16 de outubro de 2018

Trump e seus juízes, um para os conservadores e um para os ativistas gays


Trump e seus juízes, um para os conservadores e um para os ativistas gays

Julio Severo
Quando uma questão envolve valores morais e cristãos, agradar aos dois lados é uma estratégia política, não uma estratégia conservadora. O presidente dos EUA, Donald Trump, acaba de fazer isso. De acordo com o proeminente site conservador LifeSiteNews, em uma reportagem intitulada “Trump escolhe membro assumidamente gay de organização LGBT para o tribunal federal liberal do nono circuito,” Trump escolheu Patrick Bumatay, “outro juiz homossexual ligado a um grupo legal LGBT.”
“Bumatay também seria o segundo juiz assumidamente homossexual de um tribunal federal de recursos dos EUA e o primeiro no Nono Circuito,” disse LifeSiteNews, acrescentando: “O comunicado de imprensa da Casa Branca também observa que ele é membro da Associação Tom Homann de Direito LGBT, uma organização dedicada ao ‘avanço das questões gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros em toda a Califórnia e nnos EU.’”
Trump nomeou várias autoridades pró-homossexualismo para vários cargos no governo e deu continuidade a várias políticas pró-LGBT da era Obama, como o Departamento de Estado dos EUA pressionando outras nações a adotarem a ideologia homossexual.
Trump publicamente elogiou a entidade pró-LGBT Log Cabin Republicans em janeiro, e declarou após a eleição que a decisão do Supremo Tribunal de 2015, sob Obama, forçando todos os cinquenta estados americanos a reconhecerem o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo era “lei já estabelecida.” Isto é, ele não tem intenção de lutar para proteger o casamento tradicional contra o ataque de ativistas homossexuais e suas conquistas durante o governo Obama. Quão diferente de Obama, que tinha toda a força de vontade para lutar contra o casamento tradicional.
Contudo, os conservadores dos EUA poderiam pensar, pelo menos Trump nos deu Brett Kavanaugh, um juiz conservador forte, não é?
Na verdade, havia juízes mais conservadores e Kavanaugh teve inicialmente a oposição do grupo conservador Associação da Família Americana porque ele não era tão conservador. No final, os conservadores tiveram de aceitar a escolha de Trump, porque é melhor um homem com alguns valores conservadores do que outro ativista gay, e Trump não tem mostrado escrúpulos em nomear ativistas gays.
Trump tem um histórico de agradar aos dois lados. No passado, ele dava dinheiro para a Federação de Planejamento Familiar, a maior rede de clínicas de aborto nos EUA e, ao mesmo tempo, para Billy Graham! É semelhante a louvar a Deus e Satanás ao mesmo tempo.
O apoio da sodomia é algo muito sério. Destruiu toda uma sociedade, Sodoma. Aliás, a sodomia já minou a instituição do casamento nos Estados Unidos, e seu atual presidente não está disposto a fazer nada para reverter a subversão gay do casamento.
Provavelmente, ninguém explicou melhor a política de Trump, ou a política americana, do que Chuck Baldwin, um pastor evangélico patriota dos EUA. Em seu artigo “What You Don’t Know About Brett Kavanaugh Can And Will Hurt You,” (O que você não sabe sobre Brett Kavanaugh pode e vai prejudicar você), Baldwin disse:
Conservadores e cristãos estão freneticamente empolgados com o fato de Brett Kavanaugh ter sido confirmado pelo Senado dos EUA como o mais novo juiz do Supremo Tribunal dos EUA. Vendo toda a euforia sobre a confirmação de Kavanaugh, alguém poderia pensar que ele estava anunciando a Segunda Vinda de Jesus Cristo. Ele não está. Mas sua nomeação anuncia outras coisas — muitas delas ruins.
