaria: qual é a tradição mais importante deles? Durante o nascimento da República deles, os americanos não eram guenonianos. Eles eram 98% protestantes. Eles eram esmagadoramente e apaixonadamente protestantes.
Mas protestante e evangélico são palavras não valorizadas no artigo de Araújo que supostamente elogia as tradições americanas. Ele simplesmente sequestrou Trump, os Estados Unidos e suas tradições protestantes para ser uma plataforma para as ideias guenonianas, embora a tradição evangélica dos EUA nunca tenha valorizado Guénon. Quando fala sobre os EUA e Trump, Araújo menciona muitas vezes mais o Guénon espirita do que o protestantismo bíblico. Como ele poderia estar em contato com a realidade espiritual americana?
Portanto, o Brasil agora tem um proselitista de Guénon ou Carvalho atuando como ministro das Relações Exteriores. Nessa posição, ele ensinará ao mundo, ainda que não diretamente, que a resposta espiritual não é o verdadeiro Evangelho e Jesus Cristo, mas uma Igreja Católica parasitada por seguidores de Guénon.
Os discursos de Araújo podem enganar cristãos ingênuos. O GospelPrime, o maior site evangélico do Brasil, disse: “Em vários textos assinados pelo novo chanceler em seu site pessoal, o Metapolítica, ele mostra ser um cristão praticante.”
Religiosamente, isso é uma contradição, porque em seu artigo “Em 1717, três pescadores” em Metapolítica Araujo louva “Aparecida,” o mais proeminente ídolo adorado pelos católicos no Brasil. Os evangélicos brasileiros geralmente veem os adoradores desse ídolo como “idólatras praticantes.” Mas, estranhamente, o GospelPrime o identifica como um “cristão praticante.” Se isso é verdade, por que muitos evangélicos brasileiros originalmente deixaram a Igreja Católica, Aparecida e outros ídolos? Eles pararam de ser “cristãos praticantes” quando deixaram seus ídolos do passado?
Talvez o GospelPrime tenha pensado que, pelo fato de que Araújo é um “anticomunista convicto,” isso o torna um “cristão praticante.” Então, pelo fato de que Guénon e seus seguidores ocultistas e esotéricos são “anticomunistas convictos,” todos eles são “cristãos praticantes”?
A definição de ser um “cristão praticante” mudou de um indivíduo que vive uma fé bíblica em Jesus para um indivíduo que vive uma vida “anticomunista convicta”? Isso mudaria radicalmente o Cristianismo de uma fé bíblica para uma fé ideológica espiritualista. Por causa do guenonianismo, até mesmo os evangélicos brasileiros parecem estar sofrendo uma mudança em suas atitudes.
Essa não é a primeira vez que o GospelPrime cede diante de adeptos de Guénon. O GospelPrime vem promovendo Bernardo Kuster, que produziu vídeos “anticomunistas convictos.” Ele era evangélico e trabalhava em uma igreja evangélica, mas depois que ele começou a estudar “filosofia” sob Carvalho, ele se tornou católico guenoniano, e agora, estranhamente, o GospelPrime tem mais artigos sobre ele do que sobre o próprio Lutero!
Assim, o caso de Araújo é semelhante a muitos outros casos de católicos que caíram sob o feitiço do tradicionalismo guenoniano e se tornaram proselitistas entusiastas dessa fé política esotérica.
Na revista diplomática, Araújo apela ao catolicismo, dizendo sobre a definição do Brasil:
“Vivemos na Ilha da Vera Cruz, na terra da Santa Cruz, mas não nos interessamos em saber o que esse nome original significa, em conhecer o destino a que esse nome convoca… Por que o destino nos deu primeiramente esse nome, ilha da cruz verdadeira, terra da cruz sagrada? Por que tão cedo o ocultou e o trocou pelo nome de uma árvore?… árvore da vida da cabala hebraica, que na cabala cristã se transforma também na cruz de Cristo.”
Ele apela ao mesmo tempo para o catolicismo e a cabala judaica, que significa “tradição,” mas que é definida pela Enciclopédia Popular da Apologética como “uma forma altamente desenvolvida do misticismo judaico… no nível do praticante supersticioso que se mete com ocultismo, a cabala recebe a mais forte condenação da própria Torá que pretende honrar: ‘Não pratique adivinhação ou feitiçaria’ (Levítico 19:26).”