Primeiro, deixe-me discutir brevemente a animosidade entre democratas e republicanos que foi colocada em exibição pública durante as audiências de confirmação. Como tenho tentado mostrar ao povo americano nas últimas décadas, todo o paradigma democrata-republicano, esquerdista-conservador, é pura propaganda. Não é nada além de teatro público. Ambos os lados usam a demagogia “nós contra eles” como uma maneira de manter seus eleitores, que engolem a farsa, felizes o suficiente para continuarem elegendo e reelegendo-os para cargos públicos.
Para usar uma analogia com a qual muitos fãs de esportes podem se identificar no momento, a rivalidade entre democratas e republicanos é equivalente à rivalidade entre os times New York Yankees e Boston Red Sox (adaptação brasileira: Corinthians e Flamengo). Cada lado está torcendo como um louco por seu time e vaiando furiosamente o outro time. Mas ambos os times estão jogando o mesmo jogo; eles estão jogando e chutando a mesma bola; e eles estão correndo as mesmas bases. É puro entretenimento. E é isso que os dois principais partidos em Washington, D.C., estão fazendo. Eles gritam e torcem pelo seu time e vaiam e assobiam contra o outro time, mas eles estão jogando o mesmo jogo. É puro entretenimento.
A rivalidade entre esquerda e direita é puro teatro nos EUA. Não é sobre a Constituição, a Declaração de Direitos, a Declaração de Independência, a verdade, a liberdade ou o jeito americano; é tudo sobre poder político. Ah, pode haver um punhado de liberais e conservadores inflexíveis que são realmente motivados por ideologia, mas o que impulsiona a grande maioria desses canalhas — também conhecidos como políticos — é poder: poder puro, descarado e bruto.
A outra coisa que a falsa rivalidade entre democratas e republicanos (esquerdistas e conservadores) faz é ofuscar eventos realmente importantes que estão acontecendo e que nenhum dos lados quer que o povo americano saiba.
Por exemplo, enquanto a maioria dos americanos estava paralisada e hipnotizada no caso de Brett Kavanaugh… Eles não perceberam que o Partido Republicano e Donald Trump aprovaram uma lei de gastos enormes de US$ 854 bilhões que financia totalmente a Federação de Planejamento Familiar e pesquisas com órgãos de fetos. Eles não perceberam que o relatório anual de gastos do governo foi publicado e que Trump e o Partido Republicano explodiram o déficit federal em mais de US$ 1 trilhão.
Baldwin então mostra que o histórico de Kavanaugh não é tão conservador, um fato que todo verdadeiro conservador já sabe, e ele pergunta por que Trump ferozmente defendeu Kavanaugh contra as mesmas acusações sexuais que o juiz Roy Moore, que é muito mais conservador, sofreu de todo o universo esquerdista, mas sem a defesa de Trump:
… Uma das hipocrisias mais notórias do Presidente Trump e dos republicanos no Senado dos Estados Unidos: Como foi que Trump e o Partido Republicano ficaram sentados e não fizeram absolutamente nada para ajudar o juiz Roy Moore quando ele foi acusado de impropriedades sexuais de décadas atrás? Trump e o Partido Republicano deixaram o juiz Moore ser devorado pelos lobos, mas depois fizeram uma defesa feroz, como um ninho de vespas defendendo sua rainha, quando Kavanagh foi acusado de maneira semelhante. Por quê? Hã? Por quê?
Cristãos conservadores não devem apoiar qualquer item da agenda homossexual só porque Trump está sendo irresponsável nessa questão. Seria a mesma coisa de um cristão apoiando adultério e assassinato só porque o rei Davi adulterou com Bate-Seba e mandou matar o marido dela. Sim, Davi era um homem segundo o coração de Deus — algo que Trump está muito longe de ser. Mas quando ele adulterou e matou, ele fez a vontade do diabo. Não vamos pois usar o mau exemplo de Trump para justificar o homossexualismo ou o ativismo gay.
Artigos de Chuck Baldwin:
Artigos sobre o Juiz Roy Moore:
Leitura recomendada:

15 de outubro de 2018

Crença evangélica em reencarnação e astrologia surpreendentemente alta nos Estados Unidos, revela pesquisa


Crença evangélica em reencarnação e astrologia surpreendentemente alta nos Estados Unidos, revela pesquisa

Michael Foust
Aproximadamente metade dos americanos que se identificam como evangélicos afirma crer em pelo menos um dos dogmas da Nova Era, inclusive um terço que acredita em médiuns e um em cada cinco que acredita em reencarnação ou astrologia, de acordo com uma nova pesquisa do Centro de Pesquisas Pew.
A pesquisa de cristãos e não-cristãos revelou que crenças na Nova Era podem ser mais difundidas do que se pensava anteriormente.
Entre os americanos que se identificam como evangélicos:
* 24% acreditam que “a energia espiritual pode estar localizada dentro de coisas físicas.”
* 33% acreditam em médiuns.
* 19% acreditam em reencarnação.
* 18% acreditam na astrologia.
Quarenta e sete por cento dos evangélicos americanos afirmam crer em pelo menos um dos quatro principais dogmas da Nova Era. Essa percentagem é ainda elevada entre católicos (70%), protestantes históricos (67%) e protestantes da tradição historicamente negra (72%). Vinte e dois por cento dos ateus e 56% dos agnósticos afirmam crer em pelo menos um dos quatro principais dogmas da Nova Era.
Entre a população em geral, 69% das mulheres e 55% dos homens acreditam em pelo menos um dos dogmas da Nova Era.
“Assim como as mulheres são mais propensas que os homens a se identificar com uma religião e se engajar em várias práticas religiosas, as mulheres também são mais propensas a manter crenças na Nova Era,” escreveu Claire Gecewicz, analista de pesquisa do Centro de Pesquisas Pew. “Em todas as quatro medidas — crença em médiuns, reencarnação, astrologia e que a energia espiritual pode ser encontrada em objetos — muito mais mulheres do que homens aceitam essas crenças.”
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do Christian Headlines: Evangelical Belief in Reincarnation and Astrology Shockingly High, Survey Finds
Leitura recomendada:

13 de outubro de 2018

Evangélicos exercem poder de voto em toda a América Latina, inclusive o Brasil


Evangélicos exercem poder de voto em toda a América Latina, inclusive o Brasil

Especialista diz que a recente decisão da Guatemala de mudar sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém se deve ao evangelicalismo adotado pelo presidente Jimmy Morales.

Tupac Pointu
As igrejas evangélicas estão crescendo na América Latina tradicionalmente católica e com o crescimento desse movimento religioso, sua influência — inclusive nas eleições deste fim de semana no Brasil — está transformando a região e movendo sua política para a direita, dizem analistas.
Nesta foto tirada em 21 de setembro de 2018 evangélicos oram em uma igreja evangélica em Brasília pela recuperação do candidato presidencial de direita brasileiro Jair Bolsonaro, que sofreu um atentado com faca durante um comício de campanha (AFP PHOTO/EVARISTO SA)
Fortemente contra o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a legalização da maconha e a ideologia esquerdista em geral, o movimento evangélico impulsionou os conservadores e ajudou a derrubar vários governos de esquerda em toda a América Latina.
Igrejas evangélicas poderosas estão agora ajudando a mudar a situação no Brasil, onde o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro está no topo das pesquisas antes do primeiro turno da eleição presidencial de domingo.
“As recentes eleições no Chile, Costa Rica, México, Colômbia, Guatemala e a próxima no Brasil revelam uma maior polarização eleitoral e uma mudança para a direita política,” diz Andrew Chesnut, diretor de Estudos Católicos da Universidade Commonwealth da Virginia.
No México, “embora seja de centro-esquerda, López Obrador sentiu que tinha de fazer uma aliança com um pequeno partido conservador fundado por um pastor pentecostal, para garantir sua vitória,” diz Chesnut, referindo-se ao presidente eleito Andres Manuel López Obrador.