Assim, na mente de Araújo, a essência católica do Brasil é semelhante à cabala, que não é aceita pela Bíblia e pela Igreja Cristã, mas é aceita pelos adeptos de Guénon.
O marxismo dominou politicamente o Brasil, a maior nação católica do mundo, porque a Igreja Católica já estava dominada pela Teologia da Libertação. Agora, uma minoria de católicos guenonianos, que sequestraram a enorme onda evangélica conservadora, quer que o governo brasileiro seja dominado pelo ocultismo de direita.
Araújo disse que “o Ocidente não está baseado em valores, não está baseado em tolerância nem em democracia, está baseado em Platão e Aristóteles.”
Então ele pensa que o Ocidente, especialmente os Estados Unidos, não é baseado em valores judaico-cristãos, mas em Platão e Aristóteles. Coincidência ou não, Carvalho, que era professor de Araújo, disse que, com a Bíblia, Platão e Aristóteles eram a literatura mais fundamental no início da República americana, embora o historiador americano Bill Federer tenha dito que os três livros mais fundamentais do início dos EUA eram a Bíblia, O Peregrino e o Livro dos Mártires de Fox (que expõe a Inquisição, defendida por Carvalho). Segundo a escritora conservadora Nancy Pearcey, os seguidores de Guénon têm uma fixação em Platão.
Conclusão: O artigo de Araújo “Trump e o Ocidente” é espiritual, mais especificamente espiritualista. É um artigo altamente religioso para uma revista diplomática. Trump é apenas um expediente para Araújo abordar confortavelmente Guénon e seu tradicionalismo e antimarxismo ocultista. Um artigo que realmente abordasse Trump e espiritualidade teria mencionado o evangelicalismo tantas vezes quantas Araújo mencionou Guénon e o tradicionalismo. Sem saber, Trump foi usado por um guenoniano.
Essa não é a primeira vez que Trump é usado por católicos guenonianos. No ano passado, um deles escreveu que, assim como Trump é difamado e atacado por suas posturas conservadoras, assim também a Inquisição e seu suposto papel bom em favor da justiça são difamados e atacados. Eles rejeitam totalmente as versões históricas que retratam a Inquisição como uma máquina de tortura e morte contra judeus e protestantes. E Carvalho é o rejeitador brasileiro mais proeminente.
É impossível entender Trump sem reconhecer a enorme influência evangélica em sua vitória. Da mesma forma, é impossível entender Araújo sem reconhecer a influência enorme de Carvalho e Guénon em sua vida.
Como um católico guenoniano (o sincretismo católico é muito comum no Brasil), Ernesto Araújo pode aceitar Guénon e seu tradicionalismo ocultista e rejeitar o marxismo. Como de costume entre os guenonianos, ele não reconhece o papel maciço da onda evangélica conservadora que colocou Trump na presidência dos EUA e Bolsonaro na presidência brasileira.
Ao contrário de Araújo, que disse que para entender Trump você deveria ler seu mestre tradicionalista René Guénon, eu recomendaria que para entender Trump você deveria ler os livros dos líderes evangélicos que aconselham Trump.
Entretanto, para entender Araújo e seus sofismas diplomáticos, você deveria ler Guénon.
O grande problema nos EUA são os neoconservadores e outros fomentadores de guerra sequestrando causas conservadoras e atraindo cristãos conservadores para apoiar guerras. O grande problema no Brasil são guenonianos e outros ocultistas e católicos sincréticos sequestrando causas conservadoras e atraindo cristãos conservadores para apoiar seu falso conservadorismo. Neoconservadores, guenonianos e outros ocultistas são tão perigosos quanto os marxistas.
Como um conservador evangélico, rejeito o neoconservadorismo e a utopia e sofisma tradicionalista guenoniana. E como membro da mesma onda conservadora evangélica que colocou Trump na presidência dos EUA e Bolsonaro na presidência brasileira, reconheço o papel maciço dessa onda e rejeito tanto o marxismo quanto o ocultismo. Para mim, ambos são lados diferentes da mesma moeda.
Versão em inglês deste artigo: Brazilian Foreign Policy: From Marxism to Occultism
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