Fervor político

A América Latina tem 40% dos católicos romanos do mundo, mas as igrejas evangélicas que nasceram do protestantismo americano no início dos anos 1900 estão atraindo mais e mais seguidores, e elas são cada vez mais influentes nas eleições.
De acordo com um estudo de 2014 do Centro de Investigações Pew nos EUA, um em cada cinco latino-americanos é evangélico.
Essa cifra sobe para 41% em Honduras e na Guatemala, onde o general Efrain Rios Montt se tornou o primeiro chefe de Estado pentecostal do mundo quando chegou ao poder em um golpe militar de 1982.
A maioria das novas igrejas é pentecostal, um movimento energizado pela expectativa da iminente segunda vinda de Cristo.
O crescimento pentecostal tem sido tão forte no Brasil que esse gigantesco país sul-americano “agora abriga a maior população pentecostal do mundo com mais seguidores do que até mesmo nos EUA,” disse Chesnut.
William Mauricio Beltran, professor da Universidade Nacional da Colômbia, disse que as igrejas evangélicas “conseguiram responder melhor às necessidades das novas gerações de latino-americanos.”
“Particularmente no contexto de uma mudança social acelerada, caracterizada pela rápida urbanização e globalização, aumento da incerteza e aumento da pluralização social.”
Esses “processos que deixaram grandes setores da população excluídos, ou com pouquíssimas oportunidades”.
Tanto para Beltran quanto para Chesnut, os escândalos de pedofilia na Igreja Católica — do tipo que atualmente atormenta a Igreja no Chile — ajudaram a empurrar mais cristãos para os movimentos evangélicos.

No coração do debate político

O evangelicalismo tem desempenhado um papel fundamental em algumas das maiores revoluções políticas da América Latina nos últimos anos, disse Gaspard Estrada, especialista em política latino-americana na Universidade de Ciência Po, em Paris.
Elas incluem o impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, a votação do “Não” no referendo colombiano sobre o acordo de paz das FARC em 2016, e a recente decisão da Guatemala de mudar sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.
“Os temas que são muito valorizados pelos evangélicos estão cada vez mais presentes no debate público,” disse Estrada.
Ele ressalta que o evangelicalismo adotado pelo presidente guatemalteco Jimmy Morales pesou muito em sua decisão de transferir a embaixada.
De acordo com os evangélicos, os judeus deveriam reconstruir seu templo bíblico em Jerusalém, o que é um passo fundamental em uma série de eventos que levarão a uma segunda vinda de Jesus Cristo na Terra.
“Os pastores evangélicos intervêm muito mais no dia a dia dos seguidores, não veem problema em convocar as pessoas para votar em alguém,” disse Estrada.
Antes da eleição do Brasil no domingo, a influente Igreja Universal do Reino de Deus adotou postura pública forte em favor de Bolsonaro, o ex-capitão do exército que é o favorito para vencer.

Mudando para a direita

Mais do que uma mudança para a direita, o crescimento evangélico explosivo “é uma vitória para o movimento alternativo,” acredita Estrada.
“Por causa dos escândalos de corrupção, falta de liderança e crescimento estagnado, há uma radicalização do eleitorado na América Latina. Os eleitores estão sendo empurrados para candidatos extremos e alternativos,” disse Estrada.
“Essa manifestação do voto evangélico e conservador é uma reação ao avanço do voto feminista e da sociedade civil.”
De acordo com Beltran, da Universidade Nacional da Colômbia, as igrejas evangélicas estão conseguindo se mobilizar em uma máquina política “cujo papel e poder devem ser levados em conta em cada eleição.”
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do jornal israelense Times of Israel: Evangelicals wield voting power across Latin America, including Brazil
Leitura recomendada:

12 de outubro de 2018

Pai alemão indiciado por proteger sua filha contra a agressão sexual de imigrante


Pai alemão indiciado por proteger sua filha contra a agressão sexual de imigrante

Robert Spencer
É assim que se parece quando uma sociedade está cometendo suicídio.
“Pai alemão indiciado por proteger sua filha contra a agressão sexual de imigrante,” Voz da Europa, 5 de outubro de 2018:
Um homem que protegeu sua filha de 21 anos contra um africano que estava apalpando o traseiro dela será incriminado de causar danos físicos.
Na estação de trem de Hackerbrücke em Munique, um imigrante bêbado de 28 anos de idade, originário da Eritreia, agarrou uma alemã por debaixo da saia na terça-feira.
Quando seu pai viu o ataque sexual, ele deu um soco na cara do homem africano para fazê-lo parar.
Um funcionário da empresa ferroviária alemã Deutsche Bahn testemunhou o incidente e alertou a polícia federal.
A polícia alemã decidiu apresentar duas acusações: uma contra o migrante por agressão sexual e outra contra o pai por causar danos físicos.
Muitos alemães ficaram chocados com o caso contra o pai, acreditando que o homem agiu em defesa de sua filha. Comentários abaixo de um post no Facebook sobre as acusações mostram que muitos não entendem o motivo por que o pai está sendo punido por proteger sua filha…
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do JihadWatch: German father charged for protecting his daughter against sexual assault by migrant
Leitura recomendada:
Leitura recomendada:
Leitura recomendada sobre estupros muçulmanos:

11 de outubro de 2018

Revista americana Foreign Policy acusa que campanha de propaganda de Jair Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil, foi inspirada diretamente de manual nazista


Revista americana Foreign Policy acusa que campanha de propaganda de Jair Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil, foi inspirada diretamente de manual nazista

Julio Severo
Em uma reportagem intitulada “Jair Bolsonaro’s Model Isn’t Berlusconi. It’s Goebbels” (O modelo de Jair Bolsonaro não é Berlusconi. É Goebbels), Foreign Policy, uma revista especializada dos EUA com sede em Washington D.C., disse: “O líder brasileiro de extrema direita não é apenas mais um populista conservador. Sua campanha de propaganda se inspirou diretamente em manual nazista.”
Jair Bolsonaro
“Ele quer que criminosos sejam sumariamente fuzilados em vez de serem julgados em tribunais. Ele apresenta os povos indígenas como ‘parasitas’ e também defende formas discriminatórias, eugenicamente planejadas, de controle da natalidade. Bolsonaro alertou sobre o perigo representado pelos refugiados do Haiti, África e Oriente Médio, chamando-os de ‘a escória da humanidade,’” disse Foreign Policy, que acrescentou: “Nessas e outras declarações, o vocabulário de Bolsonaro lembra a retórica por trás das políticas nazistas de perseguição e vitimização.”
Aliás, o termo “nazista” aparece surpreendentemente 34 vezes na reportagem de Foreign Policy sobre Bolsonaro. Foreign Policy disse:
No Brasil e em outros lugares, populistas de direita estão cada vez mais agindo como nazistas e, ao mesmo tempo, repudiando esse legado nazista ou até mesmo culpando a esquerda por isso. Para os membros pós-fascistas do movimento direitista alt-right, agir como um nazista e acusar seu adversário de ser isso não é contradição. Aliás, a ideia de um nazismo esquerdista é um mito político que tem como base direta os métodos da propaganda nazista.
Segundo direitistas brasileiros e negadores do Holocausto, é a esquerda que ameaça reviver o nazismo. Isto é, naturalmente, uma falsidade que vem diretamente do manual nazista. Os fascistas sempre negam o que são e atribuem suas próprias características e sua própria política totalitária aos seus inimigos.
Embora Hitler tivesse acusado o judaísmo de ser o poder por trás dos Estados Unidos e da Rússia e dissesse que os judeus queriam começar uma guerra e exterminar os alemães, foi ele quem iniciou a Segunda Guerra Mundial e exterminou os judeus europeus. Os fascistas sempre substituíram a realidade por fantasias ideológicas. É por isso que Bolsonaro apresenta os líderes da esquerda como imitadores modernos de Hitler, quando na verdade ele é o único candidato próximo ao Führer em estilo e substância.
O que a reportagem não explicou é como Bolsonaro pode ser nazista se ele é o único candidato que prometeu transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, enquanto os outros candidatos prometeram melhores relações com os palestinos, que atacam os judeus como os nazistas atacavam. Será que ser pró-Israel significa ser nazista? Se assim for, Bolsonaro se encaixa nessa acusação. Eu também.
A reportagem foi escrita pelo escritor judeu Federico Finchelstein, que tem livros publicados sobre fascismo, antissemitismo, o Holocausto e história judaica.
Discordo da visão radical do sr. Finchelstein. Qual é a natureza ideológica da revista Foreign Policy para publicar essa reportagem radical?
Provavelmente neocon. Os neocons adoram bater, xingar e atacar a Rússia e o presidente russo Vladimir Putin. Foreign Policy tem, não por acaso, várias reportagens tratando Putin do mesmo jeito que tratou Bolsonaro.
Em sua reportagem “Putin quer Deus (ou Pelo Menos a Igreja) do Seu Lado,” Foreign Policy disse: “Nos últimos anos, o presidente russo Vladimir Putin abraçou aspectos dessa ideologia imperial cristã, exigindo que as autoridades estatais leiam alguns dos filósofos cristãos que surgiram no crepúsculo do Império Russo.”
Foreign Policy acrescentou: “A nova defesa russa dos chamados valores tradicionais, como a homofobia e a oposição ao feminismo e ao secularismo, recebeu um impulso forte da Igreja Cristã Ortodoxa — e de simpatizantes de extrema-direita no Ocidente.”
Em sua reportagem contra Bolsonaro, Foreign Policy argumentou que ele também tem valores tradicionais, como a homofobia e a oposição ao feminismo e ao secularismo.
Como todos os neoconservadores fazem, Foreign Policy reclama repetidamente sobre as tentativas de Trump de fazer amizade com Putin e a Rússia como aliados necessários contra o terrorismo islâmico.
A crítica de Foreign Policy, usando um autor judeu, a Bolsonaro é injustificada. Se Bolsonaro é tão radical como retratam os especialistas de Foreign Policy em Washington D.C., o que são seus inimigos? Fernando Haddad, que enfrenta Bolsonaro nas eleições brasileiras, é membro do Partido dos Trabalhadores, um partido socialista que arruinou o Brasil. O ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, estrela do Partido dos Trabalhadores, está cumprindo uma longa pena de prisão por corrupção.
Haddad e seus companheiros socialistas buscam a promoção do aborto, do socialismo e da homossexualidade. Aliás, Haddad é o autor do infame “kit gay,” um material para homossexualizar crianças em idade escolar.
Foreign Policy disse em sua reportagem anti-Bolsonaro, “Bolsonaro, que também é conhecido como o Trump brasileiro, está sendo aconselhado por Steve Bannon em sua campanha.”
Bannon é um católico tradicional com um profundo interesse no misticismo e no esoterismo, especialmente em um obscuro esoterista francês chamado René Guénon — um feiticeiro antimarxista. Em resumo, Bannon é um adepto da Nova Era.
Embora o presidente Trump tivesse Bannon como um de seus conselheiros, Trump o expulsou como um oportunista e traidor, e ele desenvolveu uma profunda hostilidade para com ele, especialmente depois que Bannon colaborou no livro anti-Trump “Fire and Fury” (Fogo e Fúria), escrito pelo escritor de esquerda Michael Wolff.
Hoje, Trump não quer nada com Bannon. Então, por que Bolsonaro quer?
Embora as acusações de Foreign Policy contra a Bolsonaro tenham sido exageradas, na verdade existem indivíduos extremistas entre seus seguidores. Esses extremistas já foram denunciados por seu candidato a vice-presidente. Esses extremistas defendem a ideia bizarra de que os crimes da Inquisição contra judeus e protestantes são mentiras e mitos, e que, na verdade, a Inquisição era um tribunal de misericórdia.
Se Foreign Policy tivesse dirigido suas críticas apenas a tais defensores da Inquisição, eu teria entendido, porque Finchelstein, como judeu, tem todo o direito de condenar o que a Inquisição fez aos judeus. Mas Foreign Policy não os atacou. Atacou Bolsonaro.
Embora Bolsonaro não tenha defendido essa ideia bizarra, mesmo assim ele tem recomendado seu mais proeminente defensor no Brasil, Olavo de Carvalho, que por sinal também é, como Bannon, um velho adepto e promotor de René Guénon. Carvalho é o tradutor para o português de um dos livros de Guénon, autor de vários livros ocultistas e autor de muitos comentários contra os evangélicos, inclusive a infame declaração: “As igrejas evangélicas fizeram mais mal ao Brasil do que a esquerda inteira.”
Não sei se Bolsonaro vai fazer com esses dois adeptos “católicos” de Guénon o que Trump fez com Bannon: expulsão.
Entretanto, a vitória de Bolsonaro não depende deles. Como reconhecido até mesmo pela grande mídia americana, a maior chance de o Bolsonaro católico conquistar a presidência do Brasil são os evangélicos.
Como o Brasil é o maior país católico do mundo, com 60% dos brasileiros se identificando como católicos, Bolsonaro deveria ser o candidato deles e ter uma vitória muito fácil. Mas o catolicismo brasileiro está empesteado de teologia da libertação. Por isso, cabe a uma minoria de evangélicos brasileiros, que são esmagadoramente pentecostais e neopentecostais, defender valores conservadores.
Bolsonaro certamente não é o melhor homem que os evangélicos gostariam para representá-los na presidência do Brasil. Mas com um candidato socialista pronto para persegui-los e promover o aborto, o socialismo e a homossexualidade, nenhuma outra opção restou para os evangélicos.
Assim, os evangélicos são a melhor chance para Bolsanaro, que eles escolheram por causa de pura falta de opção. Eu mesmo o escolhi, por suas promessas de legalizar a educação escolar em casa (tradicionalmente criminalizada no Brasil) e revogar as leis de controle de armas em um Brasil cuja cultura católica sempre foi anti-armas nas mãos de pessoas comuns. A cultura católica é tão forte que tanto Bolsonaro quanto seu adversário socialista são católicos.
É um sinal muito bom que neocons em Washington D.C. estejam se opondo a Bolsonaro. Mas é um péssimo sinal que ele esteja sendo aconselhado por adeptos de Guénon. E um deles, Carvalho, é tão neocon e anti-Rússia quanto é Foreign Policy.
Foreign Policy é apenas uma mídia neocon de notícias falsas de Washington D.C. Foreign Policy tornou-se alvo de riso por causa de uma reportagem judaica que não ataca o fervor pró-inquisição entre extremistas católicos de direita no Brasil, mas rotula como “nazista” um candidato que prometeu mudar a embaixada brasileira para Jerusalém. Afinal, quanto de “nazista” há nessa mudança?
O que Bolsonaro vai fazer para dissipar as acusações ridículas de que ele é “nazista”? Ele vai suavizar nas questões do aborto, socialismo e homossexualidade? Ou ele está usando essas questões controversas apenas para atrair o poderoso voto evangélico conservador?
Há algo que Foreign Policy não mencionou. O nazismo estava imerso no ocultismo — o que os evangélicos chamam de Nova Era. Nesse sentido, há algumas coisas “nazistas” entre os seguidores de Bolsonaro, da mesma forma que havia o mesmo problema no círculo de Trump. Contudo, Trump resolveu esse problema removendo o esotérico e cercando-se de pregadores evangélicos e neopentecostais como seus conselheiros.
Se Bolsonaro for inteligente, ele não vai expulsar ou suavizar em posições conservadoras contra o aborto, o socialismo e a homossexualidade para agradar à mídia de notícias falsas. Ele vai expulsar exatamente o que Trump expulsou: os oportunistas e traidores.
O que posso dizer é que se Foreign Policy e Federico Finchelstein conhecerem Bolsonaro mais de perto sem seu preconceito neocon, eles definitivamente não condenarão a ele, mas aos adeptos dele que defendem a Inquisição. Esses eles chamarão merecidamente de nazistas, pois tanto a Inquisição quanto o nazismo perseguiam, torturavam e matavam judeus. E eles elogiarão as posturas pró-Israel de Bolsonaro, inclusive sua promessa de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém. Não há nada mais judaico, e nada menos nazista, do que isso.
Leitura recomendada:
Leitura recomendada sobre a Inquisição: